sábado, julho 08, 2006

Victor Ianukovitch candidato a Primeiro-ministro da Ucrânia


Os opositores do Partido das Regiões (PR) e do Partido Comunista formaram com os socialistas uma aliança que lhes dá a maioria na Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia. A nova coligação "anti-crise" apresentou como seu candidato à chefia do Governo o líder do PR, Victor Ianukovitch(na foto).
Ianukovitch, então Primeiro-ministro apoiado pela Rússia, foi o principal rival do actual Chefe de Estado, Victor Iuschenko, nas fraudulentas eleições presidenciais que, nos finais de 2004, provocaram a "revolução laranja" que fez subir ao poder na Ucrânia políticos pró-ocidentais.
A ruptura da coligação "laranja" deu-se devido ao líder socialista, Alexandre Moroz, ter apresentado a sua candidatura à presidência da Rada sem o consentimento dos seus aliados e acabou por ser eleito para esse cargo com os votos da oposição pró-russa.
Na Rada eleita em Março passado, com 450 assentos e uma maioria simples de 226 votos, a coligação "laranja" tinha 242 mandatos, sumando os do Bloco de Iúlia Timochenko (129 deputados), do Partido de Iuschenko Nossa Ucrânia (80) e dos socialistas (33). A aliança opositora, se não ocorrerem divisões entre os socialias pela "traição" de Moroz, pode juntar até
240 assentos, dos quais 186 do PR, 21 dos comunistas e 33 dos socialistas.
A reforma do sistema político ucraniano, em vigor desde 1 de Janeiro passado, estabelece que a nomeação do chefe do Governo e da maioria dos membros do Gabinete é prerrogativa da Rada e não do Chefe de Estado, como acontecia antes.
Timochenko, a quem os acordos da coligação “laranja” garantiam a chefia do Executivo ucraniano, é a mais afectada pela reviravolta dos acontecimentos na Rada, podendo o seu bloco ficar fora da esfera do poder. Por isso, exigiu a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições, porque, em sua opinião, os deputados não conseguiram uma maioria nos 30 dias depois do início da legislatura, tal como exige a Constituição.
“O que aconteceu na Rada pode ser interpretado como uma tentativa de regresso ao poder do velho bando contra quem lutou todo o país” – considera Timochenko.
O Presidente Iuschenko deu mais três semanas para que no Parlamento se forme uma coligação governamental. Caso contrário, prometeu dissolver a Câmara Legislativa. "Esperarei durante três semanas a formação de uma nova coligação e de um novo Governo" - declarou ele, dirigindo-se, através do canal de televisão ucraniano Iterra, aos líderes dos cinco partidos e blocos representados no Parlamento.

P.S. Depois de consultar alguns dos mais importantes órgãos de informação portugueses, concluímos que, à excepção do Público, pouca importância se presta na comunicação social à crise política na Ucrânia. Até parece que em Portugal não vivem e trabalham mais de 200 mil ucranianos e que o avanço da crise não poderá reflectir-se tanto no interior da própria Ucrânia, como para além das suas fronteiras.
A Ucrânia é o segundo país (depois da Rússia) maior da Europa e atravessa uma grave crise económica, política e social, que pode levar até à desintegração do próprio país. Para este cenário perigoso contribui, entre outras coisas, o facto de esse Estado ser alvo de disputa entre a Rússia e os países ocidentais, à velha maneira da "guerra fria".
Esperemos que, depois de amanhã, as atenções se virem mais para Kiev, porque há vida para além do futebol. Da nossa parte, continuaremos a acompanhar a crise de perto.

3 comentários:

Mikolik disse...

Gostei muito do seu Post Scriptum, essa é a grande verdade.
Um amigo meu Russo costuma-me perguntar por certos temas muito falados na Rússia, em geral a minha resposta é: - aqui os mídia não falam nisso, ou quase nada - ao que ele fica muito espantado.

Eu acho que vivemos outra dimensão de problemas, e nós próprios temos outra dimensão cultural e educacional, inferior aos países de Leste como toda a gente sabe.

À parte disso, a qualidade média dos nossos mídia é realmente fraca, mas por culpa das audiências, do povo. Veja-se o caso da TVI, claramente o pior canal televisivo português e não obstante o de maior audiências.

Da Rússia, de Portugal e do Mundo disse...

Caro jmrvc, suponho que a resposta está na "sede do poder", claro que em nome de "servir o povo", "unir a nação", etc. O problema da Ucrânia é que tem uma elite política extremamente corrupta, sedenta de poder e privilégios. O resto, ou seja, o povo, vem no 11º lugar.

Manuel João Orey disse...

De facto é extraordinário as voltas e reviravoltas políticas na Ucrânia.
Belo apontamento sobre o acompanhento da comunicação social na Ucrânia.