sexta-feira, maio 16, 2008

Leitura imprescindível


Só agora acabei de saber que a editora Pedra da Lua publicou a obra "Ilha dos Canibais", do historiador francês Nicolas Werth.
Há uns largos tempos atrás, eu escrevi, neste blogue, a propósito da edição francesa desta obra e, agora que foi publicada em português, recomendo-a fortemente aos meus leitores que pretendem conhecer mais profundamente a acção tenebrosa do ditador comunista José Estaline.
Niicolas Werth é um investigador francês de origem russa que publicou obras de grande interesse sobre a História da União Soviética.
Quanto à obra "Ilha dos Canibais" propriamente dita, vale a pena lê-la com atenção, pois é mais um testemunho da natureza criminosa do estalinismo soviético, de que não havia grande diferença de métodos de repressão entre os empregues por Estaline ou os empregues por Hitler.
Se algum leitor já leu a obra e quiser compartilhar a sua opinião, as páginas deste blogue estão escancaradas.
Gostaria de chamar a atenção para o facto de a Pedra da Lua, nova editora dirigida por Gabriela Fernandes, estar a publicar toda uma série de livros muito importantes e interessantes sobre problemas internacionais como o Vietname, os Balcãs, Polónia, etc. Dentro em breve, debruçar-me-ei sobre a análise mais atenta de alguns deles.

11 comentários:

Naguib disse...

José Milhazes
Apesar da muita confusão que se tem instalado… os portugueses, e não só, estão preocupados é com os crimes do capitalismo. E, esses, estão aí todos os dias a apoquentá-los.
http://novapaz.blogspot.com/

Jose Milhazes disse...

Caro leitor, não entendi o que quer dizer. Seja mais directo, por favor. Está a propor que eu encerre o meu blogue ou o dedique aos problemas dos portugueses exclusivamente?
Como português, estou preocupado, e muito, com o que se passa no meu país. Revolta-me a falta de emprego, as desigualdades sociais crescentes, etc., mas acho importante também olhar para o passado e o presente dos outros povos. Permite-nos tirar lições para nós próprios. No fundo, acho que também é uma forma de lutar por um mundo melhor

Naguib disse...

José Milhazes
Não vale a pena pensar tanto naquilo que eu queria dizer.
Era apenas um pequeno «abanar», talvez com intuito de o centrar da Terra que o viu nascer.
Abreviando, sirvo-me de Chico Buarque: «mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta».

Jose Milhazes disse...

Caro Naguib, nunca deixei de me centrar na Terra que me viu nascer e, tal como você, considero que as coisas não estão a correr bem, pelo contrário.
Mas, como lhe disse, é necessário conhecer o mundo. Se a nossa elite política e intelectual conhecesse melhor o mundo, talvez actuasse de outra forma, não faria as figuras tristes que muitas vezes faz.
Por isso, vou continuar a publicar no blogue da Rússia aquilo que sei, que conheço bem.

desperdicandotempo disse...

Caro José Milhazes,
sobre a obra em si, está na minha lista de obras a comprar para ler no Verão. No entanto, já conheço bem o autor (Nicolas Werth) pela sua participação no Livro Negro do Comunismo, e em outras obras (Histoire de l'Union Soviétique), e aprecio muito o excelente trabalho que ele tem vindo a desenvolver.
A história do livro encontra-se muito resumida no Livro Negro. E digo que choca qualquer pessoa. Quem refere sempre o Holocausto como crime contra a humanidade deveria ler esta obra para ver que não foram os Nazis a terem comportamentos lastimáveis e vergonhosos para a própria humanidade.

eduardo ribeiro disse...

Viva José Milhazes,
"Traz-nos" mais informações da ex-(?) adivinha embrulhada num mistério dentro de um enigma. ;-)

Tudo o resto é conversa das árvores alheias.

Saudações.

Jose Milhazes disse...

Caro Eduardo, gostei da sua definição complicada, enigmática e, ao mesmo tempo, certa. Um abraço.

António disse...

Já que estamos no assunto, queria chamar a atenção para a publicação recente do que considero ser um dos mais importantes documentos recentes da repressão estalinista. Chama-se "The Whisperers" e foi escrito por Orlando Figes, professor de história no Birkbeck College. Provavelmente nunca será editado em português. Com a ajuda da sociedade Memorial e com base em centenas de entrevistas aos cada vez menos sobreviventes da época, retrata fielmente a pressão do regime sobre o cidadão comum, as famílias, os filhos, os amigos, casais, pais e filhos, irmãos e irmãs. Ao contrário da abordagem histórica convencional, cujo ponto de vista é quase sempre de alto nível, o autor desta vez deixa de olhar apenas para a para a floresta e descreve o impacto do estalinismo sobre cada uma das árvores. Ou seja, sobre gente normal como todos nós.

Enquanto documento social, é absolutamente único. Imperdível.

António Campos

Jose Milhazes disse...

Caro António, vou ter em linha de conta a sua proposta. Pode ser que se encontre uma boa alma para publicar esse livro em português.

António disse...

Para que conste, a frase de Euardo Ribeiro acima é uma citação de uma expressão bastante famosa de Winston Churchill, a respeito da União Soviética.

António Campos

António disse...

Para que conste, a frase de Euardo Ribeiro acima é uma citação de uma expressão bastante famosa de Winston Churchill, a respeito da União Soviética.

António Campos