quarta-feira, setembro 10, 2008

Afinal, quem fala verdade?


Boas razões têm aqueles que exigem a criação de uma comissão internacional para investigar quem são os culpados, os inciadores da guerra entre a Rússia e a Geórgia, pois há muitas dúvidas a esclarecer.

A imprensa russa publica elementos que mostram que Moscovo já tinha tropas em Tzkhinvali, capital da Ossétia do Sul, antes da Geórgia enviar tropas para aí.

A versão oficial do Kremlin reza que as tropas russas desferiram, no dia 08 de Agosto, um ataque de resposta à agressão georgiana contra a Ossétia do Sul, mas alguns artigos publicados na imprensa oficial, nomeadamente do Ministério da Defesa, põem em causa essa versão.
O jornal electrónico Polit.ru escreve que depois das manobras “Kavkaz-2008”, realizadas pelas tropas russas na Ossétia do Norte, o Ministério da Defesa da Rússia, considerando que os georgianos estavam a agravar a situação, enviou, no dia 07 de Agosto, o 58º Exército para a Ossétia do Sul, através do Túnel de Rokski.
Segundo esse jornal, Moscovo considerava que esse túnel não era território georgiano, mas Tbilissi teve uma opinião contrária, considerou essa operação uma invasão do seu território e reagiu.
No dia 03 de Setembro, o diário Krasnaia Zvezda (Estrela Vermelha), órgão oficial do Ministério da Defesa da Rússia, publicou o artigo “A vida continua”, onde cita o relato do capitão russo Denis Sidristi, condecorado com a Ordem da Coragem pela operação na Ossétia do Sul.
“Estavamos nas manobras. Isso teve lugar relativamente perto da Ossétia do Sul... Aí, depois da realização das manobras planeadas, foi instalado o nosso acampamento, mas, no dia 07 de Agosto, recebemos ordens para avançar na direcção de Tzkhinvali... Chegámos, aquartelámo-nos e, no dia 08 de Agosto, a situação já era tão quente que muitos de nós ficaram surpreendidos”, declara o capitão.
Com base neste relato, o diário electrónico Newsru.com conclui que tropas russas já estavam na Ossétia do Sul quando os soldados georgianos começaram a bombadear Tzkhinvali e viram como foram atacados os postos das forças de manutenção da paz na madrugada de 07 para 08 de Agosto.
O diário regional Persmikie novosti publica as palavras de um soldado russo que confirma as palavras do capitão.
“...Estamos aqui desde 07 de Agosto. Todo o nosso 58º Exército. Hoje, abrimos caminho de Tzkhinvali para Vladikavkaz (Ossétia do Norte) para ir buscar armamentos. Agora já regressámos”, declarou o soldado numa conversa telefónica com os pais.

Além disso, é de assinalar as declarações contraditórias do Presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti, que não sabe se a sua terra deve ou não fazer parte da Rússia.

Ele veio dizer ter sido mal compreendido pelos jornalistas e politólogos e afirma que, afinal, a sua república quer manter a independência e não aderir à Rússia.
“Talvez não me tenham compreendido correctamente. Não tencionamos renunciar à nossa independência, com que pagámos com um número colossal de vítimas, e também não pensamos aderir à Rússia”, precisou numa entrevista à Interfax.
“Muita gente na Ossétia do Sul manifestam-se pela entrada da república na Rússia e ninguém os pode proibir de defender essa ideia. Mas a Ossétia do Sul não tenciona entrar na Rússia, mas estabelecer relações civilizadas com todos os Estados em conformidade com o Direito Internacional”, acrescentou.
Algumas horas antes, na presença de dezenas de participantes de uma conferência do Clube Internacional de Discussão “Valdai”, Kokoiti afirmou: “Sem dúvida que faremos parte da Rússia e não tencionamos construir Ossétia independente alguma, porque historicamente as coisas aconteceram assim, os nossos antepassados fizeram essa opção”.

A única explicação que se encontra para tão brusca mudança consiste em que Kokoiti, nas primeiras declarações, revelou o que o Kremlin pretendeu realmente conseguir com o envio de tropas para a Ossétia do Sul, ou seja, anexar esse território.

Essas declarações não estavam de acordo com a tese de que a Rússia apenas e só pretendeu garantir a segurança e vida dos seus cidadãos na Ossétia do Sul.

As segundas declarações é que estão correctas e, como é costume, a culpa é dos jornalistas, mesmo que as primeiras declarações tenham sido registadas por muitas dezenas de pessoas.

15 comentários:

antonio everardo disse...

Meu caro JM, me desculpe, mas se procuras a verdade dentro de um "salseiro" destes agora eu creio que ainda não seja um bom negócio. São cerca de mais de dez "scripts" tanto do lado da Georgia quando do lado da Russia. Terá paciência e ouvir o comunicado oficial mais apurado. Afinal de contas, quem ainda hoje está ao lado da mentira é a Georgia, lembra? Um abraço.

Jose Milhazes disse...

Caro Everardo, não queira dizer que o jornal Krasnaia Zvezda também está controlado pela CIA? Ou será que Eduard Kokoiti também está ao serviço da Mossad?

Anónimo disse...

o sr jose milhazes não se dá conta mas entra em contadições, algumas até, inaceitaveis para um jornalista. Ao logo da sua intervenção tem afirmado que o governo russo controla a imprensa russa, que a imprensa russa não é livre etc. Agora recorre a imprensa russa para acusar o governo federal. Que é feito da coerencia?

Artur.

Jose Milhazes disse...

Caro Artur, recomendo-lhe a ler com atenção os textos. Na Rússia, existe a internet e órgãos de informação independentes, principalmente jornais. O problema é que esses meios de informação não chegam à maior parte da população. Os meios de informação que cobrem todo o país, canais de televisão e rádio, são todos do Estado. Ou seja, o Estado tem o poder de dosear a informação ou de a mamipular.
Caro Artur, o artigo de que falei, publicado no Estrela Vermelha, não visava provar as contradições existentes na versão oficial da guerra no Cáucaso, mas falava de um dos heróis dessa guerra. O problema é que, lendo-se com atenção esse texto, vem como o outro publicado na imprensa regional, constata-se que as tropas russas já estavam em Tzkhinvali. Ora, ainda hoje, Vladimir Putin, diz que elas entraram na noite de 08 para 09 de Agosto. Por isso, eu apenas quis saber quem é que anda a falar verdade?
Como pode dizer que eu sou incoerente? Se for ver alguns dos textos anteriormente escritos, constatará que eu faço muitas perguntas e transcrevo respostas dadas por várias partes.

Pippo disse...

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Pippo disse...

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Site: http://www.ifp-lisboa.com

Pippo disse...

Não vejo onde estão as incongruências nos relatos. Já havia tensão no ar com confrontos esporádicos entre ossetinos e georgios; o 58º Exército russo está estacionado na Ossétia do Norte; o presidente georgiano declarou um cessar-fogo dia 7 de Agosto, e na manhã do dia seguinte veio à televisão declarar "de facto" guerra à Ossétia do Sul (o que indicará que a ordem para avançar foi tomada, o mais tardar, dia 7 de manhã, pois mobilizar um exército para uma ofensiva daquelas não se faz em meia-dúzia de horas).
Não é natural que as autoridades russas enviassem homens para o terreno?

xico ribeiro disse...

Este relato só vem reafirmar tudo aquilo que venho dizendo. A invasão da Georgia estava já nos planos dos srs. do Kremlin e ao menor pretexto avança-se. Disto sabe Putin ou não fosse ele um ex-KGB.
Há gente que não consegue ou não quer ver a verdade verdadeira.Ou seja, a verdade verdadeira é sempre mentira se ela vier de determinado lado.
Como vivi no tempo da fascismo em portugal, este tipo de comportamento, porque messe tempo era assim que funcionava, causame um certo estupro.

Anónimo disse...

Mas alguém acredita que a Georgia perpetrasse um ataque à Ossétia do Sul e os serviços secretos da Rússia andassem a dormir? Alguém acredita que se os russos quisessem efectivamente uma guerra com a Geórgia as coisas tinham ficado assim? Isto foi pouco mais do que um arrufo e um aviso. Se a Geórgia insistir em aderir à NATO vai ter guerra a sério ainda antes da concretização da adesão. O posicionamento da Rússia na América do Sul, com a Síria, com a Coreia do Norte, com o Irão, com as restantes repúblicas caucasianas que lhe são simpáticas não nos permitem adivinhar nada de bom se o ocidente continuar a insistir em "avisos" como a parva da Sara Palin que põe a hipótese de declaração de guerra à Rússia.

Anónimo disse...

O Sacanavili é um escroque sinistro que não mede a sua pequenez. Vai sair esmagado como um verme, por um lado ou por outro. É animal que ninguém gosta de ter consigo à mesa. Até lá vai servindo os intentos dos States nesta guerra desesperada e sem quartel na tentativa de controlo do pouco petróleo que resta a nível mundial. Se amanhã ainda houver mundo vamos ter a guerra da água. Tudo o resto são fait-divers. Esta escaramuça é entre cães grandes que não estão interessados em se atacarem directamente como nunca o fizeram em toda a história. As vítimas vão ser as de sempre.

Anónimo disse...

russos e americanos tem algo muito em comum: seus vizinhos os odeiam

Drago disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Drago disse...

Bem aqui o senhor José Milhazaes está preocupado em passar a sua mensagem claramente politica e parcial, não me parece que esteja à procura da a verdade...

Obviamente isto são artigos de opinião, e escreve como autor e não como jornalista.

Corrija-me se estiver enganado.

Pippo disse...

o IWPR normalmente faz boas e isentas reportagens. Eis o link para a sua reportagem sobre as origens deste conflito:

http://www.iwpr.net/?p=crs&s=f&o=346346&apc_state=henpcrs

Jest nas Wielu disse...

1. Para a informação dos anti-americanos portugueses: a informação sobre a presença das tropas russas em Tshinvali no dia 07.08.2008 foi REMOVIDA da página do jornal "Krassnaya Zvizda" (Estrela Vermelha):
http://www.redstar.ru/2008/09/03_09/2_03.html
(com certeza foi obra do ZOG).

2. Engraçado ver as tentativas dos portugueses (europeus) em dizer tantas palavrões contra outro europeu - Mikael Saakashvili só para agradar um despota asiático.

3. Se o Presidente da Geórgia (eleito pelo POVO, vocês adoram povo, pois não?), é um "escroque sinistro que não mede a sua pequenez", porque vocês estão com tanto medo que não dão a sua cara em defesa do Kremlin? Se vocês acham que têm a razão, deviam, mas é, sair do anonimato.

4. Queria saber como os russos vós pagam: em dinheiro, em géneros ou em viagens?