quarta-feira, setembro 16, 2009

Rússia aposta na importação de tecnologia estrangeira no campo da alta velocidade







As enormes mudanças políticas de finais do séc. XX provocaram sérias alterações nos planos de desenvolvimento dos transportes na Rússia. O maior país do mundo, onde os caminhos de ferro sempre foram uma prioridade entre os transportes, necessita de comboios de alta velocidade para a sua modernização.
A União Soviética deu início ao fabrico de comboios rápidos em 1965, mas a posterior desintegração do país e do COMECOM (organização económica dos antigos países comunistas)levaram à suspensão do projecto, optando a actual direcção russa pela importação de tecnologia estrangeira.
O primeiro comboio de alta velocidade a ser produzido na era soviética recebeu o nome de Aurora, em honra do cruzador de guerra que, em Novembro de 1917, deu o sinal para o início da revolução comunista.
Com locomotivas fabricadas pela empresa Skoda na Checoslováquia, o Aurora atingia uma média de 160 km/hora e cobria a distância entre Moscovo e São Petersburgo em 04 horas e 59 minutos.
Mais tarde, em 1984, o comboio rápido ER-200, fabricado em Riga, na Letónia, fez subir a velocidade média para 200 km/hora, o que reduziu o tempo de viagem para 04 horas e 48 minutos.
Porém, a fábrica letã teve tempo de produzir apenas dois comboios de alta velocidade, um dos quais já se encontra no Museu dos Caminhos de Ferro da Rússia.
Era preciso encontrar uma solução para este problema depois da queda da União Soviética e uma decisão política de Vladimir Putin, então Presidente da Rússia, foi o suficiente para dar início à cooperação entre os Caminhos de Ferro da Rússia e o consórcio alemão Siemens no campo da alta velocidade.
A decisão do Kremlin de apostar na tecnologia alemã foi tomada num encontro entre Putin e Gerhard Schroeder, então chanceler alemão.
Os dirigentes da Siemens não escondem esse facto, mas sublinham que, actualmente, outras empresas do ramo entram no mercado russo. Por exemplo, o TGV que irá ligar São Petersburgo e Helsínquia, capital da Finlândia, será de fabrico francês.
A Siemens participa não não só na modernização da rede ferroviária de alta velocidade russa. Os Caminhos de Ferro da Rússia planeiam também substituir, até 2030, todas as 20 mil locomotivas de que actualmente dispõem, e isso será feito com a participação do consórcio alemão.
Em Ekaterimburgo, cidade russa nos Urais, uma empresa russo-germânica conjunta produz, presentemente, cem locomotivas por ano, mas outros projectos avançam.

12 comentários:

Nuno disse...

O Krasnae Strelka ou o Ekspress é algum desses que falou? No caso do segundo, a viagem dura à volta de 7 horas, n é assim?

Jose Milhazes disse...

Caro Nuno, vários comboios rápidos enytre Moscovo e São Petersburgo: Krasnaia Strela, Nevski Ekspress, Iunosti, mas há comboios "normais" que levan sete e oito horas.

PortugueseMan disse...

...Era preciso encontrar uma solução para este problema depois da queda da União Soviética e uma decisão política de Vladimir Putin, então Presidente da Rússia, foi o suficiente para dar início à cooperação entre os Caminhos de Ferro da Rússia e o consórcio alemão Siemens no campo da alta velocidade.
A decisão do Kremlin de apostar na tecnologia alemã foi tomada num encontro entre Putin e Gerhard Schroeder, então chanceler alemão...


Isto faz-me lembrar um pouco as nossas divergências sobre o que Putin andou a fazer nos seus mandatos.

Muitos planos são a longo prazo e uma década muitas vezes não chega para se ver algo de concreto.

Modernização de caminho de ferro, auto-estradas, aeroportos, reestruturar as forças-armadas, reestruturar o sector aeronáutico, o sector naval, importação de novas tecnologias, modernização de fábricas, demora tempo, dinheiro e persistência política.

Como o caso da Opel. o que se pretende com a Opel só se verá daqui a uns bons anos.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, eu não nego que esses projectos existam e alguns deles até venham a ser realizados. O importante é saber a que custo e com que resultados. Um dos mais sérios obstáculos a esta política é a corrupção total reinante no país. Um exemplo, quando Putin era Presidente, decidiu organizar oito consórcios públicos para impulsionar reformas e modernização em sectores importantes, alguns dos quais você citou. O Presidente Medvedev ordenou ao Tribunal de Contas investigar todas essas empresas para decidir da utilidade de as manter.
Além disso, é preciso modernizar o tecido social, a mentalidade das pessoas, tanto dos dirigentes, como dos trabalhadores. Outro exemplo, você imagina a contestação vinda de alguns sectores contra a introdução de um exame nacional único para ingressão no ensino superior? Os reitores e dirigentes das universidades, na sua maioria, estão contra, pois perdem uma possibilidade de receber subornos, como faziam antes para que os alunos ingressassem nessas universidades. Claro que o exame único nacional tem defeitos, mas dele posso dizer o que disse Churcill da democracia, não é perfeita, mas nada há de melhor.

Anónimo disse...

O grande medo dos EUA é esta aliança russa-alemã.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Eu concordo inteiramente com o que diz. Implementar o quer que seja é difícil. Principalmente se forem reformas. Quando se arranca com um projecto de raiz, tudo é novo e a coisa molda-se (melhor ou pior) de acordo com os nossos objectivos. Mas quando falamos de reformas a coisa pia muito mais fino. Uma reforma é sobre algo que já existe, que está instalado. E aqui o factor humano é importante, ideias novas só são boas quando não nos afectam negativamente. Eu não quero dizer com isto que todas as ideias novas sejam boas, mas sim apontar que se estão implementandos mecanismos incorrectos (como por exemplo corrupção) e haverá todo um conjunto de resistências de modo a atrasar ou mesmo inviabilizar o que se pretende mudar.

E isto tanto é aí na Rússia, como no resto do mundo.

Claro que o exame único nacional tem defeitos, mas dele posso dizer o que disse Churcill da democracia, não é perfeita, mas nada há de melhor.

Sem dúvida.

Anónimo disse...

A aliança entre a capacidade industrial e o capital alemão com as matérias primas e poder nuclear militar Russo.

Anónimo disse...

Esta aliança já tem uma longa história, pois a maioria dos czars russos tinham sangue alemão.

KAKA disse...

Anónimo disse...
Esta aliança já tem uma longa história, pois a maioria dos czars russos tinham sangue alemão.


POIS É, A RÚSSIA QUASE NUNCA FOI CAPAZ DE COLOCAR UM LÍDER COM SEU PRÓPRIO SANGUE. SEMPRE BUSCOU OS ALEMÃES PRA TUDO.
HOJE, OS ALEMÃES ENTRAM COM A ALTA TECNOLOGIA, E OS RUSSOS COM A MATÉRIA-PRIMA. É SEMPRE A ANTIGA RELAÇÃO ENTRE OS PAÍSES RICOS E POBRES
A HISTÓRIA SE REPETE ATRAVÉS DOS TEMPOS

PortugueseMan disse...

Caro JM

E já que estamos a falar de projectos, gostaria de chamar a atenção de alguns que vão ocorrer brevemente e vão ter algum impacto mediático.

1. O Glonass, vai ter (se tudo correr bem) mas 6 satélites até ao final deste ano e a ser assim, este ano a Rússia passará a ter cobertura total no seu território, ficando a um passo da cobertura global. Este projecto ainda terá mais impacto, porque estão a conseguir implementá-lo rápidamente e estará funcional antes do GPS europeu, este sim verdadeiramente atrasado devido a pressões políticas.

2. O PAK-FA, o caça de 5ª geração, tudo indica que também fará o seu 1º voo ainda este ano e irá mostrar a capacidade da Rússia construir material muito sofisticado, passando a ser o 2º país a possuir aviões deste tipo.

1. Sukhoi SuperJet quase de certeza que obtem a certificação ainda este ano e vamos ter entrega do 1º avião nos primeiros meses de 2010

2. Lançamento da Soyuz a partir da Guiana Francesa, estava previsto ainda para este ano, mas agora vai para Abril de 2010, vai mostrar a estreita cooperação entre a França e a Rússia neste sector. (confesso que eu penso que este atraso tenha também um factor político à mistura, em Abril estará na presidência europeia a Espanha, que será um país mais amigável que o actual e também porque a Espanha é membro da Agência Espacial Europeia e um dos apoiantes desta iniciativa).

Este tipo de projectos vão elevar a fasquia da Rússia a nível mundial e todos eles caro JM são projectos que requerem muito investimento público e são de longo prazo.

Anónimo disse...

A Russia não é um país pobre ,kaka!!

Kaka disse...

Anónimo disse...
A Russia não é um país pobre ,kaka!!


ACHO QUE UM PAÍS QUE TEM UM IDH MENOR QUE DO BRASIL E QUE OS HOMENS TENHAM EXPECTATIVA DE VIDA IGUAL DE PAÍSES AFRICANOS...ACHO QUE SIM...A RÚSSIA É ÚM PAÍS RICO COM UMA POPULAÇÃO MUITO POBRE