terça-feira, maio 06, 2008

Quererá a Rússia a guerra?


O 09 de Maio, dia em que a Rússia e as antigas repúblicas soviéticas celebram a vitória do Exército Vermelho sobre as tropas nazis, está a aproximar-se. Vladimir Putin decidiu ressuscitar as paradas militares, com o desfile de armamentos pesados, incluindo os mísseis intercontinentais Topol M e armas nunca vistas.
O dirigente russo sublinha que não se trata de "tinir armas, mas demonstrar as possibilidades da Rússia". Um eufemismo original...

Pelo meu lado, prefiro deixar aqui o poema do grande poeta russo contemporâneo Evgueni Evtuchenko "Quererá a Rússia a guerra?".

A tradução deste poema é obra do meu saudoso amigo e mestre José Sampaio Marinho.



Quererá a Rússia a guerra?

Perguntai por toda a terra,

Ao silêncio dos ribeiros,

Às folhas dos vidoeiros,

Aos soldados metralhados

Que agora jazem nos prados,

E os filhos responderão

Se a Rússia quer guerra ou não.


Mas não só no seu país,

Também no Elba e em Paris

Caíram nossos soldados

Em prol dos homens cansados.

Entre o jornal e o cartaz

Dorme Nova Iorque em paz.

Os seus sonhos vos dirão

Se a Rússia quer guerra ou não.

11 comentários:

dvfer disse...

Penso que essas demonstrações de poderio militar são mais um sintoma de um país com graves problemas de estima própria. E mostram exactamente o contrário do que pretendem: que o país está fraco em termos militares. Só quem sente-se fraco e ameaçado, é que tem de fazer paradas militares para mostrar "algo", que os outros não reconhecem.

Os americanos e chineses não têm receio ou medo da Rússia, e os europeus só não dissem isso "publicamente" por causa das energias fósseis da Rússia. Se a Rússia está com problemas de já não ser temida no mundo, devia repensar a sua política com o Ocidente e aproveitar esta oportunidade da globalização para criar "amizades" e aí ser verdadeiramente respeitável no mundo. Não porque possui ogivas nucleares, mas porque é um parceiro fiável e sério neste pequeno mundo.

Jose Milhazes disse...

Caro leitor, estou plenamente de acordo consigo. O dinheiro gasto em paradas destas dava para matar a fome a muitos combatentes russos que combateram o nazismo, não são com pão, mas com manteiga, queijo, caviar, etc.

Sapka disse...

Acho muito bem que a Rússia mostre a sua força militar, quando os Bushmen andam a plantar bases de mísseis "defensivos" à volta da fronteira russa. O verdadeiro perigo é quando as potências militares desenvolvem o seu armamento "defensivo" e ofensivo à socapa, impedindo os jornalistas de informarem, doseando o acesso à informação, proibindo fotografar, proibindo entrevistar, escondendo a sua força militar, mentindo descaradamente aos seus povos sobre política de defesa e política de guerra, etc, etc. A Rússia quer recuperar a sua dignidade de grande potência mundial que é, indispensável para o equilíbrio internacional. Apoio a aplaudo de pé a Rússia de Putin nesse aspecto.

dvfer disse...

Para um país ser "digno", não é com paradas militares que lá chega.

A União Europeia (França, RU, Alemanha, Itália, Espanha e Polónia principalmente) tem actualmente um poderio militar francamente superior à Rússia e não precisa de andar a mostrar o seu armamento pelas ruas das suas capitais. Porque a UE sabe que é forte, o mesmo não se passando com a Rússia.

Ser digno não é ter milhares de misseis nucleares. Nem ser respeitado pela força. Dignidade é ser respeitado pelo desenvolvimente económico e desenvolvimento humano. Para a Rússia ser respeitada não pode bloquear nas Nações Unidas resoluções contra o Irão nuclear, vendendo tecnologia nuclear ao Irão, para meses mais tarde voltar atrás.

A Rússia é um país essencial no mundo, devido ao seu grande tamanho, intercontinental. Mas com cerca de 200 milhões de pessoas para um país tão grande, não irá ter o estatuto de potência ameaçadora nas próximas décadas, quando temos os gigantes da Ásia, como a India e China a elevarem-se, e o processo europeu a formar blocos com mais de 450 milhões de pessoas.

Chegou o tempo da Rússia perceber que o que os restantes países querem é progresso e desenvolvimento, e não ver quem tem mais bombas, que nada valem no contexto actual. Porque o que vale à Rússia ameaçar a Europa com bombas nucleares, quando a França e RU também as têm e ameaçam os russos? Entra-se nesta lógia de guerra fria, onde os russos já perderam.

Jose Milhazes disse...

Concordo completamente com o leitor que assina como dvfer, apenas quer precisar mais um número que ainda lhe dá mais razão. Actualmente, a Rússia tem 143 milhões habitantes, e não 200 milhões. Segundo alguns prognósticos, a Rússia verá reduzida a sua população até pouco mais de 100 milhões nos próximos 20-30 anos. Este problema é um dos que se a Rússia não resolver, não conseguirá desenvolver-se e arrisca-se a ver parte dos seus territórios por povos vizinhos mais numerosos.
Quanto ao que diz o leitor Sapka, tenha sérias dúvidas sobre o que defende. Os russos também não mostram tudo aquilo que produzem em termos de armas. Além disso, os armamentos convencionais mais modernos que irão ser mostrados na Praça Vermelha, na sua maioria, são exportados. Para as tropas russas fica apenas 1/3.
Por isso, penso que o orgulho poderá ser readquirido mais rapidamente quanto nas lojas aparecerem televisores, ferros de engomar, electrodomésticos Made in Russia. Caro leitor, você não encontra isso nem no estrangeiro, nem na própria russa.
O Kremlin volta a cometer o mesmo erro dos dirigentes soviéticos que foi esquecer-se do homem em particular e apostar tudo no colectivo em geral. O resultado foi mais do que triste.

Sapka disse...

DVFER, eu não disse que era com paradas militares que se faz o que quer que seja. Isso é deturpar, como na advocacia barata, e desviar a conversa para o epifenómeno "parada", como se isso fosse alguma coisa de realmente importante. Eu fiz o contraponto com o expansionismo militar bushista, a que a política de Putin deu, na Rússia, a resposta conveniente, apoiado por dois terços dos russos. (Bush está pelos 30% nas sondagens, não é? Se calhar é por não fazer paradas...) Porque é que a "parada" vos incomoda tanto e o resto, o que de gritantemente importante se passa no mundo, passa debaixo do vosso nariz sem o verdes?
Essa que a União Europeia tem um poderio militar superior ao da Rússia deve ser piada. A UE, a União Europeia, potência militar? Dá para rir. Eu nem sei o que é a União Europeia. É a antiga CEE, não é? Cada um a puxar para si, não é? Uns com um pé fora, outros só com uma mão dentro.
Se não entendes porque é que a Rússia, com o seu território e as suas imensas riquezas minerais, precisa de poderio militar, então é que vês mesmo nada à tua frente. Só vês mesmo o Bush. E talvez o Cheney.

Sapka disse...

José Milhazes: não há ferros de engomar nas lojas russas? Nem televisores? Conte lá.

Sapka disse...

Puxar o texto do Yevtuchenko para apoio deste post não faz sentido nenhum.
Qual a data do poema?
Qual o sentido do poema?
Eu conheço esse poeta há muitos anos, sei o que ele escrevia e o que ele pensava, mas isso não rima nada com este post.

Jose Milhazes disse...

Caro Sapka, leia com atenção. Eu escrevi que nas lojas russas não há ferros de engomar e televisões de fabrico russo, bem como rádios, computadores, leitores de DVD's, telemóveis, etc.
Quanto ao poema do Evtuchenko, ele foi escrito nos anos 70 do séc. passado e encaixa muito bem na data, pois é nos dias que se celebram vitórias militares, que se deve falar da paz.
Este poema foi escrito para lembrar que, depois da matança que foi a Segunda Guerra Mundial, os russos não querem a guerra. E claro que aí se recorda também o contributo dado pelos russos para a vitória contra o fascismo, contributo esse decisivo.

Anónimo disse...

A RUSSIA SO TEM 10.000.00 DEZ MIL BOMBAS NUCLEARES,E NAO É POTENCIA!

Adriano disse...

Reportando-me a Segunda Guerra Mundial: Os americanos e europeus ocidentais dizem que foram eles que ganharam a guerra. Puea mentiram a guerra foi ganha pela Russia. De resto, o americano estava no poleiro a ver quem ganhava e zas, vendo que a Russia ganhava enao entrou, Se fosse a Alemanha a ganhar, os gajos estariam ao seu lado para partilharem o mundo. Os americanos sao muito astutos...