sábado, agosto 30, 2008

Oposição da Inguchétia admite exigir saída desta república caucasiana da Federação da Rússia




A oposição da Inguchétia estuda a possibilidade de lançar um apelo à opinião pública com o pedido de “separar” a república da Rússia, declarou Magomed Khazbiev, dirigente do Comité da Manifestação Nacional de Protesto, principal força política que contesta a política do Presidente inguche, Murat Ziazikov.
“Precisamos de pedir à Europa ou América para que nos separem da Rússia. Se não somos desejados nesse país, não sabemos o que fazer mais”, declarou Khazbiev aos microfones da Rádio Eco de Moscovo.
“É necessário travar o genocídio do povo inguche realizado pelo Kremlin”, acrescentou.
Magomed Khazbiev anunciou que a oposição inguche irá discutir, numa reunião especial, que acções empreender depois do assassinato de Magomed Evloev, dono do jornal electrónico Ingushetiya.ru, pela polícia da Inguchétia.
Evloev, foi assassinado, no domingo, com um tiro na cabeça depois de ter sido detido pela polícia no aeroporto de Margas, capital da Inguchétia.
Khazbiev declarou que algumas centenas de pessoas se juntaram para sepultar Evloev, que foi a enterrar antes do pôr do Sol do dia em que faleceu, cumprindo assim a tradição islâmica.
“Na véspera do assassinato do dono do sítio Ingushetiya. Ru, Magomed Evloev, o parlamento popular da Inguchétia (órgão de poder paralelo criado pela oposição ao Presidente Ziazikov) tinha aprovado, na véspera, uma declaração sobre a saída da Inguchétia da Rússia, no sítio foi publicada, na véspera à noite, essa infornação, mas hoje de manhã foi destruída”, escreve o diário electrónico Caucasus Times.
O assassinato de Evloev pode desestabilizar ainda mais a situação na Inguchétia, onde actua uma forte guerrilha independentista, muito activa.




A Inguchétia está situada no Cáucaso do Norte e faz fronteira com a Geórgia, Tchetchénia e Ossétia do Norte.

14 comentários:

antonio everardo disse...

Se calhar, as oposições do País Basco, Açores, Madeira, Guiana Francesa, Córsega, etc, devem pedir ajuda a NATO também? Essa oposição inguche terá de ler mais para aprender e deixar ver filmes americanos.

Jose Milhazes disse...

Caro António, você não entende como é que a oposição é tratada na Inguchétia. A tiro! Por isso, não admira a reacção. Recomendo ao António a ter mais respeito pelas vidas humanas.

sérgio disse...

Mas porque é que se justifica as coisas que estão mal na Rússia com os erros de outros países nomeadamente os EUA. Parece que apesar de não quererem um mundo unipolar, pensam que por os EUA terem agido de uma determinada forma, e em muitos casos errada, isso dá direito a outros países de cometerem as mesmas aneiras e erros, ou pior. Nenhum país deverá estar acima do direito internacional e das instituições internacionais que foram criadas para a sua aplicação. Mas é que isto tem sido recorrente, desde que se iniciou este conflito na Geórgia. Até poderá estar mal, mas se alguém o fez no passado e é poderoso, porque não, já há legitimidade, já há justificação, se calhar se virmos bem até se fica atrás do que já foi feito...

mentesã disse...

O KGB em actividade. A russia está a trilhar o caminho que sempre foi o seu. ASSASSINAR tudo que mexa nos seus interesses.
Este povo pelo seu passado e historio nunca irá mudar. Arrogante, prepotente,complexado e rude.Aqui a democracia ocidental não funciona. O povo gosta de mão pesado e de andar acorrentado.É o seu destino.

Mariana Costa disse...

As coisas que estão mal,estão mal em todos os Países seja na Rússia ou nos EUA e outro qualquer País.Em relação ao reconhecimento dos países que declaram a independencia de forma unilateral é preciso ter muita cautela,nesta matéria concordo com o PR,não reconhecemos o Kosovo e decerto não vamos reconhecer estes países que recentemente se declararam independentes.Mas meu caro Sérgio é preciso não ter vergonha para os representantes dos países que reconheceram ao povo do Kosovo o direito de se tornar unilateralmente independente ao arrepio do direito internacional virem agora á televisão pugnar pela soberania da Geórgia e pelo cumprimento do direito internacional.O que os outros fazem mal não nos dá o direito de o fazer também mas é preciso que nestas matérias os governantes procedam com sentido de Estado,clareza e coerencia.

sérgio disse...

E a Rússia é coerente Mariana. Então porquê tanta indignação.

rui disse...

O lado negro da política russa vem ao de cima, infelizmente nao se perderam os velhos habitos sovieticos. Mais uma prova de que a Russia nao mediu as consequencias em relaçao à musculada intervençao na Georgia e à posterior proclamaçao das duas republicas separatistas.
Nao vai ser desta forma que a Russia se vai impor no mundo, antes pelo contrario e com forte pressao das antigas republicas sovieticas e dos EUA vai ficar cada vez mais isolada internacionalmente.
Rui Carneiro

Anónimo disse...

Tem toda a razão: há aí um problema de direitos humanos. Mas não estou a ver que os EUA possam ser invocados. É para dar a ideia de que são grandes defensores dos direitos humanos. Assim sendo o apelo perde muito da sua força e entra directamente na categoria "geoestratégia e lideres fantoches". Ainda me lembro das manobras Americanas a seguir ao 25 de Abril nos Açores.
Portanto estamos de acordo que há que fazer eco da situação inominável que vivem os súbditos da Federação. E ter o cuidado de não servir outros interesses. Sabe porquê? Porque as sombras estão-se nas tintas para as vítimas que possam causar as suas manobras. Para eles, se o incentivo ao separatismo fizer umas quantas vítimas, isso está na ordem das coisas e só dará mais publicidade.

serrão disse...

O facto de a NATO começar a ser cada vez mais olhada como aliado conveniente por toda uma constelação de regiões ou países mais ou menos dependentes da Rússia, ou sujeitos aos seus ditames, pode ser um desafio maior para aquela organização do que a ameaça soviética. A URSS era mais poderosa do que a Rússia, mas o papel e razão de ser da Aliança Atlântica eram muito mais claros. E não passava por imiscuir-se tão de perto na esfera russa.
É bom ou mau para a NATO assumir a responsabilidade pela 'guarda' de países ou pseudo-países com aquela história e geografia?
Já agora, dos EUA se diz que não 'ligam' a mais ninguém por serem um país grande, por causa das culturas, dos muitos e diferenciados estados, etc.
Que dizer da Rússia então?
Parece que de baixo de cada pedra sai uma terra ou povo de que até aí ninguém ouvira falar, com história e identidade próprias (e nomes fabulosos!)
Os russos têm mesmo num 'mundo à parte'...

Anónimo disse...

Depois de 9/11 e da invasão do Iraque quando se refere NATO pretende-se designar os países que fazem o que os EUA determinam de acordo com os seus próprios interesses. Por isso quando se "apela" coloca-se a alternativa: EUA ou NATO. Os EUA avançam com ou sem aliados desde que se trate dos seus interesses. Ora o problema da CE é um só: até que ponto os seus interesses coincidem com os dos EUA? E se não coincidem terão eles capacidade para se instituirem como pólo estratégico? Em confronto com a Federação Russa e a República Popular da China? Colocado o problema deste modo parece ser só uma a resposta possível. Mas talvez uma hábil diplomacia e um Inteligência eficaz nos pudessem transformar num parceiro útil e escutado. Porém, não é concerteza com Barroso e Barkozy que lá vamos...

Mariana disse...

Meu caro Sérgio talvez eu não me tenha explicado bem mas o meu comentário abrange as duas situações.Quando eu falo em coerencia,sentido de estado e clareza quero-me referir á forma como em ambos os casos os dirigentes dos vários países procederam.Felizmente até agora a minha critica não se aplica ao nosso País

Pippo disse...

A oposição inguche pode pedir a independência que quiser. Não a vão ter. Os russos sabem bem que os inguches deram apoio aos rebeldes chechenos durante as duas guerras. Como a independência está fora de questão, as únicas duas soluções são, ou a oposição tentar chegar a algum acordo com Moscovo (maior autonomia, por exemplo), ou então enveredar pela rebelião aberta. Se optar por esta última, alguns milhares de mortos farão ver à oposição inguche que a primeira opção teria sido a melhor.

Quanto às críticas aos EUA, estas provêm da hipocisia com que este país e os seus aliados actuam, invocando princípios morais para obter benefícios geoestratégicos, mesmo que para isso tenham de violar princípios jurídicos e organizações que foram criadas para a sua aplicação.
A hipocrisia passa tembém pelo modo como são dadas as notícias, sempre tendenciosas, ou pelo modo como são ocultadas as verdades inconvenientes.
Veja-se um exemplo de hipocrisia: compara-se a "invasão" da Geórgia pelas forças russas às invasões da Checoslováquia em 1938 e 1968; em compensação, a invasão georgiana à Ossétia, bem mais mortífera e destruidora, mal foi criticada (se é que o foi) e não mereceu comparações com outras acções historicamente funestas.
Portanto, os que usam os EUA para actuação da Rússia, no fundo, estão apenas a aplicar aquela máxima do "ou há moralidade ou comem todos". Os EUA & friends acabaram com a moralidade; agora comem todos.

Anónimo disse...

Os Estados Unidos não avançam com ou sem aliados. Para terem o apoio logístico que necessitam em suas operações, todos os seus aliados, mesmo que não enviem tropas participam em virtude das bases presentes em seus países, neste caso toda a União Européia é conivente com a invasão das soberanias e assassinato de civis como ocorre hoje no Iraque e Afeganistão. Agora, se os EU podem realmente com a Rússia, é uma boa pergunta, estratégicamente eles podem fazer frente à Rússia com a ajuda da NATO talvez, mas a verdade é que o equipamento militar principalmente o aéreo que hoje a NATO possui, não é páreo para os aparelhos Russos, a indústria aeronáutica Européia só consegue produzir novos aparelhos hoje, através de consórcios de empresas de vários países, vide o Eurofighter, salvo o caso da França e Suécia.

Jest nas Wielu disse...

Acho muito bom, se a FR quer fomentar as "liberdades de escolha", então um dia até a Sibéria será livre....