sábado, novembro 22, 2008

Autoridades portuguesas juntam útil a agradável


A julgar pelo que escreve a imprensa russa de Sábado, as conversações de Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, com o seu homólogo português, Aníbal Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, José Sócrates, não podiam ter corrido melhor.

É verdade que não foram anunciados acordos, nem assinados documentos, pois tratava-se de uma rápida visita, mas ambas as partes manifestaram a intenção de continuar a desenvolver as boas relações existentes entre os dois países.

As razões dos russos para manterem boas relações com Portugal estão no artigo abaixo citado, que escrevi para a Agência Lusa na sexta-feira da manhã:

"O Kremlin aposta nas relações com Portugal, considerando-o um parceiro importante nas relações com a União Europeia.
“Portugal é para nós interessante como parceiro na elaboração do novo tratado de segurança europeia. Da posição de países não tendenciosos como esse depende, no fim de contas, a posição comum”, declarou aos jornalistas Serguei Prikhodko, conselheiro do Presidente russo, Dmitri Medvedev, para Assuntos Internacionais.
“No passado dia 04 de Julho, Medvedev, discursando em Berlim, avançou a ideia da elaboração de um novo tratado de segurança europeia. O Kremlin considera que ele deve conter formas novas de resolver os problemas da segurança europeia, tendo em conta a ineficácia da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e a impotência da NATO”, recorda a agência russa RIA-Novosti.
“Esperamos abordar esse tema, bem como a interacção na esfera dos órgãos de segurança. É possível que haja também uma breve troca de opiniões sobre a situação nos mercados financeiros tendo em conta a cimeira dos G-20”, acrescentou Prikhodko.
Serguei Markov, politógo e deputado da Rússia Unida na Duma (câmara baixa) do Parlamento russo, sublinha que “a visita a Portugal deve ser vista no contexto da política geral da Rússia face à Europa, à União Europeia. A Rússia procura solo para edificar relações construtivas com uma série de Estados europeus. Precisamos de aliados em diferentes campos”".

É de sublinhar também que esta visita de Medvedev a Portugal serviu para fazer publicidade aos bons hotéis e restaurantes existentes em Portugal, neste caso, o Hotel do Guincho. Praticamente todos os órgãos de informação russos que noticiaram a visita (como devem imaginar, são muitos), chamaram a atenção para o facto de o encontro com as autoridades portuguesas ter tido lugar "numa fortaleza restaurada e transformada num belo hotel".

Como também não podia deixar de ser, a imprensa sublinhou a beleza do local onde se encontra o hotel e a sua vizinhança com o Cabo da Roca.

As autoridades portuguesas juntaram o útil ao agradável: não se reuniram em Lisboa, mas levaram a comitiva russa para o Guincho, fazendo assim, consciente ou inconscientemente, publicidades das belezas de Portugal.

6 comentários:

Sérgio disse...

Afinal também sabemos jogar o jogo.

Jose Milhazes disse...

Caro Sérgio, pelos vistos...

Gilberto Mucio disse...

Boa iniciativa. Belíssimo hotel e belíssima paisgem.

E quanto melhores as relaçoes entre Rússia e Portugal, de uma forma ou de outra, mesmo que indiretamente, nos beneficia. Faço votos...

A língua é uma coisa seríssima.

Bom também para mim, que ensino portugues aos russos. :-)

Espaço Democrático de Debates disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Espaço Democrático de Debates disse...

Caro José Mulhazes,
No contexto do novo Plano Estratégico de Defesa Nacional brasileiro a questão da absorção de tecnologias através da parceria com empresas de países aliados do Brasil,é ponto extremamente relevante no âmbito das compras militares que o país fará nos proximos anos.O Brasil está siposta a gastar 60 bilhões de Euros para reerguer seu Parque indústrial bélico.Nesse sentido,já foi acertado a compra de 3 submarinos Scorpé francês,que transmitirá ao Brasil a tecnologia do casco do dessa belonava,já que o país já dispõe da tecnologia de reatores nuclares,e o estado brasileiro definiu que teremos 10 submarinos nucleares no horizonte de 2032.Nesse sentido,a Rússia ofereceu ao Brasil parceria na construção do novo projeto de caça multifuncional de 5º geração,conhecido provisóriamente como PAK-FA-T50,equivalente ao F-35 dos Estados Unidos.Outrossim,se os russos não fornecerem as tecnologias que o Brsil demanda,outros o farão,como os Franceses,os suecos ou até mesmo os Estados Unidos,através do F-18 da Boeing.Nesse sentido é notório que o Brasil possuí uma indústria Aerospacial pujante e relevante,no caso a Embraer(que é sócia da Ogma em Portugal) e os russos são nossos competidores,pois eles estão projetante o Russian Regional Jet(RRJ),que competirá contra a Embraer num mercado em que dominamos a duras pens,através da nossa competência e tecnologias.E de certo,não abriremos mão disso.Então,se os Russos desejam vender algo ao Brasil,sem transferência de Tecnologias,eles não lograrão êxito.

Jose Milhazes disse...

Caro Thiago, quanto ao Superjet-100, os brasileiros que não fiquem preocupados, porque este avião ainda vai demorar uns abos a nascer. Neste momento, existe apenas um exemplar e não se sabe quando virão os outros aparelhos em série. Penso que antes de 2010 não vale a pena esperar. Além disso, o Superjet-100 é, no fundo, a montagem na Rússia de componentes fabricados em França, Itália, etc.
Quanto à troca de tecnologias, estou de acordo consigo, mas os russos receiam que vocês comecem a produzir sozinhos e os deixem a "olhar para o balão", que é o que a China faz muitas vezes. Claro que isso acontece, porque as indústrias chinesa ou brasileira são muito mais maleáveis do que a russa.