terça-feira, agosto 15, 2006

Ainda não há acordo entre Portugal e a Rússia sobre os aviões Beriev


A Rússia anunciou hoje uma série de medidas com vista a fazer o pagamento antecipado da pesada dívida externa herdada da União Soviética, mas, por enquanto, Portugal ficou fora do esquema.
Serguei Stortchak, vice-ministro das Finanças da Rússia, anunciou que, hoje, 15 de Agosto, foi feita uma transferência de mais de mil milhões de euros para pagar a dívida aos credores do Clube de Paris e que, até 21 de Agosto próximo, irá ser paga a totalidade da dívida (cerca de 18 mil milhões de euros). Para isso, as autoridades russas foram buscar 600 mil milhões de rublos (cerca 17 mil milhões de euros) ao Fundo de Estabilização da Rússia, criado para acumular as divisas provenientes da exportação de petróleo e gás.
Porém, Moscovo ainda terá que pagar dívidas da Uniião Soviética ao Banco Mundial de Desenvolvimento e ao Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, bem como a países como a Finlândia e Portugal.
As autoridades russas e as finlandesas já acordaram que a parte da dívida da Rússia ao país vizinho do Báltico (27 milhões de 250 milhões de euros), será paga através do fornecimento de altas tecnologias russas à Finlândia.
Quanto ao pagamento da dívida soviética a Portugal, que ronda os 60 milhões de euros e formou-se, essencialmente, devido aos fornecimentos não pagos de calcado português para a União Soviética nos finais dos anos 80 e início dos anos 90 do séc. XX, Serguei Stortchak apenas avançou que "o Governo português estuda a possibilidade de a dívida russa ser liquidada através da aquisição de aviões Beriev-200 para o combate a incêndios", sublinhando que "anteriormente, esse país mostrou-se pronto a utilizar toda a dívida para comprar aviões". Segundo o vice-ministro das Finanças da Rússia, as conversações sobre a solução deste problema estão a cargo da corporação russa "Irkut".
Um avião deste tipo já combate incêndios em Portugal, mas a decisão sobre a aquisição desse e outros aparelhos só deverá ser tomada depois de analisada a qualidade do seu trabalho no terreno.

6 comentários:

CN disse...

se a dívida for paga com aviões, será um bom negócio para a Rússia.
é que Portugal fica com os aparelhos, mas terá de fazer a manutenção deles... com sobressalentes russos, talvez até com técnicos russos, formadores russos, etc.

Anónimo disse...

Também acredito que será um bom negócio para a Rússia. No entanto talvez fosse uma mais valia a formação russa para os técnicos da OGMA, expandindo assim competências aeronáuticas não se limitando ao acordo com a Embraer.

Snake disse...

caro daniel,
boa malha essa da troca de know-how, mas o nosso governo nao tem know-how para ir tão longe...

jorge disse...

snake, a mim parece-me que o governo tem know-how suficiente para levar o país em frente, pelos menos é o que as sondagens e todos os indicadores dizem. quanto à questão dos beriev penso que o governo está a agir bem, ou você algum dia comprou alguma coisa "às escuras"? O que o cn diz é verdade, a rússia fica a ganhar se a dívida for saldada com os aviões, mas nós também ficaremos a ganhar, pois a verificar-se essa situação é sinal de que os beriev são utéis no combate aos fogos. Deixemo-nos de criticar o governo ou por aquilo que faz, ou pelo que não faz. deixem este governo governar porque o está a fazer muito bem! Até o sr. Putine já o reconhece. saudações a todos e uma vez mais parabéns ao companheiro José Milhazes

Snake disse...

Caro Jorge,
não quero entrar aqui pela questão do eterno criticismo ao governo, em que gostamos de nos mergulhar, seja ele qual for.

Quero aqui realçar duas coisas:
1 - no meu comentário eu disse que não achava este governo com a sagacidade necessária para ir pelo caminho proposto pelo Daniel Marques, ou seja, uma troca de conhecimentos de que as OGMA fossem beneficiárias.
2 - Mal estamos quando as sondagens são indicadores credíveis ou quando ressalvamos as boas opiniões de ditadores acerca do desempenho do nosso governo democrático.

parece, Caro Jorge, que só concordamos mesmo nos parabéns ao José Milhazes. Já é um começo :)

cumprimentos a todos

Unknown disse...

Deixem lá vir os ditos aviões porque afinal mais vale ter isso que não ter nada: ou melhor ter uma dívida de 60 e tal milhões.

E acho que será sempre uma melhor aquisição que os F-16 que segundo dizem nem sequer foram montados (talvez por falta de know-how!).