quarta-feira, novembro 07, 2007

Saakachvili impõe estado de emergência no país

Mikhail Saakachvili impôs o estado de emergência no seu país durante 15 dias a pretexto de "repor a ordem" e encerrou duas cadeias de televisão.
A cadeia de televisão georgiana, Imedi Television, próxima da oposição, deixou de emitir na terça-feira à noite depois de um apresentador ter anunciado que forças policiais especiais terem entrado no edifício.
“Fomos informados que as forças especiais acabaram de entrar no edifício da Imedi TV” – anunciou o apresentador. A cadeia, propriedade do oligarca Badri Patarkatsichvili, que chamou “fascista” ao regime do Presidente Saakachvili, deixou imediatamente de transmitir.
As autoridades, alguns minutos depois, suspenderam também a emissão do canal “Kavkázia”.
“Desligaram-nos pelas razões que são conhecidas” – declarou um dirigente da estação à agência Novosti Gruzia.
Os dirigentes da oposição criticaram duramente a intervenção de Saakachvili na televisão georgiana, em que acusou os serviços secretos russos de estarem por detrás dos protestos da oposição.
“O Presidente da Geórgia declara que agora não é tempo de comícios. Não é uma pessoa que decide autorizar comícios no país. Um democrata não fala assim” – declarou o deputado Zvida Dzidziguri, dirigente do Partido Conservador.
Segundo ele, “hoje toda a Geórgia viu que o Presidente é um mentiroso, cobarde, sem vergonha e corrupto. Ele não é capaz de dialogar” – frisou.
A antiga ministra dos Negócios Estrangeiros da Geórgia e dirigente do partido Caminho da Geórgia, Salomé Zurabichvili, declara que Saakachvili “não vive neste país”.
“Saakachvili perdeu mais de uma oportunidade de começar o diálogo com o seu povo. Ele trouxe para a rua forças especiais e, num só dia, dispersou três vezes acções de protesto” – declarou ela.
Quanto à acusação de a oposição ser manipulada pela Rússia, a líder da oposição acrescentou: “Estamos no centro da atenção, daí as autoridades precisarem de fábulas sobre a Rússia. Quem, se não o Presidente, levou a Geórgia à situação em que se encontra? Quem não utilizou a oportunidade única de entrar na NATO e aproximar-se da União Europeia?” – pergunta Salomé Zurabichvili.
É pena constatar que Mikhail Saakachvili tenha deixado a situação degradado até ao ponto de empregar a força contra as manifestações da oposição. Poderia ter estabelecido o diálogo, mas preferiu a matraca. A sede de poder e a corrupção parecem ter falado mais alto.
A União Europeia enviou um representante seu para mediar o conflito, o que constitui uma tarefa difícil. Juntamente com os Estados Unidos, a União Europeia é a única força capaz de sentar à mesa das conversações as forças envolvidas no conflito. Se falharem, então a Rússia poderá ganhar com esta situação.

2 comentários:

José disse...

Desde que Saakachvili chegou ao poder que praticamente só ouvimos coisas positivas acerca dele (perspectiva de um leitor médio). Mas alguma coisa de mal ele terá feito. Sabe de alguma asneira/vigarice em concreto que dê razão às manifestações?

Jose Milhazes disse...

Caro leitor, penso que o problema reside na sede de poder absoluto dos políticos georgianos e da falta de diálogo. Mikhail Saakachvili começa toda uma série de reformas e sociais, mas, paralelamente, foi perdendo aliados devido aos seus modos autoritários. Quanto à oposição, ela é muito diversa, com objectivos diferentes.
Além disso, na Geórgia, a corrupção, o compadrio e o nepotismo agravam ainda mais a situação.
Depois de usar a força, Saakachvili tentou apontar o dedo acusador à Rússia, mas, desta vez, de forma pouco convincente. Claro que Moscovo tem os seus interesses na Geórgia e tenta defendê-los, mas nem sempre precisa de actuar tão abertamente, basta esperar os erros cometidos pelos dirigentes no país.
A Geórgia é um país que pretende aproximar-se da NATO e da União Europeia. Por isso, estas organizações podem desempenhar um papel importante no estabelecimento do diálogo entre as partes do confronto.
Uma das saídas possíveis para a crise é a realização de eleições parlamentares antecipadas para auscultar a voz do povo.