domingo, novembro 23, 2008

Oposição liberal ao Kremlin cria nova força política


A oposição liberal ao Kremlin, que não está representada no Parlamento russo, reuniu-se hoje numa conferência para criar um novo movimento político, que se deverá chamar Solidariedade.
A realização desta conferência fez lembrar o jogo do “gato e do rato”. O local da realização da conferência era secreto para que as autoridades não conseguissem impedir a sua realização, como fizeram no passado dia 02.
Depois de várias peripécias, foi possível aos jornalistas saberem que a conferência da Solidariedade se iria realizar numa sala de um dos hotéis de Moscovo.
Mas militantes da Rússia Jovem e Jovem Guarda, organizações juvenis controladas pelo Kremlin, conseguiram também saber onde se realizava a conferência e não perderam a oportunidade de manifestar as suas posições.
Vestidos de extra-terrestres, os jovens tentaram entrar no hotel com um foguetão, ao mesmo tempo que incitavam os liberais a irem “construir a democracia para a Lua”.
Um dos jovens tentou lançar um balde de lixo contra um dos dirigentes da Solidariedade, Ilia Iachin, mas escorregou e acabou por virar o conteúdo por cima de si próprio.
Ao abrir a reunião, onde participaram cerca de 400 delegados e convidados de regiões da Rússia, Ilia Iachin declarou: “está a nascer uma força política com um programa claro, com líderes conhecidos, e que está pronta a chamar a si a respomsabilidade pelo país”.
O orador seguinte, Garri Kasparov, antigo campeão do mundo de xadrez, apelou a que os presentes analisassem os erros cometidos pelos democratas nos últimos 20 anos, sublinhando que “nos anos 90, os democratas entraram em euforia total que conduziu à actual situação catastrófica”.
“A tarefa mais importante, continuou Kasparov, consiste em restaurar um espaço político alternativo. O poder teme quando alguém vai além do sistema por ele criado. No espaço político imitativo do Kremlin não há esquerda, nem direita, nem liberais, nem nacionalistas”.
O economista Vladimir Milov, apresentou o documento “300 passos para a liberdade”, que pretende ser uma alternativa ao programa de desenvolvimento da Rússia até 2020, defendido pelo primeiro-ministro Vladimir Putin.
“Esse programa é inútil e pode ser atirado para o lixo”, frisou Milov, e acrescentou: “o poder vê-se obrigado a escrever à pressa receitas para a saída da crise”.
Entre os delegados estavam representantes de vários partidos da ala liberal russa, bem como dirigentes de organizações não-governamentais e de defesa sos direitos humanos.
Os participantes da conferência elegeram delegados que irão, num congresso a realizar a 13 de Dezembro, constituir o novo movimento Solidariedade.
“A Rússia precisa de um movimento político como a Solidariedade dos anos 80 na Polónia”, defendeu Iachin.

10 comentários:

Nuno Bento disse...

Esta encontrado um nome interessante para uma marca de cervejas..

Espaço Democrático de Debates disse...

Caro José Milhazes,
Congratulo-o pelas excelentes notícais do seu blog.
Convido-o a confirir novas notícias sobre a visita de Dmitri Medveded ao Brasil e possíveis acordos de cooperação.
Tenha uma boa semana!é sempre ótimo ler seus textos,espero que goste dos meus!

toulixado disse...

Apenas uma achega:

Iuschenko, o herdeiro culaque anticomunista ucraniano

O presidente da Ucrânia, o anticomunista Victor Iuschenko, lançou um apelo à “comunidade internacional” para condenar os “crimes do regime soviético”. O linguajar é típico da propaganda anticomunista forjada ao longo do século 20. É o que faz Iuschenko: propaganda anticomunista falsificando dados históricos.

“Hoje, estamos unidos pela memória sobre uma das maiores catástrofes da história da humanidade e da vida da Ucrânia”, declarou Iuschenko.

A direita raivosa ucraniana, liderada por Iuschenco, fez até cerimônias “comemorativas” do que ela chamou de 75º aniversário do Holodomor - fome que teria sido criada artificialmente pelo "ditador comunista Josef Stalin" nos anos 30 do século 20 "com vista a obrigar os camponeses a aderir à coletivização".

“A fome foi escolhida como arma de submissão do povo ucraniano. O objetivo era enfraquecer a Ucrânia, minar as suas forças e, desse modo, liquidar a possibilidade do restabelecimento do Estado independente”, discursou Iuschenko.

“Foram exterminados sem piedade milhões de inocentes, metade dos quais crianças. Ao mesmo tempo, foram liquidados intelectuais, escritores, cientistas, professores, sacerdotes, todos os que pudessem contrapor a mais pequena resistência intelectual”, frisou.

Segundo Iuschenko, “o regime comunista, durante décadas, tentou matar também a memória sobre as vítimas da tragédia. Todas as recordações sobre a tragédia foram proibidas e severamente castigadas”.

“O mundo não ouviu a nossa voz, a nossa dor, o nosso grito. Recordamos com uma dor ainda maior a política da neutralidade moral e de não ingerência dos maiores países do mundo nessa altura”, declarou.

“Em nome do Estado ucraniano, apelo a todos os povos que se unam para julgar o regime totalitário comunista. Apelo a condenar quaisquer tentativas de reabilitar e justificar os crimes de Stalin e dos seus carrascos”, sublinhou.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, recusou-se a participar nas “cerimônias”.

Segundo ele, Iuschenko usa esse acontecimento com fins políticos e nacionalistas.

Além disso, Iuschenko faz propaganda anticomunista falsificando dados históricos.

A verdade é que de 1929 a 1932 foi desencadeada na União Soviética a ofensiva do “socialismo em todas as frentes”.

Era uma necessidade diante do clima de guerra que se formava na Europa com vistas a liquidar o regime socialista.

Num prazo extraordinariamente curto, a União Soviética transformou-se de um atrasado país agrário em uma potência industrial avançada.

Os êxitos do socialismo fortaleceram a capacidade defensiva do país e a sua posição internacional.

O mundo batia-se com uma crise econômica gigantesca, desencadeada com os acontecimentos de 1929 nos Estados Unidos.

Em 1932, o volume da produção industrial no mundo capitalista atingiu seu ponto mais baixo.

O desemprego era monstruoso.

A crise pôs fim à estabilidade temporária do capitalismo.

Como cosequência, em muitos países cresceu a influência dos paridos comunistas.

Era evidente a superioridade do socialismo soviético em relação às potências capitalistas.

Como resposta, uma gigantesca campanha anticomunista começou a ser orquestrada - da qual se vale ainda hoje o presidente da Ucrânia.

Além disso, uma guerra econômica foi posta em ação para isolar a União Soviética comercialmente.

Internamente, o socialismo travava outra guerra com os latifundiários - conhecidos como culaques -, a mais poderosa classe que combatia o poder soviético.

Em muitas regiões - inclusive na Ucrânia - eles preferiram destruir a produção a entregá-la ao novo poder.

Na luta que se travou, muitos deles foram expulsos de suas regiões.

No processo, métodos incorretos e ilegais foram usados pelos comunistas.

Em muitos locais, até a violência serviu de instrumento para a coletivização da agricultura.

O próprio partido comunista disse que em algumas regiões chegou a 15% o número de pessoas privadas dos direitos eleitorais e criticou severamente os desvios cometidos.

A direção comunista aprovou até uma resolução intitulada “A luta contra as deformações da linha do partido no movimento colcosiano (coletivização)”.

Com seus erros e acertos, o processo foi decisivo para a grande batalha que logo seria vencida pela União Soviética: a Segunda Guerra Mundial.

O que Iuschenko fez foi resgatar esta história com o espírito dos velhos culaques.

Fonte: Blog O Outro Lado da Notícia /Osvaldo Bertolino

Jose Milhazes disse...

Caro leitor que assina Toulixado, a argumentação apresentada por si e retirada do blog Do outro lado da notícia já é bem conhecida, só que foge sempre a algumas perguntas: quanto milhões de vidas foram sacrificadas em nome de projectos faraónicos?
Kulak não se traduz como latifundiário, como diz no texto, mas como camponês abastado, que é muito diferente. Esse texto peca por meias verdades e velhos truques.
Estaline organiza uma colectivização da agricultura, mata milhões e depois "pede desculpa" com um artigo de jornal ou um documento do partido, com o título "A cabeça anda à roda devido aos êxitos" (tradução aproximada)!
Quanto ao desvio da "linha do partido", isso faz lembrar a anedota do comunista que ia ser expulso por se desviar da linha do partido. "Eu, sempre me desviei juntamente com a linha do partido!", exclamou, mas não lhe deve ter valido de muito.

rouxinol de Bernardim disse...

É lametável que os actuais tenentes do poder reajam através de jovens afectos «`a situação»com gestos típicos de quem tem medo da «novidade»!

O «stablishment» sabe que o terreno que pisa é movediço. Daí...

Solidariedade será prelúdio de uma nova Perestroika?!

Jest nas Wielu disse...

Um grupo de neo-nazis russos (cidadãos do Israel, um dos skinheads é neto do sobrevivente do Holocausto), foram julgados em Israel por causa dos ataques contra estrangeiros, sem – abrigo, etc.

http://drugoi.livejournal.com/2772514.html

MSantos disse...

Caro Toulixado
Sobre as tendências do presidente da Ucrânia e companheiros (Bálticos, Polónias etc), isso será inquestionável (num post recente mencionei o caso de não ficar escandalizado com uma estátua de Estaline, num país de um amigalhaço).

Sobre a desculpabilização dos crimes/monstruosidades soviéticas/comunistas... bem!

Passo a informa de algumas incorreções (gritantes) dos seus pontos:

"Era uma necessidade diante do clima de guerra que se formava na Europa com vistas a liquidar o regime socialista"
- mais vale liquidarmos o nosso povo a permitir que não seja socialista.

"Num prazo extraordinariamente curto, a União Soviética transformou-se de um atrasado país agrário em uma potência industrial avançada"
- Verdade! Sem dúvida! com que custo humano? Presumo que já tenha ouvido algumas estatísticas sobre esta brutalidade, ou devo chamar-lhe aberração? Foi por estas e outras que se algo de positivo havia no comunismo, foi pelo cano abaixo.

"Os êxitos do socialismo fortaleceram a capacidade defensiva do país e a sua posição internacional"
- Sem dúvida também! Criaram tanta desconfiança com os crimes que cometeram que viraram o Ocidente contra eles e tiveram que criar a famigerada cortina de ferro.

"Com seus erros e acertos, o processo foi decisivo para a grande batalha que logo seria vencida pela União Soviética: a Segunda Guerra Mundial"
- Totalmente errado! Os Soviéticos ganharam a guerra aos alemães, apesar do regime comunista e das purgas de Estaline. Aquando da invasão alemã em 41 (salvo erro), o exército soviético estava totalmente decapitado de todos os seus valorosos e competentes líderes (todos os fracos e incompetentes receiam pessoas capazes, Estaline era um bom exemplo disso) devido ás anteriores purgas. Aconselho-o a informar-se da história do Marechal Tukachevsky e outros.

Isto foi só o que encontrei á primeira. O próprio comunismo foi morto por comunistas que não tinham qualquer ética nem ligavam a meios para atingir fins.

Os anti-comunistas primários costumam dizer que um comunista bom é um comunista morto.

Na URSS, os comunistas bons (que também os houve) eram todos mortos.

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

Correcção, Jest, russos E ucranianos:

"Judeus neonazis condenados por atacarem homossexuais, imigrantes e judeus em Israel

25.11.2008, Maria João Guimarães

Um grupo de oito jovens judeus israelitas neonazis foram condenados a penas de um a sete anos de prisão. Um deles era neto de uma sobrevivente do Holocausto

Ataques a judeus, homossexuais, imigrantes, vandalização de sinagogas com pintura de suásticas, tatuagens com referências a Hitler são actividades que podem ser levadas a cabo por grupos neonazis. O que tornou estas especialmente chocantes foi terem sido cometidas em Israel, por adolescentes que são, eles próprios, judeus - um deles era mesmo neto de uma ucraniana sobrevivente do Holocausto.
(...) Um dos detidos é neto de uma ucraniana sobrevivente do Holocausto. Na altura da detenção do grupo, a avó contou ao jornal de grande circulação Yediot Ahronot como escapou, por milagre, a uma execução em massa de famílias judias na Ucrânia, quando tinha apenas seis anos. "Os nazis dispararam contra todos os judeus que tinham juntado. Fui salva por um milagre, porque alguém caiu em cima de mim e escondeu-me. Eu sei como são os nazis, passei por isso, e o meu neto sabe isso muito bem". Nem avó nem neto foram identificados pelo jornal - na altura da detenção o neto tinha 17 anos. A avó diz que ele estava "aterrorizado" pelos neonazis e não sabia "como sair" do grupo.
(...)
Na década de 1990, Israel recebeu mais de um milhão de imigrantes dos países da União Soviética. (...)
Muitos imigrantes da ex-URSS conseguiram ter sucesso em Israel - como o líder do partido russófono Avigdor Lieberman, que foi vice-primeiro-ministro de Outubro de 2006 até Janeiro de 2008, e há muitos destes imigrantes em lugares de topo em áreas da música ao Exército. Mas muitos outros foram relegados para trabalhos mal pagos, apesar das suas qualificações, notava a revista norte-americana Time, na altura da detenção do grupo no ano passado."

Pois é, Jestunga, Jestunga, seu malandrete, bem que tenta associar os russos aos neonazis, mas acaba sempre por ser apanhado na curva :o)

Pippo disse...

Já que falamos em liberdade de expressão, parece que houve problemas na comissão parlamentar de inquérito georgiana que lida com a guerra russo-georgiana.

Quando o ex-embaixador georgiano em Moscovo, Erosi Kitsmarishvili, afirmou perante a comissão que recebera informações de "altos responsáveis georgianos" que Tbilisi estava a preparar um "assalto militar" à Ossetia do Sul, Givi Targamadze - um membro da Comissão e membro do partido de Saakashvili - atirou uma caneta ao ex-embaixador e teve de ser fisicamente impedido quando se atirou a ele.

http://www.nytimes.com/reuters/world/international-us-georgia-commission.html

Pippo disse...

Não tem nada a ver mas provavelmente interessa aos nossos leitores.

Fotos dos navios de guerra russos que aportaram em La Guaira, Venezuela, ontem:

http://www.militaryphotos.net/forums/showthread.php?t=146774