sexta-feira, junho 08, 2007

Como irá responder Washington à proposta de Moscovo?

O Governo de Baku está pronto para conversações sobre exploração de Estação de Radares

O Azerbaijão está pronto a realizar conversações com a Rússia e os Estados Unidos sobre a questão da utilização conjunta da Estação de Radares de Gabalá, declarou Elmar Mamediarov, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão.

“Actualmente, a posição do Azerbaijão, que tem o apoio dos Estados Unidos e Rússia, consiste em que é necessário começar consultas num formato bi- ou trilateral” – declarou Mamediarov aos jornalistas, acrescentando que “o Azerbeijão está pronto para essas consultas”.

Ontem, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, propôs ao seu homólogo norte-americano, George W.Bush, a utilização da base russa de Gabalá, no Azerbaijão, para a instalação de sistemas conjuntos de defesa anti-míssil.

“Vladimir Putin fez uma proposta interessante e, por isso, decidimos realizar um diálogo estratégico, onde participarão representantes de estruturas militares, dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros” – respondeu o Presidente norte-americano, sublinhando que “será uma séria discussão estratégica”.

A Estação de Radares de Gabalá, onde Putin propõe a instalação de sistemas de defesa anti-míssil conjuntos, está situada na aldeia de Zaragan, no distrito de Gabalá, no Azerbaijão.

Criada pelos militares soviéticos em 1985, o seu objectivo é controlar o lançamento de mísseis balísticos intercontinentais no Hemisfério Sul.

A Estação de Radares controla os territórios do Irão, Turquia, China, Paquistão, Índia, Iraque, Austrália, bem como da maior parte dos países africanos, das ilhas dos oceanos Índico e Atlântico.

Em conformidade com o acordo assinado entre o Azerbaijão e a Rússia em Janeiro de 2002, a Estação de Radares tem o estatuto de centro de informação e análise, é propriedade do Azerbeijão, mas está alugada à Rússia por um período de dez anos. Anualmente, Moscovo paga uma renda de mais de cinco milhões de euros.

“Para nós tem grande importância política e militar” – considera o politólogo azeri Eldar Namazov, frisando que “as autoridades do país estão interessadas em que essa iniciativa seja desenvolvida e que dê resultados concretos”.

Namazov desdramatiza o facto de esta Estação de Radares se encontrar perto da fronteira com o Irão: “Não será a notícia mais agradável para o Irão, mas ele não terá fundamentos formais, jurídicos e políticos para apresentar pretensões, porque as autoridades iranianas afirmam que o seu programa nuclear não tem carácter militar, mas fins pacíficos, e, por conseguinte, não tem razões para ficar preocupado”.

“Para quê construir uma coisa nova, se já existe?” – pergunta o general Alexandre Beloussov, vice-ministro da Defesa da Rússia, respondendo: “a Estação de Radares de Gabalá permite resolver todas as tarefas de detecção de lançamento de mísseis de todos os tipos que possam ser lançados do Sul”.

“Segundo a teoria americana, nós e eles devemos recear ataques de mísseis precisamente dessa direcção” – concluiu o general Beloussov.

“Se são verdadeiras as declarações dos Estados Unidos de que os elementos de sistemas de defesa anti-míssil realmente não são dirigidos contra a Rússia, Washington deve apoiar a proposta de Vladimir Putin” – considera o deputado russo Nikolai Bezborodov.

O senador Mikhail Marguelov é ainda mais optimista: “Trata-se de que Vladimir Putin e George Bush decidiram que a questão da defesa anti-míssil é digna do diálogo estratégico entre os nossos países”.

“Do ponto de vista político, o acordo sobre o diálogo estratégico é a passagem do problema dos sistemas de defesa anti-míssil das mãos dos políticos para as dos peritos e a prática mostra que essa passagem significa sempre progresso” – sublinha Marguelov.

O general Anatoli Kornukhov, antigo comandante da Força Aérea da Rússia, considera, pelo seu lado, que os Estados Unidos “não irão renunciar aos seus planos e nós não os podemos impedir instalar sistemas de defesa anti-míssil no Leste da Europa”, mas considera que “a proposta do Presidente da Rússia foi uma surpresa para os Estados Unidos e coloca-os numa situação incómoda”.

Posição semelhante tem Vafa Guluzade, politólogo azeri.

“Putin propõs a Bush instalar no Azerbaijão radares americanos, mas o objectivo dos americanos é instalar os seus radares precisamente na Europa, a Estação de Radares de Gabalá não tem interesse para eles e Putin sabe disse” – considera Guluzade.

2 comentários:

José Pedro Ribeiro disse...

Estamos em pulgas por conhecer a resposta do Império.

José Pedro Ribeiro disse...

Poderão os recentes acontecimentos na Faixa de Gaza, em que o Irão parece apertar o cerco a Israel através do seu filiado Hamas, questionar o valor estratégico da proposta de Putin?