Vladimir Putin, Presidente da Rússia, e sua esposa, Ludmila, tinham convidado George Bush, Presidente dos Estados Unidos, e sua esposa Lora para um churrasco na residência de verão: o Palácio de Constantino, onde no Sábado terá início a cimeira do G-8, mas o forte vento que se fez sentir na costa do Már Báltico obrigou à mudança de ementa. Os dirigentes russo e americano tiveram de se contentar com um jantar no interior do edifício.
Antes do repasto, Putin repetiu uma acção que já tivera feito durante um encontro em Moscovo e mostrou ao seu homólogo o primeiro automóvel que adquirira quando era estudante: um"Zaparojets" branco com quase 30 anos (na foto). Os presidentes andaram à volta da raridade soviética, mas, ao contrário do que aconteceu no encontro anterior, decidiram não dar uma volta.
Talvez um sinal de que as relações entre Putin e Bush já não sejam tão cordiais como em encontros anteriores.
Uma das primeiras acções do Presidente norte-americano foi encontrar-se com 16 representantes de organizações não-governamentais russas, onde Bush teve de ouvir queixas sobre o seu "amigo Putin". “Falaram-lhe da Tchetchénia, eu falei da lei sobre as organizações não-comerciais, que permite controlar todas as organizações, de Khodorkovski e de Svetlana Bakhmina [que se encontram na prisão devido ao caso da petrolífera Yukos] – declarou Irina Iassina, dirigente da organização “Rússia Aberta”, depois do encontro com o Presidente norte-americano.
Bush abordou também a questão da “democracia soberana”, um dos conceitos utilizados pelo Kremlin para definir o novo regime político no país. “Bush disse que não existe democracia soberana e particular, mas valores democráticos, a partir dos quais ou há, ou não há democracia” – acrescentou Iassina.
Mas os presidentes sabem que não se podem permitir uma má relação e que necesitam um do outro. Na mesma reunião, Bush declarou que a política externa de Washington face à Rússia consiste em "colaborar com a Rússia para resolver problemas comuns e, ao mesmo tempo, estar numa posição em que se pode manter um intercâmbio privado de ideias". Pelo seu lado, os dirigentes russos também querem ter acesso ao Ocidente, não procuram ereger uma nova "cortina de ferro".
Por isso, se Bush repreendeu ou vai repreender Putin, não deverá fazê-lo em público, mas em privado. No Sábado de manhã, antes do início da cimeira do G-8, os dirigentes russo e americano irão reunir-se separadamente e terão tempo de abordar o estado das relações bilaterais. Mas, tendo em conta o pragmatismo da política externa norte-americana, Bush deverá pedir a colaboração do seu colega russo na solução dos "dossiers nucleares" da Coreia do Norte e do Irão, bem como tentarão elaborar uma posição conjunta face à crise no Médio Oriente.
Durante o encontro bilateral, espera-se que os mandatários anunciem um acordo para a cooperação nuclear no campo civil e superem as últimas barreiras levantadas pelos Estados Unidos na via da adesão da Rússia à Organização Mundial de Comércio.
Depois, será dado início à reunião dos dirigentes do G-8, onde está planeado discutir a "segurança energética internacional", a "instrução" e o "combate às doenças contagiosas". Porém, a crise no Médio Oriente pode alterar todos os planos. Serguei Prikhodko, assessor de Putin para Assuntos Internacionais, já declarou que "os membros da Cimeira poderão aprovar uma declaração especial sobre a situação no Médio Oriente".


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