domingo, março 15, 2009

Desemprego atinge seis milhões de pessoas, mas pode subir mais



O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev reconheceu hoje que o número de pessoas que não têm emprego no país é de seis milhões.

A situação com o desemprego é complicada, mas está sob controlo. Embora, nos últimos tempos, os números tenham crescido consideravelmente”, declarou Medvedev numa entrevista ao primeiro canal da televisão russa.

O dirigente russo assinalou que o número de desempregados registados é de dois milhões, mas acrescentou: “se falarmos de desemprego de facto, ou seja, das pessoas que procuram trabalho, mas não se inscreveram no centro de emprego, mais as pessoas que já estão aí inscritas...teremos cerca de seis milhões”.

Este número foi revelado pela primeira vez agora, mas não constitui segredo. Trata-se precisamente de um motivo para realizar os mais diferentes programas, que, realmente falando, já estão agora a ser realizados”, acrescentou.

Nikolai Volguin, presidente da Assembleia Nacional de Peritos no campodo Trabalho e Segurança Social, considera que, até ao fim do ano corrente, o número de desempregados na Rússia poderá subir acima dos dez milhões, sendo a população activa russa de cerca de 76 milhões.

Dmitri Medvedev, porém, garante que não permitirá que o seu país passe por crises como as dos anos 80 e 90 do século passado, tendo a primeira levado ao fim da União Soviética e a segunda, à falência financeira da Rússia.

Temos uma economia radicalmente diferente e, o que é mais importante, o Estado olha de forma completamente nova para os seus compromissos sociais. O que aconteceu, não se repetirá”, frisou.

O Presidente russo apela aos homens de negócios a serem responsáveis.

O papel dos homens de negócios na crise deve ser não só o tradicional: desenvolvimento de negócios, da produção, obtenção de lucro, mas também moral”, declarou.

Segundo ele, “o nosso mundo dos negócios desenvolveu-se rapidamente e, por isso, ganhou muitas possibilidades suplementares. Agora, chegou a hora de pagar as dívidas, as dívidas morais, porque esta crise é um teste à maturidade”.

O Presidente Medvedev considera que só é bom homem de negócios o que tentar conservar o emprego e as empresas.

Se uma pessoa começa a vacilar, vence o seu negócio, foge para algum lugar, isso significa que ela não é um empreendedor correcto”, sublinhou.

Nesse sentido, talvez este seja um período de purificação: quem aguentar a crise, será um empreendor eficaz no bom sentido dessa palavra, um gestor eficaz”, concluiu.

11 comentários:

Hugo Albuquerque disse...

José Milhazes,

Seis milhôes de pessoas equivale a qual proporção da população economicamente ativa da Rússia?

Gilberto Mucio disse...

8%

Hugo Albuquerque disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Hugo Albuquerque disse...

Gilberto,

Obrigado e por aqui as coisas andam por aí também (por volta de uns 8,2%)

Kruzes Kanhoto disse...

Mesmo à dimensão russa é muita gente. Demasiada mesmo.

Jacob disse...

Estamos no fim do modelo neoliberal, que previa a redução do Estado, privatizações e que tudo deveria ser atribuição das forças do mercado.

Um novo modelo ainda não nasceu e as mesmas forças que nos conduziram ao desastre continuam à frente das decisões econômicas, até mesmo pela falta de novas idéias.

Anónimo disse...

estes comunas até metem dó...

o direito ao emprego conquista-se e não se adquire.

o desemprego na russia é um fenomeno natural.

Pippo disse...

Concordo parcialmente com o Jacob.
A crise económica foi desencadeada pro uma discrepância entre a economia real e a virtual, entre o que se realmente produz e a mera especulação.
Ora, tendo nós, à frente da economia, os mesmos decisores políticos e económicos que nos conduziram a este problema, e não tendo nós meios de os responsabilizar excepto em casos pontuais e excepcionalmente graves (caso Madoff), é de se prever que o sistema permaneça igual.
Cá em Portugal a visão neo-liberal de redução do Estado permanece tão saudável como dantes, e as manifestações dos trabalhadores (200.000 pessoas, na sexta-feira passada!) são referidas pela classe que nos governa como "manipulações da Esquerda!".
Mesmo o António Vitorino disse que o Governo não pode vergar-se á voz da rua.
O que significa que temos, entre outras coisas, não só um défice de entendimento, por parte de quem nos (des)governa, como também temos um grave défice democrático, pois a voz do povo não chega ao "Tzar".
E como sabemos pela História, quando o povo não é escutado, acabam por rolar cabeças, às vezes literalmente.

ABC/KREMLINO disse...

Pippo, essa de Sóocrates ser um Czar, por favor, mais respeito pelo one and only, mesmo que não se goste dele. Estou a falar de Putin, claro. O Sócrates é um palhaço.
JM: finalmente publicou alguma coisa sobre as belas conversas em família de Medvedev. Mesmo que apresentado do ponto de vista mais negativo, vê-se bem que o homem diz as verdades e aponta caminhos.Cá em Portugal nem uma coisa nem outra. É a derrocada final para o abismo.
Entretanto, saiu um artigo na edição online do Público sobre o discurso militar de hoje, bastante neutral, o que até admira. Será que os jornalistas tomaram juizo ou copiaram tudo da Novosti?
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1369553&idCanal=11
Interessante é o thread de comentários com os posicionamentos extremados do costume: uns são anti EUA outros anti Rússia, como se ainda houvesse União Soviética. Que treta de gente!
A mim só me preocupam algumas figuras sinistras do governo que têm, provavelmente, poder a mais e estão a abusar. Vamos ver se serão neutralizados.De resto, acho que melhores líderes não conseguirão arranjar nos próximos tempos.
O Presidente da Rússia é causa de orgulho nacional, até agora. Cerca de 80 por cento de quem votou nele votaria de novo, após um ano.Para fantoche, pau mandado e outros impropérios com que o rotulam, não tem feito mau trabalho, não senhor. Que pena não nos ligar nenhuma...É o fado!

MSantos disse...

Pippo, a queda do neo-liberalismo é uma falácia. Na prática a nossa economia (mundo) segue o percurso que sempre seguiu até aqui apenas com uns toques mais tímidos nos pontos mais agressivos. Os protagonistas, opinion-makers etc que nos levaram a esta situação continuam a ditar leis e ditames e salvo muito raras execpeções não vão ser responsabilizados, como muito bem disse e até já preparam o volte face para o seu regresso em força ( temos o caso dos senhores do BPP e daquele outro "muito ingénuo" do BPN ).

Escandalizei-me aqui há uns dias quando vi um muito conhecido economista ultra-conservador da nossa praça que ainda há uns tempos defendia a tese aberrante de que se as empresas exploram, temos de deixá-las explorar porque há muitos pobrezinhos que tomara eles serem explorados, vem agora com a tradicional conversa da moderação e paninhos quentes mas sem abdicar das filosofias de concentração de riqueza.

Obviamente que este senhor não é da mesma fornada dos nossos grandes mestres Silva Lopes ou Medina Carreira.

A perigosidade de toda esta situação será estes intervenientes sobreviverem á tempestade, pois eles continuam de pedra e cal e a sua visão também, o fosso ricos e pobres continuar a alargar até haver uma situação de tal maneira insustentável em que tudo degenere em revoltas, revoluções e sangue.

Cumpts
Manuel Santos

Nuno disse...

Esta foto foi retocada?