terça-feira, julho 11, 2006

Milhares de manifestantes em redor do Parlamento da Ucrânia


Milhares de manifestantes reuniram-se hoje junto do edifício da Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia, para apoiar a "coligação anti-crise", liderada pelo ex-primeiro-ministro Victor Ianukovitch e principal pretendente à chefia do Governo do país.
O comício foi convocado pelo Partido das Regiões, que, juntamente com os partidos Comunista e Socialista, constituiu, na semana passada, uma maioria parlamentar (trio dirigente na foto) suficiente para formar Governo. Isso tornou-se possível devido ao facto do Partido Socialista, a troco da eleição do seu dirigente, Alexandre Moroz, para o cargo de Presidente da Rada, ter rompido a sua aliança com o Partido Nossa Ucrânia, do Presidente Victor Iuschenko, e com o Bloque de Iúlia Timochenko, forças políticas que protagonizaram, em Dezembro de 2004, a chamada "revolução laranja".
Hoje, Moroz anunciou oficialmente, no Parlamento, a criação da nova maioria parlamentar, que reúne 238 dos 450 deputados da Assembleia Legislativa. Este anúncio foi recebido com os gritos de "Vergonha!" e "Traidor!" das bancadas do Bloque de Timochenko e da Nossa Ucrânia. Do lado contrário, ouvia-se gritos: "Abaixo Iúlia!". A Rada foi palco de confrontos físicos entre deputados de grupos rivais e pelo menos um membro do Partido Nossa Ucrânia teve de receber tratamento ao nariz.
Nesta situação, o Presidente Iuschenko pode confirmar o seu mais directo rival, Victor Ianukovitch, no cargo de Primeiro-ministro da Ucrânia, atirando os restos da "coligação laranja" para a oposição, ou dissolver a Rada, que mal começou a funcionar, e convocar novas eleições. Iúlia Timochenko, que na véspera esteve reunida com Iuschenko, declarou que o Presidente se inclina mais para o segundo cenário. Este parece mais real se tivermos também em conta que direcção da Nossa Ucrânia anunciou já ter dado início à preparação para "eleições parlamentares antecipadas".
A Ucrânia continua à deriva entre a Rússia e o Ocidente.

1 comentário:

Da Rússia, de Portugal e do Mundo disse...

Caro Tiago Alves, claro que o programa do Partido das Regiões e do Partido Comunista contém muito mais do que a aproximação à Rússia. Tentando ser breve, podemos afirmar que o PC não pretende construir uma sociedade sem classes, mas, juntamente com o Partido das Regiões, defender os interesses dos oligarcas e grupos económicos do Leste e Sul da Rússia. Esperemos pelo programa de governo, se essas forças o conseguirem formar. POderemos encontrar coisas curiosas, como uma tentativa de equilíbrio entre a Rússia e o Ocidente. A Ucrânia encontra-se numa fase em que as forças políticas locais podem fazer grandes surpresas.