domingo, setembro 21, 2008

Não é preciso ser Velho do Restelo


Primeira notícia:

Um grupo de navios da Armada do Norte da Rússia partirão hoje rumo à Venezuela a fim de participar em manobras navais conjuntas com vasos de guerra desse país da América Latina.
Segundo Igor Digalo, porta-voz da Marinha da Rússia, fazem parte da expedição o cruzador atómico pesado Piotr Velikii, o navio de combate a submarinos Admiral Tchabanenko e dois navios de apoio.
O vice-almirante Vladimir Koroliov comanda a expedição.
Digalo informou também que os marinheiros, durante a expedição, irão realizar “exercícios de treino militar”, participarão em “manobras navais conjuntas com a Armada da Venezuela, em Novembro, para treinar acções conjuntas de salvamento nos mares e de combate contra os terroristas navais”.
É a primeira vez que um cruzador atómico russo participa em manobras militares internacionais.
“Não se deve procurar qualquer sentido político oculto nestas manobras. Elas estavam planeadas há muito tempo e segundo este esquema. São semelhantes a manobras que a Marinha da Rússia realiza com congêneres estrangeiras”, frisou o porta-voz.
Alguns analistas políticos, porém, consideram que esta operação é uma resposta ao aparecimento de navios de guerra da NATO no Mar Negro depois da guerra entre a Rússia e a Geórgia.
Na passada sexta-feira, dois bombardeiros estratégicos russos Tupolev-160 regressaram da Venezuela, depois de terem participado em manobras no Mar das Caraíbas.
Segundo o comando da Força Aérea russa, os aviões não transportavam mísseis, nem convencionais, nem nucleares.


Segunda notícia:

O cargueiro grego "Capitão Stefanos" foi atacado a 250 milhas das costas da Somália. A tripulação é constituída por 17 filipinos, um ucraniano e um chinês. Desta vez, não se registaram vítimas entre a tripulação.


Pergunta:

Não irão os russos no sentido errado? Nos últimos tempos, a Somália transfornou-se num ninho de piratas que atacam navios civis, entre cujas tripulações e comandos há também cidadãos russos. Não seria melhor juntar as forças da Armada do Mar Negro da Rússia e das marinhas dos países da NATO para manter a ordem junto do Corno de África?


- "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!"
(Camões, Luís. Lusíadas, canto IV, 96)

17 comentários:

Jorge Cunha disse...

Pelos acontecimentos registados nos últimos tempos, será um reinicio da Guerra Fria.

MSantos disse...

Não só no corno de África, mas também no Índico, estreito de Malaca, mar das Filipinas e Indonésia onde abunda a pirataria. E aqui a emergente marinha de guerra chinesa também deveria exercer o papel de policiamento. Reletivamente á frota russa, só é de admirar não incluirem o porta-aviões Kuznetsov.

MSantos disse...

Já agora, se alguém tiver curiosidade acerca do tipo de plataforma que os russos enviaram para a Venezuela:

http://en.wikipedia.org/wiki/
Kirov_class_battlecruiser

xico ribeiro disse...

Com alucidez habitual que nos transmite. Concordo com a proposta.

xico ribeiro disse...

Gosto de ler muitas teorias, pelo habituais teoricos que por aqui passam.Esta noticia que colo, é do proprio revolucionario "chaves", que prefere ter as suas devisas fortes em bancos CAPITALISTAS.O QUE DIZER DESTA CONTRADIÇÃO?

Noticiero Digital (21/09/08-11:16 am).- Si las reservas internacionales de Venezuela continuaran en bancos de Estados Unidos como hace siete años, estarían en "grave peligro". Así lo afirmó el mandatario venezolano, Hugo Chávez, durante su programa "Aló, Presidente" número 322, desde el Palacio de Miraflores. De acuerdo al Jefe de Estado, las reservas internacionales de Venezuela se encuentran seguras de la crisis financiera mundial, pero no especificó en cuáles bancos ni en cuáles monedas.

O que eu retiro de tudo isto é um oportunismo, uma falacia aliada à alta corrupção, sejam da direita sejam da esquerda revolucionaria.

Nuno Bento disse...

São sobretudo os "GI's" que guardam essas e outras rotas perigosas por onde passam os navios petroleiros. Por exemplo, no Djibouti. E tem toda a lógica que assim seja já que muitos carregamentos têm os EUA como destino, ou então são feitos por uma qualquer multinacional americana. Para além dos EUA serem o hegemon da globalização, o que tem a sua factura a pagar.

xico ribeiro disse...

Outra noticia que não me surpreende, só poderá surpreender os fundamentalista do comunismo, são as afirmaçãos que , Fidel de Castro faz ao jornal oficial "Granma",DO DIA DE ONTEM. A reter.

FD apelou ao pcc, para sancionar com firmeza os ROUBOS,A CORRUPÇÃO E OS PREVILEGIOS.

Posto isto, pergunto:
50 anos de revolução, a sociedade sem classes da igualdade e solidaria, ainda persistem "os males" das sociedades ocidentais?

Então em cuba ainda há previlégios 50 anos depois? A revolução não tinha esse objectivo? Então porquê retirar do poder o batista? Tudo de manteve.
Corrupção 50 anos depois? Nem acredito, com tanta repressão, mas direcionada para a oposição não para os corruptos.

Roubos porque motivos? A revolução não foi feita para acabar com a fome e com as desigualdades? Vê-se logo que não.

O velho homem tem toda a razão quando faz estas afirmações. A sociedade cubana bateu no fundo. Uma elite poderosa beneficiadora de todos os previlegios e mordomias e em contra-ponto um povo explorado, descriminado, sem direitos.

Estas afirmações são um atestado final de uma ideologia que se dizia criar o homem novo, mas que não passou de um instrumento de poder terrorista,manipulador, repressivo e que negou todos os direitos individuais e colectivos aos povos.

Pobre mas libre do que rico amordaçado.

Pippo disse...

Não vejo qual seria a vantagem para a Rússia, em termos estratégicos, em empenhar a sua esquadra em misões anti-pirataria.

Em primeiro lugar, para o fazer teria de intervir em países estrangeiros (Indonésia, Malásia, Somália). Ora, atendendo às críticas que aqui foram expressas por causa da intervenção russa na Geórgia, apesar das tropas russa terem sido atacadas e dos interesses russos estarem directamente ameaçados, seria conveniente entrar numa situação em que as tropas russa ver-se-iam obrigadas a atacar redutos piratas em países terceiros? Seria essa ingerência justificável? E que imagem daria, sobretudo se fossem vitimados "civis inocentes"? E mais ainda: será que os norte-americanos estacionados no Djibuti gostariam de ver forças russa no Corno de África?

Em segundo lugar, não estando interesses russos directamente ameaçados, seria inteligente dispersar as forças navais, já de si frágeis, em missões sem qualquer ganho estratégico ou político, deixando as forças navais norte-americanas com mão livre para actuar nas partes relevantes do globo?

Assim, se os russos têm interesse em reafirmar a sua presença naval nas Caraíbas (ainda que seja apenas uma demonstração política sem grandes consequências militares), a sugestão de empregar forças navais russas no combate à pirataria, infelizmente, não passa de demagogia sem qualquer efeito prático.

Jose Milhazes disse...

Cara Pippo, vários navios atacados por piratas são russos (com bandeiras de conveniência) ou têm tripulantes russos. Não será isso motivo para defender os cidadãos russos onde quer que estejam?

xico ribeiro disse...

Caro Sr. Milhazes, gostava que trata-se o tema que vai estar em cima da mesa brevemente e que tem a vêr com " A EUROPA AJUSTA CONTAS COM A HISTORIA DO TOTALITARISMO".

A proposta é do governo Checo, que eu apoio, e vai procurar ressuscitar um passado tenebroso que urge ser conhecido por todos em toda a sua dimensão. Estão tambem previstos, nos mesmos moldes, estudos sobre o fascismo.

"Os regimes totalitarios nazi e comunista são as principais pragas do seculo XX. A Europa tem que acertar contas com o seu passado"
Palavras de Pavel Zacek.

Dado que o Sr., tem acesso previligiado a imensa informação sobre o tema em causa, seria optimo que acompanha-se de perto esta problematica.

Oa meus agradecimentos.
Continue a escrever com a liberdade que o caracteriza.

Jose Milhazes disse...

Caro Xico Ribeiro, estou a par desse projecto e apoio-o completamente. É necessário, de uma vez por todas, estudar a fundo a segunda ideologia totalitária, em todos os seus aspectos, para que as pessoas compreendam do que se tratou. O que foi feito em relação ao fascismo, deu bons resultados.

Pippo disse...

Aquestão, JM, é que para actuar convenientemente contra a pirataria é preciso não só dispôr de uma boa armada como é imperativo actuar num mofo anfíbio. Passo a explicar:
A primeira operação anti-pirática de que conheço foi a protagonizada pelo Pompeu Magno contra os piratas da Cilícia. Ele destruiu-lhes as esquadras e assaltou os seus redutos costeiros, massacrando uns e deslocando outros para zonas inócuas.
Séculos mais tarde, as inúmeras operações contra a pirataria berberesca impuseram, não só a vigilância marítima mas também o assalto a Tunes, Argel, Casablanca, etc.
De igual modo, as operações anti-piráticas nas Antilhas e Caraíbas também obrigaram espanhóis, ingleses e franceses a atacar postos de piratas, bucaneiros e flibusteiros como a Tortuga, Haiti, etc.

Actualmente, as marinhas indonésia e malaia actuam em conjunto para debelar a pirataria nos Estreitos de Malaca e Lombok. Tais operções, se não estou em erro, permitem a um navio indonésio fazer uma perseguição e entrar nas águas territoriais malaias e vice-versa, sendo que as autoridades actuam depois ao nível terrestre destruindo a base pirata, os seus navios, etc.. Em todo o caso, é uma actuação baseada em acordos internacionais e tem um carácter de continuidade, de longo prazo, pois implica uma actuação militar, policial e social, de reconversão da actividade criminosa em actividade pacífica através da requalificação social e profissional das populações-alvo.

Ora, a sua proposta pressupõe um tipo de operações que não só pode violar o DI como, para além disso, implica uma presença naval a longo prazo e o destacamento de unidades de desemarque prontas a actuar em território estrangeiro.

Assim, para actuar no Mar Vermelho, a Armada Russa precisaria, em primero lugar, de destacar em permanência uma meia-dúzia de vasos de guerra, a fim de cobrir toda a zona (e isto é oneroso); de uma base local (pois é logísticamente oneroso fazer depender todos os abastecimentos à esquadra da chegada de um navio de apoio vindo de Sevastopol); e de um destacamento de fuzileiros mandatados para intervir e destruir bases locais de piratas.
Por fazer ficaria o trabalho sócio-económico pelo que a pirataria voltaria, maiscedo ou mais tarde.

Ora, em termos geo-estratégicos, acha que os EUA iriam permitir a presença russa no Mar Vermelho/Índico? Acha que os EUA veriam com naturalidade o estabelecimento de uma nase naval russa naquelas águas?

E se o JM andou este tempo todo a falar contra a ingerência russa na Geórgia (onde os interesses russos são evidentes), o que é que diria de uma ingerência russa na Somália ou na Eritreia?

A expressão "defender os cidadãos russos onde quer que estejam" não pode ser levada ao paroxismo, pois pressupõe critérios de interesse nacional e de racionalidade. Actuar na Geórgia obedeceu a tais critérios; actuar no Mar Vermelho também não.

xico ribeiro disse...

Sr. Milhazes.

Acho estranho tamanho silencio sobre tres postes por mim aqui introduzidos.

Onde param os pertinentes defensores do socialismo real e das suas utopias?..

Jose Milhazes disse...

Caro Xico, eu também gostaria de saber

Anónimo disse...

Algumas pessoas que falam mal do nazismo e comunismo, no fundo, escondem-se atrás de mascaras....
Se olharem bem para dentro deles próprios talvez deixassem de ser tão eloquentes.
Passam a vida a identificar o mal nos outros e a procurar destruir moralmente quem pensa de maneira diferente..são a nova inquisição.
Na verdade têm uma vida, que é um vazio total,não acreditam em nada.
Estes "belos pensadores" são a pior das ameaças para a humanidade, estão a ajudar a criar a perigosa politica do pensamento unico.

Vicente.

Pippo disse...

As razões do silêncio são óbvias: o Xico insiste em não abordar a questão essencial. E como tal, é ignorado.

quink644 disse...

"Não será isso motivo para defender os cidadãos russos onde quer que estejam?"
E se for nas províncias rebeldes da Geórgia ou na própria capital?
Mais, será que a presença de navios russos nesses locais não iria fazer os da Nato deixarem de vigiar os piratas para vigiarem os russos e vice-versa?
Vou roubar-lhe a primeira parte do artigo, obviamente identificando a proveniência, pois parece-me um assunto que merece ser divulgado e tem sido muito descurado. É daquelas notícias que não gosto e que penso que ninguém deve gostar...