sexta-feira, dezembro 26, 2008

Livre da tropa apenas por 200 euros


O Parlamento da Quirguízia, país da Ásia Central, aprovou hoje um projecto-lei que permite aos homens não cumprirem o serviço militar a troco do pagamento de 200 euros.
Os que não podem cumprir o serviço militar activo por alguma razão: estudantes, candidatos a doutor, representantes de profissões específicas, ou simplesmente quem não o quer cumprir poderão receber instrução militar durante um mês num centro de formação”, explicou Batikbek Kaliiev, ministro da Defesa quirguize ao apresentar o projecto-lei.
Aqueles que não desejarem mesmo “fazer a tropa”, pagam 12 000 soms, cerca de 200 euros, e podem ir à sua vidinha. Segundo o Governo quirguize, esta medida tem como primeiro objectivo a passagem a umas forças armadas de reserva. Isso explica-se também pela situação demográfica no país, onde o número de jovens ultrapassa em muito as necessidades em soldados.
Além disso, a Quirguízia é um dos países mais pobres não só da Ásia Central e se o dinheiro não desaparecer na “areia da corrupção”, poderá ser uma boa ajuda para manter as forças armadas. Um artigo do citado projecto-lei, que autoriza as forças armadas a prestar apoio à polícia na manutenção da ordem pública suscitou acesos debates no Parlamento. A oposição considera que essa disposição permitirá às forças armadas “ingerir-se nos assuntos internos e na regularização de conflitos internos, o que contradiz a Constituição”.
Na Geórgia, um cidadão que não queira cumprir o serviço militar pode fazê-lo legalmente se pagar o equivalente a cerca de 800 euros. Na Rússia, não há taxas legais, mas, frequentemente, recorre-se ao suborno dos chefes dos centros de recrutamento.

11 comentários:

Afonso Henriques disse...

José Milhazes, não me leve a mal mas creio que em Portugal agora diz-se Quiriguistão e Quirigue.

Jose Milhazes disse...

Leitor Afonso Henriques, quem é que decidiu mudar o nome ao país? Se existisse uma academia de língua portuguesa que funcionasse como a espanhola, então determinaria a forma correcta, como não há, existem diversas formas de escrever. Quer outro exemplo, porque é que, de repente, se deixou de dizer Moldávia e se passou a dizer Moldova? Eu continuo a seguir a tradição e escrevo Moldávia e moldávios e não moldovos.
Se existir uma instituição científica que defina a forma como deve ser escrita ou traduzida uma certa palavra, eu serei o primeiro a obedecer.

Gilberto Mucio disse...

"Moldova" também não me entra de jeito nenhum. Só falo "Moldávia" e pronto.

MSantos disse...

Melhor só a Sildávia, esse mítico país dos maravilhosos livros do Tintim, que deveria ser algures ao pé da Macedónia.

Tinham também outro inexistente, que era o inimigo, a Bordúria, que tinha um ditador com uns grandes bigodes bem ao estilo Estaline.

:o)

Cumpts
Manuel Santos

Afonso Henriques disse...

Tudo bem senhor José Milhazes. Diga o que quiser!

E já agora, "Moldova" é um estrangeirismo, do Inglês, "Molodova". Em Português é Moldávia. Que em Latim seria algo como "terra de Mold".

Agora veja lá, nã comece a dizer Irã e Palestinos... só queria ajudar, visto que o senhor passa tanto tempo sem contacto com a língua Portuguesa.

Jose Milhazes disse...

Leitor Afonso Henriques, não se preocupe comigo. Em Moscovo, falo todos os dias português. E não preciso de falar só comigo.

francisco disse...

Para não haver zangas.

Vou assinar Francisco filho do pai e da mãe.

Hugo Albuquerque disse...

"Quiriguistão" ou "Quirigue" dói até nos ouvidos; acho que chamar de "Qurguízia" é justo. O mesmo vale para "Moldávia".

Quanto ao tema do post, obviamente, essa é uma estratégia ruim para as Forças Armadas quirguizes, ainda que seja melhor do que um recrutamento obrigatório onde ocorra subornos aos recrutadores - pelo menos nesse caso há o controle sobre os recursos que motivaram a dispensa ou, pelo menos, espera-se isso.

No Brasil, por exemplo, o recrutamento é obrigatório e são raríssimos os casos de suborno para dispensa do serviço militar. O que ocorre é que os filhos de famílias ricas ou de classe média nunca são chamados; só tornam-se recrutas os filhos de famílias pobres - ainda que raramente chamem moradores de favelas ou de áreas muito pobres. Isso, acreditem, é sistemático e puramente consuetudinário, mas funciona.

No entanto, isso não chega a ser problema, as Forças Armadas brasileiras possuem um pequeno contigente relativamente à população nacional. Isso se deve ao fato de que depois da funesta ditadura miltar de cunho fascista ocorrida por aqui, os militares ficaram desmoralizados e os governos civis que se seguiram basicamente os asfixiaram com um corte severo de verbas - com a anuência de boa parte da população brasileira, graças a ausência de inimigos próximos, crises econômicas e a própria desconfiança popular em relação a eventuais intentos anti-democráticos e anti-constitucionais dos militares nacionais.

Pippo disse...

O natural, face à ausência de ameaças à Quirguízia/Kirguistão/whatever, é este país enveredar por umas FA profissionalizadas, pequenas e (relativamente) bem equipadas.
A redução será, por isso, bem vinda, se for efectuada de uma forma correcta.

A minha dúvida aqui prende-se com a possibilidade de um cidadão normal poder pagar os 200 euros. Será que pode?

Jose Milhazes disse...

Leitor Pippo, o cidadão normal pode, mas com algum sacrifico, pois, como sabe, a Quirguízia é um país muito pobre. Mas como muitos jovens emigram para a Rússia, preferem pagar essa soma a ir servir nas forças armadas.

nike dunk disse...
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