sexta-feira, setembro 19, 2008

União Europeia reinicia conversações com Moscovo sobre acordo estratégico em Outubro


A União Europeia recomeçará em Outubro as conversações com a Rússia sobre o novo acordo de parceria e cooperação, anunciou Fançois Fillon, primeiro-ministro francês.
“Não há razões para não recomeçar as conversações no início do próximo mês”, declarou o chefe do Governo de França, país que preside à UE, depois de conversações com o homólogo russo, Vladimir Putin.
A UE suspendeu as conversações depois da Rússia ter enviado tropas para o território da Geórgia.
“Tencionamos recomeçar as conversações só após o cumprimento do acordo Medvedev-Sarkozy”, acrescentou Fillon numa conferência de imprensa na cidade russa de Sotchi.
O novo acordo estratégico irá definir os campos de cooperação entre Moscovo e Bruxelas.
Vladimir Putin sublinhou, na mesma conferência de imprensa, que o seu país está pronto a cumprir todos os acordos.
“A Rússia, tal como os seus parceiros da União Europeia, está interessada na cooperação”, frisou.
Fillon anunciou também que o seu país irá enviar 40 observadores para as zonas georgianas adjacentes da Ossétia do Sul e da Abkházia.
“A UE decidiu enviar até 200 observadores. A França irá participar nisso e enviará cerca de 40 pessoas”, acrescentou.
O primeiro-ministro francês mostrou-se aberto quanto à continuação do diálogo sobre as divergências existentes, mas sublinhou que “a França condena o reconhecimento da independência da Abkházia e da Ossétia do Sul. Respeitamos as fronteiras de outros Estados e essas questões devem ser resolvidas ao nível de consultas internacionais”.
Putin, pelo seu lado, apelou uma vez mais aos países ocidentais que meditem sobre a arquitectura da segurança internacional.
“Todos nós precisamos de pensar sobre a mudança da arquitectura das finanças internacionais e a diversificação dos riscos. Não pode toda a economia mundial basear-se numa máquina de imprimir notas”, acrescentou.
“Ela deve ser analisada muito atentamente, sem qualquer pressa, calmamente com os nossos colegas europeus, americanos”, frisou.
O chefe do Governo russo deu uma nota alta aos esforços de mediação da França na crise do Cáucaso.
“A França, que preside à União Europeia, mostrou na prática que é capaz de desempenhar um papel independente e bastante visível na regularização da crise”, concluiu.

14 comentários:

xico ribeiro disse...

Fugindo ao tema, não posso deixar de reproduzir estas declarações,atuais, que deveriam ter feito pensar os dirigentes russos, sobre o apoio do facinora ortega da nicaragua.

"os tempos mudaram mas as vontades deveriam ter permanecido INTEGRAS E FIEIS aos seus principios"

Diz Ernesto Cardenal, o padre revolucionario que, durante anos, se entregou de corpo e alma à causa SANDINISTA,(chegou a ser membro do governo revol. chefiado por ortegA, EM 1979)e que agora se diz traído e perseguido. Cardenal afirma, sem papas na lingua, que na nicaragua "não há nada de revolução e sandinismo, só traições". Mais: ortega e a mulher perseguem-no,assegura o padre. Numa viagem ao Paraguai, quando da tomada de posse do ex-bispo fernando lugo, cardenal definiu ortega como "corrupto e ladrão".

Estas afirmações esclarecedoras, ofereço-as aqueles que dias atras defenderam tão vil criatura, no reconhecimento da ossetia do sul.

Wandard disse...

Para quem gosta de citar Fernando Cardenal segue abaixo uma parte de uma de suas declarações:

"Em conferência na Espanha meu irmão Ernesto dizia que o socialismo fracassou pelo que não realizou, enquanto o capitalismo fracassou pelo que tem realizado", sublinha Fernando Cardenal, considerando que nem sempre se está disposto a reconhecer a veracidade desta reflexão.



Neste momento, prossegue, no mundo existe 3 bilhões de pessoas que vivem com menos de dois dólares diários "Todos conhecemos muitas estatísticas nesse sentido sobre a situação da Nicarágua, da América Latina e do mundo intero. São cifras evidente que provam que o capitalismo tem fracassado completamente em todos os continentes"



Ele recorda que, quando caiu o Muro de Berlim, Bush pai afirmou triunfante: "apenas nós ficamos". "Foi uma grande verdade, já que tinham destruído a União Soviética. Só restava os Estados Unidos e o capitalismo", reconhece o sacerdote nicaragüense. Que afirma de imediato: "14 anos depois, o que reina no planeta é a guerra, a fome, a desnutrição e a miséria. Três bilhões de pessoas vivem (ou padecem) na pobreza extrema. Isso não é culpa dos soviéticos, regime que ruiu. Somente eles ficaram, os capitalistas. É sua responsabilidade". Precisamente por tudo isso, apesar "da confusão e do desalento, é mais do que nunca a hora da utopia, dos sonhos. Daí se percebe o valor emblemático de comemorar a Cruzada de Alfabetização de 80, uma utopia tornada realidade".

Pippo disse...

Segundo o que me foi confidenciado por um diplomata russo aqui em Lisboa, a "zanga" que houve entre Bruxelas e Moscovo foi apenas para pacóvio ver. Na realidade, nada mudou nas relações entre a UE e a Rússia.

Anónimo disse...

O socialismo fracassou e fracassará sempre porque não tem um tipo de "motor" poderoso que o capitalismo tem em relação ao lucro. Será sempre uma utopia se não achar um meio que possa de alguma forma combater o capitalismo de igual.

Só a retórica revolucionária não funciona a longo prazo. Como aconteceu na URSS e o Leste Europeu, que na década de 80 já estavam dando sinais de fracasso em comparação ao Ocidente.


soares

Anónimo disse...

a Rússia, seja como ditadura socialista, ditadura máfio-capitalista ou oligarquia pós-bolchevique, jamais será ‘amiga’ dos Estados Unidos ou Europa.

anrafel

Wandard disse...

Os Estados Unidos não tem amigos, tem credores, subservientes e opositores. Os que a ele se opoem pelo menos tem personalidade, aos que são subservientes e concordantes com sua política, falta-lhes coragem e têm de sobra uma revelada fraqueza.

Anónimo disse...

anti-americanismo idiota

tsc tsc tsc

sérgio disse...

Caro Wandard, um reparo se me permite ao seu comentário. Os EUA apesar dos defeitos que têm e que todos reconhecemos, têm amigos, a Europa é aliada e parceira fundamental dos EUA. Aqueles que dizem que os EUA têm bases nos países Europeus, e que têm uma posição de dominio em relação aos Europeus, contraponho que por comodismo ou por falta de vontade e capacidade, os Europeus demitiram-se é verdade de muitas responsabilidades durante anos, deixando-as para os EUA, mas se calhar está na hora de mudar isso, até porque os EUA já começam a apresentar um sinal de fadiga e desgaste. É claro que os EUA como potencia hegemonica durante os anos mais recentes cometeram muitos erros, se já os cometia antes, o que esperar quando se tem a sensação de que se é dono do mundo, mas pergunto-me, se quando o actual Bush ganhou as eleições, se as tivesse perdido para AL Gore, será que as coisas teriam sido diferentes. O que quero dizer é que mais do que bons ou maus países, bons ou maus sistemas, há as pessoas que estão na frente de um país ou sistema, e imprimem-lhe aquilo que são as suas ideias ou as de certos grupos de que dependem, para o melhor ou pior. Depois temos os interesses, que todos os países têm e irão defender quer sejam os EUA ou a Rússia. Aqui a minha visão sobre este assunto é de que os interesses da UE têm coincidido em muitos aspectos com os dos EUA, e se calhar no futuro cada vez mais se assista a um reforço dos laços de cooperação entre ambos. Espero que seja possivel haver esse tipo de cooperação com a Rússia, e que esta se mentalize que apesar da UE ser um aliado próximo dos EUA, não significa automaticamente que esteja contra ela. Mas esta ideia talvez se reforce á medida que a UE vá reforçando a sua voz no plano Internacional. Depois penso que tanto os EUA como a Rússia têm muito a aprender com a UE, os EUA apesar do formidável sistema capitalista que implementaram, apresenta defeitos preocupantes, quer sejam os sinais de crise e instabilidade que surgiram agora e afectam o mundo todo, quer as falhas que são conhecidas na parte social, só a titulo de exemplo, como é possivel não prestar apoio médico a uma pessoa porque não tem seguro e não está assegurado um sistema nacional de saúde como existe na maioria dos países da UE. A Europa tem aqui um papel fundamental de modelo a seguir, e não deve demitir-se dessas funções, nem deve recuar nas suas convicções quando elas mais serão necessárias. A Rússia deve ser levada a uma maior integração com a UE e se calhar também fazer sentir-lhe que o modelo capitalista que com tanto entusiasmo abraçaram tem um preço a pagar, se não forem assegurados certos direitos sociais á população, direitos que devem ser assegurados pelo Estado. Para que não haja dúvidas considero que o capitalismo é sem dúvida a melhor forma de organização económica de qualquer sociedade, mas os seus erros têm que ser corrigidos, e isso cabe ao Estado ao prestar certos serviços que têm sempre de ser assegurados, sob pena de assistirmos a situações muito degradantes para a pessoa humana. No fundo como tudo na vida, é preciso encontrar o meio termo ou o equilibrio. A UE terá um papel fundamental neste sec. XXI, e na minha perspectiva só ela e através será possivel fazer uma integração desse dois grandes países como os EUA e a Rússia, levando-os se for bem sucedida, a podermos todos trabalhar em conjunto. Será uma utopia uma integração maior entre os EUA, UE e Rússia? Qual será a opção Russa, entre uma maior integração com o Ocidente, ou se pelo contrário com a alternativa Asiática? Perguntas que deixo para reflexão de cada um, e talvez uma resposta por parte do pippo, já que anda tão bem relacionado com a diplomacia Russa.

Wandard disse...

Sérgio, respeito bastante o seu comentário e até concordo quanto "a amizade que os Estados Unidos possuem com a Europa", mas assim com você colocou, esta amizade está relacionada aos interesses mútuos econômicos e militares, os Estados Unidos foram amigos de diversas nações se é que podemos entender por amizade a troca de interesses, pois bem é assim que o mundo funciona. O Irã foi um grande aliado dos Estados Unidos e um grande amigo no período de Reza Pahlavi, após a revolução Islâmica dexou de ser e se tornou um feroz opositor. E porque a amizade acabou, porque os interesses Iranianos passaram a se contrapor ao dos Americanos. Por interesses econômicos e territoriais ocorreu a Primeira Guerra, a Rússia ainda não era comunista e os regimes imperiais ainda dominavam a europa, mesmo assim as potências Europeias procuravam mantê-la afastada e isolada, na Segunda Guerra não foi diferente, pois Inglaterra e França decidiram o destino da Tchecoslováquia sem se importar com a posição Russa. A política de exclusão não é Russa e não é recente. O certo é que cada nação e cada continente quer enxergar somente os seus interesses, agora sejamos sinceros, a Alemanha se sente confortável com sessenta e quatro anos de ocupação? O Japão? A Itália? E Cuba com a base de Guantanamo? Porque fora da Europa e em países como Cuba e Nicarágua por exemplo os Estados Unidos são odiados? O Governo Brasileiro já pediu a saída dos Estados Unidos de Alcântara, no
Estado do Maranhão mas eles não vão se retirar, o povo Brasileiro não gosta da presença Americana em seu território, não foi uma opção, não foi pedido, foi forçado. Quanto à política de Al Gore, talvez fosse mais moderada ou mais equilibrada, pois nenhum presidente Americano vai deixar de defender os interesses de seu país é claro, mas provavelmente não haveria chegado ao desatino de Bush. A União Européia não se demitiu por opção, mas sim por condição do pós-guerra, pois as tropas Americanas nunca mais se retiraram e a interdependência se tornou corrente, poucos países mantiveram sua personalidade ou sua neutralidade como a França, Suécia, Suíça, Finlandia e Austria por exemplo. Não sou antiamericano nem muito menos idiota como comentou um leitor anonimo, tenho amigos e parentes residentes nos Estados Unidos e um dos meus melhores amigos é Americano e Diplomata. Como já comentei outras vezes a Europa tem de rever seus conceitos, muitos erros quanto ao posicionamento de seus líderes resultou em duas guerras mundiais, uma grande prova de indepand~encia da Europa seria se as solicitações de retiradas de bases americanas fossem atendidas como alguns países já manifestaram, e uma grande prova da democracia e liberdade que estes tanto pregam, seria se atendessem, ou melhor que tivessem esta iniciativa.

MSantos disse...

Caros Sérgio e Wandard, os meus parabéns aos dois. Apesar da vossa discordância de opiniões, conseguem manter uma discussão cordial, respeitosa, fundamentada em dados, o que é um exemplo para todos os participantes deste blog, ao contrário de algumas pessoas que infelizmente catalogam quem pensa de forma difrente delas, de idiota e imbecil para baixo, muitas vezes sem fundamentarem decentemente o seu ponto de vista, reflectindo puro extremismo. Permitam-me adicionar o meu ponto de vista: identifico as últimas barbáries da política americana, não com essa gloriosa e grande nação que são os EUA, mas sim com esta administração (são coisas bem diferentes). Penso que a verdadeira amizade entre EUA e UE existiu até mais ou menos 1990, em que a facção ultra-conservadora norte-americana começou a ganhar força, apoiada no colapso da URSS. Neste momento, os líderes europeus têm de alinhar pela política de Washigton. Um exemplo disto, aconteceu no ínicio da invasão do Iraque em 2003, quando a França e alemanha se opuseram. Lembram-se como foram tratadas? Pois bem, a administração Bush conseguiu empandeirar a "velha europa", conseguiu também impor o liberalismo económico puro e duro, além do cerco que desenhou á Rússia. Todos os acontecimentos mundias, presentes e negativos estão a reflectir anos e anos destas políticas. Conclusão: o capitalismo é muito benéfico quando serve o homem, e não o contrário. Para finalizar, aquele paraíso dos trabalhadores, idealizado por Marx, onde cada cidadão podia realizar o seu potencial em pleno (lembram-se?) efectivamente existiu. Existe ainda nos países nórdicos, estes sim deveriam ser o modelo para todo o mundo dado conciliarem capitalismo, liberalismo, controlo estatal, políticas sociais, os 3 pilares básicos do estado: saúde, educação e sistema de justiça. Já vos deixo muito para reflectir.

Cordialmente
Manuel Santos

Pippo disse...

Sérgio, acho que a sua questão é bastante complexa e prende-se mais com a futurologia do que com a análise política. Em boa parte, a resposta depende das características sociais e políticas da UE e dos países que a constituem, mais do que da Rússia e os EUA. O que vou escrever não vale de grande coisa, mas quem escreve às 02.00h merece certamente algum desconto.

A UE tem características que a condicionam e a condicionarão no futuro, dos quais saliento a demografia catastrófica; a dependência energética; a falta de sentimento de unidade e de identidade entre os EU-ropeus; a falta de capacidade psicológica para se afirmar politica e militarmente face aos demais; o Humanismo militante (que a condiciona na pol. ex. e no campo militar) e o modelo social europeu (incapaz de concorrer com o "regabofe social" asiático e mesmo norte americano, que torna a produção mais barata).

Contudo, apesar das fraquezas da UE, ela vai continuar a ser o modelo em termos de democracia e sistema social, pelo menos na Europa. À medida que a interdependência económica crescer, é muito provável que se assista à natural aproximação entre os povos que partilham uma cultura semelhante, afim, cujo padrão fundador é comum.

Ora, esta questão identitária, que para mim é básica pois é ela, e não outra, que determina o sentimento de unidade europeia e mesmo transatlântica (quantas vezes não usamos caricaturas e arquétipos para diferenciar a cultura norte-americana da nossa?),
é, aliada à demografia, a questão fundamental para o futuro da Europa, não apenas da EU-ropa mas da Europa como um todo.
Enquanto não formos capazes de afirmar, sem complexos, as bases da cultura, da Civilização Europeia, enquanto não formos capazes de o fazer, não poderemos atingir qualquer tipo de unidade ao nível do sentimento das populações.
Continuará assim a haver somente interesses (porque na política, quer interna quer internacional, não há "amigos" mas sim "parceiros") e os países prosseguirão as suas políticas nacionais díspares.

Contudo, devido aos interesses e, penso eu, devido à inevitável reafirmação da cultura europeia ao nível dos povos que partilham de uma identidade afim, averá certamente uma aproximação entre as nações, de Anchorage a Vladivostok.

sérgio disse...

Caro pippo, obrigado pela sua resposta ainda que ás 2 da manha. Não concordo consigo num aspecto, a de que o modelo social Europeu não é competitivo com o Americano ou o Asiático. Os Americanos há muito que consomem mais do que produzem e os problemas que surgiram recentemente, certamente que os farão repensar no papel da intervenção do estado na economia, pelo menos com um maior intervenção na regulação e fiscalização dos mercados. Se o Obama ganhar as eleições quem sabe se não assistiremos a mudanças mais significativas. Em relação ao modelo Asiático, é certo que não conseguimos competir com um modelo assente no mais baixo custo da mão de obra do planeta, mas mesmo aí já se fazem sentir mudanças, ao melhorar as condições de vida das populações e ao existir um aumento salarial ainda que muito baixo para os nossos padrões. Depois por outro lado existem todos os problemas ambientais, sociais e a própria matriz do seu desenvolvimento que eu penso que nenhum país Europeu quer para si. Como disse o Durão Barroso, apesar de tudo, é preferivel os nossos problemas (UE) do que se tivessemos de resolver como os dos outros. Quanto ao facto da UE ser um exemplo para a Europa, eu acrescentaria, que o é também para a India, para a América do Sul, para África. Será por causa disso que nos deveremos considerar a elite do mundo com complexos de iluminados que veem mais do que os outros, não, não me parece. Orgulho pelo trabalho que já está feito e a humildade para reconhecer que ainda falta fazer muito, certos que se outros países querem copiar o exemplo da UE, por alguma razão será. Concordo com a opinião do Manuel Santos, que mesmo dentro da UE temos um modelo a seguir pelos resultados apresentados, os dos países nórdicos, que se encontram entre os países mais desenvolvidos do mundo e conseguiram-no fazer conciliando capitalismo com a protecção social que todos ambicionamos. Para o Wandard uma palavra de apreço e que não ligue a quem não sabe o que diz, veja o que o nosso caro Zé Milhazes tem que enfrentar aqui diariamente, e a quantidade de comentários removidos, a natureza humana infelizmente também têm essa faceta, poderemos tentar fazer alguma coisa relativamente a isso, mas nunca deixará de fazer parte de nós. Um abraço para todos.

Pippo disse...

Amigo Sérgio, espero, muito sinceramente, que os norte-americanos pensem no papel do Estado na economia e abandonem o modelo liberal que os está a conduzir para uma espiral descendente em termos económicos e sociais. Contudo, se fosse a si, não depositaria muitas esperanças no amigo Obama. É que o facto dele ser mulato e Democrata não quer dizer asim tanto, pois as "policies" norte-americanas são permanentes e pouco, muito pouco, muda de Administração para Administração. Isto é, a não ser que se assista a um Crash como o de '29... aí voltaremos ao New Deal.

Quanto ao modelo social da UE, o facto é que estamos a ter os problemas que temos devido à concorrência quase desleal que enfrentamos dos países asiáticos. Não sei, no entanto, se estes países melhorarão o seu nível ao ponto de se equipararem a nós. Quanto a isso tenho muits dúvidas. Leia um comentário que escrevi algures sobre a China onde digo que o país "sofre gravíssimos problemas ambientais (...) e sociais, com a incapacidae do país em alimentar 20% da população mundial com apenas 8% dos solos aráveis, ou com a incapacidade em crescer a ponto de elevar mais do que 300 mi de habitantes a um nível de classe média. As assimetrias sociais crescem a um ritmo alucinante, e há revoltas constantes de camponeses as quais raramente são noticiadas (...)".

Ora, se estas assimetrias podem criar graves problemas de desenvolvimento, também é verdade que podem ser exploradas o tempo suficiente para acabarem com a nossa economia. Aliás, se olhar à sua volta verá como o nosso nível de segurança social e económica está a descer a fim de nos tornarmos concorrenciais com os asiáticos. É o tradicional "nivelamento por baixo", tão do agrado do patronato e do clientes políticos...

Maquiavel disse...

Grande Manuel Santos!

É verdade, há que tempos que queria mandar a ferroada de "e todo aquele tempo os soviéticos estiveram realmente täo perto do 'paraíso dos trabalhadores'... quer-se dizer, um mais perto do que outros, mas apenas geograficamente..."

Cumprimentos de aqui do Norte!