quinta-feira, abril 24, 2008

Rússia prestou homenagem a Boris Ieltsin


A Rússia prestou homenagem ao seu primeiro Presidente, Boris Ieltsin, no primeiro aniversário da sua morte, que ocorreu a 23 de Abril do ano passado.
Na capital russa, dezenas de pessoas, entre as quais se encontravam Vladimir Putin, Presidente cessante da Rússia, Dmitri Medvedev, Presidente, familiares e amigos de Boris Ieltsin, reuniram-se no Cemitério de Novodevitchi para inaugurar um monumento ao político que dirigiu o país entre 1991 e 1999.
O monumento, concebido por Gueorgui Frangulian, um dos mais conhecidos escultores russos, é composto por uma bandeira tricolor russa desfraldada ao vento.
Durante a cerimónia, Vladimir Putin usou da palavra para reafirmar que o poder presidensial na Rússia será sempre o garante da Constituição e do respeito pelos direitos dos cidadãos.
“O poder presidencial na Rússia será sempre uma garantia consequente da Lei Suprema, dos direitos dos cidadãos, continuará a servir o povo da Rússia, a defesa dos interesses soberanos do país” – declarou o dirigente russo.
“O Presidente Ieltsin aguentou os golpes com dignidade, sempre com dignidade, chamou a si toda a responsabilidade pelo que acontecia no país e mostrou que só assim, de forma ousada e decidida, é preciso avançar segundo o rumo estratégico escolhido, mantendo-se, ao mesmo tempo, aberto e permeável a tudo novo e útil para o país” – frisou Putin.
Segundo o actual Presidente da Rússia, o trajecto de Boris Ieltsin foi tão único como o destino da Rússia. “Os tempestuosos anos 90 foram uma época de mudanças impetuosas e ousadas, de pessoas fora do comum, de personalidades capazes de remar contra a corrente, que chamavam para novos objectivos e conduziam as massas. Boris Ieltsin, sem qualquer tipo de exagero, pertence a essa brilhante pleíade” – considerou Putin.
“Ele percorreu um caminho difícil tanto como político, como cidadão, viu-se, várias vezes na sua vida, numa situação de opção difícil, decisiva, mas esse caminho foi tão único como o destino do nosso país” – concluiu.
Na aldeia de Butka, terra natal de Ieltsin nos montes Urais, as autoridades locais rebaptizaram a rua central, que de Karl Marx se passou a chamar Boris Ieltsin, e mandaram instalar no centro um busto de mármore negra do mais notável filho da terra.
Na cidade de Ekaterimburgo, onde Ieltsin estudou e fez parte da sua carreira política na era comunista, as autoridades deram o seu nome à Universidade Técnica local e a uma rua.
O Centro de Ténis de Nijni Novgorod, cidade situada a sul de Moscovo, recebeu também o nome do primeiro Presidente russo, isto porque o ténis era o seu desporto preferido.
Em São Petersburgo, está a ser construída uma biblioteca que irá também ter o nome de Boris Ieltsin. O primeiro Presidente da Rússia, Boris Ieltsin faleceu a 23 de Abril de 2007 com 77 anos de idade. Ocupou esse cargo entre 12 de Junho de 1991 e 31 de Dezembro de 1999.
Boris Ieltsin foi um líder bastante controverso, cuja herança política é e será ainda durante muitos tempo alvo de acesas discussões. A sua presidência tem sido sujeita a fortes críticas, principalmente depois de Vladimir Putin ter qualificado os anos 90 do século vinte anos de caos e de declínio na Rússia, mas sem nunca citar o nome do seu antecessor no Kremlin.
Mas, sem querer transformar-me em defensor de Ieltsin, em relação à política do qual fiz fortes críticas, considero que este político merece um juízo mais cuidado, não nos podendo esquecer, por exemplo, a sua resistência ao golpe comunista de 19 de Agosto de 1991.
É verdade que Boris Ieltsin e o seu governo deram início a profundas reformas económicas que tiveram grandes custos sociais, mas não nos devemos esquecer que se os reformadores dos anos 90 na Rússia não tinham os actuais preços do petróleo e gás. Na altura, se não me engano, o preço do barril do petróleo era de cerca de 20 dólares, hoje, já vai muito além dos 100.
É verdade que a corrupção era uma das mais graves chagas da sociedade russa, mas hoje transformou-se num cancro com metastases ao nível de todo país.

3 comentários:

francisco ribeiro disse...

Também deste lugar, Portugal, presto a minha modesta homenagem, ao HOMEM que pela seu caracter vigoroso,entregou nas mãos do Povo Russo o direito á LIBERDADE. Só por (isto) presumo ficara Historia Universal.

Fomá_Fomitch disse...

Boris Ieltsin fica na historia da Russia sem qualquer sombra de duvida. Só quero deixar um comentario acerca do preço de petróleo. A verdade é que a alta do preço de petróleo a longo prazo só provoca problemas à economia, tem um efeito devastador sobre a industria transformadora pois os altos ganhos supranormais da industria energetica são atractivos, pagam mais aos operarios e assim nivelam por cima os salarios o que é nefasto para a industria transformadora que não usufrui desses ganhos. Por outro lado o superavite da balança de pagamentos leva a uma apreciação virtual (virtual porqu não decorre dos ganhos de eficiencia e de produtividade)da moeda nacional o que torna as exportações nacionais mais caras e as importações de produtos internacionais mais baratas o que agrava a balança comercial, criando assim um problema adicional. Chama-se "Dutch Disease" pois só se começou a verificar quando a Holanda nos anos 50 encontrou petroleo no atlantico norte, mais tarde estudou-se os países da opep e chamaram-lhe "opep disease" pois verificava-se tudo que descrevi acima. Em Português é chamada "maldição dos recursos naturais".

Jose Milhazes disse...

Caro Fomá, mas porque será que os dirigentes políticos cometem várias vezes o mesmo erro, ou como dizem os russos, pisam no mesmo ancinho? Não será uma falta de perspicácia e de perspectiva? É isso que penso se está a passar na Rússia.