
Pode-se gostar ou não de Vladimir Putin enquanto Presidente da Rússia, mas não se pode deixar de reconhecer que conseguiu fazer aquilo que o seu antecessor, Boris Ieltsin, não foi capaz: dar uma certa estabilidade à sociedade russa.
Quando Putin chegou ao Kremlin, o país encontrava-se quase falido. O poder, representado por um Ieltsin decrépito, estava realmente nas mãos da chamada "família", constituída por parentes do Presidente e por grupos oligárquicos.
Nesta situação, Putin, saído dos serviços secretos soviéticos, aparece como "salvador", como "encarnação da ordem".
Chamil Bassaev, terrorista tchetcheno recentemente liquidado, deu várias vezes pretexto ao Kremlin para justificar o emprego da força na solução de problemas internos. Ao ataque da guerrilha tchetchena contra o Daguestão, república da Federação da Rússia, em 1999, Putin responde com a invasão militar da Tchetchénia e, em poucos meses, confina a resistência dos separatistas às montanhas.
Depois, foi só realizar a sua política de "limpar o sebo aos terroristas até nas retretes", que levou à liquidação de todos os dirigentes carismáticos do separatismo tchetcheno.Depois do ataque à escola de Beslan em 2004, operação também reivindicada por Bassaev, Putin, em nome do "combate ao terrorismo", toma toda uma série de medidas que limitaram a democracia no país, incluindo o fim da eleição dos dirigentes das 89 repúblicas e regiões da federação.
Este período coincide com o aumento brusco do petróleo e do gás nos mercados internacionais, o que permite ao Kremlin realizar uma política social activa: os salários em atraso dos funcionários públicos quase desaparecem, as reformas e pensões aumentam, etc.
Ao mesmo tempo, a oposição ao Presidente Putin mostrou ser bastante inconsistente e estar extremamente comprometida. Os liberais estiveram ligados ao "período oligárquico" e ao "capitalismo selvagem". Quanto ao Partido Comunista da Federação da Rússia, o Kremlin não teve dificuldades em neutralizá-lo através da publicação de documentos que provavam que essa força política não teve pejo de receber dinheiro dos oligarcas.O Partido Pátria, criado pelo Kremlin para juntar os nacionalistas, deixou de receber apoio quando os seus dirigentes se tornaram demasiadamente autónomos em relação ao criador. Resta a Rússia Unida, criado pelo Kremlin e cujos deputados são "mais papistas que o Papa": defendem a revisão da Constituição para permitir a Putin ficar mais quatro anos no poder.
Se a isto juntarmos o domínio absoluto pelo Kremlin dos principais canais de televisão russa, compreendemos que é difícil que surja alternativa ao actual Presidente. Antes será por ele designado um homem fiel para o substituir, isto caso não avance para uma reforma constitucional a fim de legitimar um terceiro mandato.
Resta saber se Putin ou o seu sucessor serão capazes de fazer da Rússia um país independente dos preços dos combustíveis. O Governo soviético não conseguiu dar um salto qualitativo quando os preços do petróleo eram elevados nos anos 70 do século passado e o regime acabou por ruir, quando os preços desceram consideravelmente.

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