sexta-feira, julho 25, 2008

Rússia decide "participar" nas eleições norte-americanas


As autoridades russas começaram a dar sinais concretos de que para elas não é indiferente o resultado das eleições presidenciais norte-americanas.
“As relações entre Moscovo e Washington poderão complicar-se seriamente depois das eleições presidenciais nos Estados Unidos. Mais, elas poderão chegar praticamente ao ponto zero” – declarou uma fonte incógnita do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia à agência Interfax.
“Estamos prontos para quaisquer acontecimentos” – acrescentou a fonte, sublinhando que Moscovo pode dar-se ao luxo de “não ter qualquer tipo de relação com estes ou aqueles parceiros, se eles assim desejarem”.
Estas declarações são uma resposta às palavras do candidato republicano, John MacCain, que defendeu a tomada de posições mais duras face à Rússia e a sua expulsão do G-8.
A fonte da Interfax assinalou que, actualmente, as relações russo-americanos “estão a ser submetidas a um teste de firmeza pelo comportamento dos nossos parceiros americanos”.
“Tudo corre bem até ao momento em que nos dizem como nos comportar, com quem fazer amizade, com quem dormir, quem pôr na rua. No fim de contas, não somos compadres deles, temos mais pessoas com quem conversar” – frisou a fonte diplomática russa.
A agência ITAR-TASS, citando também uma fonte incógnita no MNE da Rússia, não exclui a possibilidade de Moscovo suspender as conversações com Washington sobre as questões que interessam à parte norte-americana.
“Podemos chegar à altura quando poderemos deixar de discutir as questões que interessem à parte norte-americana” – declarou a fonte.
Segundo ela, os Estados Unidos encontram-se num limiar de “uma série crise na política interna” e de “mudanças bruscas e dolorosas”, acrescentando que “primeiramente, eles devem aprender a viver em conformidade com os meios que possuem”.
A fonte considerou também que a redução da interdependência entre a Rússia e os EUA poderá ser útil para o Kremlin.
“Poderemos, no futuro, chegar ao ponto quando seremos capazes de deixar de discutir apenas as questões que interessam aos americanos... Não somos inimigos dos americanos, infelizmente, ainda não somos amigo, mas dependemos cada vez mais uns dos outros” – declarou a fonte.
Segundo a fonte da TASS, “se não for possível conservar a continuidade do processo depois das eleições do Presidente norte-americano este ano, nada mais nos ligará e cada país poderá enveredar pelo seu caminho”.
Ao abordar as eleições presidenciais, a fonte diplomática acrescentou: “Moscovo está pronto para qualquer desenvolvimento da interacção com Washington. Primeiro, MacCain que se torne Presidente dos EUA, depois iremos ouvi-lo atentamente; isso é também válido para o segundo pretendente: Obama”.
Estas declarações foram publicadas pelas agências russas no dia em que o Presidente Dmitri Medvedev nomeou Serguei Kisliak (na foto), vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, para o cargo de Embaixador da Rússia em Washington.
Serguei Karaganov, presidente do Conselho para a Política Externa e Defesa da Rússia, considera que as relações entre Moscovo e Washington não se irão deteriorar mais, porque “elas já são suficientemente frias”.
“Não penso que a eleição de Obama ou MacCaen vá mudar alguma coisa, podem alterar-se apenas alguns pormenores” – declarou Karaganov ao comentar as notícias das agências russas e a nomeação do novo embaixador.
“A causa disso reside no desejo dos EUA de realizar a linha política de potência imperial que tem impor a sua política a todos” – defendeu o analista político.
Karaganov considera que “se Obama for eleito, essa política irá ser realizada de forma mais suave e flexível, mas se for MacCain, poderá ser feita de forma mais dura. Não penso que a América se possa dar ao luxo de ter relações claramente más com a Rússia, ela está longe de ser omnipresente, como parecia ser há 10 anos atrás”.
Por outro lado, o analista político recorda que “os EUA têm mais de 20 por cento do PIB mundial, enquanto nós temos 2,5 por cento. Não tem sentido zangar-se e provar à custa do próprio país que nós somos mais fortes. Temos de interagir” – concluiu.
Serguei Rogov, director do Instituto dos Estados Unidos e do Canadá da Academia de Ciências da Rússia, considera que a nomeação de Serguei Kisliak para a Embaixada russa em Wasginton é “uma escolha lógica”, pois “trata-se de um diplomata experiente, e não de uma nomeação política”.
Porém, Rogov é também da opinião que a eleição de MacCaen será um parceiro mais difícel e indesejável para o Kremlin.
“Se John MacCain chegar ao poder, formar-se-ão relações muito difíceis pelo menos no primeiro ano da sua presidência, pois ele voltou a posições duras, nomeadamente ao exigir a exclusão da Rússia do G-8” – considera.
Serguei Belkovski, director do Instituto da Estratégia Nacional, tem uma opinião diferente dos analistas anteriores.
“O cargo de embaixador é, em grande parte, técnico, a política forma-se não na embaixada, mas no Kremlin. Por isso, não vale a pena exagerar a importância da nomeação de Serguei Kisliak” – defende Belkovski.
“A própria lógica das relações russo-americanas é ditada por dois factores inalteráveis: a dependendência (política, económica, psicológica e financeira) das elites dirigentes russas em relação à América e pelo desejo de mostrarmos que também somos homens de bigode. Por isso, seja nomeado Kisliak ou outro, isso não muda qualitativamente as relações” – sublinha.
“Porém – ressalva Belkovski -, ao contrário de Vladimir Putin, que, nos últimos três anos, desempenhou o papel de mau agente nas relações internacionais, Dmitri Medvedev, cuja principa tarefa é legalizar a elite dirigente russa no Ocidente, é obrigado a desempenhar o papel de agente bom”.
“Isso pode coincidir organicamente com a mudança de dono da Casa Branca, principalmente se vencer Obama” – acrescenta.
“Por isso, a retórica e o estilo das relações russo-americanas irão suavizar-se consideravelmente num futuro visível, mas isso não será determinado pela mudança de embaixador, mas pelas prioridades vitalmente importantes da elite dirigente russa”.

5 comentários:

Anónimo disse...

putin levou para o kremlin KGBs ressabiados k matam jornalistas independentes e prendem oligarcas opositores enquanto os amigos acumulam fortunas. E pior,escondem os crimes d estaline-como o zé sabe muito melhor k eu. Agora os preços do petróleo e gaz natural dao para chantagear ucrânia, e a UE e fazer sonhar com o império-com os mesmos erros: gastar em armas em vez d dar nível d vida aos russos. A prisao d karadzic e viragem da sérvia para a UE é um duro golpe para o kremlin. Até pedia ao Zé Milhazes K comentasse as reacções do kremlin.

Anónimo disse...

Interferir com as eleições nos USA não será bem o caso. Mas que as opiniões emitidas por Moscovo (seja qual for o emitente) terão reflexos na Aoérica, issó é óbvio...

rouxinoldebernardim.blogspot.com

Jose Milhazes disse...

Caro Anónimo, a reacção à prisão em Moscovo foi ambígua. O Kremlin apenas declarou que o Tribunal de Haia seja imparcial. Mas a imprensa dominada pelo Kremlin disse raios e corriscos das autoridades sérvias, até ao ponto de lhes chamarem "traidores" e claro que não acredita na justiça do Tribunal Internacional.
Quanto à adesão da Sérvia à UE, faz-se pensar a mensagem de que isso custará a perda do Kosovo.

Anónimo disse...

O meu obrigado ao Zé pelos esclarecimentos. Vou tentar identificar o meu blog (estou na net via telemóvel). Atendendo aos partidos da coligação em Belgrado, é natural k o kremlin os considere traidores. Creio k agora a adesão à UE é possível e talvez à Nato. Creio tb k a Sérvia assim exigirá mais garantias para os sérvios do kosovo. Tenho + um pedido:pode dar notícias sobre o conflito Rússia-Geórgia? Francisco

Empresário... individual disse...

Quantos países da Ue näo reconhecem a independência ilegal da província sérvia do Kosovo?

No fim de contas, acontece como ao Chipre... entra, mesmo com o país ilegal "tecnicamente separado".
Porque e economia de 8 milhöes de sérvios contam mais que o buraco negro económico de 2 milhöes de albaneses ressabiados--aos quais já foram dados mais de 10.000 milhöes de euros desde 1999 para criar infra-estruturas... que onde estäo?