sexta-feira, agosto 01, 2008

Número Dois da Yukos condenado a prisão perpétua


O Tribunal Municipal de Moscovo condenou a prisão perpétua numa cadeia de alta segurança Leonid Nevzlin, antigo accionista da petrolífera Yukos e um dos homens mais próximos de Mikhail Khodorkovski, patrão dessa empresa que cumpre longa pena de prisão na Sibéria.
Nevzlin, que foi julgado e condenado à revelia por ter fugido para Israel em 2003, onde conseguiu a cidadania desse país por ser de origem judia, foi considerado culpado de “organização de assassinatos, de atentados à vida e de ataques violentos”.
“O Tribunal estabeleceu que Nevzlin entrou em conluío criminoso com Alexei Pitchuguin (ex-chefe do serviço de segurança da Yukos) e outras pessoas indeterminadas da direcção da companhia com o objectivo de cometer crimes” – lê-se na sentença.
A Procuradoria Geral da Rússia acusou o antigo accionista da petrolífera de 11 crimes, nomeadamente da organização do assassinato de homens de negócios e dirigentes do poder local.
“As acusações foram inventadas. Não tem base factual. A sentença foi escrita ainda antes do julgamento” – declarou Irina Dolguina, porta-voz de Nevzlin.
Visto que Leonid Nevzlin, considerado o Nº2 na petrolífera Yukos, empresa que acabou por ser nacionalizada pelo Kremlin, se encontra em Israel, cujas autoridades se recusam a extraditá-lo para a Rússia, poderá cumprir a pena nesse país.
“Entre a Rússia e Israel existe um acordo que permite enviar a sentença de um tribunal russo aos órgãos competentes de Israel e pedir para que a sentença no território de Israel” – declarou Alexandre Kobliakov, representante da Procuradoria da Rússia.
No entanto, os analistas e advogados que acompanharam este processo duvidam que Israel venha a deter Nevzil ou a extraditá-lo para a Rússia.
Esta sentença pode complicar o destino de Mikhail Khodorkovski, que recentemente apresentou um pedido de liberdade antecipada.
“A condenação de Nevzlin pode complicar o destino de Khodorkovski, porque sentença tão dura poderia ter sido ditada para comprometer o antigo dono da Yukos, para mostrar que ele esteve ligado a um assassino e que também pode ter culpas” – considera o jornalista e analista político Nikolai Svanidzé.
Khodorkovski cumpre uma pena de prisão de oito anos na Sibéria, mas os seus advogados consideram que mesmo que o pedido de libertação antecipada seja satisfeito, isso não significa que Khodorkovski saia da prisão. Ele foi condenado a prisão preventiva num segundo processo, em que Khodorkovski e Platon Lebedev (outro dirigente da Yukos) são acusados de branqueamento de 450 mil milhões de rublos e 7,5 mil milhões de dólares entre 1998 e 2004.


N.B. Apenas algumas notas. Não quero afirmar que Nevzlin seja um santo e inocente, pois, como é do conhecimento geral, as grandes fortunas, nos anos 90 do século passado na Rússia, foram feitas através de meios ilícitos, de autênticas guerras sangrentas.

O estranho (se é que isto é realmente estranho para os que conhecem a situação na Rússia) reside no facto de apenas os donos da Yukos serem perseguidos judicialmente.

A explicação desta "estranheza" poderá estar no facto de os donos da Yukos terem tentado participar na vida política, ou seja, fazer concorrência a Vladimir Putin.

1 comentário:

Xico Ribeiro disse...

Resquicios da exUS, permanecem nas decisões e praticas do poder politico e seus conexos.