quarta-feira, março 25, 2009

Kremlin reage muito mal a acordo Ucrânia/UE


O Kremlin reagiu com dureza e indignação ao facto de não ter sido convidado para participar na modernização do sistema ucraniano de transporte de gás. A Ucrânia pode não receber um empréstimo de Moscovo e Iúlia Timochenko é já acusada de ter traído Vladimir Putin e os interesses da Rússia.

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou na terça-feira a decisão de adiar as consultas entre governos russo e ucraniano até que se esclareçam as dúvidas sobre a declaração conjunta que a Ucrânia e a União Europeia assinaram para modernizar a rede ucraniana de transporte de gás.
As citadas consultas, que estavam previstas inicialmente para a semana que vem, “irão realizar-se depois de esclarecidas as perguntas que tem a parte russa”, declarou Medvedev ao intervir numa reunião do Conselho de Segurança Nacional da Rússia.

Durante essas conversações, deveria ser discutida a questão da concessão pela Rússia de um empréstimo à Ucrânia no valor de cinco mil milhões de dólares.
A Ucrânia, Comissão Europeia, Banco Europeu de Investimento, Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial assinaram ontem uma "declaração comum", fixando os compromissos que Kiev assume para receber 2500 mil euros para a modernização do sistema de transporte ucraniano de gás, a principal via de transporte do combustível azul russo para a Europa.
A Rússia viu-se marginalizada do projecto e reagiu mal: o primeiro-ministro, Vladimir Putin, considerou o documento "no mínimo, irreflectido e pouco profissional" e o ministro da Energia, Serguei Chmatko, mostrou-se "surpreendido" pelo facto de o texto não fazer "nenhuma referência à Rússia nem como fornecedor nem como parceiro estratégico."
Putin deixou um aviso à Europa, através da televisão russa: "Se os interesses da Rússia são ignorados, seremos forçamos a rever os princípios das nossas relações" com a União Europeia.
O Kremlin não ficou convencido com a promessa de Iúlia Timochenko, primeira-ministra ucraniana, que declarou que o seu país não exclui a Rússia do processo de modernização da rede nacional de gasodutos.
“A Rússia tem oportunidade para investir e participar na modernização do sistema de transporte de gás”, afirmou Timochenko ao comentar as reacções duras de Moscovo.
“Sabemos que nem tudo caiu bem na delagação russa”, assinalou ela e acrescentou que a recente vitória do Shahktar Donetsk sobre o CSKA de Moscovo nos quartos de final da Taça UEFA também deve ter caído mal na capital russa.
“Trata-se simplesmente de uma vitória, e não da traição dos interesses nacionais da Rússia”, ironizou a primeira-ministra ucraniana.

39 comentários:

Gilberto Mucio disse...

É o que eu sempre falo: Essa Timoshenko é uma víbora. Passou a perna no espiãozinho. (risos)

Mas falando sério, jogada de mestre.`

A Rússia não tem o que fazer... a economia já está entrando em pandarecos e a tendencia é piorar. Não pode se dar ao luxo de cortar/diminuir fornecimento, pois é praticamente sua única fonte de renda. A Putin, só resta espernear. Essas ameaças(blefes) nada mais são do que desespero -- chilique.

Range-o-Dente disse...

Chapelada:

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2009/03/da-russia.html

.

Quem sabe, sabe. disse...

O interesse da Rússia é ter gasodutos alternativos, não é financiar a Ucrânia. A UE e outros que o façam. Não lhe devem dar nem um cêntimo. Devem é investir nos gasodutos alternativos e deixar de tratar a Ucrânia como a coitadinha.Perdoar multas, descontos e facilidades devem acabar também. Deve passar a ser tratada como qualquer outro consumidor. Mais ainda: a Naftogaz deve ser processada para reaver os prejuízos que causou em Fevereiro. Não têm dinheiro? A UE que pague. Os russos devem afastar-se da Ucrânia, não vale a pena.Ah e Putin deve deixar de olhar para a PM como mulher e tratá-la como trata os homens, porque quem foi mamado lixou-se, se bem me faço entender...

PortugueseMan disse...

Caro José Milhazes,

Na minha opinião, você gasta dois artigos para dizer básicamente o mesmo.

Dado que no outro artigo foquei mais o infeliz papel da Europa como financiador do gás ucraniano, de modo a ter estabilidade energética, vamos olhar um bocado para a reacção do kremlin.

A Rússia anda a enterrar dinheiro na Ucrânia todos os meses para ajudar a pagar o gás deles.

E até acho curioso não ver uma única referência a este facto, afinal quem diz que a Rússia atravessa um periodo económico bastante mau e que anda a gastar as suas reservas monetárias e que o desemprego sobe etc, etc, não se questiona porque continua a Rússia a meter dinheiro na Ucrânia quando poderia ser usado para melhorar a vida dos russos.

Nem ninguém quer saber o valor da quantia gasta todos os meses pela Rússia em subsidiar o gás ucraniano. Parece que não interessa, ou melhor, a verdade se calhar incomoda.

Depois de todos os problemas entre a Rússia e a Ucrãnia nesta àrea, depois de acordos rasurados por presidentes, contratos feitos por primeiro-ministros que tentam ser anulados por presidentes e sedes assaltadas pela polícia para apanhar originais de contratos,sai agora um acordo entre a UE e Ucrânia onde o fornecedor e financiador não sabe os termos.

- O que se sabe deste acordo?

- O acordo inviabiliza o contrato entre a Ucrânia e Rússia?

- Quais são as contrapartidas do contrato entre a Rússia e Ucrânia, de modo a haver um desconto de 20% sobre o valor de mercado?

- Existem razões para a Rússia continuar a pagar 20% do gás ucraniano?

- Como ficam os investimentos para os novos pipelines, tanto o Nord Stream como o South Stream?

- Se a Alemanha declara o Nabucco inviável para já, pois não há condições para investir em tantos ao mesmo tempo, como é que agora vai haver dinheiro para aumentar e modernizar o sistema ucraniano?

- Se a prioridade é a diversificação, como é que agora se vai investir no país que se quer diminuir a dependência?

Resumindo, a Rússia ao ser posta de lado, passa a ter o direito de exigir o preço de mercado à Ucrânia.

Se os seus interesses são postos de lado, não existe nenhuma justificação para financiar 20%.

Esse papel caberá agora à Europa.

Ora isto traz aqui um monte de problemas. A Europa não tem capacidade de absorver os problemas económicos de um país com o tamanho da Ucrânia e este passo é uma das tentativas para evitar o colapso do país.

Agora colocar de lado uma das partes interessadas, enquanto esta mete dinheiro é uma decisão muito infeliz e tenho muita curiosidade como é que a Europa se meteu numa embrulhada destas, que países contribuiram para isto.

Relativamente ao papel da Ucrânia, pouco tenho a criticar. A Ucrânia está à beira do colapso económico e com uma estrutura política prestes a rebentar.

Por muito mal que estejam uns com os outros, têm que evitar a todo o custo o colapso.

É tempo de medidas desesperadas e é isso que estamos a assistir.

Vamos a ver o desenrolar desta situação que ainda agora está no inicio.

PortugueseMan disse...

Relativamente à Gazprom e dado que já trocamos aqui alguns textos sobre a sua capacidade financeira, dê uma olhadela a isto:

Gazprom to Buy Eni’s 20% of Oil Arm in April, Vedomosti Says

By Torrey Clark

March 25 (Bloomberg) -- OAO Gazprom will buy Eni SpA’s 20 percent stake in OAO Gazprom Neft for about $4 billion under an option that runs out in April, Vedomosti said, citing unidentified people close to the energy companies.

OAO Sberbank, OAO Gazprombank and Russian Agricultural Bank, known as Rosselkhozbank, have agreed to lend Gazprom 3.2 million euros ($4.3 billion), Vedomosti said. The loan will also help Gazprom pay $1.5 billion for control of gas producers that Eni and Enel SpA bought in OAO Yukos Oil Co. auctions in 2007, the Moscow-based newspaper said.

Gazprom plans to announce the agreement when Italian Prime Minister Silvio Berlusconi visits Moscow on April 6 and 7, the newspaper said.


http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601092&sid=a7s4mbt02lYk

Seria bom de ver, os especialistas a explicar como é que a Gazprom continua a ter como investir quando necessário.

P.S. Vai ser interessante o que vai ser dito tanto na visita de Berlusconi como da Merkel, dado que os dois países estão envolvidos nos dois pipelines.

Este contrato entre a UE e Ucrânia vai ter ainda muito que se dizer...

Quem sabe, sabe... disse...

Aquele acordo do gás perdoou a ofensa à Ucrânia, porque havia objectivos políticos. Viu-se em tão pouco tempo que quem deu cartas no acordo não foi Putin, como eu bem vislumbrei logo. Será que é agora que a senhora vai ser tratada como work partner e não como a tal" noiva a querer convencer o pretendente"( cito uma entrevista de Putin). Quando é que os homens levarão as mulheres a sério? Desssexualizem, porra! A maioria das mulheres tem mais miolos do que os homens. Ando a pregar isto há seis meses. Patético!

Jose Milhazes disse...

Caro Portuguese Man, a participação da UE na modernização do sistema de transporte de gás ucraniano não está fechada à participação da Rússia e fará trabalhar melhor uma via por onde passam 80pc do gás russo que vem para a Europa.
Isso não significa também que a UE vá enterrar dinheiro nesse projecto, se as coisas forem feitas com pés e cabeça e também não inviabiliza as correntes do norte e sul, mas serão complementos.
O problema aqui é que talvez Moscovo quisesse controlar sozinho o sistema ucraniano e tivesse chegado a um acordo sobre isso nas conversações com Timochenko em Moscovo, mas só acredita nesta senhora quem quer.
Os ucranianos ganham muito com isto porque passam a fazer parte do sistema energético comum europeu e se a UE souber controlar o processo e os investimentos forem transparentes, a economia ucraniana lucrará. A UE não pode deixar a Ucrânia afundar-se nos seus problemas, por muito grandes que eles sejam, pois trata-se do segundo maior país europeu em termos de território depois da Rússia. A instabilidade e a desintegração desse país nada promete de bom para a Europa. Para a Rússia também nada promete de bom, mas há muitos políticos que aqui não pensam assim.
Claro que o ideal seria que a UE e a Rússia colaborassem na solução desse e de outros problemas da Ucrânia, transformando-a numa ponte de cooperação, mas há ainda muita desconfiança de ambos os lados.
Quanto ao Nabucco, pelo que li, esse projecto voltou a estar entre as prioridades da UE. A vida não é estática, evolui, vamos ver.

PortugueseMan disse...

Meu caro,

...a participação da UE na modernização do sistema de transporte de gás ucraniano não está fechada à participação da Rússia...

Claro que não está, mas é um mau começo para uma situação já de si bastante complicada. Há aqui muita falta de tacto por parte dos europeus e que me está a surpreender bastante.

...Isso não significa também que a UE vá enterrar dinheiro nesse projecto, se as coisas forem feitas com pés e cabeça...

Não vai enterrar dinheiro? enfiar biliões de dólares num país instável com o único propósito de não haver mais interrupções de energia? é o que eu chamo estar refém de algo.

Se as coisas fossem feitas com pés e cabeça, já os monitores europeus estavam instalados a monitorizar o fluxo do gás, porque isto foi a 2ª vez que aconteceu.

A Europa hoje nem coragem tem para dizer quem realmente cortou o gás.

Porque o facto de descobrir o culpado não muda a realidade da vida e essa realidade é que 80% do gás russo passa pela a Ucrânia.

Se fosse feito com pés e cabeça, o último a receber investimento seria exactamente a Ucrânia.

Primeiro cria-se as novas alternativas do fornecedor, pois são as mais rápidas a implementar pois têm o apoio político de todos.

De seguida e sempre com a perspectiva da diversificação e DIMINUIR a dependência existente, tanto de fornecedores como de países trânsitos, o Nabucco tinha que arrancar.

Depois era a vez da Bielorússia, modernizar e aumentar a capacidade deste de modo a diminuir a diferença de fluxos entre esta e a Ucrânia e SÓ DEPOIS chegariamos à Ucrânia, agora com uma importância bastante menor no panorama energético europeu.

Mas o que estamos a ver? a Ucrânia quase que salta para primeiro lugar! isto é que é diversificar!?

...O problema aqui é que talvez Moscovo quisesse controlar sozinho o sistema ucraniano

Não sei se queria controlar sózinho, mas é claro que quer meter a mão ao maior bocado que conseguir obter e isso todos querem, desde que possam lutar por isso e dado que a Rússia mete lá dinheiro tem aspirações.

Compras de empresas é uma coisa normal no mundo, os mais fortes querem controlar os mais fracos.

A Rússia tem esse poder agora e está a exercê-lo, da mesma forma que "ataca" outros países. A Gazprom está a adquirir imensas coisas à escala planetária. Tal como tantas multinacionais de energia de outros países têm feito.

Ou a Shell, a BP e outros gigantes andam a fazer o quê há muito mais tempo?

...Os ucranianos ganham muito com isto porque passam a fazer parte do sistema energético comum europeu e se a UE souber controlar o processo e os investimentos forem transparentes, a economia ucraniana lucrará...

Você insiste que os ucranianos ganham, faz-me confusão este modo de pensar.

Ora vamos lá a ver, não existe processos transparentes na Ucrânia, pelo simples facto de terem gás subsidiado pela Rússia.

Se eles estivessem a pagar o preço de mercado, não haveria espaço para intermediários brincarem.

Como há grandes diferenças, tem muita gente que ganha dinheiro com isto, não tenho dúvidas.

Agora para o ucraniano e para as empresas isto é péssimo!

o ucraniano vai passar a pagar básicamente o dobro do que pagava e se lhe perguntassem o que acha disso penso que ele dirá: "Olhe está tudo mais caro, pago o dobro, estou desempregado, mas parece que agora temos processos transparentes e vamos ter tubagens novas pagas pela a UE..."

Se a Ucrânia até agora não modernizou o seu pais para as novas realidades energéticas, não será no meio da maior recessão mundial que conhecemos que vão ficar bem.

...A UE não pode deixar a Ucrânia afundar-se nos seus problemas

Pois não. E por isso vai ter que financiar o gás deles.

Jose Milhazes disse...

Caro Portugueses, uma só pergunta: o que propõe? Entregar a Ucrânia à Rússia?

MSantos disse...

Sobre se vai haver todo esse dinheiro (dinheiro que nunca será dos principais interessados) para gastar na instabilidade ucraniana somente para a trazer para o campo da Aliança Atlântica (é só mesmo isso que se trata) muita coisa pode acontecer e a nível económico o panorama já não muda dia-a-dia mas hora-a-hora.

Aguardem Senhores!

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Caro José Milhazes

Então o acordo não é para garantir a integração da Ucrânia na rede energética europeia?

Ou afinal o único objectivo é para roubá-la (Ucrânia) á Rússia?

E assim ficará a Ucrânia do lado da Europa? Qual das Europas?

Cumpts
Manuel Santos

Jose Milhazes disse...

Caro Leitor Msantos, integrar a Ucrânia é roubá-la à Rússia?

Sérgio disse...

A nossa Europa é claro, nisto não tenho qualquer dúvida. Até porque não existe mais nenhuma Europa, a Russia não é Europeia, eles assim o querem.

Jest nas Wielu disse...

No segmento cirílico da Internet isso se chama BU-GO-GA!!!!

Quanto eu vós dizia apenas um mês atrás que a Yulia Timoshenko vai mandar os russos (Kremlin) para o sítio que se rima com alho, os russo – tropicalistas andavam todos com os discursos dos Doutores Advogados Meritíssimos, a mandar papos no sentido de eu não ter nenhuma razão, etc, etc.

Neste momento metade fica caladinho, metade acordou só agora e diz que Yulia Volodymyrivna é víbora, fofos, ela tem mais tomates do que os russos e os tropicalistas podem imaginar. E digo vós mais, não ficarei surpreendido, se os russos acabarão por lhe entregar o empréstimo na mao beijadíssima (podem desde já se habituar que será ao fundo perdido), pois o Partido de Regiões anda bastante mal, Yanukovich tem guerras internas, ultra – nacionalistas ucranianos (VO Svoboda) ficaram com 34% dos votos em Ternopil, significa que Yulia será a única possibilidade russa de ficar com algum pezinho na Ucrânia. E como o queijo gratuito é só na ratoeira, os russos vão desembolsar e desembolsar bem, para depois a Presidente Yulia Timoshenko lhes disser: “Biliões, mas que biliões? Vocês nós devem X triliões por causa do Holodomor, começam a pagar!!!”

E ai direi outra vez o meu BU-GO-GA!!!

Gilberto Mucio disse...

É um excelente investimento por parte da União Européia. Essa soma investida -- na modernização dos gasodutos -- é irrisória, em se tratando de uma coisa de vital importancia como segurança energética. É troco de cafezinho.

MSantos disse...

José Milhazes

Palavras suas:
"o que propõe? Entregar a Ucrânia à Rússia?"

É exactamente esta maneira de pensar (mais uma vez sem fazer juízos de valor, ou tentar-lhe fazer mudar as suas opiniões) que denuncia um segundo propósito implícito neste acordo.

O José Milhazes já vive na Rússia há largos anos, deve-os conhecer como ninguém.

Agora imagine este acordo UE-Ucrânia sobre a energia fornecida pela Rússia, ainda por cima patronizada pelos dois senhores em segundo plano que os russos identificam todos sabem com quem
(independentemente do facto de ser verdade ou não).

Tudo isto somado é fácil advinhar o resultado aritemético na mente kremliniana:

Acordo energético á revelia da Rússia=
Ucrânia na NATO + perda de qualquer esperança futura numa união com a Ucrânia + Bases militares EUA espalhadas pela fronteira com a Rússia

Isto se este financiamento for para a frente, o que nos tempos que correm, me parcerá um bocado difícil.

A Europa nos seus próprios interesses, deveria se constituir como um bloco nas nações mais representativas (infelizmente) e eliminar a influência norte-americana de vez dado ser esse factor que está a criar um novo divisionismo europeu, contra os próprios interesses económico-industriais europeus e estar a criar novamente um urso paranóico e acirrado que no final, nos apontará mísseis e em caso de rebentamento de conflito, seremos nós a carne pra canhão e a tampa entre a Rússia e a América.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Sérgio

Obviamente que você sabe a que Europa eu me refiro e eu também sei que não concorda comigo.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Outra pergunta que eu deixo no ar tanto ao José Milhazes como aos restante leitores:

Na guerra do gáz, a mensagem passada por todos os opositores da Rússia é que eventualmente seria esta o foco do problema e que no fim, a Rússia tinha saído como um fornecedor não fidedigno ou de não confiança.

Sendo a Rússia o foco do problema, o que adiantará renovar e modernizar todas as canalizações até á sua fronteira se o problema continuará a existir para além dessa mesma fronteira? ou agora já não há problema?

Pensando ao contrário e do ponto de vista europeu, partindo do princípio que foi a Ucrânia a causadora de tudo. Ao integrar a Ucrânia na política comum europeia de energia, não estaremos nós a comprar uma guerra alheia e a colar a Europa ao confronto russo-ucraniano, passando esse mesmo confronto a tomar proporções gigantescas, fora de controlo, eventualmente tornando as coisas um bocadinho piores que uma guerra fria?

Cumpts
Manuel Santos

Sérgio disse...

Caro MSantos a resposta á sua pergunta pode ser encontrada aqui:

http://pt.euronews.net/2009/03/23/ucrania-troca-transparencia-por-financiamento-de-gasodutos/

Sérgio disse...

Saliento:

"A Ucrânia compromete-se a pôr fim à corrupção no sector do gás, a fornecer tarifas transparentes de acesso aos gasodutos e a instalar contadores de gás à entrada e à saída do seu território "

Quem sabe, sabe... disse...

"Quanto ao Nabucco, pelo que li, esse projecto voltou a estar entre as prioridades da UE. "
Milhazes, vocÊ deve ter lido muito mal porque aconteceu exactamente o oposto: passou a secundário na semana passada. Agora sabe-se que a prioridade foi apostar no "aluguer" do sistema ucraniano.
----------------------
Estou convencido que a Rússia ainda pode sair por cima nesta história se tiver inteligência e coragem para tal. A ver vamos que deciderá Putmed. Eu, promovido a pregador de serviço por um rapazito muito nervoso que por aí anda neste blogue, aqui coloco os meus fantásticos miolos à disposição para ajudar na empreitada.Sou mesmo um grande investimento, melhor do que um gasoduto a contornar a Ucrânia!!!

Jest nas Wielu disse...

O bloggueiro russo, avla (Live Journal) disse curto e grosso:
“As canalhas KGBistas começaram a torcer-se”:
http://community.livejournal.com/ru_politics/20485448.html?thread=285794376#t285794376

PortugueseMan disse...

o que propõe? Entregar a Ucrânia à Rússia?

Interessante a sua opção. Não me explica porque não se indigna que a Rússia esteja a gastar dinheiro na Ucrânia, mas diz que a Rússia atravessa sérias dificuldades e está a gastar as suas reservas.

Não se indigna que a União Europeia que está a braços com uma crise económica como nunca teve, a socorrer bancos, seguradoras empresas e até já países, vai agora começar a financiar o gás que os ucranianos consomem. Se há dinheiro para financiar o gás dos ucranianos façam o mesmo para Portugal que a crise aqui também está muito boa de saúde.

Mas não, para si parece que se resume tudo a uma questão, a Rússia não pode ganhar seja o que for, aonde fôr, quando fôr e tenha ou não razão.

Pronto, é a sua perspectiva, talvez o seu propósito, não compreendo mas não tenho outro remédio se não aceitar que as coisas são assim mesmo.

Voltando à sua pergunta, eu já falei disso em artigos anteriores.

A Ucrânia está sem saída. A Ucrânia cavou a sua própria cova.

A Ucrânia como existe hoje representa uma ameaça à segurança russa, com um presidente que tem como objectivo principal a adesão à NATO. e este é o PRINCIPAL motivo que originou este problema e que acabou por se transformar numa bola de neve que receio já não ser possível parar.

Penso que a Ucrânia, nesta segunda guerra do gás, excedeu-se e a Rússia mudou drásticamente a ideia de mudar a coisa a bem.

Isto eu também o referi, dado o péssimo acordo que foi feito (na minha opinião, que a sua foi dizer que era muito bom porque o preço do gás estava a descer...)

Mas a Ucrânia ao exceder-se, atingiu também a UE e mostrou que tem plena consciência de que passa por ali 80% do gás e toca de meter a UE ao barulho para resolver o problema. Isto mostrou à UE o perigo que é a Ucrânia nos moldes actuais, a UE está mercê de um país à beira do caos.

Portanto o que vai ter que ser feito e também já o tinha dito anteriormente é que a UE terá que financiar a Ucrânia de modo a que esta não rebente até haver suficientes alternativas.

É o que parece que vai ser feito, mas disfarçado de "modernização de gasodutos" ou ainda melhor "promessas de acabar com a corrupção"

Irrita-me bastante este tipo de declarações pois tratam as pessoas por parvas e interrogo-me quanto tempo demorará para vários partidos de oposição europeus (e mesmo governos) e jornalistas, reflictam um pouco mais e começarem a interrogar-se sobre o que realmente quer dizer isto.

A mim o que me irrita é que a Ucrânia, votou democráticamente por um presidente que quer entrar na NATO, arranjaram problemas que não precisavam, agora estariam a pagar um preço bem mais baixo pela energia, estão na falência e agora arrastam todos os que estão à sua volta.

Eles fizeram a porcaria e nós vamos ter que a limpar.

Entretanto a Rússia, continua a vender o seu gás, porque a procura existe, e deixa de enterrar lá dinheiro e passam a bola para nós.

É assim a vida.

Sérgio disse...

Pois é o portugueseman tem razão, e é por isso que a Russia ficou tão indignada por ter ficado de fora das negociações, foi apenas para dar uma maior credibilidade à história que a UE nos está a impingir a todos nós.

Anónimo disse...

o que eu mais desejo na vida é ver a Rússia e os russos cada vez mais ricos e Portugal cada vez mais pobre (o que não será uma tarefa tão difícil hehehe). Assim, em alguns anos, os russos comprarão todo o litoral português e fundarão um novo Kaliningrado!...Acham impossível??? hehehhe


claudião

Anónimo disse...

^^
pois é, isso já aconteceu em parte no pequeno país Montenegro, hoje praticamente 90% do seu litoral pertence aos russos e o povo ou mesmo governo não manda nada lá


Sérgio

PortugueseMan disse...

Caro Manuel Santos,

... Ao integrar a Ucrânia na política comum europeia de energia, não estaremos nós a comprar uma guerra alheia e a colar a Europa ao confronto russo-ucraniano, passando esse mesmo confronto a tomar proporções gigantescas, fora de controlo, eventualmente tornando as coisas um bocadinho piores que uma guerra fria?

A minha opinião:

Não é uma guerra alheia, é ao lado do nosso quintal e onde passam 80% do gás russo, não há hipótese, esta é a nossa guerra.

Se a Ucrânia implode, se a Ucrânia vai à falência, eu interrogo-me se o país não explode e estamos a falar de um país quase partido ao meio.

Seja como fôr a UE neste momento está no "vermelho", a UE não possui alternativas caso algo aconteça na Ucrânia, é prioritário conter o problema.

A UE está numa situação gravíssima. Se algo acontece na Ucrânia, o motor da UE arrisca-se a parar por falha energética, com consequências inimaginaveis para a Europa. isto só por si, justificava uma intervenção militar de modo a garantir os pipelines, mas tal não é possível por todas as razões e mais alguma.

A UE neste momento não tem hipótese, é pagar o que fôr preciso e rezar para que o pior não aconteça.

Anónimo disse...

"Se a Ucrânia implode, se a Ucrânia vai à falência, eu interrogo-me se o país não explode e estamos a falar de um país quase partido ao meio."

E se a Rússia explodir no futuro? Esse país não tem instituições democráticas fortes e é extremamente dependente do Putin...se esse senhor morrer? O país entra em convulsão!!! Por isso, não considero a Rússia mais estável que a Ucrânia.

sérgio

Anónimo disse...

"a UE não possui alternativas caso algo aconteça na Ucrânia"

não entendo essa gente, quando a UE tenta diversificar suas fontes energéticas para não depender tanto da Rússia é criticada por esses, exemplo: Nabuco. O que vocês querem? Uma UE escrava é? Gente besta...sai pra lá jacaré!!!Só tem QUINTA COLUNA aqui!!!!!






Zé Carlos

Quem sabe, sabe... disse...

Em adenda à proposta anteriormente exposta, claro que isso implicará uma mudança de gostos musicais e de citações de leitura da parte dos interessados. Vá lá, digam lá se eu não gosto mesmo de vocês, rapazes. Aproveitem, que eu não duro sempre...

Sérgio disse...

Claudião e Sérgio, não se preocupem com as nossas terras, preocupem-se antes com a Amazonia e os seus interessados.

Wandard disse...

Nada além do jogo.


O que a Otan/UE pretende é a contínua queda de braço com a Rússia.

Como disse o amigo Manuel, vamos aguardar quais serão os próximos movimentos no tabuleiro.

Wandard disse...

"a Russia não é Europeia, eles assim o querem."

Amigo Sérgio,

A história mostra uma vertente completamente diferente em relação a isto, pois as antigas potências européias é que sempre buscaram isolar a Rússia do continente europeu e basta enxergar a realidade de que a atitude adotada nos anos 90 pela UE/Otan, querendo derrotar um país caído e em convulsão, vergonhosamente desmontando-o e o fazendo aceitar todas as imposições em troca de esmola ficou muito distante de qualquer nobreza.

Quem sabe, sabe... disse...

A UE deu razão à Rússia ao reconhecer que tem de tomar conta da Ucrânia ou fica sem gás. Vamos ver se Putmed sabem aproveitar este trunfo.

MSantos disse...

PortuguseMan

A guerra alheia é o conflito de confontação que a Ucrânia e outros países estão a mover contra a Rússia.

O gáz, para eles ucranianos, é uma arma de arremesso contra a Rússia ainda que os prejudique e vá mesmo contra os seus próprios interesses.

Obviamente para nós, o gáz é uma questão vital mas por enquanto é só isso.

PS: ainda estou a limpar as lágrimas de riso depois de ter visto toda aquela enxurrada no outro post :)

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

"A Ucrânia compromete-se a pôr fim à corrupção no sector do gás, a fornecer tarifas transparentes de acesso aos gasodutos e a instalar contadores de gás à entrada e à saída do seu território "

Sérgio

Você acredita mesmo que isto vai ser aplicado na prática, depois das provas que a classe política ucraniana já deu?

Acha mesmo possível?

Um abraço
Manuel Santos

Francisco disse...

Por falta de tempo não tenho participado neste debate, mas tenho acompanhado quanto possível as opiniões aqui colocadas por os participantes. Algumas com bastante acuidade sobre o que está acontecer naquele ponto da Europa.
Mas há uma questão de não menos importância para o desenrolar de toda esta situação que ainda aqui não foi colocada. Que é a aproximação das eleições na Ucrânia. É sabido no estado deplorável em que o país se encontra a todos os níveis começando no político acabando no social.
Com o descontentamento popular a subir, o resultado das eleições são uma incógnita, portanto um alto risco para os políticos locais e seus aliados do Ocidente.
Desta forma nada melhor que o senhor Barroso oferecer nesta hora de incertezas uma cenoura ao povo Ucraniano, por a mão da senhora Timoshenko.
Cin.naroda

Sérgio disse...

MSantos sem se tentar é que não se resolve nada. Abraço.

Jest nas Wielu disse...

off top

Dizem que a história nós ensina apenas que não ensina nada. De qualquer maneira, achei interessante traduzir os versos do Vladimir Maiakovski, “Divida a Ucrânia”, escritos no ano longínquo de 1926.

Por: Vladimir Maiakovski, 1926

Divida a Ucrânia

Conhecem vocês,
a calma noite ucraniana?
Não,
vocês não conhecem a noite ucraniana!
Aqui
o céu
fica negro
do fumo,
e brasão
com a estrela penteaguda é torneado.
Onde com a horilka,
coragem
e sangue
Sich de Zaporizhia
fervilhava,
os fios redutores
domesticaram a ribeira do Dnipro,
o Dnipro
obrigam
fluir até as turbinas.
E Dnipro
através dos fios – bigodes,
fluí aos edifícios
como electricidade.
Por certo, o açúcar refinado
até ao Gogol agrada!
Nós sabemos.
se fuma,
se beba Charlot;
nós conhecemos
as ruínas da Itália sem braços;
nós sabemos,
como é colorida
a gravata do Duglas...
Mas o que nós sabemos,
sobre a face da Ucrânia?
Os conhecimentos peso,
do russo
é magro –
dos que ficam por perto,
poucas honras.
Conhecem assim
o borsh ucraniano,
conhecem assim
o toucinho ucraniano.
E da cultura
retiraram espuma:
alem
dos dois
gloriosos Tarases –
Bulba
e famoso Shevchenko, —
nada a espremer,
por mais que tentas.
E se apertar –
ficam rubros como a rosa
e puxam
o argumento novo:
começa contar
um par de curiosidades –
anedotas
da língua ucraniana.
Digo a mim:
camarada moscovita,
para a Ucrânia
piadas não arreganha.
Aprendem
essa língua
das bandeiras –
o léxico rubro, —
essa língua
é grandiosa e simples:
“Oiças, tocam clarins,
chegou o tempo de contas ajuste...”
Será que poderá existir
a palavra
mais gasta
e surda
do que a sempre usada
“Ouves”?!
Eu
palavras vós inventei bastantes,
pesando as,
quero uma coisa apenas, —
para que
palavras
de todos
os meus versos
se tornem graúdos,
como a palavra “oiças”.
É difícil
as pessoas
fundir no mesmo,
por mim,
não se vangloria muito.
Conhecemos nós a noite ucraniana?
Não,
nós desconhecemos a noite ucraniana.

Publicado:
http://ucrania-mozambique.blogspot.com/2009/03/divida-ucrania.html