quarta-feira, agosto 19, 2009

Cargueiro podia transportar armas

O cargueiro Arctic Sea, que esteve desaparecido quase três semanas no Oceano Atlântico, podia transportar armas, considera o almirante estónio Tarmo Kouts, em declarações ao diário estónio Postimees.
Segundo as autoridades militares russas, alguns dos piratas que desviaram o navio são de nacionalidade estónia, facto que já foi confirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Estónia.
“Semelhante comportamento estranho da Rússia em toda esta história apenas pode ser explicado pelo facto de a bordo do navio estarem mísseis de cruzeiro”, declarou Kouts, antigo chefe das Forças Armadas da Estónia. “É evidente que metade da Marinha de Guerra da Rússia não iria perseguir o Arctic Sea, por ordem do Presidente, por drogas, por muito grande que fosse a sua quantidade”, sublinha Tarmo Kouts, que, actualmente, está ao serviço da UE na luta contra a pirataria.
Mikhail Voitenko, o director da revista marítima Sovfrakht que denunciou o desaparecimento do navio, considera que o navio transportava uma “carga muito específica”, obrigando a uma operação dos serviços secretos.
“Porque é que os chamados piratas tomaram de assalto o cargueiro no lugar mais perigoso para eles, no Mar Báltico, se podiam fazer isso no Atlântico? Porque é que os assaltantes se deixaram encantar por um navio que transporta uma carga pouco valiosa como a madeira?”, pergunta Voitenko, citado pela imprensa russa.
Segundo o diário Kommersant, citando um dos gerentes da companhia de seguros onde estava segurado o navio, os piratas “tomaram o Arctic Sea com o objectivo de receber um resgate da companhia que segurou o navio em 04 milhões de dólares em caso de afundamento”.
Os assaltantes exigiam um resgate de 1,5 milhões de dólares, recorda o jornal.
O Ministério da Defesa da Rússia veio, mais tarde, confirmar a tese do pedido de resgate pelos piratas.
O jornal Rossiskaia Gazeta, órgão oficial do Governo russo, informa que, ontem, um avião militar de transporte levantou voo dos arredores de Moscovo e dirigiu-se para a ilha do Sal, a fim de recolher a tripulação.
Para Cabo Verde partiu também um grupo de criminalistas e investigadores judiciais para tentar esclarecer as causas do desvio do cargueiro.

29 comentários:

Pippo disse...

As declarações dos "responsáveis" estónios são provocatórias e meramente especulativas.

Sabe-se que cidadãos estónios foram responsáveis pelo desvio do navio. Salvo melhor parecer, estas declarações destinam-se apenas a desviar as atenções e a colocar a culpa prévia nos russos (os quais, nos media ocidentais, são sempre culpados, seja do que for, até prova em contrário).

O local onde o navio foi abordado é tudo menos perigoso. Aliás, é mais fácil a abordagem no Báltico do que no Mar do Norte.

A presunção do transporte de armas não passa disso. Mas o resgate de um navio, por si só, como o fazem os somalis, rende bom dinheiro.

Se a Marinha russa tem um navio em permanência no Índico para lutar contra piratas, não se justificaria um esforço maior para encontrar tripulação russa manifestamente desaparecida?

O que faria a nossa Armada em semelhante situação?

Relativamente a esta "notícia" (que não o é), acho que o JM deveria publicar certezas em lugar de dar voz a este tipo de afirmações não fundamentadas.

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, esse almirante trabalha na UE, no combate à pirataria, não é uma pessoa qualquer. No Báltico e na Europa em geral há muitas dezenas de anos que não existe o desvio de um navio de carga.
Caro Pippo, se fosse tudo tão simples, as autoridades russas e outras não teriam desinformado durante três semanas.

Pippo disse...

Precisamente, JM, esse almirante "não é uma pessoa qualquer", não é um mero cidadão. Se ele tem provas, porque é que não as apresenta?
Caso contrário, não deveria ficar calado em lugar de lançar acusações? É que, sendo ele o que é, as suas declarações comprometem o seu Governo e até mesmo a UE.

Quanto ao encobrimento, tem razão, as autoridades russas portaram-se muito mal. Deveriam ter dito à comunicação social onde exactamente o navio se encontrava antes de chegarem lá com meios navais.
Quem sabe, talvez os piratas ficassem lá à espera deles, com bolos, balões e confetis? ;o)

Todas as operações militares e policiais integram manobras de contra-informação ("deceptive manouvers", em inglês), caso contrário o adversário sabe exactamente o que nós sabemos e, como tal, fica a saber mais do que nós.

Anónimo disse...

A culpa tem que ser dos russos!

PortugueseMan disse...

Hum...

Se o cargueiro poderia transportar armas, será caso para perguntar que armas os finlandeses estavam a querer transportar para lá.

E concordo com o Pippo, caro JM, prefiro uma declaração vinda de alguém que não seja dum país desta zona.

Agora que há algo estranho nisto está há.

Anónimo disse...

Ó Pippo, homem relaxe, vá para a praia ou campo. SEmpre de serviço, homem. O FSB paga-lhe o mesmo no fim do mês (risos).
Estónio ou parvónio, almirante ou marujo, o tipo toca no ponto. Ninguém manda 5 navios de guerra ( 2 submarinos, 3 fragatas) atrás de um cargueiro madeireiro com apenas 15 tripulantes. Ninguém no seu perfeito juizo, claro. Portanto, ou Medvedev é louco (começo a pensar que talvez possa ser com os disparates que tem feito) ou o navio tinha outras coisas lá escondidas. Se calhar as joias da coroa dos Czares( risos)ou os S-300 prometidos ao Irão ( teria tido piada, sem a Mossad nem a CIA darem por ela). Agora só madeiras, essa não lembra nem à Moviflor mais famosa e requintada do planeta...

Anónimo disse...

Plausível! Madeira nunca seria razão para semelhante comportamento da Marinha de Guerra Russa. Utilizarem um país vizinho como a Finlândia pode servir para desviar as atenções da carga que interessava: armas.
Enfim, uma "estória" um pouco estranha. Não há fumo sem fogo. JP

kakaroto disse...

e o José Milheres Manipulando!

Anónimo disse...

Quem levantou a lebre foi quem mandou os navios. Só o presidente saberá a importância da carga. Uma coisa é certa: ninguém acredita que fosse só madeira. A imagem da Rússia piorou suubstancialmente a nivel mundial. Que anda o Kremlin a tramar?

Átila disse...

Puxa, vida! Deve ser mais uma armação da Rússia, hein pessoal?!?!?


Como é malvada a Rússia!!!!


Não entendo porque a Rússia faz essas coisas. Ela é muito, muito mal...


Queria muito saber a opinião dos racistas moçambicano e do paraguaio com ascendência somali que vive no brasil

Pippo disse...

Porque é que vocês só pensam na carga? E que tal se pensassem nos tripulantes?

Quando um pescador das falésias cai ao mar aqui em Portugal a Armada manda corvetas e a FA manda helis fazerem as buscas. Muitos meios por causa de um so homem, não acham?

A Rússia mandou uma fragata para o Índico por causa de um navio cheio de ucranianos (!) e com o qual nada tinha a ver. Não mandaria 5 navios para o Atlântico por causa de 15 russos?

Volto a perguntar-vos: o que faria a Armda portuguesa se o navio fosse tripulado por portugueses? Mandaria uma só fragata? Ou será que mandaria uma pequena TF?

Acho que nos vossos comentários há muita especulação - não sei se de todo inocente - e muito poucas certezas. Antes de acusarem obtenham provas ou testemunhos.

Anónimo disse...

Mesmo até que fosse tudo isso o que dizem, armas, mísseis, etc.

O importante é que a Rússia fez o que tinha a fazer e o cargueiro foi encontrado e detido.

Não estou a ver qualquer posição censurável da Rússia.

Muito pelo contrário.

MSantos disse...

Efectivamente qualquer dos cenários que tivesse acontecido para já à primeira vista não há nada de censurável que as autoridades russas tivessem cometido nem o procedimento teria sido diferente se fosse qualquer país ocidental,ao contrário do que estas notícias e algumas insinuações querem fazer passar.

A teoria da conspiração mais plausível que encontrei foi este barco tentar passar algo ou um equipamento russo para outrem pois não sei se alguém notou mas nas forças ocidentais ninguém mexeu uma palha.

E esse dito equipamento não poria em causa a segurança em nada no Ocidente o que seguindo este raciocínio, afasta as hipóteses de material nuclear ou os famosos S-300 para o Irão entre outros.

Relativamente a Estónias e Letónias é conhecida a hostilidade destes países em relação à Rússia pelo que as ditas declarações do "especialista" só pecam por serem muito brandas.

Não me recordo qual mas um destes países costuma vetar qualquer decisão ou resolução europeia que verse a cooperação com a Rússia mesmo que não estja de todo envolvido o que ilustra claramente o seu revanchismo e sede de vingança, pelo que devia ser a própria UE a afastar este tipo de países de todas as decisões que envolvam a Rússia dado já terem provado não serem parte imparcial e fidedigna.

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

José Milhazes, acabei de ler o Press Release das Autoridades Marítimas de Malta de 18/8, o qual transcrevo abaixo.
Como pode ver, os próprios malteses participaram no encobrimento de informações, tendo por justificação salvaguardar as vidas e a segurança dos tripulantes.

Portanto, penso que até se terem dados concretos é melhor dar dar publicidade a especulações.


18th August (1800 hours)
Press Release
MV Artic Sea (update as at 18th August 2009)
The Maritime Security Committee, with the assistance of the Maltese liaison team stationed in Helsinki since early August, have continued to closely monitor developments of the incident involving the mv Arctic Sea.
The Committee would like to clarify that the movements of the mv Arctic Sea were always known for several days, notwithstanding reports that the ship had “disappeared”. There was consensus amongst the investigating authorities of Finland, Malta and Sweden not to disclose any sensitive information in order not to jeopardise the life and safety of the persons on board and the integrity of the ship.
It was confirmed through Russian authorities that eight persons are being detained by them in connection with the incident. The nationality of the detained persons is confirmed to be Estonian, Latvian and Russian.
The Committee with the assistance of the office of the Attorney General and the Ministry of Foreign Affairs, and in collaboration with the Swedish and Finnish authorities will continue with their detailed investigations into the case. The Committee is also in contact with the Russian authorities regarding the ongoing investigations.
Malta as the flag State administration is also endeavouring to ensure that the ship is granted a safe berth to allow for the required investigations into the seaworthiness of the ship.
END

http://www.mma.gov.mt/uploads/MV%20Arctic%20Sea%20%28update%20as%20at%2018th%20August%202009%29.pdf

Anónimo disse...

Não, não é normal e ninguém o fez até agora nem o tronará a fazer. 5 barcos, não é nada normal.
E se alguém roubou a preciosa carga e se pôs a milhas com ela, se calhar até o tio Sam? Gargalhada geral!

Anónimo disse...

Já o tinha escrito há dois dias: se sempre souberam onde estrava o navio porquê 5 navios à suposta caça? Quanto mais se sabe, mais o caso cheira mal.

Anónimo disse...

Pippo (21:11 no post anterior)

Pois, parece de facto que os estónios detidos são de facto de origem russa. Os comentários aqui feitos sobre essa suposição não eram afinal assim tão descabidos...
http://kp.ru/daily/24345/535309/
De acordo com o jornal Komsomolskaya Pravda, "as autoridades da Estónia reconheceram ontem o envolvimento de cidadãos seus no sequestro do navio. “Trata-se de seis indivíduos”, disse o procurador-geral Lavli Lepp. Tallin sublinha que os cidadãos da Estónia detidos são de origem russa".

Cristina Mestre

Anónimo disse...

Bravo Dª Cristina Mestre

E isso mesmo que seja verdade o que prova? Que todos os russos são criminosos? Que não podiam ser etnicamente estónios pois estes não podem ser criminosos?

Em que é que isso é relevante para alguma coisa?

Quem fez a primeira associação aos russos era óbvia a pura conotação depreciativa e o comentário do Pippo foi correcto mesmo que os indivíduos sejam etnicamente russos.

A Sra não percebe que ao se associar a extremistas só por apoiarem os seus pontos de vista também acaba por cair no extremismo?

João Alves

Pippo disse...

Calma, João Alves!

O facto da Cristina Mestre confirmar que eles eram de origem russa não quer dizer que ela se associe com alguns dos extremistas que por aqui andam. O que importa aqui esclarecer é a verdade e nada mais.
Isto é o mesmo que o João dizer que os confrontos na Quinta da Fonte envolveram pretos e ciganos (o que é verdade). Isso implica que o João é neo-nazi? Claro que não!

O artigo refere que as autoridades de Tallin afirmaram que os seus cidadão são de etnia russa: Note-se contudo que estas são as mesmas autoridades que afirmaram, sem apresentar provas, pela boca de um dos líderes das suas FA, que o Artic Sea transportava mísseis (o que leva a questionar o que andariam as autoridades finlandesas a fazer quando o navio foi carregado).

Seja como for, iremos certamente saber os factos.

Mas se só agora, aparentemente, se conhecem os factos relacionados com a origem dos piratas, o outro facto é que as suposições aqui transmitidas foram feitas com objectivos depreciativos, e isso é por demais evidente. Ou seja, os comentários obedeciam a uma agenda. E isso é que tem de ser desmontado.

Ab,

Anónimo disse...

O comandante dos Russian Knights morto há poucos dias era de origem ucraniana. Que significado terá isso, ó inteligências, incluindo o Jest?

Anónimo disse...

Só uma pergunta: o que é que são os "Russian Knights"?

Anónimo disse...

Pippo acha que sim?

Outros sabem já o que a casa gasta.

Saudações
João Alves

Anónimo disse...

agendas FSB e CIA, é o que há aqui de agendas. Depois há quem saiba e há quem se arme.
.............
Já houve uma grande discussão acerca do acidente dos Russian Knights em posts anteriores.Informe-se.

Anónimo disse...

João Alves
Não sei a que extremistas se refere. A minha intenção foi simplesmente dar a informação, sem qualquer sentido depreciativo em relação aos russos em geral, povo que muito estimo. Criminosos são sempre criminosos, seja qual for a etnia.
Naturalmente que se podem associar vários factos conhecidos.
Primeiro, a companhia finlandesa proprietária do navio tinha sido instituída por russos, o que neste país nórdico não é raro.
Segundo, na Estónia e na Letónia uma grande parte da população é de origem russa, chegando a percentagem nas respectivas capitais a ser de 50%. Não seria, pois, de estranhar que os alegados criminosos, que tiveram acesso a informação confidencial da empresa proprietária do navio, fossem de origem russa.
Outro aspecto: nós sabemos que neste caso (do Artic Sea) houve uma cooperação próxima e troca de informação entre a Rússia e a NATO.
Ora actualmente, a NATO e a Rússia têm um acordo de interacção que visa basicamente três situações - tráfico de droga, tráfico de armas e tráfico de pessoas. Por isso, é grande a probabilidade de no Artic Sea ter havido alguma destas situações, que pudesse justificar tal cooperação.
O que não deveria acontecer é a Rússia, já depois de ter detido os alegados criminosos, continuar a manter o sigilo. Julgo que o desconhecimento por parte da opinião pública do que se passou na realidade só alimenta mais suspeitas.
Cristina Mestre

Anónimo disse...

Já agora,
a que propósito foi o navio encaminhado pelas autoridades russas para o porto russo de Novorossyisk, quando transporta uma carga de madeira com destino ao norte de África? Não seria mais lógico ir entregar a madeira ao cliente que a comprou? As alegadas "acções de investigação" do cargueiro podem perfeitamente ser feitas no mar onde o navio se encontra.
Não haverá mais algo a bordo que não sabemos?
Cristina Mestre

Anónimo disse...

À chegada a Moscovo,a TRIPULAÇÃO (11 marinheiros, 4 ficaram no navio), juntamente com os alegados sequestradores, FOI PRESA e encontra-se na prisão Lefortovo. As famílias dos marinheiros telefonam sem parar para as autoridades, mas não lhe é dada qualquer resposta.
Será isto normal?

Pippo disse...

Cristina Mestre,

A CNUDM estipula que o país com jurisdição para a investigação e julgamento dos criminosos é o país-pavilhão do navio que efectuou a detenção. Por cumulativo (ser o país que efctuou a detenção e ser o país de origem das vítimas), a Rússia tem toda a legitimidade para processar o caso. Malta, eventualmente, poderá acompanhar as investigações e pedir eventuais indemnizações.

Não sei quais são os contornos jurídicos do caso. Não sei se a investigação pode ser feita em alto mar (o que pressuporia o envio de equipas de investigação policial para a área) ou se ela tem de ser feita com o navio aportado. Não faço a mínima ideia. Também não sei se é legalmente possível dispor da carga ou se ela tem de permanecer a bordo, do mesmo modo que não se pode dispor dos objectos que estão numa qualquer outra cena de crime.
Será esse o caso? Não sei.

A actuação da Armada russa parece-me normal dadas as circunstâncias: enviaram três navios de superfície da esquadra do mar Negro e certamente usaram os serviços dos dois submarinos de ataque que andavam a passear ao largo da costa dos EUA há duas semanas atrás.

Uma coisa é certa: o navio partiu da Finlândia, não foi? Se levava uma carga proibida, o que é que as autoridades finlandesas andaram a fazer? Material radioactivo não era pois os finlandeses haviam feito esse teste antes do navio sair, portanto, se eram armas, os finlandeses terão muita coisa pra explicar.

Em todo o caso, as investigações procedem e as autoridades finlandesas vao pedir a assistência legal das autoridades russas neste caso.

http://www.poliisi.fi/poliisi/krp/home.nsf/headlineseng/63DD07B95EACEA5BC22576160049C03A?opendocument

Ab,

MSantos disse...

Russian knigths é o nome da patrulha acrobática que teve o acidente e quer dizer "Cavaleiros russos".

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

Pois, só depois é que percebi que se referiam aos Ruski Vityaz. Russian Knights pareceu-me uma banda rock ou uma coisa qualquer ligada ao xadrez...