
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura?
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado?
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro com fragor?
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!
O Palácio da Ventura. Antero de Quental

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