domingo, novembro 08, 2009

Construir armas para defender, não para matar - Kalashnikov


Mikhail Kalashnikov, que completa terça-feira 90 anos de idade, é o mais conhecido dos construtores de armas e a sua metralhadora equipa mais de 50 exércitos e decorou ou ainda decora bandeiras e escudos de alguns países.Alguns consideram-no o 'senhor da morte', mas Kalashnikov responde que as suas armas 'são para defender, não para atacar'.

Mikhail Timofeevitch Kalashnikov nasceu a 10 de Novembro de 1919, numa família camponesa das Montanhas Altai, que, durante a colectivização comunista na URSS, foi considerada 'kulaks' (camponeses abastados) e desterrada para a Sibéria em 1930.

O jovem Kalashnikov, após introduzir 'algumas emendas' nos seus documentos a fim de esconder o seu estatuto social, foi trabalhar para os caminhos-de-ferro no Cazaquistão em 1936.

Dois anos depois, foi mobilizado para o Exército Vermelho, no qual começou a revelar as suas capacidades no campo do fabrico de armamentos. A sua primeira invenção foi um contador de disparos para tanques.

Em Agosto de 1941, partiu para a frente de combate contra as tropas nazis que tinham invadido a União Soviética, mas foi gravemente ferido passados apenas dois meses.

Foi precisamente durante os seis meses de internamento num hospital que Kalashnikov criou a sua primeira arma automática, que não foi bem recebida pelo comando militar.

'A pistola-metralhadora de Kalashnikov é mais complicada e mais cara no fabrico do que a PPCh-41 e a PPC e exige aturados e difíceis trabalhos de torneiro. Por isso, não obstante os muitos aspectos positivos (pouco peso, curta, poder de disparar tiro a tiro, etc.), actualmente não tem interesse industrial', concluiu o Departamento de Armas do Exército Vermelho em 1941.As qualidades da nova pistola automática só foram reconhecidas em 1947, tendo os primeiros 1500 exemplares da famosa 'AK-47' sido entregues às forças armadas soviéticas em 1949.Depois, vieram outras metralhadoras mais perfeitas como a 'AKM', 'PDK', 'PKT' e 'AK-74'.

Estas armas ligeiras trouxeram ao seu criador fama nacional e internacional, colocando-o entre as personalidades mais importantes do século XX e não há praticamente nenhuma condecoração soviética e russa que Kalashnikov não tenha recebido: desde os prémios Estaline e Lenine, com que foi condecorado na era comunista, até à Ordem do Santo Príncipe Dmitri Donskoi, concedida pela Igreja Ortodoxa Russa em 2007.

Kalashnikov não se lamenta pelo facto de a invenção da 'AK' não lhe ter trazido riqueza: 'Eu não tinha a percentagem da produção da 'AK-47' que recebiam os construtores ocidentais pelas suas descobertas, porque não foi registada a patente da minha descoberta na URSS. Mas não pensem que sou um pobre, eu não vivia mal durante o poder soviético'.

A 'AK' esteve ou ainda está representada em bandeiras e escudos de vários Estados e de grupos militares, como Burkina-Faso, Moçambique, Timor-Leste, Zimbabué ou o Hezbollah.'

Em Moçambique, os combatentes pela liberdade conquistaram a independência com a minha metralhadora nas mãos. Agora, chamam aos seus filhos Kalash. Dizem que há lá em cada aldeia dezenas de crianças negras com o nome de Kalash. Isso não é agradável?', escreve Kalashnikov nas suas memórias, e acrescenta: 'Eu criei a minha arma para defender as fronteiras da Pátria, e não para atacar'.

Por isso, dói-lhe ao saber que as suas armas são empregues nos conflitos 'entre as repúblicas do Cáucaso, noutras regiões do país'.

14 comentários:

Ítalo Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ítalo Tavares disse...
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Jest nas Wielu disse...

Não queriam Ucrânia e Geórgia, vão ter a Roménia, de qualquer maneira não ficará muito longe LOL

anónimo russo disse...

Italos,

A maioria dos rússos hoje, eu acho, não tem como objetivo viver nalguma super-super poténcia, mas num estado normal e respeitado por outros, por isso essas coisas com a Roménia , acho, irritam muito poucos na Rússia. È problema da Roménia. Oxala que não torne um problema real com o tempo, como já houve casos com alguns dos estados que apostaram no cavalo errado:)

MSantos disse...

Claro que qualquer fabricante de armamentos faz armas para defender, nunca para matar.

Tal e qual todos os condenados numa penitenciária também estão sempre inocentes.

;)

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

Nunca conheci uma arma que, por si só, matasse. Mas sei de muita gente que mata, com ou sem armas.

Quanto à instalação de bases na Roménia, também as há na Bulgária. Chateia, mas não é estratégicamente ameaçador. Presumo que o Tio Sam, vendo que não ia ter sorte na Geórgia e na Ucrânia, tenha optado por reforçar a sua posição onde já estava bem instalado.

É curioso como os malvados russo têm tão poucas bases fora do seu território, e os bonzinhos dos norte-americanos, que fizeram N guerras fora dos EUA nos últimos 20 anos, têm inúmeras base no estrangeiro. :o)

Jest nas Wielu disse...

2 Pippo

Controlando a URSS, que detinha 1/6 do território mundial, os russos não precisavam ter muitas bases fora das fronteiras da URSS, pois à partir do seu próprio território ameaçavam constantemente a Europa Ocidental e os EUA.

Ítalo Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pippo disse...

Mas agora a Rússia não tem 1/6 do território mundial, não tem bases no estrangeiro, e os EUA continuam a estender a sua rede de bases na Europa Oriental, Ásia Central, Cáucaso e arredores. Para um país pacífico, isso é no mínimo curioso.

Jest nas Wielu disse...

2 Pippo

Pfr, em território não perderam tanto, perderam em população isso sim, os ucranianos, por exemplo, deixaram de ser os doadores da nação russa (veja lá a quantidade dos “russos” com os apelidos com as terminações em –enko; -yenko; -uk; -yuk; principalmente nas zonas do Extremo Oriente, Sibéria, etc), dai as preocupações violentas do Kremlin.

Como a Rússia não tem as bases no estrangeiro, se estes existem na Arménia (base aérea), no Tajiquistão, na Abecásia & Ossétia, Tunísia (base dos submarinos), no Vietname (base de submarinos), na Ucrânia (toda a sua frota do Mar Negro em Sebastopol) e por ai fora…

A Rússia quer ser como os EUA, mas não consegue, daí as histerias, “Ocidente não gosta de nós”, “eles dispararam nas nossas costas”, como diz o historiador Radzikhovskiy, “simplesmente não podem dizer, nós amem”…

Jest nas Wielu disse...

Não quero minimizar os feitios do Sr. Kalashnikov, mas aqui podem comparar a metralhadora alemã Sturmgewehr 44 (http://pt.wikipedia.org/wiki/Sturmgewehr_44) do criador Hugo Schmeisser (http://pt.wikipedia.org/wiki/Hugo_Schmeisser) e a metralhadora soviética Kalashnikov:
http://shavu.livejournal.com/1139401.html

Talvez não foi nada por acaso, que o criador da metralhadora americana M-16, Eugene Stoner (http://en.wikipedia.org/wiki/Eugene_Stoner), morreu milionário, enquanto Sr. Kalashnikov tem muitas medalhas soviéticas e russas e recebeu (recentemente) dos mãos do estado russo profundamente agradecido, um apartamento T2…

Anónimo disse...

Para o Jest, ser-se famoso basta ter muito dinheiro.
Já compreendo a razão porque os Ucranianos hoje são o povo mais “famoso” da Europa. É por serem os mais ricos, pudera com o nível de desenvolvimento que têm tido nos últimos 20 anos, só poderia ser assim.
Quanto a essa base Russa no Vietname. Desminta quem lhe impingiu essa peta. Diga que fui eu que disse , que isso é mentira!
Yeltsin abandonou a base de Cam Ranh em meados dos anos 90.
A Rússia actualmente a única base que possui no exterior é na Síria. Pode ter pontos de apoio noutros países mas base tem apenas essa

Maquiavel disse...

Quem com ferros mata... já Drucker alertava em 1993 que os gastos na indústria bélica nos EUA estavam fora de controlo, especialmente porque os seus produtos säo criados para ser... destruídos! Foi precisamente a corrida ao armamento que depenou as finanças da URSS, e os EUA näo aprenderam NADA!
E agora até no Fugaznistäo cometem os mesmos erros!

3 bases na Roménia? E para quê?
A OTAN näo é mais que uma central de vendas da indústria bélica americana (Eisenhower alertou para a sua infuência desmedida ainda nos anos 50), logo a expansäo é apenas e só para vender mais e mais, a preços inflacionados, e sem hipótese de fornecedor alternativo. A "Nova Europa" vai perceber isso no dia em que a atacarem, e os EUA declararem que "é assunto interno" ou que "estäo empenhados noutro sítio". É só negócio.

Os EUA ainda pensam no "Manifest Destiny" de expansäo contínua, agora para Leste. Mas os russos näo säo índios, podem ser pobres mas têm bombas atómicas. E o graveto americano agora está literalmente nas mäos os chineses, que näo säo parvos, e que já começam a chatear-se com o expansionismo americano. Mas a recente visita de Obama à China prenuncia o futuro, é a primeira prestaçäo de vassalagem (económica)... há que ter medo.

A ruína dos EUA está baseada na sua dependência da indústria bélica. Vede se a Alemanha ou o Japäo näo cresceram bem mais nos últimos 60 anos, "só" porque canalizaram os seus recurso para tecnologia civil ao invés da militar.

von manstein disse...

expliquem-me la como e que um campones sem a minima nocao de desenho ,matematica ,enfim tudo o que e necessario para ser um desenhador e construtor de armas construiu uma arma como a AK47?nos arquivos da KGB de certeza esta la que quem a construiu foi o senhor Hugo Schmeisser esse sim com qualificacoes e grande contrutor e desenhador de armas que foi capturado pelos sovieticoos e levado para os montes Urais onde ai desenvolveu a AK47 que e uma copia desenvolvida da arma MP44 por si construida arma essa normalmente usada pelos paraquedistas alemaes os russos sempre foram eximios na arte de inventar herois e esse segredo sou se sabera talvez daqui a 20 ou 50 anos veja-se fotos dessa arma da segunda guerra e tirem as vossas conclusoes e tambem o facto da uniao sovietica nunca ter registado a patente dessa arma pois sabia que nao iam guardar esse segredo para sempre sou os fanaticos a saudosistas do tempo do comunismo como o senhor Hugo Chavez continuam a alimentar ilusoes sobre esse tema