sexta-feira, março 07, 2008

O efeito do dominó continua


Para os que ainda tinham dúvidas de que o Kosovo iria provocar um efeito do dominó no Cáucaso, a mais explosiva das regiões da Europa, sim, o Cáucaso fica na Europa, aqui vai mais uma má notícia. Vamos ver como é que a União Europeia irá "descalçar esta bota" quando a Abkházia, Ossétia do Sul, Transdnestria e Nagorno-Karabach começarem a ser reconhecidos como Estados independentes por outros países, por exemplo, a Sérvia. A Rússia está por detrás deste processo, mas faz com que o "trabalho sujo" seja feito por mãos alheias.
A Assembleia Popular (Parlamento) da República da Abkházia, região separatista da Geórgia, aprovou hoje um apelo à Assembleia Federal (Parlamento) da Rússia, bem como às Nações Unidas, organizações internacionais e Estados do mundo para que a comunidade mundial reconheça este território situado na costa do Mar Negro.
Esta decisão foi tomada numa reunião extraordinária da Assembleia Popular convocada para o efeito.
Os deputados abkhazes consideram que “a Abkházia se formou como Estado independente”, sublinhando que “o exemplo do Kosovo criou uma situação favorável para a Abkházia conseguir um novo estatuto”. Segundo eles, qualquer tentativa de privar a Akházia da independência conduzirá a “um conflito militar de grande envergadura que envolverá os países mais próximos”.
Na véspera, a Rússia decidiu sair do regime de proibição de contactos comerciais, económicos, financeiros e outros com a Abkházia por via de estruturas e empresas estatais, lê-se num comunicado do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros.
“A Rússia, devido à mudança de circunstâncias não se considera mais ligada pela decisão do Comité de Chefes de Estado da Comunidade dos Estados Independentes “Sobre as medidas para regularizar o conflito na Abkházia, Geórgia”, de 19 de Janeiro de 1996.
Esta decisão proibia quaisquer contacto de estruturas e empresas estatais dos países da CEI com a Abkházia.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Geórgia convocou hoje o embaixador russo em Tbilissi para lhe entregar uma nota de protesto contra a decisão de Moscovo de levantar o regime de sanções contra a Abkházia, território separatista da Geórgia.
“Esse passo só pode ser interpretado como uma tentativa clara de atentar contra a soberania do país e a sua integridade territorial, de incentivar o separatismo e uma provocação perigosa que visa aumentar a tensão na zona do conflito” – lê-se na nota da diplomacia georgiana.
No passado dia 04 de Março, o Parlamento da Ossétia do Sul, outra região separatista da Geórgia, aprovou um apelo semelhante ao da Assembleia Popular da Abkházia.
“Depois do Kosovo ter proclamado e ver reconhecida a sua independência, o princípio da integridade territorial do Estado já não pode ser considerado dominante”, lê-se na declaração aprovada pelos deputados ossetas, sublinhando que “a Geórgia já reconheceu a independência desse território nos Balcãs”.
Os parlamentares ossetas apontam mais dois argumentos de apoio à sua posição: “a impossibilidade da coexistência da Geórgia e da República da Ossétia do Sul” e “o facto de a maioria da população da República ter cidadania russa”.
No dia 13 de Março, a Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento russo irá discutir os apelos dos parlamentares da Abkházia e Ossétia do Sul.

4 comentários:

kaprov disse...

Estas regiões tem todo o direito de desenvolverem como Estados independentes e soberanos.À própria ONU faculta à chamada auto-determinação dos povos.Se KOSOVO pode outras regiões tem o mesmo direito.O problema é que o mundo é repleto de hipocrisia.São dois pesos e duas medidas dependendo do freguês.

Jose Milhazes disse...

Caro leitor Kaprov, não receia que os índios do Brasil também comecem a exigir a independência? E até onde vai o direito à autodeterminação?

kaprov disse...

De forma alguma.Eu pertenço à região SUL do Brasil, e o sentimento de independência do restante da federação é bem forte e conhecida.São regiões habitadas principalmente por alemães, italianos e polacos.

Andre' Serranho disse...

A questäo, caro José, é essa mesma: porque é que o Kosovo pode ser independente e os outros näo?
Ou há moral ou comem todos!

... será por ter a maior base da NATO na Europa?
Já nem vou falar do facto de que a economia daquele pedaço da Sérvia é baseado no tráfico de drogas, armas, e mulheres... com o beneplácito do protector...

Näo entendo: a Sérvia tornou-se democrata, como a Croácia näo é, por exemplo; deu autonomia alargadíssima àquele pedaço de chäo, e esta é a paga? Porquê?

Eu estou contra separatismos, mas já em 1990 assim o era. Afinal, constrói-se a UE para unir, e vêm estes micróbios infectar o continente? Sabem porquê? Porque os deixam! Depois näo se queixem...