quinta-feira, novembro 20, 2008

Igreja Ortodoxa propõe criação de milícias populares para manter a ordem no país



Vsevolod Tchaplin (na foto), vice-presidente da Secção Internacional da Igreja Ortodoxa Russa, defendeu hoje a criação de milícias populares ortodoxas para manter a ordem no país.
“Há muitas pessoas e grupos que hoje escravizam a vida da rua, do bairro, da cidade pequena, da vila. As milícias ortodoxas poderão impôr a ordem no seus locais de residência e, através disso, impôr a ordem em toda a Rússia”, declarou o sacerdote em declarações à rádio Radonej.
“Se o povo chamar a si parcialmente isso, a ordem será imposta mais rapidamente. Hoje, a Rússia necessita muito disso”, sublinhou.
Esta proposta foi mal recebida pelas organizações de defesa dos direitos humanos.
“Criar semelhantes milícias significa reconhecer que os órgãos de segurança renunciam a manter a ordem nas ruas”, declarou Lev Ponomariov, dirigente da organização Pelos Direitos Humanos, à agência Interfax.
Segundo ele, “é preocupante que as conversas sobre a criação de mílicias ortodoxas não provoquem a reacção dos órgãos do poder”.
“Nesse caso será melhor criar milícias populares budistas. Elas são mais pacíficas e muito simpáticas”, ironizou Svetlana Gannuchkina, dirigente do comité Acção Cívica.
A proposta da Igreja Ortodoxa foi bem recebida pela organização nacionalista Movimento contra Imigração Clandestina.
“É iniciativa é boa, mas porque não? Não tem sentido aumentar infinitamente os quadros da polícia”, sublinhou Alexandre Belov, dirigente desse movimento xenófobo.
Porém, Belov considera que, tendo em conta o pouco número de russos que frequentam os templos ortodoxos, a Igreja Ortodoxa Russa terá dificuldades em reunir milícias.
“Duvido, mas a proposta é boa em si”, concluiu.

20 comentários:

eleutério disse...

Tal como no Ocidente (em muitos países, da Alemanha à Polónia) a igreja e a orientação religiosa são sinónimo de nacionalidade, na Russia a ortodoxia em relação ao cristianismo é isso mesmo, nacionalidade e identidade cultural. Tal como o é na Grécia, ou na Bulgária, ou na Sérvia.
É com esta cultura que temos de contar, se nos interessarmos genuinamente por esse povo, sem tretas ideológicas.
Entendo,, mas irrealisável... (digo eu).

Sérgio disse...

Bem é uma boa forma de adquirir mais poder sobre o servo povo.

eleutério disse...

É difícil de responder, Sergio. Um povo e uma cultura que ainda é tsariana e idolatra quem lhe é semelhante.
Um povo e cultura que se revê continua mente na paixão de cristo, subida, sacrificico e morte ao monte Calvário.
Um povo que revive sofrimento e cuja história está escrita sob milhões de cadáveres.
É uma identidade, um imperialismo, uma maneira de subjugar ou ser subjugado.

Por outro lado um povo inteligente, com uma cultura técnica acima do normal, que fundou uma industria atomica 2 gerações depois de sair de um sistema feudal.
É dificil julgar assim....

Anónimo disse...

Nimguem fala no contributo dos cientistas alemães (no fim da 2 guerra)para esse desenvolvimento cientifico e industrial.

eleutério disse...

Sem dúvida que os alemães contribuiram, mas desconheço qual a extensão do seu contributo. No domónio técnico, matemática e física, os russos não devem nada a ninguém.
Muitos revolucionários russos de 1917 tinham ascendência judaica, talvez o mais famosos fosse Trotsky, um dos grandes estrategas militares da altura.
Mas se houve quem beneficiasse ainda mais com a importação de cérebros, foram sem sombra de duvida os EUA. Ainda hoje o fazem.

Maquiavel disse...

Tsiolkovsky é considerado por muitos historiadores, como sendo o "pai da astronáutica", e era bem russo.

Mas relativamente à notícia, é bem triste. Eles podem propor, assim como os "gangues" podem propor o mesmo. Interessante é a conexäo entre este grupo da Igreja Ortodoxa e os neo-nazis (mais ou menos disfarçados). Ou se calhar até nem é de espantar, veja-se que a partiçäo e guerra(s) da Jugoslávia foram atiçadas pelas diferentes igrejas no terreno.

Enquanto a Humanidade näo meter as igrejas no seu devido lugar (esfera pessoal) nunca se libertará.

Por isso é que eu sou ateu... graças a deus!

Anónimo disse...

Quando é que vão separar o socialismo nazi(partido nacional socialista dos trabalhadores)da direita conservadora,nacional e patriótica?!

Anónimo disse...

Essa propaganda permanente de que quem defende valores patrioticos é suspeito de ser nazi é intelectualmente desonesta.

Pippo disse...

A ideia de se criarem milícias populares vai contra a ideia do Estado soberano.
Contudo, devidamente enquadradas num sistema legal e sob controlo técnico da Milícia (polícia), a ideia até pode nem ser muito má. Até é possível que a própria Igreja se encaregue da acção social, tomando conta dos putos sem-abrigo, dos bêbados, etc. É que, se na sua origem, a palavra "Milícia" vem de "miles"(soldado), o facto é que o serviço de "Polícia" implica a acção em prol, não só da segurança, mas também do funcionamento da Polis (cidade).

Não encontrei no texto qualquer ideia de conecção entre a Igreja e grupos xenófobos, tal como foi avançado nalguns dos comentários. Houve um grupo xenófobo que aprovou a ideia, mais nada.

E também concordo que a ideia de associação automática nacionalismo/identitarismo=nazismo é abusiva e intelectualmente desonesta.

Jest nas Wielu disse...

O humorista russo Shenderovich já tinha proposto de rebaptizar o dia da “Unidade Nacional” no “Dia de Skinhead”, outros estão propondo a criação das milícias populares muçulmanas (ver se as mulheres se vestem “decentemente”), milícias judaicas (testar se a shaverma ou bliny são kosher ou não), além das possíveis milícias dos “Adventistas do sétimo dia”, “Evangélicos Cristãos Baptistas”, estes podem começar a caça aos “anti – cristos”, como gays, lésbicas, liberais; além de lutarem uns contra outros. Rússia poderia ganhar bom dinheiro, transformando isso num forte atractivo turístico.

Gilberto Mucio disse...

Pippo a igreja está intimamente ligada com grupos da extrema-direita.

Isso é perfeitamente observável na russkaya mersha(marcha dos grupos fascistas), na qual há participaçao de padres.

Gilberto Mucio disse...

A sobre a assossiaçao entre fascismo e nacionalismo(e nao patriotismo), eu acho uma coisa perfeitamente natural, ainda mais na Rússia.

De um modo geral, nem sempre. Mas mesmo assim a linha que separa os dois é bem tenue. Talvez visível apesas à luz de um microscópio de tonelagem quantica. hehe

Pippo disse...

Gilberto, o facto de padres participarem em marchas neonazis não pode ser uma atitude individual? Qual é a posição do alto clero ortodoxo? Qual é a posição da Igreja?

Já agora, não confundam nazismo com fascismo. São duas ideologia bem diferentes, pois uma assenta na Raça e a outra no Estado.

Gilberto Mucio disse...

Pippo,

O alto cléro, simplesmente e sinicamente não se manifesta. Faz "vista grossa". Mesmo quando aparece para os quatro quantos do mundo ver, padres fazendo saudações nazista nas marchas. Nem uma notinha de reprovação num jornalzinho qualquer...

Em todo movimento de extrema-direita da Rússia é absolutamente notória participação direta de indivíduos da Igreja e, particularmente, do Patriarcado de Moscou.

Ps.:Sobre nazismo e fascismo italiano(ambas, vertentes do fascismo), a única diferença substancial é o carácter de "raça" do primeiro. Porém, ambos são fascismos(de uma forma mais abrangente).

Jest nas Wielu disse...

A proposta do Estatuto (draft) das patrulhas ortodoxas (em russo):
http://eu-shestakov.livejournal.com/267524.html

Pippo disse...

Nada disso, Gilberto, o nazismo não é uma forma de fascismo, tem uma origem completamente diferente, deriva do Völkisch austro-alemão de meados do séc. XIX e incorpora os elementos que lhe foram trazidos do Rudolf Sebodendorf, Guido (von) List, etc..
Tudo no nazismo gira à volta da noção de raça, da qual tudo o mais deriva: a cultura, o sentido de Povo (basicamente, o Völksgeist, ou Espírito do Povo, que no povo germânico é superior relativamente aos demais povos), o sentido de Nação (que é uma manifestação política e que deriva do sentido de Povo), a noção de evolução da Humanidade (tirada de Darwin) e da degeneração das raças (em parte extraída da teologia hindú), etc.
A única coisa que liga o nazismo ao fascismo é o Totalitarismo, mas se num, o Total é a raça germânica (ariana), no segundo o Total é o Estado, sendo que a raça é basicamente ignorada. Também o comunismo é um Totalitarismo em que a base assenta no Estado Socialista e, de um modo prático, na Ditadura do Proletariado.
Nada de confusões pois são coisas totalmente diferentes.
O nazismo, que pode ser (e é) aplicado por várias raças, é abjecto; o fascismo, como modelo de Estado, não é totalmente mau, passe a ausência de democracia e o seu carácter totalitário. Na Itália, até esta ser totalmente dominada pelos alemães, ninguém era preso ou morto por ser judeu, preto, branco louro de olhos azuis, etc...

Abraço

Gilberto Mucio disse...

Pippo,

Pelo menos pra mim e 99,9% dos sociólogos, politólogos, historiadores, etc... nao existe um fascismo mas "fascismos".

Fascismo não é(foi) somente o italiano.

E mesmo entre o fascismo italiano do Duce e o alemão do Führer -- na vertente alemã, popularmente conhecido por Nazismo -- excetuando-se o caráter racial do segundo, eles convergem em todas as questões substanciais:

- nacionalismo exacerbado

- Estado totalitário(partido único)

- contra a democracia

- iconografias, simbologias, etc.

- culto a personalidades

- caráter gnóstico

- caráter messianico

- idealização de um passado glorioso

- espelho nesse passado para projetar um futuro hipotético

- economia estatista nao socializante

- anti-libaralismo

- anti-comunismo e anti-socialismo

- restrição de liberdades individuais.

(etc, etc, etc)

Ou seja, é praticamente a mesma mer***.

Pippo disse...

É pá, Gilberto, visto por esse prisma, só posso responder que, tirando a parte da glorificação do passado (mas glorificando o "progresso", o qual só poderá ser atingido se se prosseguir a via delimitada pelo Partido); da gnose (que só existia no nazismo) e do anti-socialismo, o Comunismo é uma forma de fascismo. Ora vejamos:

- progressismo exacerbado
- Estado totalitário(partido único)
- contra a democracia
- iconografias, simbologias, etc.
- culto a personalidades
- caráter messianico (o Grande Líder levar-nos-á à glória revolucionária, etc.)
- idealização de um futuro glorioso
- economia estatizada anti-propriedade privada
- anti-liberalismo
- restrição de liberdades individuais.
(etc, etc, etc)

Ou seja, é praticamente a mesma mer*** (e é!).

Abraço,

Gilberto Mucio disse...

Mas, Pippo, na verdade, voce está falando de stalinismo.

E realmente num regime stalinista, excetuando-se o caráter de classe, e o statismo socializante(duas caracteristicas fundamentais), o que sobra é fascismo mesmo.

O regime da China, por exemplo, nao passa de um regime fascista, na prática. De comunista só tem o nome. Assim como foi o da URSS de 1985 a 1992.

Já o comunismo(pelo menos o "utópico"), é oposto.

- progressismo exacerbado [é totalmente diferente do comunismo, pois no fascismo é na verade um "progresismo reacionário", por mais que isso pareça um oxímoro ]

- Estado totalitário(partido único)[no comunismo o partido "desaparece", alem de que o estado também]


- contra a democracia [a favor do centralismo democrático]

- iconografias, simbologias, etc.[coincide]

- culto a personalidades [definitivamente, nao é caracteristica do comunismo]

- caráter messianico [também nao é caracteristica do comunismo]

- idealização de um futuro glorioso[coincide]

- economia estatizada anti-propriedade privada[o fascismo nao é contra a propriedade privada, e é contra a luta de classes]

- anti-liberalismo[coincide]

- restrição de liberdades individuais[absolutamente nao é caracteristica do comunismo]

E ainda, o comunismo é inteiramente anti-nacionalista e internacionalista, ao contrário do fascismo.

Ou seja, totalmente diferente.

Veja que eu falo da doutrina, em si, e nao do que foi "aplicado" na URSS e demais regimes que se auto-denomiraram comunistas.

Pippo disse...

Ah, mas não pode falar da doutrina "de per si". Isso é verdadeiramemnte utópico e portanto, como a palavra indica, não tem lugar.
O que temos de examinar é a teoria posta na prática. e sob este ponto de vista, as diferenças substanciais entre comunismo e fascismo esbatem-se.

Ainda gostaria de acrescentar que, por exemplo na Estética e nas Artes, o nazismo e o Fascismo são muito diferentes.
Enquanto que na Itália fascista (e no Portugal do Estado Novo) se apoiavam os artistas e as inovações estéticas (futurismo, etc), sem se restringirem as liberdades artísticas, na Alemanha nazi, pelo contrário, houve uma "germanização da Arte" similar ao "realismo socialista", ou seja, os artistas tinham de pintar o que o Poder lhes mandava, dentro de um estilo oficial baseado no classissismo e no ideal de Homem Germânico (era estilo bastante monótono, por sinal), e todos os outros criadores foram classificados como Entartete künstler (artistas degenerados).

Claro que como em todos os casos de totalitarismo, o ideal era a grandeza, edifícios esmagadores (o Foro Italico, ou Foro Mussolini; a Cidade Universitária em Lisboa ou a MGU são disso exemplo vivo), etc., mas havia diferenças tão substanciais que, so meu entender, não permitem afirmar que o Nazismo é uma forma de Fascismo.

Abraço,