
Ataque seria antes do G8
Guerrilha sofre último golpe decisivo na sua direcção. Separatismo pode caminhar para o enfraquecimento total
A televisão russa mostrou ontem o momento em que Nikolai Patruchev, chefe do Serviço de Segurança, informava pessoalmente o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, da morte do "terrorista número um" do país, para que não restem dúvidas. As autoridades policiais russas já anunciaram antes pelo menos quatro vezes a liquidação de Chamil Bassaev, mas o comandante da guerrilha separatista "ressuscitava" sempre para realizar novos atentados terroristas.Depois do anúncio de Patruchev a guerrilha confirmou num site a morte do chefe militar separatista tchetcheno. Segundo o responsável de segurança russo, Bassaev foi liquidado quando preparava um atentado terrorista "para pressionar a Rússia durante a cimeira do G8", a realizar em São Petersburgo a partir de sábado."Este é o castigo que os bandidos merecem pelas nossas crianças em Beslan, em Budionovsk, por todos os actos terroristas que perpetraram em Moscovo e noutras regiões da Rússia, incluindo a República da Inguchétia e a Tchetchénia", sublinhou Putin. "Compreendemos bem que a ameaça terrorista ainda é grande e não se pode diminuir a atenção nesse sentido, é preciso reforçar e aumentar a eficácia da actividade nesse sentido."Bassaev e os seus homens foram surpreendidos na Inguchétia, vizinha da Tchetchénia. Terão sido mortos pela explosão de um camião que transportava cerca de 100 quilos de trotil para a realização de mais um acto terrorista. "Precisamente ao lado do camião estavam vários automóveis ligeiros em que se encontravam os terroristas, incluindo Bassaev", declarou Bachir Auchev, vice-presidente do governo da Inguchétia.Segundo a agência RIA Novosti, Chamil Bassaev morreu devido a uma forte explosão e teria sido identificado pela cabeça.A julgar pelas declarações de Patruchev, os serviços secretos russos iniciaram a preparação desta operação no estrangeiro, "em países onde se conseguiam armas para os bandidos". "Não se pode excluir que numa das armas para os separatistas tenha sido montado um mecanismo que, depois, provocou a explosão do camião", adiantou ao PÚBLICO um perito militar.Políticos russos de vários sectores partidários consideraram a liquidação de Chamil Bassaev um rude golpe na guerrilha separatista."Considero que o dia de hoje pode ser considerado a data do final lógico da dificílima luta contra os grupos armados ilegais, levada a cabo pelos serviços secretos, forças federais e órgãos de segurança", afirmou Alu Alkhanov, presidente pró-russo da Tchetchénia.Nikita Belikh, dirigente da União das Forças Democráticas da Rússia, considera que "se Bassaev foi realmente liquidado, é sem dúvida uma vitória e mérito dos nossos serviços secretos", mas acrescenta que "alguns comandantes ainda tentarão continuar a sua actividade".Vladimir Putin não poderia ter recebido melhor prenda nas vésperas da cimeira dos oito países mais industrializados do mundo, que se realizará no próximo fim-de-semana."A única influência que esta notícia poderá ter na cimeira dos "oito grandes" consistirá em que os chefes dos mais importantes países do mundo irão felicitar Vladimir Putin pela liquidação de um grande terrorista internacional e "número um" na Rússia, Chamil Bassaev", considerou o analista político Viatcheslav Nikonov.

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