quinta-feira, outubro 15, 2009

Moscovo e Pequim firmam contratos de cooperação no valor de 3.000 milhões de euros

A Rússia e a China assinarão protocolos e contratos no valor de mais de 3.000 milhões no quadro de um forum internacional que se está a realizar em Pequim, declarou Alexandre Jukov, vice-primeiro-ministro russo.
Jukov precisou que o Banco Económico Externo (Vneshekonombank) e o Banco de Fomento da China assinaram acordos de crédito de mais de 450 mil milhões de euros, exemplo seguido pelo Banco Comercial Externo (Vneshtorgbank) e pelo Banco Agrícola da China.
Durante o forum internacional, que conta com a presença de Vladimir Putin, primeiro-ministro da Rússia, este e o seu homólogo chinês assinaram um acordo de fornecimento de gás russo à China.
Segundo Alexei Miller, presidente da gasífera russa Gazprom, o acordo prevê fornecimentos de gás à China a partir da Sibéria Ocidental e do Extremo Oriente russo.
Anualmente, a Rússia poderá fornecer até 70 mil milhões de metros cúbicos de gás ao país vizinho.
Está prevista também a assinatura de acordos de cooperação na construção de caminhos de ferro, no sector da construção civil na Rússia.

7 comentários:

Jest nas Wielu disse...

off top

Moscovo fechou dois centros judaicos em São Petersburgo e Novosibirsk (organização Nativ). Native foi criado 1952 para os contactos com os judeus da URSS e a Europa do Leste, desde 1991 a organização actua no espaço pós – soviético:
www.newsru.co.il/world/
14oct2009/nativ301.html
www.newsru.co.il/world/
01oct2009/pol_101.html

António Campos disse...

Tanta pompa e alarido por 3,5 mil milhões de dólares? O Skype foi vendido ao Ebay por mais do que isso.

Relativamente aos negócios de gás, será interessante seguir de perto esta história, para ver se realmente a montanha não irá parir um rato. Os chineses, que não vão em cantigas, não estão minimamente interessados no esquema de pricing por indexação ao barril de petróleo imposto aos europeus. Negociar com eles não vai ser tão fácil como impor a vontade numa comunidade europeia dividida e, como tal, politicamente enfraquecida e facilmente manipulável. Em boa verdade, as mais altas instâncias europeias deviam pôr os olhos no processo de negociação de preços que se avizinha e aprender com os chineses.

Depois, há o tema da capacidade dos russos em cumprir os seus compromissos de fornecer 68 bcm de gás por ano aos chineses. De acordo com Roman Kapuchinksy, da Jamestown Foundation, “no início do ano, a Gazprom anunciou que o gás do projecto Sakhalin-1 não será vendido à China, sendo em vez disso desviado para a região de Vladivostok, largamente deficitária em gás […] em simultâneo com as promessas de fornecer gás à China, a Gazprom afirmou também que pretende capturar 10% do mercado de gás dos EUA nos próximos 5 anos, através da venda de cerca de 66 bcm de gás na forma de GNL […] a questão principal é a de se a Rússia é capaz de assumir a fortuna que vão custar os pipelines Nordstream, Southstream e um segundo ramal do Bluestream, ao mesmo tempo que desenvolve as jazidas da península de Yamal e conclui o projecto Shtokman. Estes projectos (e outros demasiado numerosos para referir) custarão centenas de milhares de milhões de dólares que a Rússia não tem e que as empresas ocidentais poderão não querer gastar, dada a reputação duvidosa da Gazprom e da sua equipa de gestão.”

Um aviso de navegação aos governos europeus: é muito provável que os chineses não entrem num negócio destes sem protecções contratuais à prova de bala no que toca à fiabilidade do abastecimento, uma vez que conhecem bem a reputação dos russos. Pelo exposto acima, será então de caras a segurança energética europeia a ficar em dúvida.

António Campos

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Gostaria de complementar este seu artigo com mais alguns dados, que acho importantes:

...China National Petroleum Corp. (CNPC) and
Gazprom have agreed to peg the price of the gas that Russia plans to supply China in the future to the price of the Asian oil basket...

...Putin also said Russia might consider payments for the gas supplied to China in rubles...

..."We could consider this, but this does not mean our Chinese partners
have to have rubles. We're prepared to accept payment for yuan, but a balance would be needed,"...


http://www.interfax.com/4/523273/news.aspx

Penso que temos aqui a indicação de que toda esta energia não vai ser negociada em dólares e isso reforça as indicações que está a ser preparado algo de modo a tirar o dólar da equação, ou pelo menos diminuir drásticamente a sua importância, o que irá trazer alterações dramáticas no mundo inteiro.

Sinopec Group, Rosneft May Build Russian Oil Refinery

China Petrochemical Corp., the country’s second-biggest oil company, may help OAO Rosneft finance and build a refinery in Russia’s Far East as part of a government plan to develop the remote region...

...Russia is in need of money and they are seeking foreign investment to develop their energy sector...


http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601089&sid=apUXFu_TPT.E

Repare, a China está disposta a financiar uma refinaria em território russo, de modo a ajudar o abastecimento aos chineses.

Chamo-lhe a atenção disto, para o que já lhe tenho dito, a Rússia está a implementar um plano agressivo de aquisições pelo mundo fora e se os clientes desejam energia, que financiem o que fôr preciso para ela poder chegar ao destino pretendido. Já reparou em quantos biliões de dólares a China já avançou em financiamento na Rússia? não pára de aumentar.

Russia Tops Global Oil Production

Russia is pumping more oil than ever before, counteracting OPEC efforts to influence the crude price with lower production levels...

...Russia in September produced 10 million barrels of oil per day, a new record for the country that recently surpassed Saudi Arabia as the world's biggest oil producer...

...The increase is due mainly to the opening of the Vankor field in the arctic...much of its oil will be delivered to China.

http://www.officialwire.com/main.php?action=posted_news&rid=29727&catid=3#

Esta é uma situação que considero preocupante para nós europeus. Dado as dificuldades em negociar com a UE, com alguns países europeus e todos os problemas que têm havido, chegamos a uma conclusão,a energia flui com menos resistência para o Oriente. Deste lado não existe barreiras e incontáveis países a darem problemas. A Rússia tem desse lado o 2º e 3º maiore consumidores de energia, que lutam para receber cada vez mais da Rússia.

A Europa com o seu consumo a aumentar e a sua produção a diminuir, não se pode dar ao luxo de permitir que a Rússia aponte os seus pipelines para o Oriente. Não temos melhor fornecedor que este.

Jest nas Wielu disse...

Além disso, significa que a Rússia praticamente cederá uma parte do seu território a China, ou seja o seu potencialmente principal adversário pela luta por Sibéria e o Extremo Oriente. Em África (e não só) existe uma lenda: o homem salvou a cobra de um incêndio e mais tarde a cobra o picou mortalmente. O homem perguntou: “mas como é possível uma coisa destas, eu lhe salvei e você me mata?!!” A cobra respondeu: “Mas quando me salvou, sabia que sou a cobra, está na minha natureza”…

Anónimo disse...

A China está a mirar o seu poderio bélico à Rússia.

Os russos estão a pensar que são simples parcerias na area económica, mas não é. A guerra do futuro será por recursos vitais como energias, minerais e terras ferteis.

A Rússia actualmente têm as maiores reservas de água potável, gás, minerais, terras agricultáveis e oleo.

Vejamos o aquecimento global; Vocês sabiam que o deserto de Gobi é uma area crescente e está a ocupar 60% do território chinês?
Os rios chineses como o Yang Tsé estão entre os mais poluídos do mundo.

Em 2050 quando a China terá nível de consumo per capita parecido com o consumo americano de hoje, ela necessitará tomar medidas drásticas de sobrevivência? Pois imaginemos 1 bilhão e 700 milhões de chineses em 2050 com uns 70% em zona urbana? Haverá um défice gigantesca por recursos, principalmente água.

Sibéria Oriental

A região de fronteira entre os dois países é livre de grandes obstáculos geográficos, o que pode facilitar uma invasão em massa de chineses, em combate, sem encontrar grande resistência pela frente numa região pouco povoada.

MSantos disse...

A China está a demarcar a posse de fontes de energia da mesma forma que os EUA o fizeram no início/meados do sec.XX e através da qual conseguiram atingir o domínio geoestratégico que ainda têm hoje. No entanto a abordagem de cada uma é diferente. No caso dos EUA como na altura não tinham oponente de relevo, apenas o acordo beneplácito do decadente império britânico, a sua ofensiva foi através de ingerências, derrube de governos, patrocínio de outros etc (veja-se o caso do Irão com o derrube de Moussadegh e a promoção do Xá Reza Pahlevi). Como actualmente o poderio norte-americano persiste e o seu domínio global também, a China tem que utilizar as armas do seu inimigo, nomeadamente procurar obter todas as fontes através da negociação comercial não pondo de fora também eventuais influências governamentais, neste caso explorando o tradicional antagonismo que os países de terceiro mundo e produtores, nutrem pelos Estados Unidos.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

"Sibéria Oriental

A região de fronteira entre os dois países é livre de grandes obstáculos geográficos, o que pode facilitar uma invasão em massa de chineses, em combate, sem encontrar grande resistência pela frente numa região pouco povoada."

Provavelmente foi por esta mesma razão que a Rússia alterou, nos últimos dias, a sua doutrina de emprego de armas nuclears tácticas já para dissuadir estas tentações indo ao ponto da eventualidade de realizar ataques preventivos.

Cumpts
Manuel Santos