
A oposição russa realizou uma conferência “Outra Rússia” na véspera da Cimeira do G-8 a fim de chamar a atenção dos dirigentes mundiais para a “ofensiva totalitária do Kremlin” e a “limitação das liberdades democráticas” no país. Mas a ausência de algumas das forças liberais mais relevantes e a presença de políticos extremistas mancharam o fórum.
As autoridades policiais russas muito fizeram para impedir a realização do fórum da oposição. No apelo dirigido aos dirigentes do G-8, os descontentes com a política do Presidente Putin falam de “detenções, prisões e violência física, que tiveram lugar durante a preparação da conferência “Outra Rússia”” e apelam aos estadistas estrangeiros que “exijam explicações a Vladimir Putin”. Caso contrário, os delegados da reunião consideram que os chefes de Estado do G-8 “serão responsáveis pelas repressões em relação à oposição russa”.
Não obstante o Kremlin ter prevenido que a participação de políticos estrangeiros seria interpretada como um “acto hostil”, na reunião participaram representantes oficiais dos Estados Unidos, Inglaterra e Japão.
“Considero que se trata de um exemplo claro de dinamismo da sociedade russa e uma demonstração útil de que as pessoas se podem reunir e discutir os problemas da Rússia, o que, claro está, não podiam fazer há 20 anos atrás” – declarou Toni Brenton, embaixador britânico em Moscovo, ao discursar no forum, acrescentando que o seu país continuará a conceder “milhões de libras para o desenvolvimento da sociedade civil na Rússia”.
Divergências profundas
Entre os organizadores da reunião estavam forças e personalidades tão diferentes, e até opostas, como a União Popular Democrática, do ex-Primeiro-ministro russo Mikhail Kassianov; a Frente Cívica Unida, dirigida por Garri Kasparov, ex-campeão do mundo de xadrez; a Rússia Aberta, organização criada por Mikhail Khodorkovski, que se encontra na prisão; Andrei Ilarionov, antigo conselheiro económico de Putin; Eduard Limonov, dirigente do Partido Nacional Bolchevique, e Victor Ampilov, líder da “Rússia Trabalhadora”.
Porém, partidos da oposição liberal: Iabloko e União das Forças de Direita (UFD), recusaram-se a estar na mesma sala com “nacionalistas e extremistas”. Serguei Belikh, dirigente da UFD, condenou a participação de políticos extremistas como Limonov, nacional-socialista, e Ampilov, estalinista” no forum.
O Partido Comunista, o maior partido da oposição, recusou-se a participar também, mas pelo facto de na reunião participarem políticos da época de Boris Ieltsin como Mikhail Kassianov.
Kassianov apresenta-se como o principal candidato da oposição democrática nas eleições presidenciais de 2008, altura em que, segundo ele, a Rússia atravessará uma profunda crise económica e política.
“Torna-se cada vez mais evidente o papel da “Outra Rússia” como uma comunidade de cidadãos que não concordam com a política da actual direcção russa. Essa política é perniciosa e errada” – declarou Kassianov, acrescentando que o país “não aguentará isso, porque, dentro de dois ou três anos, essa política conduzirá a uma profunda crise política e, depois, financeira, devido à queda do preço do petróleo”.

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