segunda-feira, agosto 25, 2008

Rússia não receia guerra fria


Dedico este post a todos aqueles que acreditavam que Dmitri Medvedev seria um Presidente mais "flexível" do que Vladimir Putin


A Rússia não se assusta com a perspectiva de uma nova guerra fria, declarou Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, ao canal televisivo russo em língua inglesa “Russian Today”.
“O Ocidente deve compreender as razões que levaram Moscovo a reconhecer a independência da Abkházia e Ossétia do Sul”, acrescentou.
“Nesta situação, tudo depende da posição dos nossos parceiros no campo internacional. Se eles quiserem conservar boas relações com a Rússia, eles compreenderão a nossa decisão e a situação será calma”, declarou Medvedev.
“Se eles optarem pelo cenário do confronto, então que fazer? Já vivemos em condições diversas, viveremos também nessa”, frisou.
Medvedev considera que este problema não deverá influir nas eleições presidenciais norte-americanas.
“Durante as eleições nos Estados Unidos, os eleitores olham de forma indiferente para os acontecimentos no estrangeiro. SE algum dos candidatos conseguir utilizar esta questão, como se costuma dizer, Deus o ajude”, acrescentou.
“O principal é que isso não provoque tensão internacional”, sublinhou.

26 comentários:

sérgio disse...

Sr. José Milhazes é o fim das boas relações entre a Rússia e o Ocidente. A Rússsia fez as suas escolhas. Muito em breve veremos um bloco novo surgir da parceria russa e chinesa que poderá envolver o Irão e a Ásia Central. Parece que voltamos aos velhos tempos da guerra fria e das competições. Bem, mas se os Russos estão disposto a viver nesse estado mais uma vez, nós também estaremos. Afinal da guerra fria também sairam coisas boas, veja-se a corrida espacial que praticamente estagnou com a queda da URSS e reanima-se agora com as ambições de países emergentes como a China, que fizeram despertar os EUA e quem sabe a UE. Os Chineses ficarão contentes por pôr as mãos nesses imensos recursos naturais da Rússia. A Rússia decerto que se irá arrepender, mas nessa altura já será tarde.

analisedasemana disse...

Devo ser dos poucos optimistas! E mesmo depois destas declarações ainda acredito que as coisas se vão resolver sem mortes... Só o tempo o dirá!
Sinceramente não percebo as motivações do Medvedev em fazer tais declarações nesta altura. Tem alguma pista?
Além disso, não acho que seja uma guerra EUA, Rússia, porque acho que a Europa, nomeadamente a União Europeia tem algo a dizer...

PS - Estou à 6 semanas na Áustria a estudar e estão cá 2 raparigas da Georgia que ainda não sabem se vão ocnseguir voltar para casa... E estão a sofrer isto de perto...

Pippo disse...

Não me parece que a isto se siga uma guerra, mas sim, como foi dito, a formação de blocos.
Penso que os Russos, definitivamente, se cansaram de serem os bobos da festa (os bobos, não os bombos). Os tempos de Ieltsin já lá vão, e agora a Rússia faz frente ao Ocidente, sem medos. E porque há de os ter? Tem os recursos; tem aliados; conseguirá ter massa humana? Penso que não menos que os países ocidentais. Se as políticas Eurasianistas que se tornaram moda no final da década de 90, princípios da actual, ainda se mantiverem presentes nas mentes dos dirigentes russos (e algo me diz que estão), poderá surgir um bloco de interesses Rússia-Irão e talvez China (se bem que me parece que este país tentará ficar numa "neutralidade colaborante").

Quanto a nós, EU-ropeus, mais uma vez perdemos uma boa oportunidade de, através da diplomacia, neutralizar a ameaça Saakashvili e de nos descolarmos da Grand Policy norte-americana. Mantemo-nos quais cães subservientes que de quando em quando ladram ao dono mas que lhe obedecem à voz.

José, pode-me dizer se o Eurasianismo é, ou não, uma corrente de pensamento popular na liderança russa actual?

Anónimo disse...

Quem lançou a esta 3a Guerra Mundial foi uma tal de velha albion e foi um tal de george soros que mandou o Sakachvili brincar com o fogo.

Anónimo disse...

Soros has publicly committed himself to funding the “democratic” presidency of Mikhail Saakashvili, just as he has publicly committed himself and his money to the destruction of the presidency of George W. Bush, whom he has compared to Yasser Arafat and Hitler. Soros and the United Nations are paying the wages of all of Saakashvili’s top government officials–ministers, deputies, the road police, and others–on the grounds that this will keep them from stealing. As if bribery and corruption were simply a problem of immediate financial need, not greed.

O-Lidador disse...

Meddeved tem razão quando diz que a Rússia pode voltar a viver de costas voltadas para o Ocidente. Acontece que o resultado da experiência anterior não foi nada bom para a Rússia.
Sim a ´Rússia tem recursos. Mas não os come. Vende-os ao Ocidente.
É um produtor de matérias primas cujo poder balança com o preço destas. Se o petróleo desce de preço, a Rússia deixa de ter dihnheiro sequer para mudar as rodas dos BTR.
A farronca sobe sempre de tom quando o dinheiro corre com abundância para os cofres do Kremlin. É aliás o mesmo que se passa na Venezuela e no Irão: petróleo caro, dinheiro a rodos, investimentos militares e agressividade externa.

Sem o petróleo e sem as armas, a Rússia vende o quê?

Para além disso, a demografia está a minar a Rússia que não tarda muito, terá até menos população que o Irão e tem nos seus flancos a formidável pressão de mais de um bilião de chineses.

Não, a Rússia não está a ver bem o problema..e as alianças tácticas com outros regimes totalitários não têm qualquer solidez ideológica, para além do "antiamericanismo" ou "anti-ocidentalismo".
Alianças alicerçadas em ódios, não se aguentam muito tempo. No tempo da URSS havia uma identidade ideológica. Agora não há.

Tenho para mim que a Rússia cuspiu para o ar, irritou a vizinhança, mas agora levará com a lostra na testa.

José disse...

Boas!
Ainda há dúvidas de quem lançou a primeira pedra neste conflito?! A reacção absolutamente déspota e desmesurada põe as coisas bem claras... (Independentemente do que se possa achar dos "tiques" do presidente Saakachvili)
É triste chegarmos ao séc.XXI e evoluirmos (?!) como o caranguejo...
Quanto às flexibilidades de cada um, continuo a olhar pra este presidente e a ver um misto de fantoche - nas mãos do anterior - com alguém que tem de mostrar serviço para sair da sombra de Putin. Só espero que agora não esteja a dar passos maiores do que a perna...
Quanto a guerras, não creio, mas em lume brando, sem dúvida! A malta oriental é bem capaz de começar uniões mais ou menos encapotadas! Cabe ao ocidente ser solidário mais uma vez.
Cá estaremos pra ver onde isto nos leva...

Rui Figueiredo Vieira disse...

É muito triste ver um país como a Russia consumido pelas máfias e a auto-destruir-se de dia para dia. De facto este presidente e Putin foram as piores coisas que poderiam acontecer á Russia, travaram o seu desenvolvimento, o seu crescimento, a sua abertura a outros povos... Vão ficar só e na miséria, mas foi a sua escolha, não a escolha do povo Russo.

Silvério disse...

Falta saber se a democracia no ocidente já fragilizada pela crise energética, resiste a mais este confronto, que certamente outros "grupos" de países vão querer aproveitar e se houver instabilidade não são de excluir confrontos urbanos na Europa. Consciente disto continuar a apoiar moralmente a Rússia que até ao momento parece ser o maior defensor da Europa, já que a UE não o faz.

joshua disse...

Eu nunca acreditei. Caras de arcAnjo enganam, ainda que refresquem a nossa memória de curto prazo cansada da dura cerviz de Putin.

PALAVROSSAVRVS REX

Anónimo disse...

excelente a ironia do José Milhazes na nota prévia ao post. O problema do ocidente, e Europa em especial, são os "idiotas úteis", verdadeiros cavalos d tróia dos totalitarismos (nazi-Chamberlains; soviético-pcs e "pacifistas"; islâmico-"pacifistas" e ateus stalinistas). Qualquer situação d conflito é grave, não vejo motivo para prognósticos favoráveis. Se há factores favoráveis- o leste europeu é anti Kremlin-, há outros bem piores-terrorismo islâmico, preços do petróleo e gaz, dependência energética da Europa, força económica da China. E para começar, a incógnita Obama e a sua incapacidade d decidir, como se viu com as declarações ocas sobre a Geórgia.
www.mentesdespertas.blogspot.com

toulixado disse...

Quanta guerra fria nesta caixa de comentários.

kaprov disse...

Dois pesos, duas medidas e toneladas de hipocrisia da UE e EUA.

Jose Milhazes disse...

Caro Sérgio, e se amanhã se formar uma aliança entre os EUA e a China para travar a Rússia? Não acredita? Acompanhe a cimeira da Organização da Cooperação de Xangai que vai começar amanhã. Acho que a China não está a gostar nada do que a Rússia está a fazer no Cáucaso.

sérgio disse...

Sr. José Milhazes essa aliança não acontecerá porque a China é uma ameaça maior do que a Rússia. A China sabe perfeitamente que este reconhecimento da Rússia não é para se repetir no futuro noutras situações, afinal a Rússia também tem regiões separatistas ás quais não lhe interessa reconhecer a sua independencia. Eu até acho que a Rússia não reconhecerá o Kosovo. A China assim descansada e tendo em vista aquilo que está em cima da mesa, um aliado de peso para si, fará vista grossa a esta situação. Aliás os EUA já delinearam mesmo a estratégia para conter a China, ao elevarem a India a parceiro imprescindivel dos mesmos naquela zona transferindo para esse país essa responsabilidade de conter o vizinho. Quanto à Organização da Cooperação de Xangai foi exacatamente nela que eu me baseei para escrever o meu comentário anterior, e como alguem disse além do sentimento anti-EUA que agrega a maior parte desses paises ou pelo menos os mais influentes, existe algo mais que os une e para mim mais forte do que o anterior, a falta de democracia nos seus países como valor defendido pelo Ocidente.

Jose Milhazes disse...

Caro Sérgio, não há alianças eternas, na maior das vezes, são temporárias. Não se lembra dos "jogos" de Nixon e Mao contra a União Soviética?

Pippo disse...

A Organização de Cooperação de Xangai foi criada, sobretudo, para conter o fundamentalismo islâmico transnacional euro-asiático. os chineses e os Cazaques têm problemas com os uigures do mesmo modo que os russos têm problemas com os chechenos. Sendo que nem a Rússia irá reconhecer qualquer direito independentista aos chechenos (ou tártaros, ou circasianos, etc.), nem os chineses irá recuar um passo que seja face aos uigures, não vejo onde é que a situação internacional irá mudar em desfavor de Moscovo.
É muito mais provável uma aliança entre China-Rússia do que uma aliança China-EUA. A China sabe bem quem a ameaça.
Quanto ao suposto perigo de isolamento, o que a Rússia não vende ao Ocidente vende ao Oriente, que sedento de recursos de bom grado aceitará o negócio. Quem vai perder com isto tudo vai ser a Europa, que joga pelos interesses norte-americanos em vez de jogar pelos seus.

O-Lidador disse...

"o que a Rússia não vende ao Ocidente vende ao Oriente, que sedento de recursos de bom grado aceitará o negócio."

Caro pippo, não está a ver bem a situação. A Rússia só vende armas e energia. Vende energia a quem a consome. Se o Ocidente não comprar ou comprar menos, o petróleo e o gáz valem o mesmo que uma tonelada de ouro numa ilha deserta: nada.
Vendem aos chineses, diz você. Mas acontece que os chineses só necessitam de energia porque manufacturam produtos para vender ao Ocidente.
É por isso que uma recessão no Ocidente, acarretará consigo uma crise brutal em todos os vendedores, desde a China à Rússia.
O petróleo baixará de preço, a China terá de aterrar de chofre, e por aí adiante. A China e os EUA são mais aliados do que pensa. Sem os EUA a comprar, a China não tem a quem vender. Se não vender, não precisa de produzir e baixará imediatamenre a procura mundial de matérias primas.
É por isso que o comércio é bom: estabelece interdependências mutuamente vantajosas que facilitam a paz.
A Rússia é um estado altamente vulnerável em termos económicos e demográficos, e teme bem mais a China do que os EUA.
Mesmo a nível militar, a Rússia é um anão face aos EUA, se exceptuarmos a componente estratégica nuclear.

Quanto ao resto, para perceber a Rússia, nada como voltar à herança de Pedro "o Grande".
É ele que está no interior da matrioska. Estaline, Putin, etc, são apenas as últimas bonecas de fora.

Pippo disse...

Lidador, tem razão na sua análise económica. Com uns pequenos "senãos":
Enquanto que o Ocidente está com um crescimento quase nulo, ou mesmo em recessão, o Oriente (leia-se China e Índia) está em franca expansão. O único factor que ameaça o progresso da China é o sobre-aquecimento da sua economia (estrutura produtiva), precisamente porque a China não tem fontes de energia. Portanto, se o Ocidente não comprar à Rússia, esta venderá o que tem à China. Os preços poderão descer, é verdade, mas não será a Rússia, mas sim o Ocidente (sobretudo a Europa) a sofrer as maiores consequências.
Quanto aos compradores putativos, a China está a investir fortemente na África e encontrará facilmente mercados na América Latina, que está a ficar cada vez mais anti-norte-americana.
Ao contrário do que diz, os chineses não são aliados dos EUA: Aqueles vendem, e estes compram. E se passarem a vender menos ao americanos e europeus não terão qualquer problema em submergir os restantes continentes com os seus produtos baratos, em prejuízo das economias desenvolvidas. Aliás, falo-ão mais cedo ou mais tarde.
Quanto às ameaças à Rússia, a China é uma ameaça futura, fruto sobretudo da demografia. Mas os EUA são uma ameaça presente, e muito forte. A Rússia não está em posição de hesitar. O nanismo moscovita, em termos militares, é irrelevante pois, por não terem sociedade civil reivindicativa e não sofrerem nem de preconceitos humanitários, nem de "war weariness" (ao contrário dos americanos relativamente ao Iraque e Afeganistão), os russos são menos susceptíveis às baixas do que os norte-americanos.

Por fim, quanto ao resto, para perceber o que se está a passar nada como ler Mahan, McKinder e Brzesinski. É neles que encontraremos a teorias que nos levam à prática dos EUA em "cercar" a Rússia.

O-Lidador disse...

"nada como ler Mahan, McKinder e Brzesinski. "

Já li, meu caro, pode acreitar. E se quiser pode dar uma vista de olhos aqui:

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2008/08/r.html

Quanto à "economia", mas você não entende que só há vendedores quando há compradores?
E que os compradores dos produtos manufacturados chineses sao sobretudo os ameericanos e europeus.
É por isso que são aliados..unidos pela maior força que existe: o interesse comercial mútuo. A Rússia não conta...é como o Irão e a Venezuela..vende energia a quem a consome. Quando o petróleo estava a 10 USD a Rússia esteve nas bordas da bancarrota e tinha os navios a enferrujar nos portos.
E voltará ao mesmo se o Ocidente entrar em recessão e não comprar.
A China necessita desesperadamente de crescer, é o crescimento que mantém aquela gente mais ou menos disciplinada. Se não crescer, a probabilidade de pancadaria interna é elevadíssima, você não imagina a quantidade de conflitos que há para ali.

Você sabe ao menos porque razão a China não vetou a invasão do Iraque em 1991?
Teve a ver com comércio, meu caro..com o facto de os EUA lhe terem concedido o estatuto de nação favorecida, para efeitos comerciais.

José disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José disse...

Boas!
Sr. "Pippo" por acaso não tem como primeiro nome Mário e apelido Soares, pois não?
Essas analises...

Já agora, viram esta tarde a entrevista do embaixador da Ucrânia em Londres à BBC?

Pippo disse...

Lidador, o que eu quero dar a entender é que a economia está a mudar, assim como os seus motores. A Europa caminha para a recessão, asism como os EUA. Em breve a sua importância para a economia global ira diminuir, quer como produtores quer como consumidores. Os mercados emergentes estão no Oriente, e o que impede o seu progresso é a falta de recursos. A Rússia tem-nos, por isso a viabilidade de uma parceria Rússia-China é tão ou mais natural do que uma aliança China-EUA. Fala de aliados? Fale antes de parceiros comerciais. E a China não só tem-nos em todo o lado como investe em novos mercados. Não dependerá, portanto, do "Ocidente".

José, não entendi o seu comentário sobre o meu nome, nem sequer a sua relevância. Mas seria melhor se, em ver de comentar quem eu possa ser, comentasse, ou a notícia, ou os comentários. Se aparentemente lamenta as minhas análises, pois bem, apresente-nos as suas. Será uma participação bem mais construtiva do que a que tem tido até ao momento.

Anónimo disse...

Qual a vulnerabilidade da Europa Hoje?

Esta é uma boa pergunta para quem discute as vulnerabilidades de outros continentes e países.

Como sobreviverá a Europa sem recursos naturais?

Voltemos à história, às grandes navegações e a todas as "COLÔNIAS", ou melhor países que tiveram suas riquezas e culturas subtraídas pelas Nações Européias.

O que fará a Europa sem Petróleo, Gás, Alumínio.....

Boas perguntas.

Pipoo disse...

Depende. SE chegarmos ao fundo do poço as mentalidades mudarão, e quem sabe se em lugar da emigração não optaremos pela invasão das antigas colónias? Isso é impossível de prever pois a História dá voltas incríveis, às vezes por conta de factores aparentemente insignificantes. Imagine, por exemplo, se um totalmnte insignificante cabo austro-bávaro chamado Adolfo Hitler tivesse levado um tiro bem no meio da testa nas trincheiras da Flandres? Ou se um tal de Josip Jugashvili tivesse seguido a carreira eclesiástica? Ou se...

Anónimo disse...

O homem é podre de bom e por aqui só há invejosos sem tomates.