segunda-feira, agosto 25, 2008

História da Humanidade entra numa nova fase

Tal como previa ontem, a Rússia deu hoje um passo que tem consequências gigantescas para o Direito Internacional e o futuro da Humanidade. Se o reconhecimento da independência do Kosovo foi uma machada no sistema de relações internacionais na Europa e no mundo, a decisão do Kremlin de reconher a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia enterrou-o definitivamente.
O desenvolvimento dos acontecimentos irá mostrar quem tem razão, mas cheira-me a que a Rússia cometeu um "erro de palmatória" no plano interno e externo.
Moscovo começou por afirmar que respeita a integridade da Geórgia, mas o resultado está à vista. Agora, o Kremlin promete não anexar a Ossétia do Sul e da Abkházia, mas todos sabem que é mentira.

28 comentários:

Klubnika disse...

Caro José Milhazes,
Em minha opinião, não se trata tanto de saber quem tem razão ou não, trata-se apenas de responder na mesma moeda. E não foi a Rússia que começou (ver o seu post “Precipitação do Kremlin pode ter consequências catastróficas” para a Rússia). Aliás, não estou muito de acordo com a análise de Anatoli Adamichin. Primeiro, nenhum idiota (nem sequer o Bush) irá reconhecer a Chechénia, cairia no ridículo total; segundo, talvez as relações com a Ucrânia piorem, mas esta fica avisada: se aderir à NATO, provavelmente haverá um movimento secessionista na sua parte oriental, que acabará por perder, como a Geórgia perdeu agora estes dois territórios; terceiro, em relação à UE, o interesse nas relações comerciais é mútuo e a UE não deve estar muito interessada em passar frio no Inverno – quanto ao resto, ou seja, relações externas, na UE cada um fala para seu lado, com alguns papagaios a repetir a voz do dono, mas não se faz nada a não ser enviar o pobre do Solana fazer figuras cada vez mais tristes aonde vai; quarto, quanto à eventual onda de separatismo no Cáucaso, têm bom remédio, tanto mais que os russos não os apreciam muito: dêem-lhes a independência – vêem-se livres deles e sempre ficam ali com uns Estados-tampão, o que dá sempre jeito, sobretudo se tiverem governos pró-russos. Em todo o caso, este argumento de Adamichin não me convence muito; não me parece que haja por ali muita gente interessada na independência – como também não a há na Chechénia. Estas “lutas de independência” mais não são do que lutas de meia dúzia de fundamentalistas islâmicos. Fazem muito barulho, mas são poucos. Que é que aqueles pés descalços tinham a ganhar com a independência?
Adamichin tem razão numa coisa: isto só vai ajudar à vitória de McCain. Com este segundo Bush, as relações Rússia-Ocidente vão piorar, talvez até se chegue à guerra. E se assim for, ninguém duvide de que será nuclear. Mas a Rússia não pode, por nenhuma razão, agachar-se aos imperialistas americanos. Há princípios que não têm preço e que têm que ser defendidos. E, em caso de guerra nuclear, os americanos têm muito mais a perder do que os russos, não só economicamente como em todos os sentidos. Infelizmente, caso houvesse quem dela tirasse partido – o que é duvidoso – seriam os chineses.
É evidente que a Rússia vai anexar estes dois territórios, mas daí a falar em mentira… As populações têm passaporte russo, claro que vão querer integrar-se na Rússia. Sempre estão melhor do que sendo independentes. Além disso, que sentido faz uma Ossétia do Norte russa e uma Ossétia do Sul independente?
Saudações.

Jorge Vieira disse...

Caro José!

Tenho em imensa curiosidade em saber a reação da sociedade russa nesse imbróglio. Como reagem as associações de trabalhadores (imagino que existam)? Os demais partidos políticos? A imprensa não controlada pelo governo? Enfim, qual é o comentário das pessoas comuns no cotidiano?

Ficarei munto grato se fizeres uma breve explanação.

Jorge Vieira/Porto Alegre Brasil

Jose Milhazes disse...

Caro Jorge, na Rússia todos os partidos são controlados pelo Kremlin, tanto de esquerda, como de direita. Quanto a organizações dos trabalhadores, são muito fracas. Os sindicatos estão também sob o controlo do Kremlin.

Anónimo disse...

Se tudo na Rússia está sob controlo do Kremlin, teremos que concluir que os russos gostam de estar sob controlo do Kremlin, i.e., que não se reconhecem no modelo ocidental de democracia. Era melhor para todos que esse reconhecimento fosse assumido por ambas as partes e que andássemos para a frente, em vez de discutir a "democratização" da Rússia - se os russos não querem democracia, isso é lá com eles... teremos que conviver neste mundo, e prefiro conviver com esta Rússia que com "países aliados" como a Árábia Saudita, o Iraque, o Afeganistão, Israel, a Turquia, e outras "democracias"...

Pippo disse...

Não entendo a actualidade do título "História da Humanidade entra numa nova fase".
Isso refere-se a Rússia vs Geórgia 2008 ou UE/USA vs Sérvia 1991/1999?
Foi nessa altura, e não agora, que a História da Humanidade (ou melhor, a História do Direito Internacional) entrou numa nova fase, quando a UE patrocinou alegremente a partição da Jugoslávia e apoiou descaradamente os croatas e os bosníacos contra os sérvios. A coisa agravou-se com a campanha do Kosovo, quando todas as infra-estruturas da Sérvia "extra-Kosovo" foram devidamente arrasadas pelo democrático "Ocidente". O Kosovo passou a protectorado e toda a gente sabia que iria ser independente sob a égide do amigo norte-americano, mas a "Comunidade Internacional" comprometeu-se de imediato, claro, a respeitar a integridade territorial da Sérvia. No ano passado foi o que se viu. Por isso, caro José Milhazes, o título deste artigo está desfazado em mais de 10 anos.

Mas diga-me, que é isto que interessa agora: há anos que a Rússia estava a ser paulatinamente cercada por novos aliados do "Ocidente" (EUA), um dos quais tornou-se aventureiro e lançou uma guerra de extermínio (um alto enviado sueco já o confirmou quando visitou Tskinvali). O que deveria ter feito a Rússia para anular esta ameaça? Deixar-se ficar? Submeter-se ao Ocidente? Ou responder como respondeu o Ocidente aquando do Kosovo?

Outra questão que foi aqui levantada (e que o é em todo o lado, ao que parece): porque é que toda a gente comenta a falta de democraticidade da Rússia como se isso fosse um símbolo do mal? Desde quando é que a democracia é intrínsecamente boa? Países democráticos como os EUA ou a Geórgia iniciaram guerras de conquista. O facto de serem democracias torna-os melhores que a Rússia?

Já sei que os meus "posts" são sempre grandes, mas tenho sempre muito para dizer :o)

Anónimo disse...

Gostava que me explicassem a diferença dos reconhecimentos pela Nato do Kosovo e pela Rússia da Ossétia do Sul. Ou entre os goulags russos e os norte-americanos de Guantanamo. Fico à espera.

Anónimo disse...

Caro JosÉ Milhazes,
Não exageres com essa da nova fase. Isto é apenas mais do mesmo. Até aqui a Russia tem comido e calado. Agora decidiu fazer o mesmo que os americanos. Estes moldam o direito internacional a seu gosto, a russia decidiu fazer o mesmo. Kosovo foi exemplo. Ainda assim espero que a Russia não desate a invadir paises como o fazem os americanos e seus satelites e sobretudo que a velha europa tenha a maturidade suficiente para não alinhar em aventuras...
F.

Jorge Vieira disse...

Caro José!

Se entendi bem, vossa resposta expressa um cenário de "apatia social"?


Abraços

Anónimo disse...

A Rússia não cometeu nenhum erro, Sr.Milhazes.
A melhor defesa é o ataque.
O que diriam os EUA se a Rúusia, a China ou qualquer outra potência fossem para a América Central ou para o México desastibilizar as fronteiras norte-americanas?
E se fossem atacados cidadãos americanos, como foram traiçoeiramente cidadãos russos?
Foi pena os Russos não terem ido até Tiblissi para apanharem o presidente georgiano e enforcá-lo como aconteceu ao Saddam, um ex-amigo dpos EUA.
O lobbi judaico levou uma trenenda tareia na Geórgia e os seus financiadores da Wall Street deveriam ser presentes ao TPI em Haia.

ovigia disse...

Caro José Milhazes, é um prazer ler as suas crónicas e artigos, o senhor é um Jornalista, é imparcial na sua escrita, até neste blog consegue manter o distanciamento correcto, limitando-se a escrever sobre factos.

haveria muito para dizer sobre todas estas manobras, de ambos os lados, mas neste momento apenas queria referir um livro e um projecto que definem muito bem as políticas defendidas pelos EUA e em reposta as da Rússia.

Esse livro chama-se The Grand Chessboard, foi escrito em 1997 pelo actual e principal conselheiro de Obama, antigo conselheiro de Carter e ainda fez uma "perninha" na administração Reagan.

Este é o homem que seis meses antes da invasão do Afeganistão por parte da ex-URSS, colocou lá a CIA com o objectivo de levar mesmo a essa invasão, tal como ele o afirma ao jornal francês Le Monde, este é o homem que acaba por dar início à base de dados dos mujaheidin Al-Qaeda, os mesmos "freedom fighters" como os EUA lhes chamam quando lhes interessa, os mesmos que voaram para o Kosovo e engrossaram as fileiras do KLA, os mesmos que tiveram treino militar das forças especiais dos EUA, da CIA e das SAS's britânicas.

Para ser muito sintético, o livro é sobre como os EUA devem de manter a sua hegemonia, necessitando para tal de controlar a EurAsia e é aqui que está o cerne da questão.

outro documento a ler é o PNAC, aconselho se me permitem, a dar uma olhada na wikipedia, esta depois tem links para o documento.

deixo ainda aqui um link sobre este assunto que faz um excelente apanhado do que pretendo dizer.

http://www.fromthewilderness.com/free/ww3/zbig.html

cumprimentos,

rjnunes

Palma disse...

A Rússia tem toda a razão meu caro José Milhazes no mundo actual não pode haver dois pesos e duas medidas, os EUA não podem invadir o Iraque nação soberana apesar de governada por um ditador e matar milhares de inocentes Iraquianos baseados na mentira das tais armas de destruição maciça, não podem dar a independência ao Kosovo nação pertencente à Sérvia desde sempre e negar pura e simplesmente a outros povos o direito à sua auto determinação, porque razão se há-de dar a independência ao Kosovo e negá-la à Abkazia e à Ossétia ? A razão é simples meu caro José a Abkazia e a Ossetia são Russófonas mas se fossem pró-americanas aí os EUA já de certeza que as reconheceriam, este presidente da Georgia chamado de farol democrático atacou populações civis reprimiu violentamente manifestações da oposição e é um autentico pau mandado dos EUA e da CIA, agora os Russos deverão anexar estas republicas enquanto os Europeus mais uma vez se dividirão e ficarão mais uma vez emparedados entre a Rússia e os EUA. Obedecendo como sempre às ordens do tio Sam .

Anónimo disse...

O que eu acho mais extraordinário no conjunto destes comentários é que estamos aqui a avaliar se o país a ou B tinah legitimidade / direito à luz do Kosovo, ou do direito internacional ... e nínguem diz que os Estados têm interesses e que o nosso - o português e Europeu é travar o quanto antes a Rússia e todos os que estão a proveitar esta onda de desgaste num mundo Ocidental.

O bom lado de tudo isto é que é mais um passo para que as sociedades percebam que temos que mudar de paradigma energético, e consequentemente social. Não podemos continaur a deixar a nossa economia dependente de países tão "amigos" como a Arábia Saudita ou a Rússia ... já para não falar das Argélias, etc.

Cumprimentos,

Henrique Cruz dos Santos

Jose Milhazes disse...

Caro leitor Klubnika, analise atentamente o que se passa nas repúblicas do Cáucaso russo: Tchtchénia, Inguchétia, Daguestão, etc. Não há dia em que soldados e polícias russos não sejam atacados e assassinados.

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, quando escrevi isso, tinha em conta que a primeira machadada no DI foi dada no Kosovo, mas a definitiva pode ter sido desferida pela Rússia. A maioria dos países do mundo não reconheceu a independência do Kosovo, não a aceitou como precedente. Agora, foi dado mais um passo gigante na pior direcção. Se os dirigentes russos forem consequentes, vão reconhecer o Kosovo.

Jose Milhazes disse...

Caro anónimo, está à espera que eu responda que o Kosovo e a Ossétia do Sul são coisas diferentes? Se tivesse lido com atenção os meus artigos no blogue, teria visto a minha posição clara contra a independência unilateral do Kosovo. Pode ir consultar os posts de Fevereiro deste ano.
Quanto aos campos de concentração, eles são ilegais e injustos sempre, independentemente do regime que os cria.
Mas quero deixar claro que o facto de os EUA cometerem erros, não é motivo para que outros países sigam o mesmo exemplo.

Jose Milhazes disse...

Caro Jorge Vieira, na Rússia não há praticamente "sociedade civil", "opinião pública".

Jose Milhazes disse...

Caro leitor anónimo, você deve ter medo de revelar o seu nome com receio do lobbi judaico!

Pippo disse...

José, como é que pode dizer que o golpe definitivo no DI foi dado pela Rússia? O que é que ela está a fazer demais? As regras foram claramente impostas pela "Comunidade Internacional" (ou assim os média Ocidentais assim no-lo apresentam). Portanto, a machadada final não foi dada pela Rússia; a machadada final, definitiva, foi dada há uns tempos atrás com o reconhecimento, por parte dos EUA e dos maiores representantes da "Comunidade Internacional" (UK, Alemanha, etc.) da independência do Kosovo. Não se trata já, portanto, de estar a alterar o "status quo": este já foi alterado sem volta a dar.
O Vladimir Putin bem que nos avisou, lembra-se? Ele avisou-nos. Mas como não passava de um desprezível russo, um cão que ladra mas não morde, ninguém atentou às suas palavras. E agora, quando jogou com as novas regras impostas por outrém, agora comparam-no ao Hitler. Muita hipocrisia, portanto.

sérgio disse...

Caro pippo, hipoteticamente falando, se houver uma guerra de que lado estará? É só para desfazer algumas dúvidas.

Pedro disse...

Quanto pippo não sei mas o Sérgio estará do lado certo; e acautelem-se os que pensam de forma diversa, porque a gente de cá, dos bons, já lhes fareja os ossos. Realmente...

Pippo disse...

"Caro pippo, hipoteticamente falando, se houver uma guerra de que lado estará? É só para desfazer algumas dúvidas."

Caro Sérgio... mas qual guerra? Entre quem? Para assegurar o quê? E quais são "os lados"? Uns são "os bons" e os outros são "os maus", ou será que "os lados" serão "os justos" e "os injustos"? E já agora, quais são as suas dúvidas e qual é o objectivo da satisfação da sua curiosidade?

Esclareça-me primeiro e depois prontamente lho direi.
E já agora, adiante-me a sua posição. Seria injusto ficar a saber mais de mim do que eu sei de si ;o)

sérgio disse...

Caro pippo a minha posição é muito clara, sou pró-Ocidente e a favor de uma UE mais forte e coesa. Sou pró-EUA porque acho que a Europa tem uma divida de gratidão com eles desde a 2 Guerra Mundial e por todo o apoio prestado logo a seguir, sem discutir as motivações de uns e outros. Acho que a Europa deve continuar a apoiar os EUA independentemente dos erros por eles cometidos, afinal são aliados. Deve ter uma posição mais firme e independente no sentido de contrabalançar o poder dos EUA e faze-los reconhecer que por vezes também erram e se possivel no futuro evitar esses mesmos erros. Sou agradecido por viver no sistema que vivo apesar de reconhecer coisas boas e más, acho que as boas superam em muito as que estão mal, e como nada é perfeito e acabado deveremos continuar a trabalhar para eliminar as más. Por reconhecer estes defeitos não serei mal agradecido e desculpe-me a expressão "irei cuspir no prato que comi". Como alguém disse num comentário anterior os países guiam-se pela defesa dos seus interesses, e a verdade é que os interesses Europeus têm coincidido mais ou menos com os dos EUA, enquanto os da Rússia têm-se revelado infelizmente antagonicos. Não sou anti-Russia, pelo menos por agora, acho mesmo que deveria haver uma maior cooperação entre a UE e a Rússia,ou mesmo entre o Ocidente e a Rússia, mas se esta continuar a comportar-se de forma a limitar a expansão e crescimento da UE, poderei reconsiderar a minha posição. Se reparar, os países Europeus que mais agressivos são em relação à Rússia são os seus vizinhos e aqueles que já fizeram parte da URSS, e não querem mais que o seu destino seja determinado pela vontade Russa, mas sim pela sua. No entanto, penso que esta discussão nos afasta do essencial, e o essencial é que daqui a meia dúzia de anos surgirão novas potencias para as quais a própria Russia por si não terá capacidade de resposta, e isto deveria estar na mente dos dirigentes Russos, afinal ela é que tem os recursos que todos querem. Acho que a questão de quem é bom ou mau, justo ou injusto não se aplica aqui, a minha visão como referi é a da defesa dos nossos interesses a quem quer que tenha interesses divergentes e se oponha, quer sejam os Russos ou outros quaisquer, de certeza que quem quer que esteja do lado de lá pensará da mesma forma, e nesse caso porque deveremos defender os interesses desses países se não são coincidentes com os nossos. Quanto ao estar do lado certo, isso não sei, o que sei é de que lado estarei, o que talvez seja mais do que muitos. Peço desculpa por só agora responder, mas só agora me foi possivel.

Pippo disse...

Pois olhe, Sérgio, fique sabendo que durante muitos anos fui anti-russo, ou melhor, anti-soviético. Não só porque entendia que vivíamos na terra da Liberdade como, fruto daquilo que lia e via, entendia os soviéticos como “os maus”. Tudo começou a mudar com a guerra da Jugoslávia. A princípio também achava que os sérvios eram os “maus”, pois eram uns nacionalistas comunas. Mas depois comecei a ver como as coisas funcionavam ao nível da política internacional. Comecei também a ver que os fundamentalistas muçulmanos existiam, e que os fascistas croatas também existiam, e que todos estes inimigos da Liberdade eram apoiados pelos “bons” (ou seja, o Ocidente). Depois pensei se a EU não seria o melhor para a Europa, mas o problema é que também comecei a ver como a EU funciona e que ela não é lá muito democrática, ao contrário daquilo que nos dizem. E foi mais ou menos a partir de meados da década de 90 que comecei realmente a ver a realidade tal como ela é.
Neste momento sou mesmo é a favor de Portugal, em primeiro lugar (e sempre!) e da Europa e da sua civilização, da qual fazem parte os EUA e a Rússia. E se todos os países lutam pelos seus interesses, o facto é que a Rússia não tem lutado contra a Europa, como diz, mas têm sido os EUA, nos últimos anos, quem mais tem feito para prejudicar a Europa, sobretudo a Ocidental. As várias acções e intervenções norte-americanas têm-no demonstrado à saciedade, e se refere a posição dos PECOS face à Rússia, veja a posição da maioria dos países da América-Latina face ao Tio Sam. É que, ao contrário daquilo que eles afirmam, e "nós" secundamos, nem os EUA, nem sequer a EU lutam pela Liberdade, mas sim por outros objectivos mais interesseiros. É a realidade, é certo, mas lamento-lhe a hipocrisia.
Portanto, se nos deixarmos da conversa da treta do “quem são os bons e quem são os maus” (porque como pessoas inteligentes e não-fanáticas que somos, já há muito que percebemos que isso não existe), quanto muito, relativamente a este conflito específico, teremos os injustos e os menos injustos, e neste campo, os primeiros são os georgianos e os seus aliados, que a coberto da “Democracia” e do direito à integridade dos Estados invadiram violentamente uma província “de facto” independente; e do lado dos menos injustos teremos os ossetas e os seus aliados que deram a resposta à agressão, e diga-se de passagem que responderam de uma forma bem menos violenta e moralmente mais justificável do que aquela que os “democratas” que apoiam a Geórgia fizeram à Sérvia por causa do Kosovo.
Posto isto, de que lado estarei em caso de guerra?
Se for uma guerra por causa dos lindos olhos dos georgianos, estarei no sofá a ver a televisão. Se for uma guerra entre a NATO e a Rússia por causa da Ucrânia, ou estarei no sofá ou então na prisão, por me recusar a ir combater por causa dos desejos de poder dos amigos norte-americanos.
Se for uma guerra entre a Europa (EUA e Rússia incluídos) contra uma verdadeira ameaça (hordas de terroristas islâmicos, etc.), só se não puder é que não estarei na linha da frente, nem que seja a colocar pensos-rápidos no pessoal (“do your share”). Mas se for uma guerra entre a Rússia e o Ocidente (já estou a ver as hordas de T-80 e T-90 a cavalgarem as planícies do Brandemburgo, etc.), então, amigo Sérgio, estarei a ver isso tudo no cinema, pois asseguro-lhe que isso só ocorrerá num belo filme de acção/espionagem com argumento do Tom Clancy!
Um abraço

sérgio disse...

Afinal arranjou não um mas vários cenários de guerra. Cumprimentos pippo.

Pippo disse...

Pois, há sempre muitas possibilidades. Mas ao menos já me compreendeu, espero (?). Até à próxima.

Anónimo disse...

Enfim a Rússia a redimir a moralidade mundial! Com mais de 1600 osstieanos, de uma população de 70 mil, massacrados pela Geórgia, o que mais falta para um genocídio??? Seria o equivalente aos russos terem matado mais de 100 mil georgianos em sua contra-ofensiva ou os sérvios mais de 50 mil kosovares.Algo que não aconteceu! Devia estar atrás das grades esse presidente georgiano!

Anónimo disse...

Klubnika parabéns pelos seus comentários. Caro José Milhazes é claro que todos os dias ocorrem ataques e mortes de policiais e soldados nas províncias separatistas do Cáucaso, assim como em todos os ´países que possuem movimentos similares e são compostos por um caldeirão de etnias. Mas quantos civis morrem no Afeganistão e no Iraque todos os dias? Mas os jornais ocidentais só divulgam a morte de soldados Americanos e Europeus. Porque se discute tanto a violação da soberania Georgiana na União Européia, e os sócios da NATO que enviaram tropas para estes países continuam violando a soberania destas nações. O que vejo é muito simples, a Europa quer de novo suas colônias para saciar suas necessidades de recursos minerais e energéticos. A grande diferença é que as potências Europeias não mandam de fato em mais nada, mas sim cumprem as ordens Americanas e se satisfazem com seu quinhão do bolo. Porque a Geórgia é tão interessante? Fácil, o oleoduto Baku - Tíblisi - Ceyhan, dos quais 30% pertencem à British Petroleum, são 1770 km dos quais 249 km estão na Geórgia e desses 249km, 55km na Ossétia do Sul. São bombeados mais de 1 milhão de baris diários até yumurtalik na Turquia onde são embarcados em Petroleiros para a Estados Unidos e Europa. Aí está um dos principais interesses do não reconhecimento da Independência da Ossétia do Sul, pois colocaria sobre o controle Russo uma parte do Oleoduto, e a construção de um novo Pipeline demoraria 5 anos, tempo suficiente para a Rússia mover novos bloqueios, além claro da Géorgia ser geograficamente e estratégicamente importante para os Estados Unidos encurralarem a Rússia mais ainda. Outro fator que muito vejo circular no Blog é quanto ao Regime Político Russo ou a falta de Democracia na Rússia. Pois bem temos uma Europa Democrática, então acredito que seria uma prova de Democracia justa a Inglaterra permitir a independência da Escócia, que nunca quis fazer parte do Reino Unido e foi forçada até hoje, e a Irlanda separada pela Democracia Inglesa. Porque a Democracia Espanhola não permite a independencia das províncias Bascas e Catalãs? Porque as Democracias corretas e evoluídas da Europa que respeitam os direitos humanos, acometem estrangeiros visitantes de países que não são da União Européia, exceto Canadá, Estados Unidos e Israel a tratamentos constrangedores como a retenção nos aeroportos sem explicação, prisão e deportação incondicionais, porém quando os Países destes pobres deportados, fazem o mesmo, os Europeus se sentem ofendidos e chamam estes países de subdesenvolvidos socialmente, sem respeito aos direitos humanos. A Democracia realmente virou um bordão, parece que assiste-se constantemente a filmes americanos, em que eles sempre são os heróis, os defensores da liberdade, os salvadores do mundo, a vanguarda do mundo ocidental. As vezes fico pensando se Pearl Harbor não tivesse sido atacado, o quanto os Estados Unidos esperariam ver a Europa arrasada para ajudar ou não. Porém da Segunda Guerra uma coisa hoje pode ser vista, lida e verificada. Uma Nação, com o sistema político e o presidente correto ou não foi praticamente destruída, suas indústrias, seus principais centros urbanos arrasados, se levantou e empurrou seus invasores de volta à origem em um momento que a Garbosa Europa se encontrava totalmente dominada por uma nação central e sem recursos minerais, uma nação que havia saído da falência não havia 15 anos. Então seu futuro aliado e senhor empreendeu uma monumental operação industrial, para realizar o maior desembarque militar da História e enfrentar 1/4 das Forças Alemãs, formado quase na totalidade de componentes pouco experientes do conjunto de nações colaboracionistas, apesar de contar com o Consagrado Marechal Rommel como comandante, a realidade é que os outros 3/4 da Wermatch (verdadeira) estavam no front oriental combatendo os Russos. Se a União Européia que contar com os Americanos que conte, espero que os Estados Unidos possam suprir a necessidade de Gás e Petróleo, afinal eles têm grandes reservas mas como possuem muito dinheiro preferem importar e guardarem as deles para o futuro. Portugal importa 87% dos combustíveis fósséis que necessita, da enérgia consumida apenas 19,2% é hidrelétrica e 11% eólica, o restante provem de hidrocarbonetos, o ferro e a bauxita não estão entre os componentes de suas reservas minerais mais importantes o que denota a necessidade de importação em grande volume destas matérias primas, a situação de Portugal não é diferente para a maioria das nações Européias com algumas variantes para o Petróleo em relação à Noruega e Inglaterra e em alguns outros componentes minerais em outras nações, mas nada que permita a auto-suficiência da produção industrial. A própria indústria Aeroespacial Européia não anda muito bem, sua maior empresa de produção Aeronáutica/Militar a EADS, hoje tem 5% de seu capital de propriedade Russa, quase todos os aviões militares produzidos na Europa nos últimos anos foi resultante de consórcios de empresas multinacionais, como exemplo: Jaguar, Tornado e o mais recente Eurofighter. Se a Europa mantiver a posição que continua mantendo, vai se ver envolvida em uma guerra dentro do seu território, pois o teatro de operações será mais uma vez o solo Europeu, a NATO não pode com a Rússia e hoje parece mais o INSS, o sistema previdenciário do Brasil, carregada de aliados que só servem de figuração e para incitar seus sentimentos Anti-Russos, que material militar de valor possuem estes países? A operação de desmonte das Forças Russas comandada pelos Estados Unidos no período de Ieltsin, não teve o êxito que os Americanos esperavam, o acordo das CFE, foram para o espaço. O material militar da Ucrania já mostrou seu valor ao ser esmigalhado na Geórgia e a composição das suas Forças sao mais uma subtração do que uma adição para a NATO, além do que ainda enfrentarão um movimento separatista na Criméia e com um detalhe os Russos no caso de uma guera não sairão de Sebastopol. Vai ser interessante ver a armada Ucrania enfrentar a Frota do Mar Negro

Anónimo disse...

Querido josé milhazes
...na minha opinião não vem ao caso o q disseram ou deixam de diser sobre a história da humanidade e bla,bla,bla... o que eu realmente preciso saber é sobre:''O SISTEMA PREVIDENCIÁRIO DA RÚSSIA'',o que não foi exclarecido no seu blog!
até mais.