quarta-feira, junho 13, 2007

Contributos para a História - Angola 1


“Rússia (URSS) nas guerras da segunda metade do séc. XX”. M., Triada-farm 2002. Pág. 413-416

Angola na Luta pela Libertação Nacional (1975-1979)

(413) Angola, antiga colónia de Portugal em África, está situada na parte sudoeste do Continente Africano. Faz também parte dela o enclave de Cabinda, província separada de Angola pelo rio Congo e por parte do território do Zaire.

A sua importância geoestratégica era tida como altamente valiosa no séc. XIX por Portugal e pela Grã-Bretanha. A sua importância não diminuiu nos nossos dias, tanto mais depois da descoberta de petróleo e diamantes em Cabinda. Além disso, os mais vantajosos ramos eram a exploração de ferro, cultivo de algodão. Angola transformou-se num alvo de vivíssimo interesse de americanos, franceses, belgas e portugueses.

A parte leonina das riquezas naturais iam para o Ocidente, principalmente para Portugal, o que não podia deixar de reflectir-se nas relações entre a metrópole e a sua possessão africana.

Em Março de 1961, em Angola teve início a luta armada de libertação nacional, que era conduzida por várias organizações: MPLA (Movimento Popular pela Libertação de Angola), FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), UNITA (União Nacional pela Independência Total de Angola) e FLEC (Frente de Libertação do Enclave de Cabinda). Porém, a divergência de objectivos, a diferente base social e étnica de cada um dos movimentos e outros factores dividiram essas organizações, conduziam, frequentemente, a confrontos armados entre elas, impedindo a união das forças anti-coloniais.

O novimento mais progressista, que, ao contrário dos outros, reflectia as tarefas nacionais, era o Movimento Popular pela Libertação de Angola, que defendia a independência e a integridade territorial do país e a nacionalização das suas riquezas.

A URSS, bem como a China e Cuba, começaram a apoiar o MPLA, tendo em conta a sua orientação marxista, a partir de 1958. Os primeiros especialistas cubanos, que integravam duas subdivisões, chegaram a Angola a 7 de Novembro de 1961 e começaram imediatamente a preparação de destacamentos de guerrilha. Nessa altura, os cubanos já se encontravam na Argélia, Guiné-Bissau e Moçambique.

Numerosos guerrilheiros tiveram preparação militar tanto nos países socialistas (Bulgária, Checoslováquia, União Soviética), como na Argélia. As acções militares dos guerrilheiros limitavam-se fundamentalmente (414) à organização de emboscadas nos caminhos e de ataques contra as guarnições portuguesas. Estavam armados com metralhadoras Kalachnikov, bem como lança-granadas e canhões leves.

A China apoiava o MPLA com fornecimentos de armamentos e tecnologia, mas os especialistas militares da República Popular da China e da República Popular da Coreia do Norte (a partir de 1973) começaram a preparação de destacamentos de guerrilheiros da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA).

Entre 1958 e 1974, os destacamentos armados do MPLA eram ajudados também pela URSS. No fundamental, tratava-se de fornecimentos de armamentos e tecnologias.

Depois da assinatura, em Janeiro de 1975, em Portugal, do acordo sobre o reconhecimento da independência de Angola, quase imediatamente (a partir de Março) começaram confrontos sérios entre representantes dos três grupos de guerrilha angolanos. A rápida renúncia de Portugal à sua colónia transformou a guerra pela independência de Angola em guerra civil.

A situação no país tornou-se crítica. Em Setembro começaram cruéis combates entre destacamentos do MPLA, FNLA e UNITA pelo controlo da capital. A partir do Norte, de Luanda aproximavam-se destacamentos da FNLA com o apoio de unidades do exército regular do Zaire e de mercenários estrangeiros; do Sul avançavam rapidamente divisões da República da África do Sul, juntas com as quais se movimentavam destacamentos da UNITA.

Luanda, em geral, estava sob o controlo do MPLA, mas esse movimento não tinha forças e meios para resistir e a guarnição portuguesa na capital mantinha-se neutra. Nessa situação, Agostinho Neto, presidente do MPLA, pediu ajuda à URSS e a Cuba.

O líder cubano Fidel Castro reagiu imediatamente ao pedido do dirigente do MPLA. Muitos cubanos alistaram-se como voluntários de brigadas internacionais, que foram apressadamente enviados para Angola. Eles participavam directamente nos combates, que se transformou em luta armada com o emprego de tanques, artilharia e aviação.

A chegada a Angola de especialistas militares cubanos permitiu aos angolanos formar rapidamente 16 batalhões de infantaria e 25 baterias de defesa anti-aérea e de lança-morteiros.

O desenvolvimento bem sucedido dos acontecimentos permitiu a A.Neto, na noite de 10 para 11 de Novembro de 1975, na presença de muitos milhares de angolanos e representantes de uma série de países estrangeiros, proclamar o nascimento do 47º Estado independente de África: a República Popular de Angola (RPA). No mesmo dia, ela foi reconhecida por um grande grupo de Estados, incluindo a União Soviética.

Entretanto, a guerra continuava. A 15 de Novembro, a fronteira de Angola foi atravessada por um contingente de 1.500 soldados sul-africanos, armado com tecnologia militar francesa e americana, que era apoiado por helicópteros de transporte com metralhadoras especialmente preparadas (415). O transporte de munições era feito de bases situadas no território da Namíbia. Em Novembro-Dezembro, esse conjunto de tropas da RAS foi significativamente reforçado.

Nessa situação, a pedido do governo de Angola, no dia 16 de Novembro chegou a Luanda o primeiro grupo de especialistas militares soviéticos, que era composto (com os tradutores) por cerca de 40 homens, que tinham como objectivo ajudar na preparação das forças armadas da RPA.

De forma bastante rápida, juntamente com os cubanos, eles conseguiram organizar em Luanda vários centros de treino, onde começou a preparação de quadros militares locais. Ao mesmo tempo, por via aérea e marítima, a URSS, Jugoslávia e RDA enviavam para Luanda tecnologia militar, armamentos, munições, provisões e medicamentos. O material militar era tranportado também por aviões de transporte militares. À costa angolana chegaram também navios de guerra da Armada da URSS. O número de especialistas militares soviéticos aumentou até 200 homens nos finais de 1975. Em 1976, a URSS forneceu a Angola uma quantidade significativa de helicópteros, aviões, tanques, blindados e armamento de infantaria. À parte angolana foram entregues também lança-morteiros, armas de artilharia e lança-granadas, mísseis anti-tanque e outros armamentos.

Nos finais de Março de 1976, as forças armadas da RPA, com o apoio directo do contingente voluntário cubano (15 mil homens) e com a juda dos especialistas militares soviéticos, expulsaram do território de Angola as tropas da RAS e do Zaire, tomando grandes centros populacionais e alvos militares.

Durante as acções militares activas, de Novembro de 1975 até Novembro de 1979, por Angola passaram milhares de especialistas militares soviéticos. Houve baixas nessa guerra da nossa parte. Morreram cumprindo o seu dever, faleceram devido a ferimentos e doenças sete oficiais, dois alferes e dois soldados do Exército Soviético. O povo angolano venera como seus heróis os soldados soviéticos que cumpriram até ao fim o dever internacionalista.

Pouco tempo depois, a guerra civil em Angola reacendeu com nova força. Mais, o confronto ocorria a três níveis: nacional (MPLA-UNITA), regional (RPA-RAS) e global (EUA-URSS e seus aliados), e manteve-se até ao final dos anos 80, até que o problema angolano foi resolvido. Segundo testemunhos dos acontecimentos, o período entre 1986 e 1988 foi o mais sangrento na história da guerra civil em Angola. Ele aumentou ainda mais a lista trágica dos nossos conterrâneos que morreram em terra angolana. (416)

A 20 de Novembro de 1994, na capital da Zâmbia, Lusaca, entre o governo de Angola e a direcção da UNITA foi assinado um protocolo sobre a regularização pacífica do conflito no país. Esse acontecimento foi antecedido da retirada do contingente militar cubano e do encerramento da missão militar soviética.

2 comentários:

Ralf Wokan disse...

Prezado José

acabei de recomendar o seu Blog ao Krusenstern /Blog-Carnival Russian Media.
http://www.krusenstern.ch/

abraço
Ralf

Jose Milhazes disse...

Caro Ralf, obrigado