quinta-feira, janeiro 31, 2008

A fartura em demasia pode ser prejudicial


A "democracia soberana" russa tem destas coisas. Ainda não começou a campanha eleitoral para as presidenciais e já ninguém duvida quem será o vencedor. Como me dizia hoje o meu amigo Carlos, por este andar, podiam não fazer eleições e poupar uns milhões de rublos. Estou de acordo, mas a "democracia soberana" tem de ir até ao fim para que todos saibam quem manda na Rússia, embora duvide que exista alguém que ainda não tenha compreendido isso.
Publico as últimas sondagens para acabar com os últimos cépticos: O Centro de Estudo da Opinião Pública revelou hoje um previsão que mostra que Dmitri Medvedev, candidato que tem o apoio de Vladimir Putin, será eleito Presidente da Rússia na primeira volta das eleições de 02 de Março com 74,8 por cento dos votos.
“Isto é sensivelmente o mesmo que Vladimir Putin conquistou nas eleições presidenciais de 2004: 71 por cento” – declarou Valeri Fiodorov, director desse centro.
Segundo ele, Guennadi Ziuganov, presidente do Partido Comunista, conquistará 12,8 por cento dos votos, Vladimir Jirinovski, dirigente do Partido Liberal Democrático, ficará em terceiro lugar com 11,5 por cento e Andrei Bogdanov, líder do Partido Democrático, conseguirá 0,9 por cento dos votos.
Valeri Fiodorov revelou os resultados de uma sondagem do Centro de Estudo da Opinião Pública, realizada em 26 e 27 de Janeiro: 63,5 por cento dos respondentes admitiram votar em Medvedev, 5,3 por cento apoiarão Ziuganov, Jirinovski 5,5 por cento e Bogdanov 0,4 por cento. A afluência às urnas será de 70,7 por cento.
Estes prognósticos e a forma como o candidato do Kremlin pretende realizar a campanha retiram qualquer tipo de interesse à luta eleitoral. Dmitri Medvedev recusou-se a participar nos debates televisivos com os outros candidatos, o que levou o dirigente comunista a seguir-lhe o exemplo.
“Claro que Guennadi Ziuganov não irá discutir com os outros dois candidatos a presidente: Jirinovski e Bogdanov” – declarou Ivan Melnikov, membro do Comité Central do Partido Comunista.
Porém, pouco depois, Ziuganov voltou atrás nessa decisão. As acções do dirigente comunista mostram que este político é completamente controlado pelo Kremlin. Alguns dirigentes comunistas levantaram a hipótese de Ziuganov abandonar a corrida eleitoral por se ter transformado numa "farsa", mas ele veio dizer que "tenho o mandato dos trabalhadores", bla, bla, e continua na corrida.
Imaginem se ele desistisse! Seria bonito. O delfim de Putin ganharia as eleições num combate contra o nacional-palhaço Jirinovski e Andrei Bogdanov, personagem pouco transparente e que tem como uma das maiores virtudes (diz ele) ser grão-mestre da Grande Loja da Rússia! Convenhamos que isso seria feio demais! Por isso, o comunista tem de continuar e entregar-se à misericórdia do vencedor.
Os que estão por detrás da campanha de Medvedev só têm um problema complicado a resolver: fazer com que Medvedev não ganhe mais votos do que o Presidente Putin, que as votações sejam semelhantes. Isto já parece a concorrência entre Fidel e Raul Castro em Cuba.

8 comentários:

Klubnika disse...

Lido o artigo, parece não restarem dúvidas: de todos os candidatos, Medvedev é o único que se aproveita. Assim sendo, é natural uma percentagem tão alta nas sondagens, não? E quanto a debates, que político com sentido de Estado é que se sujeitaria a ir debater com aqueles 3? Francamente...

Jose Milhazes disse...

Caro leitor, a sua lógica parece imbatível... Gosto especialmente da expressão "aqueles 3", que o Kremlin escolheu para adversários. Não há nada de melhor na Rússia entre 140 milhões?

carlmartins disse...

Parece Portugal.....ora o PS, ora o PSD e depois queixam-se de corrupção, trafico de influencias, etc...Na questão dos debates não se passou o mesmo em Portugal? O candidato favorito não se recusou a debater com os outros candidatos o programa eleitoral?Será que a Russia tem que ser a Confederação de Estados mais democratica do Mundo?Não nos podemos esquecer que a democracia na Russia, como existe hoje, tem aproximadamente 20 anos.
A democracia Russa é muito jovem deixem-na crescer, de forma a que esses grande país aprenda com os seus proprios erros.

Cristvs...in Northern Darkness! disse...

"A democracia da Rússia é muito jovem, deixem-na crescer"?

Bem, ao ritmo de crescimento a que ela vai, qualquer dia desaparece. Não há maior totalitarismo do que aquele que leva as pessoas a pensar que vivem democraticamente. Neste momento, qualquer tentativa de oposição na Rússia, é prontamente esmagada pelas autoridades, e pelos grupos controlados pelo Kremlin (directa ou indirectamente). E esse é que é o problema.
(olhem o caso Kasparov)

Batista Export disse...

" A democracia Soberana Russa ";
Honestamente, com algum conflito pessoal, simpatizo com o plano democrático seguido na Rússia, pelo menos deverá manter-se para o bem de todos até 2015, não consigo extrapolar exemplos democráticos de outras nações, e “vesti-lo” em tons Russos, é impossível e não desejável a curto prazo.
Podia ser mais agressivo e escrever que Africa necessita de Ditaduras para segurança de seus povos, que Hugo Chaves é necessário para equilíbrio global, e que o Irão deveria ter Arma Nuclear para definir estrategicamente uma região, não o farei porque seria demasiado irresponsável, posso sim escrever que Medvedev será um bom Presidente, o tal que a Rússia actualmente precisa, o tal que segue uma linha estratégica, que a meu ver parece adequada.

Jose Mendes disse...

"Não há maior totalitarismo do que aquele que leva as pessoas a pensar que vivem democraticamente...". Bom, quem escreveu isto, tendo a Rússia em mente, parece ser precisamente uma das tais pessoas que tal pensam (caso viva em Portugal). Pessoalmente, acho espantosas as considerações que se fazem sobre a falsa democracia da Rússia (e só lá...). O José Milhazes, conhecendo a Rússia melhor que eu (suponho que se afastará, pelo menos de vez em quando, da excepcional zona em que vive, na cidade de Moscovo) saberá das semelhanças com Portugal. As tentativas de oposição são esmagadas? Pois são. E em Portugal, não são? O esmagamento é que é feito de outras formas. Ainda pessoalmente, prefiro morrer com uma rajada de Kalashnikov ou um tiro de PSS, do que lentamente, às mãos da nossa máfia democrática, que tudo nos tira para poder comprar, entre outras coisas, os jipes topo-de-gama que se podem ver nas ruas de Moscovo ou de qualquer grande cidade Russa (mas a Rússia tem petróleo, gás, diamantes, minérios, madeiras,...).

Jose Mendes disse...

"Não há maior totalitarismo do que aquele que leva as pessoas a pensar que vivem democraticamente...". Bom, quem escreveu isto, tendo a Rússia em mente, parece ser precisamente uma das tais pessoas que tal pensam (caso viva em Portugal). Pessoalmente, acho espantosas as considerações que se fazem sobre a falsa democracia da Rússia (e só lá...). O José Milhazes, conhecendo a Rússia melhor que eu (suponho que se afastará, pelo menos de vez em quando, da excepcional zona em que vive, na cidade de Moscovo) saberá das semelhanças com Portugal. As tentativas de oposição são esmagadas? Pois são. E em Portugal, não são? O esmagamento é que é feito de outras formas. Ainda pessoalmente, prefiro morrer com uma rajada de Kalashnikov ou um tiro de PSS, do que lentamente, às mãos da nossa máfia democrática, que tudo nos tira para poder comprar, entre outras coisas, os jipes topo-de-gama que se podem ver nas ruas de Moscovo ou de qualquer grande cidade Russa (mas a Rússia tem petróleo, gás, diamantes, minérios, madeiras,...).

Jose Milhazes disse...

Viva, Zé Milhazes Quis fazer um comentário no teu blog, mas não consegui inseri-lo, devo-me teresquecido da palavra-passe. Poderás colocá-lo? (no post "A fartura em demasia pode ser prejudicial") "Já por várias vezes verifiquei que os leitores, quando se fala dos problemasda Rússia, especialmente da ausência de democracia e da repressão daoposição, costumam dizer: Então e em Portugal? Também não há coisasdessas? Então e o Sócrates também não reprime os descontentes? Pois pensoque estamos perante um caso de diferença de mentalidades, de algo que aspalavras não conseguem transmitir e que só vivendo na Rússia é que se podeSABER e SENTIR. Não, os problemas da Rússia não são de maneira nenhuma, nemlá perto, parecidos com que temos em Portugal. Ou melhor, a amplitude é tãodiferente que não se pode mesmo fazer comparações. Seria muito bom se asdificuldades políticas dos russos fossem só as que temos em Portugal. Porisso, temo que muito do que o José Milhazes escreve (e que eu subscrevo) semantenha incompreendido". Leio diariamente com agrado os teus posts, embora não costume comentar porqueé raro discordar. Continua! Um abraço de Portugal Cristina Mestre