segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Tártaros da Crimeia na Eurovisão


Para a maioria dos portugueses, o Festival da Eurovisão é considerado um evento musical insignificante, com cheiro a naftalina. Porém, no Leste da Europa, goza de grande popularidade e são feitos grandes investimentos para que um ou outro país seja o vencedor.
Por isso, esse Festival está extremamente politizado e o ano de 2016 não irá ser excepção. A representante da Ucrânia é Jamala, cantora com sangue tártaro da Crimeia nas veias. Ela irá interpretar a canção "1944", ano em que os tártaros foram deportados da Crimeia pelo ditador comunista soviética José Estaline. 
Segundo Jamala, a letra da música teve por base os relatos da sua bisavó tártara, também vítima de mais uma tentativa de genocídio por parte do regime comunista.
A presença desta cantora no Festival da Eurovisão já começou a provocar atritos entre Ucrânia e Rússia. Vladimir Viatrovitch, director do Instituto da Memória Nacional, declarou que, caso Jamala vença, o próximo festival deverá ter lugar em Sevastopol, a principal cidade da Crimeia ocupada pelos russos, mas as autoridades locais já viera responder que isso só será possível se vencer o intérprete russo, e não a ucraniana. 
E já que falámos na Crimeia, é de recordar que, nos últimos tempos, alguns membros da União Europeia falam com uma insistência cada vez maior de se pôr fim às sanções contra a Rússia, considerando que para isso é necessário que se cumpram os Acordos de Minsk em relação ao Leste da Ucrânia. Porém, os defensores dessa medida esquecem-se que as sanções começaram a ser impostas devido precisamente à anexação da Crimeia. Ora a retirada das tropas russas da Crimeia não está prevista nos citados acordos.
Claro que, mais uma vez, a União Europeia poderá "esquecer-se" da Crimeia a troco de "30 moedas" e até ceder a Ucrânia à Rússia, visto que os dirigentes ucranianos, tanto pró-europeus como pró-russos, não passam de um bando de ladrões e saqueadores. Isso seria mais uma "dor de cabeça" para o Kremlin, cujos inquilinos não diferem muito dos vizinhos quanto à política de saque no seu próprio país.
Mas esta política de cedências, historicamente, acaba mal, a não ser que os estrategas em Bruxelas e Washington considerem que o fundamental é criar mais problemas à Rússia para que ela se afunde neles como aconteceu com a URSS.

P.S. E Portugal? O primeiro-ministro italiano Mateo Renzi é um dos que defende o levantamento das sanções e já anunciou ter aceitado o convite do Presidente Putin para participar no Forum Económico de São Petersburgo. O primeiro-ministro húngaro Viktor Órban, grande aliado de Putin, está disposto a furar as sanções...

1 comentário:

Miguel Pinheiro disse...

Senhor Milhazes,
qual sua avaliação sobre as músicas criticas (por exemplo Москва, по ком звонят твои колокола?, Патриотка, etc) do Grupo Leningrad? São toleradas para causar uma impressão positiva?

Saudações desde o Brasil.
Grato,
Miguel Pinheiro.