sexta-feira, julho 07, 2006

Dirigente do Partido Socialista eleito presidente do Parlamento da Ucrânia


Coligação “laranja” parece ter chegado ao fim

Alexandre Moroz (na foto), dirigente do Partido Socialista da Ucrânia, foi eleito Presidente da Rada Suprema (Parlamento) do país, numa votação realizada já durante a madrugada.
Moroz recebeu o apoio dos 238 deputados que participaram no escrutínio secreto, necessitando apenas de 225 votos, ou seja, metade dos 450 deputados que constituem a Câmara Legislativa.
O partido de Alexandre Moroz é uma das forças políticas que compõem a maioria parlamentar conformada por partidos que, em Dezembro de 2004, protagonizaram a chamada “revolução laranja”, mas a sua candidatura não tinha o apoio da aliança.
Piotr Porochenko, que gozava formalmente do apoio da coligação da maioria “laranja”, retirou a sua candidatura e instou Moroz a fazer o mesmo, mas o líder socialista recusou-se e foi eleito praticamente com os votos da oposição, com o apoio das forças pró-russas: Partido das Regiões, do antigo Primeiro-ministro, Victor Ianukovitch, e Partido Comunista.
O Partido das Regiões chegou mesmo a apresentar como candidato Nikolai Azarov, mas só para cumprir com a formalidade de que a eleição do presidente da Rada se deve fazer entre pelo menos dois candidatos a esse cargo.
Alexandre Moroz explicou assim a sua candidatura: “Em primeiro lugar, quero unir o país. Não há vencedores ou vencidos. Devemos, todos juntos, trabalhar para a Ucrânia. Há ainda mais um problema: unir o próprio parlamento, superar a tensão surgida na sociedade nos últimos tempos”.
O líder socialista propõem a constituição de uma ampla coligação governamental: Partido Nossa Ucrânia, do Presidente Victor Iuschenko, Bloco Iúlia Timochenko, da ex-primeira ministra ucraniana Timochenko, e Partido das Regiões.
Porém, os aliados “laranja” consideraram a decisão de Moroz uma “traição” dos ideais da “revolução de veludo”. “Um traidor até em África é traidor” – declarou Pavel Jebrivski, membro do grupo parlamentar Bloco de Iúlia Timochenko, acrescentando que isso constitui um golpe fatal não só na coligação "laranja", mas também no futuro do Partido Socialista.
A reforma do sistema político ucraniano, em vigor desde 1 de Janeiro passado, estabelece que a nomeação do chefe do Governo e da maioria dos membros do Gabinete é prerrogativa da Rada e não do Chefe de Estado, como acontecia antes.
A eleição de Moroz volta a confundir completamente a correlação de forças no xadrez político ucraniano. Ela torna muito provável a formação de um governo de coligação constituído pelo Partido das Regiões, Partido Socialista e Partido Comunista e descarta completamente a possibilidade de Iúlia Timochenko, uma das dirigentes da coligação “laranja”, vir a ocupar o cargo de chefe do Executivo, como tinha sido combinado pelas forças "laranja".
O Presidente Iuschenko ainda pode tentar salvar a coligação “laranja”, mas tudo indica que ela tenha sido definitivamente enterrada pelos socialistas. Nesta situação, não se pode excluir a possibilidade de o dirigente ucraniano optar também por uma ampla coligação: Partido das Regiões (com forte implantação nas regiões russófonas do Leste e Sul do país), Partido Nossa Ucrânia (força pró-ocidental com influência nas regiões central e ocidental) e Partido Socialista, em nome da “união nacional” e para evitar a desintegração do maior país europeu depois da Rússia.

1 comentário:

Anónimo disse...

Sou brasileiro, moro em Curitiba - Pr, meu nome é também Alexandre Moroz, tenho 60 anos. M
eu pai veio da Rumenia em 1928.