sexta-feira, março 21, 2008

Reabilitação descarada da polícia política soviética


Hoje, fui fazer uma visita ao Museu Central da Grande Guerra Pátria (Segunda Guerra Mundial) de Moscovo e deparei com o cartaz acima reproduzido. Aí está escrito "Exposição 90º aniversário da VTCHEKA. Na guarda da segurança da Pátria".
Para os leitores que não sabem a VTCHEKA-TCHEKA- NKVD-MGB-KGB foi a polícia soviética criada em 1918 por Felix Dzerjinski e Vladimir Lénine e cuja existência não terminou com o fim do comunismo em 1991, mas apenas mudou de nome e hoje chama-se FSB (Serviço Federal de Segurança). Entre os seus famosos antigos agentes encontram-se o actual Presidente Putin e muitos dos membros da sua equipa no Kremlin.
Qualquer pessoa que conhece minimamente a história desta polícia política sabe que ela torturou, matou e condenou à prisão dezenas de milhões de soviéticos, mas o impressionante é que na exposição não há uma frase, uma foto ou qualquer objecto que mostre essa faceta do KGB soviético.
Pode-se ver fotos, cartazes e outros objectos ligados ao trabalho desta polícia com vista à neutralização dos "inimigos internos e externos" da União Soviética e, agora, da Rússia. Está exposto o chapéu militar de Adolfo Hitler, apreendido pelos agentes da polícia política soviética, bem como materiais alusivos aos destacamentos SMERTCH, tropas especiais do NKVD que, entre outras funções, se instalavam por detrás dos soldados soviéticos na frente de combate para que eles não recuassem. Quem recuava, era abatido.
E nem sequer uma palavra sobre os milhões de operários, camponeses, intelectuais, sacerdotes que foram martirizados pelos carrascos de Estaline...
Pode-se imaginar a realização de uma exposição sobre a PIDE-DGS em Portugal sem que se aborde o papel dessa polícia polícia nas perseguições políticas, na criação do Tarrafal, etc. ? Na Rússia moderna, isso é possível...

12 comentários:

Almir disse...

Milhazes,
Estive recentemente em Londres. Nesta cidade há um museu da Guerra, que dedica-se a preservar a memória de todas as incursões militares da Grã-Bretanha. Há nesse museu um ala dedicada à história da espionagem britânica. É, tal qual o museu russo, um exercício de fantasia nacionalista. Aliás, ao ler o teu post, desconfio que a iniciativa russa de montar esse museu da espionagem deva ter se inspirado no congênere britânico. A propósito, tenho uma opinião muito particular sobre a recente rivalidade russo-britânica. Nada me tira a convicção de que esse teatro serve às conveniências recíprocas muito mais do que à causas de segurança nacional dos dois países. A Inglaterra busca afirmação como potência protagonista da política mundial, não somente um braço militar auxiliar dos EUA. E a Rússia esforça-se para recuperar a autoridade de potência incontestável que a União Soviétic meritosamente conquistara em sua história. Nenhum dos dois países cabe nos papéis que tentam desempenhar nesse falso teatro de enfrentamento, por isso, no final das contas, acabam desempenhando um patético papel de "quero ser potência e para tal preciso de um inimigo à minha altura". Um teatro, uma farsa amplificada pela mídia sensacionalista!
(apesar disso, recomendo-te passar adiante as tuas ações da British Petroleum... rs)
Um grande abraço!

Petr disse...

Como é sabido, qualquer país com características que o qualifiquem como potência, tanto a nível mundial, como regional, deve dispor de uma instituição específica, que garanta a protecção dos interesses nacionais, contra numerosas e igualmente diversas ameaças, tanto internas, como externas. Isto resulta como consequência óbvia da necessidade de proteger, de uma forma exímia e altamente qualificada, aquilo de que outros pretendem apoderar-se…e o Império Russo czarista tinha muito que proteger, tal como a URSS e, actualmente, a Federação Russa.
Análogos de V.Ch.K. (dispensam-se as adaptações), K.G.B. ou F.S.B. existem nos EUA, França, Grã-Bretanha, Israel, entre outros. Todas elas, de facto, instituições respeitadas, criadas com a mesma finalidade principal e cuja função e existência são reconhecida pelos cidadãos dos respectivos países. Quando se têm mais do que “uma dúzia de oliveiras e umas tantas vinhas” para proteger, apenas serviços deste tipo são capazes de providenciar a devida segurança, de uma forma que ultrapassa a das forças regulares.
Só não se protege, quando não há nada para proteger, como no caso de Portugal.

Não querendo desconsiderar o estimado leitor, gostaria de poder lamentar esta minha nota introdutória com esclarecimentos tão triviais e de conhecimento geral. Muito infelizmente, após a leitura desta publicação, constatei precisamente essa atitude de desconsideração por parte do Sr. Milhazes, relativamente aos leitores, ao focar, aleatória e parcialmente, excepcionais factos e particularidades da V.Ch.K./KGB

Será a finalidade denegrir a instituição? De facto, mais “negra” ela não poderia ser, é claro, pois esta é a sua natureza intrínseca e são estes os seus métodos de actuação particulares, tal como os da CIA ou outros análogos. Não estamos a falar de uma “casa de caridade”, como sabe.


Considero, nesta situação, imperativo oferecer aos estimados leitores alguns esclarecimentos, relativamente as actividades da V.Ch.K, que demonstrem, de uma forma saudável (!) um quadro geral da importância da mesma e a sua feição de um modo mais objectivo.

1. As forças SMERSH – “Smerth Shpionov”, significando “Morte dos espiões” (e não SMERTCH) eram, em primeiro lugar e acima de tudo, forças da contra-espionagem. Bem deve ser referida a grandiosa contribuição desta organização para a vitória dos aliados na Segunda Grande Guerra. De facto, o brilhante trabalho de numerosos agentes soviéticos infiltrados nas fileiras do Wehrmacht, a recruta de agentes alemães e as incontáveis operações altamente distinguidas tiveram um peso inestimável na desocupação da Rússia e da Europa do exército nazi.
Quem sabe, como seria a nossa história actualmente sem a autêntica acção heróica dos agentes SMERSH..?
Pelos vistos, o Sr. Milhazes não considera importante referir isto na sua publicação. Limitar os feitos de SMERSH a uma fútil apreensão do chapéu de Adolfo Hitler é, no mínimo, irrisório.

2. A prática de colocação de “batalhões da morte” de SMERSH na retaguarda das fileiras de ataque tornou-se prática, no Exercito Vermelho, no decorrer da II Guerra Mundial, como adaptação copiada do exército alemão. Somente no decorrer do conflito, o exército soviético passou a este uso, que tinha lugar apenas quando se tratava de “batalhões de condenados”, “id est” criminosos. Oferecia-se-lhes a anulação da pena, caso optassem combater.
Assegurando que estes não aproveitassem a oportunidade para, simplesmente, escapar, colocavam-se os ditos “batalhões da morte” na sua retaguarda.
Bem pelo contrário, os alemães faziam-no desde o início da guerra, como prática natural, em relação às tropas regulares dos seus aliados romenos, húngaros ou albaneses.

É pena esta elucidação não ter sido relevante na publicação do Sr. Milhazes.


3. Apelidar a NKVD como carrascos de Estaline, evocando dezenas de milhões de soviéticos condenados como uma grotesca anormalidade, é afirmar que, na então recém-nascida União Soviética, uma grande maioria da população era a favor do próprio regime e que não existiam numerosos focos de oposição, a diversos níveis, ao Estado soviético, entre a população. Tal, como provavelmente o Sr. Milhazes sabe, não é verdade.
De facto, as conspirações anti-soviéticas existiram, mesmo no pós Segunda Guerra Mundial, nos vários lugares do tão vasto país e, por vezes, com um nível organizacional elevado. De referir que a colaboração secreta dos países ocidentais não era rara.
Se é verdade que muitos foram acusados e condenados injustamente, também é verdade que, à mínima vacilação ou sinal de debilidade dos serviços competentes, cuja função era garantir a soberania, a integridade nacional e providenciar ao Estado a sua devida autoridade, o país entraria num caos, talvez numa nova guerra civil, cujos resultados, decerto calamitosos, são difíceis de imaginar.

4. Por último…esta é mesmo caricata, a comparação entre uma hipotética exposição sobre a PIDE e esta, sobre a V.Ch.K. A primeira, e mais clara diferença, entre as duas, é que uma findou a sua existência, ao passo que a outra, ao longo dos 90 anos, foi sofrendo mutações, continuando, portanto, a existir. Algum discernimento mínimo remeter-nos-ia para a simples conclusão de que nenhuma instituição, mais ainda, deste tipo, iria propagandear a sua natureza maquiavélica, enquanto existe.
A título de comparação, seria inimaginável uma exposição conjunta sobre a CIA e o FBI, em que, orgulhosamente, se demonstrasse a “soberba” prisão de Guantanamo e se expusessem, honrosamente, documentos sobre as perseguições de Hoover.
Será isto bom? Mau? Conceitos de ordem moral não existem na política, como é sabido. Fortemente ligada à política, a V.Ch.K./KGB/FSB é uma força criada para defender os interesses do Estado, que é, no fundo, a essência da política propriamente dita, tanto internacional, como nacional.
Repito, – não se trata de uma “casa de caridade”.

Por outro lado, como atentei inicialmente, defende-se quando há algo a defender ou a proteger. A Rússia, historicamente, sempre esteve exposta a grandes ameaças. Actualmente, quem comenta com desdém a FSB, numa prova manifesta da sua “inocente brandura na luta pela democracia”, deveria estar eternamente grato àquele que tem sido o definitivo e capaz bastião da segurança interna russa – as forças federais, pela prevenção da venda internacional de armamento nuclear pelas máfias, pelo controlo de trafico de droga e a contenção de numerosas situações de colapso apocalíptico da nova Rússia, “et caetera”.
É que Europa só vive em paz, porque a Rússia se encontra estável, felizmente cada vez mais. Se a Rússia tremer, todo o mundo tremerá. Apenas a garantia de um poder central estável e organizado, neste país único, tão vasto, diverso e poderoso, oferecerá a perspectiva optimista do seu desenvolvimento e da coexistência saudável, na medida do possível, a nível internacional. Quem se encontra por detrás desta delicada calmaria? Quais são os alicerces? Os ditos “maus da fita” – a FSB.


Frequentemente, constato uma certa ingenuidade, aquando da abordagem de acontecimentos da história da Rússia, deparando-me com apresentação de factos desligados do contexto geral, desligados da perspectiva holística.

No caso deste blog e de várias publicações, pelo contrário, trata-se de afastar, deliberadamente, quaisquer elementos positivos, benéficos e saudáveis, que possam, no final de contas, contribuir para o tal diálogo e entendimento confraternal com a Rússia e que é, aparentemente, tão aspirado e gritado pelo “Ocidente”, sempre que convêm.
A par disto, a responsabilização pelo insucesso da dita “aproximação” é atirada para o lado russo, sempre que é oportuno e, simultaneamente, a imprensa bombardeia os europeus com negativismos sobre Rússia, com os “podres” que, por vezes, nem o são.
Todos parecem querer e gostar de uma Rússia incapaz, descoordenada, fraca, oferecida, pois é tão conveniente aproveitar uma “fatia do precioso bolo”. Sim, reminiscências da época de Yeltsin…
O “Ocidente” quer cooperação por um lado, mas recusa um investimento anual de 11 biliões de Euros aos numerosos empresários russos, determinados em investir na Europa. Isto é apenas um exemplo.

O caso desta situação não é diferente. Duvido que o Sr. Milhazes não faça a mínima ideia daquilo que escreve. Escolhe, isso sim, episódios grotescos ou dados insólitos, apresentando-os a leitores que, provavelmente, desconhecem “o resto da história”. Omite muitas das informações que poderiam ser de igual interesse e que pudessem lançar uma luz sobre tantas coisas boas, bonitas ou mesmo úteis, relativamente a Rússia.

Sr. Milhazes, será sua intenção escarnecer o país em que vive aos olhos europeus? Contribuir para o fortalecimento da distorcida imagem que a Rússia tem, junto de muitos europeus? Claramente, no seu blog está livre de escrever o conteúdo na forma que lhe apetecer, daí a sua existência.
Pergunto, no entanto, se não acha mais saudável dar a conhecer as belezas daquele país, informar os leitores sobre o que de bom se tem feito e atingido, apresentar eventos culturais peculiares ou referir as inovações tecnológicas, tantas vezes únicas e verdadeiramente interessantes?!
Mesmo neste caso da exposição da KGB, não seria interessante referir alguma curiosidade positiva sobre esta organização, que provavelmente muitos desconhecem?
Fica aqui a sugestão.

A meu ver, um blog como este deveria contribuir para o elevar da cultura geral dos visitantes, indo também ao encontro de pessoas que associam Rússia à vodka, às lindas mulheres, à neve (todo o ano, muitos pensam) e aos ursos. Talvez não teria que me deparar com gente que pergunta: “É verdade que o Putin vai lançar mísseis pra Europa?!? Vi ontem na televisão...” ou “Na Rússia há praias?”


Resta dizer, que guardo a esperança que algum dia, esta posição de “nós e os outros”, (leia-se, mentalidade de blocos) tenha o seu termo, sem que, para isso seja necessário esquartejar a Rússia, russificar a Europa ou presenciar a Última Guerra Mundial.
É que não sei se hei de rir ou de chorar, cada vez que me deparo com mais uma incompreensível barbaridade dos media “ocidentais”.
Bem sei que Sr. Milhazes pode ir na corrente de alimentar falsas imagens daquele país ou, contrariamente, instruir e informar devidamente as pessoas.

É de louvar a organização de uma exposição, cujo intuito é o de enaltecer e dignificar um organismo que zela pela segurança nacional de um país.

Sapka disse...

Tem razão Petr ao afirmar que a CIA e o FBI jamais se lembrariam de organizar uma exposição a lembrar as patifarias "democráticas" que cometeram no passado: os assassinatos por todo o planeta, as guerras que provocaram, os atentados e golpes de Estado, a protecção a regimes corruptos, assassinos e liberticidas, a desinformação/desestabilização, o assassinato do Presidente Kennedy e respectivo cover-up, etc, etc. Não gostei, porém, da tentativa pouco cortês de Petr de achincalhar Portugal, ao referir que o país só tem oliveiras e vinhas para vigiar. É uma reacção típica do grande urso das estepes, certamente pouco ágil para subir os socalcos do Douro sem dar um trambolhão. Também não me parece nada curial a maneira como ataca o José Milhazes, só faltando fazer-lhe alguma ameaça velada. OK, eu também não concordo com a perspectiva unilateralmente oposicionista de Milhazes, muito em particular com a avaliação que ele faz da era Putin. Mas recomendar-lhe, como Petr faz, que dê mais espaço no seu blog às belezas da Rússia, parece-me deslocado e ridículo. Por outro lado, é muito mau sinal que se pretenda na Rússia de hoje branquear o passado da Tcheka ou do KGB, mostrar apenas e só o que de bom fizeram pela defesa do seu grande país. Não competirá certamente à FSB focar os aspectos escuros, alguns muito negros, das suas antecesssoras, mas alguém terá que fazê-lo na Rússia. Isso também tem que fazer parte da imagem positiva que os russos pretendem dar de si próprios nesta nova fase da sua história. Sociedade que não reflecte sobre si própria e sobre o seu passado, é porque algo de errado se passa nela.

slova disse...

Os serviços de intelligence sempre fizeram parte da história, passada e presente, dos Estados. Não é, aliás, concebível a existência de Estados com um mínimo de presença no devir histórico que não possuam serviços de intelligence - o mau é existirem serviços que não são desta natureza a realizarem missões de intelligence.
A Rússia, com o peso que tem no concerto das nações, não se pode dar ao luxo de não possuir este tipo de serviços.
Os órgão de decisão dos Estados precisam da informação obtida clandestinamente para fundamentarem as suas decisões.
Quanto a Portugal, a história dos serviçso de intelligence não começaram com a PVDE-PIDE-DGS (estes não passaram de instrumentos de um regime em vias de perder a legitimidade, como, aliás, outras estruturas do Aparelho repsressivo de Estado). Seria talvez conveninete lembrar, por exemplo, que Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã foram dois espiões ao serviço do rei de Portugal em missão, sem dúvida, preparatória da demanda do caminho marítimo para as fontes da pimenta. Também há esta vertente ofensiva dos serviços de intelligence a par da vertente defensiva. Na Rússia, actual encontram-se corporizadas na FSB e no SVR, que são herdeiras de uma história sem dúvida longa, que é a da posição da Rússia no devir histórico.

Jose Milhazes disse...

Caro leitor Piotr, ´com as mesmas justificações actruaram a PIDE e as SS nazis. Basta ler os documentos em defesa dessas organizações. Quanto ao amor pela Rússia, não confunda o seu país com regimes políticos. Eu gosto da Rússia, sofro por ela, mas posso não morrer de amor por Estaline ou dirigentes semelhantes.
Aconselho-o fortemente a ler uma obra que se chama Ensaiosa sobre a História dos Serviços Secretos Russos, publicada no ano passado em Moscovo. Deverá notar que os grandes agentes secretos russos foram liquidados pelo NKVD.
Quanto aos "criminosos" de que fala na guerra, não se esqueça de que o conceito de "criminoso" foi determinado pela justiça estalinista e englobava toda a população soviética, pelo menos potencial. Até os que contavam anedotas anti-soviéticas eram criminosos.
Para terminar, a existência de órgãos repressivos semelhantes noutros países não justificam nada. Eu escrevi sobre a história truncada, embelezada da TCHEKA, e não sobre a CIA e o FBI. Para isso há especialistas nesses assuntos, mas é com agrado que aceito o seu contributo para a discussão.

Jose Milhazes disse...

Comentário enviado por mail por Maxim Sardelkin: "Escrevo-lhe mais uma vez por continuar a nao conseguir registar-me no seu blog. Ha tempos escreveu em defesa de Natalia Morar pelo que deduzo, e muito bem, tenha uma preocupacao bem justificada acerca dos riscos que os colegas jornalistas correm.Como ainda não escreveu sobre o atentado gravissimo contra o jornalismo, que foi o assassinato do jornalista do canal 1, Gadji Abasholov, no Dagistao, cujo trabalho incidia especialmente sobre a Abkhasia, deduzi que nao estaria na Russia(os jornais ocidentais nao noticiaram este facto). Como tem sempre boas fontes seria bom denunciar mais este atropelo a liberdade porque afinal, assim sendo, todos os que fazem oposicao a uma ou outra parte, como voce, tem em risco a vida o que e no minimo intoleravel. Muito obrigado desde já CumprimentosMaxim P.s. espero merecer resposta da sua parte".

Jose Milhazes disse...

Caro Maxim, tem razão, mas só não escrevi sobre o assassinato dos jornalistas (foram dois que morreram) no blogue porque não tive tempo, mas escrevi para a Lusa. Claro que condeno, independentemente de quem tenha cometrido o crime. Como você sabe, o Daguestão é uma região muito problemática e seria bom se aí pusessem alguma ordem.

Almir disse...

Sobre os comentários de Petr, tenho duas considerações:
1) Primeiramente, trata-se este espaço de um blog pessoal do Sr. Milhazes, onde ele pode expressar suas opiniões sobre os assuntos que lhe convém. Caso o Sr. queira igualmente construir um espaço virtual para estruturar suas opiniões sobre a Rússia, aconselho-o a construir o próprio Blog. Vocação para escrever vejo que tens;
2) Vejo que o Senhor tem uma visão idealizada das instituições russas, que exagera nas virtudes stalinistas mesmo em capítulos controversos da história soviética. Da mesma forma que acho que o papel heróico e protagonista da URSS na Grande Guerra Patriótica deve ser enaltecido e respeitado, não podemos deixar de levar em conta a contabilidade criminosa dos crimes cometidos pelo stalinismo, através dessas mesmas instituições de segurança estatal de que tratamos aqui.

Celso Cunha disse...

Bem, mas que giro!! Há muito tempo que não lia comentários tão engraçados como o do Petr. Acho que fez muito bem. Como diz o ditado "quem não sente não é filho de boa gente" e é sempre bom defendermos aqueles por quem temos estima. Aquela dos "smerth shpionam" (não é "shpionov", Petr. A declinação é outra), ficarem atrás dos presos para evitar que eles fugissem tem muita imaginação. Parece que até tinham uma trelinha ao pescoço. Infelizmente a realidade foi muito diferente e esses batalhões de exterminação de reclusos eram enviados para as zonas mais difíceis, onde não era suposto haver sobreviventes da parte soviética. De qualquer modo, entre morrer num campo de concentração ou na frente, venha o diabo e escolha.

Maks disse...

O cartás que aparece refere os 90 anos do agora FSB -Federalnaia Slujba Bezorasnosti e não refere o odioso NKVD departamento que declarava os inimigos do povo, tendo sido seu ideologo Dirginski cuja estatua, logo que caiu a união sovietica, os Moscovitas correram a destruir e nesse lugar está um memorial, sempre cheio de flores, ás vitimas declaradas ininmigas do povo. Há pouco tempo estive no memorial(e não museu como refere o Milhazes)e não sendo dos lugares culturais mais interessantes de Moscovo não é assim tão frequentado. O Milhazes talvez nos possa explicar como é que essa exposição vai influenciar de tal modo os 15 milhões de moscovitas a ponto de reabilitar o NKVD. Isto porque, meu caro, não vejo nas ruas e na TV quaisquer campanhas nesse sentido. Agora é como diz o Petr, não vamos é atirar "baldes de trampa" para cima do FSB organismo proprio de uma potencia e de um pais que tem muito a defender(que dira´sobre a CIA, FBI, MI6).Quanto a Portugal tudo é tão lamentavel e caricato...P.ex. os sucessivos governos desmontaramm os serviços secretos portugueses SIS e hoje enfraquecido nem sequer tem poderes para fazer escutas telefónicas. Porque será?

Maks disse...

O cartás que aparece refere os 90 anos do agora FSB -Federalnaia Slujba Bezorasnosti e não refere o odioso NKVD departamento que declarava os inimigos do povo, tendo sido seu ideologo Dirginski cuja estatua, logo que caiu a união sovietica, os Moscovitas correram a destruir e nesse lugar está um memorial, sempre cheio de flores, ás vitimas declaradas ininmigas do povo. Há pouco tempo estive no memorial(e não museu como refere o Milhazes)e não sendo dos lugares culturais mais interessantes de Moscovo não é assim tão frequentado. O Milhazes talvez nos possa explicar como é que essa exposição vai influenciar de tal modo os 15 milhões de moscovitas a ponto de reabilitar o NKVD. Isto porque, meu caro, não vejo nas ruas e na TV quaisquer campanhas nesse sentido. Agora é como diz o Petr, não vamos é atirar "baldes de trampa" para cima do FSB organismo proprio de uma potencia e de um pais que tem muito a defender(que dira´sobre a CIA, FBI, MI6).Quanto a Portugal tudo é tão lamentavel e caricato...P.ex. os sucessivos governos desmontaramm os serviços secretos portugueses SIS e hoje enfraquecido nem sequer tem poderes para fazer escutas telefónicas. Porque será?

Jose Milhazes disse...

Caro Maks, como está escrito no cartaz em russo, suponho que sua língua natal, a exposição é dedicado ao 90º aniversário da VTCHEKA e estabelece uma ligação clara entre essa organização a OGPU, o NKVD, o KGB e o FSB. Só que nela se mostra, segundo o velho estilo do realismo socialista, a "parte positiva" da questão.
Como você também sabe, embora faça de conta que não, o Museu da Segundo Guerra Mundial é frequentado, anualmente, por muitos, mas muitos milhares de pessoas, incluindo alunos de escola em excursões de carácter pedagógic, educativo e patriótico.
Como moscovita, você deve saber que esse é o maior museu dedicado à participação soviética na Segunda Guerra Mundial.
Quanto à propaganda no sentido da reabilitação de Estaline e o seu regime, leia um post há pouco publicado por mim ou na imprensa do seu país a análise do novo manual orientador para os professores de História do seu país.
Quanto à necessidade de cada país ter serviços secretos, nunca pus isso em causa. Mas não confunda segurança com perseguições políticas e ideológicas, são duas coisas muito diferentes para mim.