quinta-feira, dezembro 01, 2016

Mensagem anual de Putin com piscar de olho a países da União Europeia

Vladimir Putin, Presidente da Rússia, pronunciou hoje a sua mensagem anual à nação, sem grandes novidades do plano interno, mas com algumas ideias importante na política externa.
No plano interno, reconheceu dificuldades, mas mostrou confiança no futuro que custa a chegar. Promessas de modernização e diversificação da economia, repetidas há pelo menos 16 anos.
No entanto, gostaria de chamar a atenção para a política externa defendida por Putin. Este começou por afirmar que está aberto ao diálogo na solução dos problemas internacionais e criticou aqueles que continuam a manter mitos como a "agressividade russa".
O Presidente russo, sem citar nomes, acusou a União Europeia de impor censura, tendo em vista a decisão tomada pelo Parlamento Europeu no sentido de serem necessárias medidas para travar a propaganda russa.
Em meu entender, será um erro dificultar ou proibir o trabalho de órgãos de informação russos em línguas estrangeiras como a Russia Today ou a Sputnik. Afinal, os europeus têm cabeça para decidir. Mas claro que os órgãos de informação europeus devem estar atentos a este problema.
No seu discurso, Putin "piscou o olho" aos governos dos países da União Europeia que estão descontentes com Bruxelas, apelando a que eles adiram à "integração euroasiática" realizada sob a direcção da Rússia, chamando a atenção para "os resultados das últimas eleições". Embora não tenha citado nomes, ele teve em vista a eleição de presidentes pró-russos na Bulgária e na Moldávia, bem como as primárias da direita francesa, que elegeu como candidato a Presidente de França: François Fillon.
Quanto à administração Trump, Putin afirma-se pronto para normalizar as relações entre os Estados Unidos e a Rússia, sublinhando que estes países são pela paz no mundo e pela defesa do sistema de não-proliferação de armas nucleares.
Sobre a guerra da Síria não se estendeu muito, mas sublinhou que as Forças Armadas e a Marinha russas mostraram que podem actuar longe das costas da Rússia.
Resumindo, não se esperam mudanças na política de Putin, que não conduz à prosperidade do seu país, mas a um atraso cada vez maior em relação aos países mais desenvolvidos.    

2 comentários:

Pedro Leite Ribeiro disse...

Sobre a resolução da UE acerca dos órgãos de informação russos, a verdade é que não havia necessidade de Putin citar quaisquer nomes, já que a resolução foi aprovada no Parlamento Europeu. Interessa dizer o nome da triste deputada polaca que avançou com a proposta? Todos os que votaram a favor ou se abstiveram são uns zés e marias-ninguém tão tristes como ela. Não era, há uns anos, a Europa, o continente dos países exemplo de liberdade e democracia? Que aconteceu à Europa? Porque esta resolução não é noticiada nos meios de informação portugueses para que possamos ter uma ideia real do que é, hoje em dia, a União Europeia? Espero que, em Portugal, a nossa Constituição, que defende a liberdade de expressão e opinião, nos impeça de nos vincularmos a mais esta idiotice dos europeus. Não estará a Europa a sofrer efeitos negativos da entrada dos países de Leste na UE? São países sem tradição democrática e que odeiam a Rússia pelo que para eles representou a URSS. Não anda a Alemanha a dar demasiada cobertura a estes países, talvez movida por uma agenda de hegemonia político-económica sobre a Europa de Leste? Penso que a jogada mafiosa durante a eleição do secretário-geral da ONU foi apenas uma pequena revelação desta agenda.
Julgo que seria muito interessante sabermos quem votou a favor, quem se absteve e quem votou contra a resolução de censura. Só para sabermos com que linhas nos andamos a coser.

Rui Pimentel disse...

A primeira ideia que me surgiu foi precisamente o que o Pedro R. Leite referiu no seu comentário relativamente aos efeitos negativos da entrada dos países de Leste na UE. Na minha opinião, creio que o problema não esteve na ideia do alargamento em si mas sobretudo ao autoritarismo da Alemanha, que teve maior destaque e impacto logo após o tratado de Lisboa e a crise económica (2007-2009). Se somarmos o binómio entre os países com grande dependência económica e os países "ricos", os jogos de poder e de interesses no PE e em alguns casos a perca de identidade cultural motivam o aparecimento de movimentos nacionalistas que em alguns países de Leste podem se traduzir em alguns casos a movimentos Pro-Russos. Por outro lado, ou melhor no lado mais ocidental já tivemos a saída do Reino Unido para admiração de muitos.
Vejo inclusive algumas analogias no caso dos Estados Unidos na medida em que Hillary Clinton representa o desgastado sistema europeu e o Trump representa a Russia/Putin com o seu discurso populista e de rotura ao sistema existente.
Creio que se não houver uma reforma séria no modelo europeu, a curto prazo teremos mais saídas, mais "Brexits".