sexta-feira, setembro 15, 2006

Vice-presidente do Banco Central russo morto a tiro




Andrei Kozlov tornou-se conhecido pela luta contra a "lavagem de capitais" e "fugas ao fisco"

Andrei Kozlov, vice-presidente do Banco Central da Rússia (BCR), morreu ontem num hospital de Moscovo depois de ter sido baleado por desconhecidos. O atentado, no qual morreu também o condutor do carro em que seguia, foi perpretado na quarta-feira à noite junto das instalações desportivas do clube de futebol Spartak de Moscovo.
Kozlov, de 41 anos, ocupou o cargo de vice-presidente do BCR entre 1997 e 1999, tendo trabalho depois em várias empresas privadas. Em Abril de 2002, regressou ao Banco para dirigir o sector de supervisão do sistema bancário, tornando-se conhecido pela luta contra a "lavagem de capitais" e "fugas ao fisco". Graças à sua actividade, no ano passado, o Banco Central da Rússia retirou a licença a 44 entidades bancárias por actividades ilícitas. "Nós somos uma espécie de "limpadores da floresta" e, por isso, corremos riscos", declarou Kozlov numa entrevista publicada no mês passado.
A maioria dos políticos e observadores russos não duvida de que a morte de Andrei Kozlov foi mais um "assassinato por encomenda". "Claro que o crime pode estar ligado à sua actividade profissional. Ele tinha posições firmes face aos bancos que lavavam dinheiro ou se dedicavam a outras actividades ilegais", considera Anatoli Aksakov, vice-presidente da Comissão Parlamentar para Assuntos Bancários e Financeiros.
Na Rússia, o assassinato de políticos, altos funcionários ou homens de negócios não é uma raridade, mas a situação tinha melhorado consideravelmente com a chegada de Vladimir Putin ao Kremlin. O último atentado significativo ocorreu em Abril de 2003, quando o deputado liberal Serguei Iuchenkov foi assassinado a tiro perto da sua residência.
Por isso, Anatoli Tchubais, presidente da Rede Eléctrica da Rússia, que escapou ileso a um atentado no ano passado, considerou a morte de Kozlov "um desafio descarado a todas as autoridades russas", sublinhando que ela merece uma "resposta dura, operativa e sem clemência da parte do poder".

2 comentários:

Mikolik disse...

Este tipo de noticias são muito tristes, pelo que significam, estes actos têm uma consequência extremamente nefasta na população e na a sociedade em geral. Transformam-se num travão à iniciativa individual daqueles que querem fazer bem e têm a coragem de combater o mal, os preciosos agentes de mudança.

Se uma morte é de lamentar, a morte de alguém que desenvolve um esforço para o bem de todos é ainda mais lamentável.

Na minha opinião, em Portugal esta questão tem um paralelo, acontece algo semelhante mas a um nível diferente, a nossa máfia não é violenta e agressiva, mas é igualmente eficaz. A nossa máfia é aquilo a que muitos chamam o SISTEMA..., não mata mas destroi e como a máfia Russa também é um travão ao bem estar social e progresso do país.

sniper disse...

A Rússia no seu melhor. Estou a recordar-me da fantochoda que foi o leilão da "reprivatização" da Yukos. Onde estava este senhor que foi abatido? Quem com ferros mata, com ferros morre. Portugal máfia? Sistema ? Claro, mas vivemos numa democracia que nem de longe nem de perto se compara com a Rússia. Os "sistemas" existem em todos os países sem excepção, mas existem mecanismos legais e civilizados de os combater.