sábado, julho 19, 2008

É pena, mas não temos dinheiro para o Hermitage


Recomendo aos frequentadores do meu blog a leitura do artigo "Hermitage já não quer ter pólo permanente em Portugal", da autoria de Vanessa Rato e publicado hoje, Sábado, no jornal Público. É muita pena que os portugueses não possam ver as obras de arte de um dos maiores e mais ricos museus do mundo, mas ainda é mais triste quando os nossos dirigentes criam em nós esperanças vãs.

Quando ainda estavam a decorrer conversações entre o Museu Hermitage de São Petersburgo e o Ministério da Cultura português sobre a possibilidade de criação de um pólo permanente desse museu em Portugal, algumas pessoas chamaram a atenção para o perigo que poderia constituir a falta de meios para a realização de tão ambicioso projecto.

Recordo-me que, nessa altura, se falou do esbanjamento de meios numa altura em que alguns museus estão numa situação miserável. Mas era preciso abrilhantar a Presidência de Portugal na União Europeia.

Também já nessa altura era conhecida a infeliz experiência com a criação de um pólo do Hermitage em Londres. A exposição permanente, inaugurada em 2000, funcionou bem enquanto não faltou o apoio de um dos maiores patrocinadores do evento: a petrolífera russa Yukos.

É do conhecimento geral o que aconteceu a essa empresa e o seu proprietário. A Yukos foi nacionalizada e Mikhail Khodorkovski cumpre um longa pena de prisão na Sibéria. Por isso, a falta de fundos começou a refelectir-se no projecto.

Além disso, a situação complicou-se devido à deterioração das relações políticas entre a Rússia e a Grã-Bretanha. Para isso contribuiu a acusação das autoridades britânicas de que os serviços secretos russos envenenaram em Londres Alexandre Litvinenko, antigo agente do KGB que encontrára asilo político na Inglaterra.

Claro que há exemplos de sucesso, mas foi necessário fazer grandes investimentos.

O Hermitage deverá abrir um pólo permanente em Amestardão em 2008, mas, para isso, o Governo holandês teve de investir cerca de 48 milhões de euros para recuperar o edifício onde ele irá ser instalado. Além de não pagar um cêntimo pela renda do edifício, bem como pelo transporte e seguro das obras de arte, o Hermitage irá receber 15% do dinheiro obtido com a venda de bilhetes.

A Holanda é um país rico, tem dinheiro para projectos desses, mas nós não temos. Em compensação, temos bons museus, que enfrentam grandes dificuldades, mas talvez não seja tão espectacular investir "na prata da casa".

3 comentários:

Anónimo disse...

Que tristeza!
Eu sou do Porto e queria ter ido ver a Lisboa, mas não tive oportunidade... Muito menos agora... :'D

Cumprimentos e parabéns pelo blog.
Joana

Jose Milhazes disse...

Cara Joana, é pena, mas é a realidade. Talvez um dia você possa visitar o Hermitage de São Petersburgo.

Anónimo disse...

Ah! Foi o que eu já pensei. Vontade não falta. :) Cps, Joana