sábado, junho 06, 2015

Para nós, direitos; para outros, deveres!



A Grécia tem direito a escolher o seu próprio futuro, afirma Vladimir Putin, mas porque será que a Ucrânia ou a Moldávia não têm?

Na véspera da sua visita a Itália, o Presidente russo Vladimir Putin deu uma entrevista ao jornal Corriere della Sera, a fim de justificar uma vez mais a justeza da sua política e a atirar as culpas de todos os desaires para cima do chamado Ocidente, mas com argumentos bastantes curiosos.
Estou convencido de que não foi a Rússia a culpada pela deterioração das relações entre a Federação da Rússia. Essa não foi uma opção nossa, foi-nos imposta pelos nossos parceiros”, declarou ele.
No país governado por Putin, a maioria das pessoas podem acreditar nessa fábula pois são diariamente bombardeados com doses de lavagem ao cérebro, mas o Presidente russo parece querer continuar a fazer dos europeus idiotas. Como é sabido, tudo começou com a invasão da Crimeia pela Rússia no ano passado.
Claro que podem dizer que isso foi uma resposta da Rússia às convulsões internas na Ucrânia, à tomada do poder por “nazis”, ao avanço da NATO, etc. Mas é curioso assinalar que o dirigente russo quer chamar a si o direito de juiz.
Ao falar da situação em torno da Grécia, Putin declarou que a Rússia tem relações históricas muito próximas... e, por isso, é uma escolha soberana do povo grego decidir em que uniões participar, em que zonas de encontrar”. Então os gregos podem e os ucranianos, moldavos ou georgianos não podem optar?
Quanto às relações entre a Rússia e a NATO, a conclusão é ainda mais “surpreendente”. O dirigente russo afirma que só “uma pessoa doente [mental] pode imaginar a Rússia a atacar subitamente a NATO”. Sendo assim, Putin deve ter muito cuidado com as “pessoas doentes” do lado contrário, pois segundo as palavras dos dirigentes e da propaganda russa, a Aliança Atlântica não descansa enquanto não dominar, não esquartejar e fazer desaparecer do mapa a Rússia.
Fico deveras espantado como é ainda há pessoas que acreditam nas palavras de Vladimir Putin, tendo em conta a sua correlação com a realidade. Recomendo-lhes ver alguns programas de canais de televisão russos para compreenderem o que realmente a propaganda de Moscovo pensa dos europeus e ocidentais em geral. O ódio destilado por comentadores e políticos ultrapassa Goebbels de longe.
Quem tem mestres como Alexandre Duguin, teórico nacional-socialista que afirmou perante os seus estudantes da Universadidade de Moscovo que é preciso “matar todos os ucranianos”, não deve aprender nada de bom.

O canal Russia Today é para consumo externo e, por conseguinte, tem de ter um aspecto mais respeitável para não provocar vómitos.

8 comentários:

Anónimo disse...

Tenho vergonha do senhor Milhazes ser português...

José Milhazes disse...

Ainda bem que não é um anónimo que decide se eu deva ou não ser português.

Ricardo disse...

Oras, cada um defende o seu lado. Rússia defende o dela e os EUA o seu, apenas isso. Como sempre foi. Se os norte-americanos estivessem realmente preocupados com democracia eles pressionariam a Arábia Saudita seu regime sanguinário que pendura seres humanos em guindastes para serem expostos nas suas cidades e tratam as mulheres como animais. Mas, estranhamente os EUA e a UE ignoram por completo estes fatos. Esta é só mais uma prova que são tão cínicos quanto Putin! Nem comentarei o que a UE anda a fazer com aqueles pobres coitados que vem da África em busca de comida, pois se o fizer a moral dos europeus vai a zero

Sérgio disse...

Sr. Milhazes parabéns pela sua lucidez nas análises que sempre fez do regime Russo. Já aquando da intervenção Russa na Geórgia havia quem entendia que a Russia tinha sido provocada e tinha todo o direito a intervir dessa forma, apesar de ser tão claro onde a politica de Putin levaria a Russia e o próprio mundo alguns anos depois, que é a atual situação que vivemos. Recordo que Putin tudo fez para que a Ucrania se mantivesse na sua esfera de influencia e foram as pessoas Ucranianas em manifestações na capital que disseram não a esse tipo de acordos feitos pelos seus dirigentes nas costas do povo e contra os seus interesses. Espero sinceramente que Putin não seja tão maluco como eu acredito que é, porque se assim for poderemos estar na iminência de uma terceira Guerra mundial, e é mesmo surpreendente as semelhanças com a anterior Guerra mundial. Putin é completamente imprevisivel, fará de tudo para manipular a opinião publica interna e externa, não compreendo como ainda possa existir alguem que não viva na Russia e ainda dê um minimo de credibilidade a tal dirigente, que vai manipulando e fazendo a sua agenda politica com as mais diversas intervenções militares como as mais recentes na Ucrania, ao arrepio do direito internacional. Como Português tenho vergonha de ter um compatriota que de uma forma anonima vem aqui atacar outro Português que apenas expõe o que vê, mostrando apenas a sua falta de educação e de tolerancia para com o trabalho dos outros.

Anónimo disse...

José Milhares não dá informações, faz propaganda.
Quando se tem a protecção dos mais poderosos é muito fácil criticar quem não quer dar o nome.
Não fui eu que fiz o primeiro comentário.

Christian N disse...

Você mente descaradamente. Para a Rússia, a Moldávia, a Ucrânia e a Geórgia podem sim se unir à União Europeia. O que a Rússia não quer e não permitir é que esses países se unam à OTAN, que é uma aliança militar contra a Rússia.

O problema é que Moldávia, Ucrânia e Geórgia não interessam à UE. Mas à OTAN, sim, claro que interessam!

Dinheiro para ajudar a Ucrânia o Ocidente não tem. Mas para enviar armas, ah sim, o Ocidente tem!

Mas fale o que você quiser, a realidade não vai se alterar: Putin está dando uma surra no Ocidente.

Carlos Carapeto disse...

“A Grécia tem direito a escolher o seu próprio futuro, afirma Vladimir Putin, mas porque será que a Ucrânia ou a Moldávia não têm?”

José Milhazes e que está a fabular e a tentar lavar o cérebro de quem o lê com informação conspurcada .

Não sabe que o governo Grego foi eleito por a maioria do povo em eleições justas e transparentes?

Enquanto aqueles que estão em Kiev assaltaram o poder através de um golpe de Estado financiado e dirigido do exterior para depor um presidente legitimamente eleito por a maioria dos Ucranianos.

E a farsa das eleições que se seguiram consistiu de uma vigarice monumental.

Os traidores que estão a contribuír para a destruição da Ucrânia merecem ser levados a julgamento e condenados.

Quanto à questão da Transnitria, não vou exigir muito de si , peço apenas que tenha um mínimo de respeito pela verdade.

O problema da Transnitia foi criado por Putin?
As tropas Russas estacionadas no território entraram como forças de ocupação ou como forças de manutenção da paz sob mandato das Nações Unidas?

“ Aliança Atlântica não descansa enquanto não dominar, não esquartejar e fazer desaparecer do mapa a Rússia”.

E não acha que têm toda a razão para pensar assim?

Veja o que disse Margaret Albrigth quando era ministra dos negócios estrangeiros de Clinton.

“ É uma injustiça as imensas riquezas da Sibéria serem controladas por um único país, deviam ser colocadas ao serviço da humanidade”.

Encontra alguma relação entre o que se está a passar e as palavras desta “senhora” ?

Quanto ao resto daquilo que Milhazes escreve tem a mesma veracidade deste curto resumo que aqui deixei. Como tal nem merecem resposta.

Mafalda disse...

Caro Milhazes, creio que os seus comentadores, na maior parte deles, são bastante injustos para consigo.
Como se eles não soubessem que o seu emprego enquanto repórter do Observador depende intrinsecamente das "opiniões" que dá!
Quer dizer, caros leitores, ninguém pode ser julgado por defender o seu ganha-pão, ainda que de uma forma desonesta, colaborando com uma lavagem cerebral massiva...
Sejam coerentes, caros colegas. O senhor José Milhazes só vende o seu produto como bom profissional que é.

Ainda assim, de si, caro Milhazes, o que me surpreende é que ainda se dê ao desgosto de viver num país ditatorial, opressor, pobre, subdesenvolvido e, segundo o que nos conta, horrível em todos os aspectos como a Rússia...
Venha pra Portugal que cá estamos de braços abertos! Aqui é União Europeia, aqui é NATO. Aqui é democracia. Pra que é que continua a viver nessa desgraça de país, meu caro?
É certo que aqui já não terá grande proveito para o Observador, já não teremos quem nos diga "vêm? Ele está lá, ele é que sabe, ele é que vê, se ele diz é por que é!".
E, seguindo portanto tal raciocínio... Só me resta desejar-lhe muita força para enfrentar tal fado e que o salário lhe caia certinho a cada mês... E que faça bom proveito dele nos teatros, ballets e restaurantes da desprezível Rússia...

E já que a moda aqui é apelar ao "como português"... Como portuguesa tenho vergonha de ter compatriotas que desprezam um país cultural e territorialmente irmão de toda a Europa e que jamais se aproveitou da carcaça do nosso velho continente pra se enriquecer e se afirmar como Única, Grande e Suprema Potência Mundial, ao contrário de certas e determinadas nações que estupidamente ainda enaltecemos e tratamos como irmãs...

Com os maiores cumprimentos e respeito por quem só está a trabalhar...
Mafalda