sexta-feira, abril 24, 2009

Cáucaso russo volta a mexer


O regime de operação antiterrorista, que tinha sido levantado há uma semana, foi reinstaurado em três distritos da Tchetchénia, anunciou um porta-voz militar dessa república russa do Cáucaso do Norte.
“O Estado Maior constatou que a actividade dos bandos armados ilegais (assim são chamados os guerrilheiros islâmicos separatistas) intensificou-se no território dos distritos tchetchenos de Chatoi (sul), de Vedeno (Sudeste) e numa parte montanhosa de Chali (sudoeste), pelo que foi decidido lançar, a partir das zero horas de 23 de Abril, uma operação antiterrorista nessas regiões”, declarou o porta-voz, citado pelas agências russas.
O regime de operação antiterrorista, em vigor na Tchetchénia durante quase dez anos, foi levantado no passado 16 de Abril.
Por outro lado, o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia anunciou ter liquidado na Cabardino-Balcária o líder da guerrilha local, Zeitun Sultanov, implicado em vários atentados terroristas perpretados nessa república do Norte do Cáucaso russo.
“Sultanov incorporou-se em 2002 no grupo terrorista Iarmuk e mantinha estreitos conrtactos com Chamil Bassaev e Hattab, líderes da guerrilha tchetchena. Em 2005, criou o seu próprio criminoso, responsável pelo assassinato de vários oficiais da polícia no território da república”, precisa uma fonte do FSB, citado pelas agências russas.
A fonte assinalou que Sultanov, a partir de Outubro de 2008, coordenava as actividades terroristas na maior parte da Cabarnia-Balcária e actuava em estreito contacto com os dirigentes de grupos terroristas da Inguchétia, Tchetchénia, Daguestão e Ossétia do Norte.
Segundo fontes das agências russas, durante uma operação especial, realizada na localidade de Khassania, também na Cabardina-Balcária, a 22 de Abril, foi também abatido Alim Boziev, membro de um grupo armado ilegal.
O Ministério do Interior da Rússia, por sua vez, anunciou ter liquidado Zakir Navruzov, um dos líderes de um grupo armado que actua no Daguestão, outra república do Cáucaso do Norte russo.

5 comentários:

Pippo disse...

Umas pequenas correcções:

"Sultanov (...) mantinha estreitos conrtactos [contactos] com Chamil Bassaev e Hattab [creio que se deverá escrever Khattab] (...) Em 2005, criou o seu próprio [grupo] criminoso, (...)
A fonte assinalou que Sultanov, a partir de Outubro de 2008, (...) da Cabarnia[Cabardino?]-Balcária (...)"

Evidentemente, à falta de melhores provas, temos sempre de receber estas mortes anunciadas com suspeição. Os russos já mataram líderes das guerrilhas repetidas vezes...
Em todo o caso, é sempre difícil eliminar estes grupos uma vez que eles estão profundamente integrados na população, combatem sem medo de morrer e são financiados de fora.

E ainda há quem quem os queira ver independentes!

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, se em Portugal existissem normas claras de escrita de nomes estrangeiros e localidades geográficas, estas coisas não aconteceriam.
Sultanov está entre os guerrilheiros que morreram mais de uma vez, este é, oficialmente, assassinado pela segunda vez

Wandard disse...

Uma das estratégias mais comuns para o estabelecimento de uma guerrilha é o "líder vivo", mesmo que ele seja morto, todas as células divulgarão que ele está vivo, até que as forças que os combatem possam provar efetivamente que ele foi morto. Israel costuma utilizar os serviços do Mossad para a localização dos líderes terroristas palestinos e executarem a operação com mísseis lançados de aviões, independente se civis serão ou não mortos. A exemplo disso os americanos fizeram o mesmo com Khadafi nos anos 80 matando uma de suas filhas. Os Russos destruíram um prédio na Inguchétia se não me engano em 2006(posso estar errado quanto ao ano), para eliminar os últimos vinte poucos guerrilheiros de uma célula composta por mais de 200. Mas informações imprecisas são quanto a isto são comuns em operações de guerrilha e anti-guerrilha, vocês não tem como imaginar, só participando.

Pippo disse...

Exacto.
Uma das características da guerrilha é que a ela, para vencer, basta-lhe "resistir" (existir), ao passo que as forças anti-guerrilha, para declararem vitória, têm de efectivamente destruir a guerrilha e fazer prova disso.

Já que deu o exemplo de Israel, por exemplo, os israelitas fram o vencedores indiscutíveis nesta última guerra em Gaza. Contudo, o Hamas declarou vitória, pura e simplesmente, porque não foi destruído. O Hizballah também usou este argumento em 2006 (se bem que aqui fosse acompanhado de um fracasso militar por parte das IDF). As guerrilhas muçulmanas caucasianas adoptam a mesma postura: como não são destruídas, continuam a vencer.

Talvez as FA russas devessem adoptar as minicam como arma. Mais vale uma imagem de um guerrilheiro morto do que declarações verbais a dizer que mataram milhares.

Francisco disse...

Nada mais contraditório posso deduzir das suas afirmações Caro Senhor Pipo. Qualquer exército só se pode declarar vencedor no confronto com a guerrilha, no momento que destrua e conquiste os seus santuários , quer sejam urbanos, na selva ou de qualquer outra natureza, cortar-lhe as fontes de abastecimento, infiltrar-se nas suas estruturas desarticulando a sua liderança não permitindo mais que esta se reorganize. Ou então quando através do esgotamento os leve a aceitar negociações. Alguns destes casos já aconteceram na Irlanda em El salvador, no Peru, em Angola, na Argélia por duas vezes, por ai fora.
Agora com o Hezbollah ou com o Hamas não se verificaram nenhumas destas condições. Viu-se sim um dos exércitos melhor apetrechados e mais bem treinados do mundo ficar colado ao terreno com as suas forças mecanizadas no Sul do Líbano, sofrendo perdas que se podem considerar vexatórias, por um grupo de barbudos fanáticos. Porque enquanto durou a guerra nem tiveram capacidade para avançar 1 km, fizeram-no depois de assinados os acordos de cessar fogo desrespeitando todas as regras, foram dar um passeio até à cidade de Tiro. Uma vitória de Pirro.
Além do mais também não podemos esquecer que nesse conflito como em todos os outros em que Israel tem estado envolvido não respeitou minimamente as Convenções Internacionais, bombardeando indiscriminadamente alvos civis.
Quanto ao recente conflito com o Hamas, aqui chegou-se ao extremo de se cometerem as mais flagrantes violações de todos os códigos da ética estabelecidos, com a conivência e a passividade da comunidade Internacional aliada de Israel.
Então permite-se que para decapitar uma qualquer liderança que por mais hediondos que sejam os seus actos se castigue todo um povo?
Tem que não esquecer que 1 400 000 seres Humanos ficaram confinados sem qualquer contacto com o mundo exterior numa faixa de terra com pouco mais que a superfície do município de Santarém (repito município), sofrendo bombardeamentos ininterruptos, flagelados por todo o tipo de armamento como foi o caso do fósforo as bombas de fragmentação ou ainda as bombas de explosão retardada, para aterrorizar a população civil sem seleccionarem os alvos. Além do corte e da privação de tudo o que é essencial para se sobreviver em condições de paz. Portanto em estado de guerra essas carências agravaram-se.
A sua moral e a sua consciência justificam estas acções?
Qual foi o resultado? Conseguiram aniquilar a liderança do Hamas? Desarticularam-no e isolaram-no? Ou pelo contrário conquistou novos adeptos!
Quanto à Tchetchenia: os erros em politica normalmente quando se têm que pagar é sempre com juros elevados. Yeltsin com o seu apetite canino de se tornar presidente e servir o fervor dos Mandarins Ocidentais para destruir a URSS, aliou-se a Dudaev outro oportunista com a ânsia de brilhar. Não se deu ao trabalho de consultar a história sobre aquela região, para ao menos reflectir sobre as consequências futuras das posições que estava a tomar, em vez disso colocou rastilhos nos muitos paióis espalhados pelo Cáucaso.
Agora por muito que os actuais dirigentes Russos apregoem o fim das operações, levantem o estado de emergência ou digam que a situação está controlada não é mais que uma miragem ou uma ambição inatingível face ao grau de degradação da situação.
Primeiro que tudo a situação económica e social em toda aquela região é a mais deprimente da Rússia, isso só por si gera descontentamento. Depois são as rivalidades étnicas que sempre foram uma constante. Os Russos geralmente sempre impuseram o seu domínio pela força. Portanto isso criou grandes ressentimentos de difícil solução.
E por último não devemos imaginar o sistema de governação a qualquer nível, conforme nós aqui o conhecemos. É praticamente baseado em clãs ou grupos de influência, que fogem ao controle das autoridades centrais.
Tudo isso contribui para o chamado barril de pólvora do Cáucaso. E a Rússia hoje não dispõe de meios para desactivar essas tensões, por isso é de esperar que se venham a agravar ainda mais.