segunda-feira, junho 15, 2009

Alexandre Lukachenko volta a desafiar o Kremlin

O Presidente da Bielorrússia, Alexandre Lukachenko, suspendeu a sua visita à capital russa, onde deveria participar, hoje, na Cimeira da Organização do Tratado de Defesa Colectiva, informa a agência Ria-Novosti.
“Quando um dos participantes da organização realiza acções que minam a segurança económica, é impossível falar de segurança militar”, declarou uma fonte da presidência bielorrússia à agência russa.
A Organização do Tratado de Defesa Colectiva reúne países do antigo espaço soviético como a Arménia, Bielorrússia, Cazaquestão, Quirguistão, Rússia, Tadjiquistão e Uzbequistão. Na cimeira de ontem, os presidentes desses países deveriam assinar “as normas de funcionamento das Forças Colectivas de Reacção Rápida”, mas isso não foi feito porque as decisões devem ser aprovadas por unanimidade.
Além disso, a Bielorrúsia deveria receber da Rússia o comando dessas forças armadas.
A diplomacia bielorrussa justifica esta decisão de Alexandre Lukachenko com o facto de Moscovo ter proibido a importação de cerca de mil marcas de produtos lácteos da Bielorrússia, alegando que “elas não correspondem aos novos regulamentos técnicos russos”.
Analistas políticos em Moscovo consideram que as autoridades sanitárias russas responderam assim às palavras insultuosas do polémico Alexandre Lukachenko dirigidas a Alexei Kudrin, ministro das Finanças da Rússia, que pôs em dúvida as capacidades de Minsk de pagar as dívidas e manifestou-se contra a concessão de um importante empréstimo à Bielorrússia.
O Kremlin olha também com desconfiança para a aproximação entre a Bielorrússia e a União Europeia e para a participação de Minsk na “Parceria Oriental”, programa de cooperação entre a UE e alguns países da Europa do Leste.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia desvaloriza a ausência de Lukachenko na cimeira.“É um problema de Lukachenko, uma decisão pessoal da parte bielorrussa se ele vem ou não. Não podes influir nela”, comenta a diplomacia russa, condenando o facto de “se ligar questões económicas concretas com a participação na Cimeira da Organização do Tratado de Defesa Colectiva”.
Moscovo ameaçou com o aumento do preço do gás à Bielorrússia e Minsk deu parcialmente marcha atrás. Mas episódios como estes vão repetir-se, pois Lukachenko tenta jogar entre a Rússia e a União Europeia para tirar dividendos económicos e políticos de ambos os lados.

6 comentários:

FPtrad disse...

Há muitos anos, participei numa convenção internacional, onde conheci alguns bielorrussos que me disseram o seguinte : "Se quiseres saber como era a vida quotidiana no tempo da União Soviética, basta ires à Bielorrússia".

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Se puder dê uma olhadela a este artigo que fala acerca da Geórgia. Acho-o interessante.

Analysis: Implications of Georgia leaving C.I.S.


http://www.upi.com/Energy_Resources/2009/06/09/Analysis-Implications-of-Georgia-leaving-CIS/UPI-90981244588248/

Uma análise do impacto da saída da Geórgia da organização, foca um pouco a Ucrânia, nas situações que já conhecemos, mas o que me chamou a atenção foi para o detalhe do impacto que teve a breve guerra no pipeline.

Veja os valores indicados de barris por dia, via pipeline, pelos os portos e o significado também para o Azerbeijão.

Um "pequeno" problema nesta zona, entope um pipeline com capacidade de um milhão de barris/dia, seja pelo pipeline em si, seja também pelos investimentos feitos nos portos da Geórgia.

A situação é de tal modo frágil, que tudo tem que correr muito bem, para ter um pipeline desta dimensão a mexer e que muitos países dependem, sejam eles produtores, como fornecedores.

A Rússia ao agir como agiu, colocou em xeque vários países da zona e concerteza assustou muitos dos investidores sejam eles financeiros como políticos que a coisa pode sair muito, mas muito caro, se os interesses russos na zona não forem salvaguardados.

O pipeline BTC precisa de muita estabilidade e qualquer novo pipeline para a zona, vai ter muita dificuldade tanto em obter financiamento como apoio político, porque o risco cresce dia para dia.

E aqui volto a dizer-lhe, numa perspectiva russa a melhor situação para a Geórgia é a que existe agora, instabilidade política inibe investimentos e põe em causa os que existem.

E tudo isto aumenta a influência russa e aumenta a importância dos pipelines russos, que se traduz em muitos ganhos tanto financeiros como políticos. Penso ser muito difícil de contrariar a crescente posição russa, pois tanto os EUA e UE estão atolados em problemas diversos e neste momento não têm como contrariar todas estas movimentações russas.

Cumprimentos,
PortugueseMan

Anónimo disse...
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Anónimo disse...
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Anónimo disse...

sr. milhazes tenho uma duvida, no final da decada de 80', principios da década de 90, na URSS a industria informática era muito rudimentar?

isto é, era comum um soviético não possuir uma simples calculadora ou uma loja não possuir máquina registadora, o acesso a computadores era muito limitado?

Muitos economiastas afirmam que uma das principais causas da mudança de regime na russia teve um culpado.. o computador!

qual é a sua opinião.

luis.

Jose Milhazes disse...

Leitor Luís, isso foi uma das causas da queda da URSS: as descobertas científicas não saíam da indústria militar para a civil. Além da cibernética ter sido perseguida por Estaline como "pseudo-ciência burguesa", essa ciência, mesmo quando foi "legalizada" na URSS, pouco ou nada produziu para os ramos civis.
A URSS atrasou-se fortemente em relação ao Ocidente, atraso que ainda está longe de ter sido recuperado.
Claro que a difusão maciça do computador não era bem vista pelo regime comunista. Por exemplo, a Internet até poderia ter aparecido na URSS, mas se tal tivesse acontecido, não teria saído do ramo militar.