domingo, fevereiro 01, 2009

Encontros que valem muito, com momentos menos cómodos


Neste momento em que escrevo esta postagem, lá fora, o mercúrio nos termómetros desceu até aos 20 graus negativos, mas ainda prometem mais frio. Segundo alguns agoiros, a tempratura em Moscovo poderá chegar aos - 38ºC.

Dentro do apartamento, a situação é aceitável, o termómetro marca 19ºC (claro que positivos).

Foi ao organizar as minhas fotos que me lembrei de escrever sobre o meu encontro, ontem, com Serguei Iurski(na foto). Aos leitores portugueses e lusófonos que não conhecem o cinema, o teatro e a literatura russos, esse nome pouco diz. Mas os russos ou aqueles que conhecem a cultura russa concordarão comigo se eu disser que Serguei Iurski foi um dos maiores actores de cinema e teatro do século XX, e continua a atrair milhares de espectadores. Basta recordar filmes como A República CHKID ou o Bezerro de Ouro.

Fui entrevistá-lo, juntamente com dois colegas russos, para o programa Frente a Frente, transmitido pela rádio Svoboda. Uma conversa inesquecível sobre o teatro e o cinema, a política e os políticos na Rússia, etc.

Já tinha notado que nos seus contos, ensaios e romamces, pois Iurski é também um bom excritor, ele recorda Portugal e os portugueses. Por isso, tentei saber a que se devia esse interesse pelo meu país.

"Talvez porque Portugal fica no outro extremo da Europa. Eu estive apenas um dia em Lisboa, há muitos anos, mas há duas recordações que continuam bem vivas: a vossa música divina, como se chama ela?, perguntou a si mesmo, e, depois de uma pausa, respondeu: o fado, e o eléctrico de Lisboa. Inesquecível!".

Mas aos ouvidos do grande actor também já chegaram notícias, ainda que vagas, sobre os fumos de corrupção em Portugal.

"Será que ele está mesmo envolvido?" - perguntou-me.

"Sei lá", respondi eu, "envergonhado. A nossa justiça é tão lenta como o caracol", e tentei desviar a conversa para outro tema.

Quando cheguei a casa e fiz uma busca atenta na Internet russa, deparei com numerosas notícias sobre o "caso Freeport", e voltei a ter vergonha... E terei até que as coisas fiquem claras, até que a justiça funcione mais ou menos, porque é difícil que ela venha algum dia a funcionar muito bem no meu país...

4 comentários:

Hugo Albuquerque disse...

José Milhazes,

Solidarizo-me com as duas dúvidas acerca dos políticos e da justiça de Portugal, por aqui não é muito diferente - talvez seja um pouquinho pior. Creio que as formas de se pensar o Direito e de se organizar o Estado que nossos países compartilham sejam as causas desse estado de coisas.

Andre Zeferino disse...

Caro José Milhazes, poder-se-á dizer que, na perspectiva de Serguei Iurski, quer o fado, quer o eléctrico em Lisboa, pouco ou nada mudaram desde a sua primeira visita, no sentimento que despertam nos Portugueses em geral, mas o mesmo já não se poderá dizer da justiça.

Acha que é possível rever a entrevista de Iurski na rádio Svoboda?

Jose Milhazes disse...

Andre Zeferino, se souber russo, pode ouvir a entrevista em www.svoboda.org. O programa chama-se Litzo k litsu.

Jose Milhazes disse...

Leitor Andre Zeferino, pe;o desculpa pelo facto de no comentário anterior ter publicado uma informação incorrecta. O sítio correcto da rádio svoboda é: http://www.svobodanews.ru/.