quinta-feira, agosto 14, 2008

“Guerra quente” ameaça transformar-se em nova “guerra fria”

Análise escrita para Agência Lusa
"O acordo de paz Medvedev-Sarkozy está a ser implementado com dificuldade, mas parece já ter conseguido travar a guerra entre a Rússia e a Geórgia. Resta saber como solucionar o problema, isso irá depender do desenvolvimento das relações entre Moscovo e o Ocidente.
Os analistas políticos russos consideram provável uma nova guerra fria.
“Depois da vitória militar, a Rússia, pelo menos nos próximos meses, não deverá fazer cedências. O Ocidente tomou uma posição firme face à política de Moscovo no Cáucaso. É de prever uma nova guerra fria” – declarou à Lusa Vladimir Dolin, especialista em assuntos do Cáucaso.
Ilia Kramnik, analista militar da agência noticiosa Ria-Novosti, tem a mesma opinião e prognostica o alargamento do conflito a novas regiões.
“A Rússia conduz claramente as coisas para o reconhecimento da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia... Para a órbita do conflito são atraídos também os países vizinhos, por exemplo, a Ucrânia, onde se desenha o aprofundamento de uma crise política” – considera ele.
Segundo Kamnik, “nem a Rússia, nem os Estados Unidos tencionam recuar e, partindo dessa circunstância, pode-se prognosticar uma nova etapa da guerra frio e do confronto global das duas potências, desde o espaço post-soviético e até à América Latina”.
Gennady Charodeev, jornalista do diário Trud, prevê mudanças substanciais na política externa russa, algumas inesperadas.
“Como uma das saídas possíveis, o Kremlin estuda a possibilidade de reconhecimento do Kosovo a fim de justificar o seu apoio à separação da Ossétia do Sul e da Abkházia em relação à Geórgia”, declarou o jornalista à Agência Lusa.
“O Kremlin reconhece a independência do Kosovo e, logo a seguir, a separação da Ossétia do Sul e da Abkházia” – acrescentou.
Segundo ele, “Moscovo deverá reforçar o vector asiático da sua política externa também com o objectivo de evitar o seu isolamento internacional”.
No próximo fim de semana, Duchambé, capital do Tadjiquistão, vai receber as cimeiras da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), onde poderão ser tomadas medidas importantes para o futuro das relações internacionais.
Gennady Charodeev não exclui a possibilidade de a OCX, organização constituída pela Rússia, China, Cazaquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Quirguízia, aceitar o Irão no seu seio.
“Teerão já pediu a adesão à OCX. Esse passo poderá ser dado em Duchambé” – considerou.
Quanto à cimeira da CEI, considera que irá ser uma reunião difícil para a Rússia.
“Moscovo tenciona que a CEI tome uma posição comum face ao conflito, mas é mais provável que a Ucrânia anuncie a sua vontade de abandonar a organização, em solidariedade com a Geórgia” – concluiu o jornalista.
Ilia Kramnik prevê o fim da CEI, sublinhando que “os países aliados da Rússia podem aprofundar a cooperação no quadro da Organização do Tratato de Defesa Colectiva e da OCX, que, dentro em breve, poderão ver alargadas as suas fileiras”."

9 comentários:

Wandard disse...

Os integrantes do acordo de Shangai provavelmente apoiarão a Rússia e provavelmente países como o Irã e Coréia do Norte poderão ser incluídos como membros efetivos, em resposta às aspirações da Ucrania, Georgia e a instalação dos escudos Anti-mísseis na Polônia e Répública Tcheca. Nas próximas sequências bases na Síria e Irã se tornarão realidades, nova instalação de radares em Lourdes (Cuba)e o retorno dos vôos estratégicos 24 horas no ar. Não se esqueçam que as últimas ações arquitetadas pela Ucrania em relação a Sebastopol podem se tornar o estopim de um conflito que atingirá a Europa. Já passou da hora dos líderes Europeus tomarem outra postura e pararem de apoiar a política americana, mesmo com seu poder sem o apoio Europeu os Estados Unidos não agirão sozinhos, não agora com o retorno da Rússia ao cenário mundial.

Anónimo disse...

Pena que a UE está cada vez mais se tornando escrava da Russia e essa dependencia energetica vai ficar cada vez maior com gosoduto russo-alemão no Báltico. A partir daí a ameaça russa contra os europeus vai aumentar em muito.

Glória

Anónimo disse...

Glória viu muito bem o problema da Europa. Mas a Rússia precisa d mto dinheiro para voltar a ser super-poténcia; a chantagem com a Europa tem limites(veremos o k faz Schröeder comprado pelo Kremlin). O nosso amigo brasileiro não sabe em k mundo vive: os USA e a UE são a garantia d democracia e direitos humanos. Têm k estar unidos contra as ditaduras comunistas e o terrorismo islâmico. Francisco

Fernanda Valente disse...

Caro Francisco:

«... os USA e a UE são a garantia d democracia e direitos humanos. Têm k estar unidos contra as ditaduras comunistas e o terrorismo islâmico»

Então na sua opinião a UE e os EU têm que estar unidos para avançar militarmente contra a Rússia, o Irão e já agora, porque não, a China também, que, em matéria de direitos humanos e respeito pela integridade territorial alheia, deixa muito a desejar.

Acredito que o Francisco sendo natural de um país da América Latina, não esteja por dentro da tradição europeia quanto ao seu posicionamento nas grandes questões internacionais de ordem politico-militar. Excepção feita a Hitler que, como todos sabem, foi um psicopata.
Nós, os europeus, sempre pautámos pela resolução dos conflitos pela via consensual diplomática. Fizémo-lo agora no conflito que opõe a Rússia à Geórgia e o mesmo temos vindo a fazer em relação ao conflito israelo-palestiniano, com a transferência de avultadas verbas para a Palestina, mantendo-nos neutrais em relação ao apoio velado dado pelos EU a Israel.

Nuno Bento disse...

A CEI ja não tem a importância que tinha para as exportações russas. Ver Garanina O. (2008) - brevemente em www.bof.fi

Pippo disse...

O Irão tornar-se-á o próximo aliado da Rússia. Não constitui uma ameaça geopolítica, não constitui uma ameaça cultural/religiosa (os muçulmanos russos são sunitas e de origem turca) e o Irão pode ameaçar os interesses norte-americanos no Médio Oriente (aliás, já o faz).

Wandard disse...

Com o fim da segunda guerra mudial e o estabelecimento da guerra fria alguns anos adiante, toda a história sobre o conflito assim como todos os filmes e propagandas produzidas enalteceram os Estados Unidos e transmitiram para todas as gerações do pós-guerra o que podemos chamar de uma visão ocidental do conflito. Em todos os livros de História editados a partir daquele período, até o número de mortos tinha excluidos da contagem os 27 milhões de vidas soviéticas. E durante toda a guerra fria os Estados Unidos propagandearam como defensores da democracia e da liberdade, e que liberdade, pois apoiaram todas as ditaduras da América Latina, que tinham claro uma política de liberdade de expressão, de direitos humanos e de direitos políticos, e só para relembrar algumas: Pinochet no Chile, A junta militar na Argentina, Stroessner no Paraguai, Somoza na Nicarágua, sem falar de outros países na África e na Ásia também. Não precisamos falar da Operação Condor, pois ela claramente é uma Teoria da Conspiração, O Massacre de Mailai não é nada, assim como as denùncias de Abu Graib. Manuel Antonio Noriega e Anastácio Somoza foram formados por West Point mas isso não tem importância. E Bin Laden teve somente ajuda humanitária para os Mujahadin, remédios alimentos e roupas, armas nunca, jamais. Evidentemente isto é uma ironia, pois estes defensores da liberdade apoiaram o assassinato de milhões de pessoas em vários países. Acredito que o objetivo de canais de comunicação como este blog, é permitir o livre trânsito de idéias e informações, aproximar os habitantes dos diversos países e continentes e desenvolver a consciência para um mundo melhor. A União Européia deve se posicionar sim; a dependência de recursos naturais do continente, não é um problema recente, isto vem de séculos, para tanto se lançaram ao mar em busca de outros continentes e rotas comerciais e de fornecimento de matéria prima. Se existe dependência da compra de gás ou petróleo de outras nações, é uma realidade que tem de ser enfrentada, se o mundo vive sobre a égide capitalista então tem que aceitar o jogo, pois ele é o mesmo e muito mais duro para os países que não fazem parte do G7, não são estabilizados econômicamente e vendem sua mão de obra a empresas multinacionais Européias e Americanas, em trocas de salários que são absurdamente irrisórios em comparação aos que são pagos pela UE e pelos EU, vide a Índia e a China. Meu amigo anônimo, já ando pelo mundo faz um bom tempo e tenho também uma vivência dentro de certos mecanismos institucionais que não se torna necessário comentar aqui. A Rússia continua sendo uma superpotência, é verdade que a economia Rússa não é nem de perto o colosso que é os Estados Unidos, na verdade nunca foi e provavelmente nunca será. Mas o país alquebrado da era Ieltsin ficou para trás, eles têm muitos problemas internos isso também é verdade, mas nunca duvide de um povo que perde um exército de 5 milhões de homens, acabam tendo todas as suas cidades principais transformadas em ruínas e ocupadas, e em uma manobra única na História desmontam e remotam 1600 fábricas, transportando para outro local, em meio a ataques aéreos e avanço de divisões blindadas sem trégua e por fim terminam empurrando 3/4 de um dos exércitos mais poderosos que o mundo já viu e ganhando a guerra, além de ter tido o mais alto custo de vidas humanas dentre todas as nações.

Anónimo disse...

Acho que os tolos que falam neste, se acham tão espertos.
Os estados unidos atacam quem eles querem , arrebentaram com o Iraque,
com uma mentira e grande estupidez.
Acho que a Russia ta certa , não tem que falar amem a tudo.
tem que arrebentar mesmo. A Georgia invadiram por ordem dos estados Unidos e foram invadimos.
PERFEITO.

Anónimo disse...

A maior das ditaduras é a norte americana.Uma ditadura econÕMICA que condena milhões ao desepêro e poucos a fortuna,com uma política de consumo de cobiça e violência.Quando ganha-se uma eleição livre que não sorri a burguesia,els mostram o que é averdadeira tirania.E a imprensa é a pedra angular da alienação