sexta-feira, novembro 13, 2009

Medvedev anuncia modernização das Forças Armadas

As Forças Armadas da Rússia irão receber novos armamentos no próximo ano, anunciou Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, na sua mensagem ao país.
“No próximo ano, deverá ser fornecido às forças armadas mais de 30 mísseis balísticos baseados no mar e em terra, cinco sistemas de defesa anti-aérea “Izkander”, cerca de 300 unidades de blindados modernos, 30 helicópteros, 28 aviões de combate, três submarinos nucleares, uma corveta, 11 satélites”, anunciou Medvedev.
O dirigente russo prometeu equipar as regiões militares russas com os meios de comunicação mais modernos aré 2012.
Medvedev ordenou também a criação de um sistema eficaz de encomendas de produção militar e que observe o equilíbrio entre os fornecimentos para as próprias forças armadas e para o estrangeiro.
A Rosoboronexport, empresa pública que monopoliza a exportação de armamentos russos, tem sido acusada de fornecer os mais modernos armamentos russos a países estrangeiros, deixando para as Forças Armadas da Rússia para segundo lugar.
Isto já levou o Ministério da Defesa da Rússia a ponderar a compra de armamentos no estrangeiro
.

26 comentários:

PortugueseMan disse...

...A Rosoboronexport, empresa pública que monopoliza a exportação de armamentos russos, tem sido acusada de fornecer os mais modernos armamentos russos a países estrangeiros, deixando para as Forças Armadas da Rússia para segundo lugar...

Quem faz este tipo de acusações? é possível ver algum artigo que faça referência a isso?

Digo-lhe já que são acusações incorrectas mas gostaria de ver como elas são fundamentadas.

Agora repare, aqui na àrea militar temos dados concretos. Era isto que eu gostaria de saber acerca da modernização e não apenas linhas gerais.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, isso não é uma acusação, é uma constação pública de vários dirigentes russos. O próprio Medvedev falou dusso no seu discurso, quando se refere ao equilíbrio. Um exemplo, a Rússia pretende adquirir porta-helicópteros a França.
Quanto à modernização, o problema consiste em que ela continua a não passar de linhas gerais

PortugueseMan disse...

...é uma constação pública de vários dirigentes russos...

Nesse caso é uma questão política.

Certamente se em vez de se ver uma opinião se fosse visto um debate onde ambos os lados mostravam os seus pontos de vista, de certeza que a coisa seria vista de modo diferente.

Porque a Rosoboronexport, não vende os mais modernos armamentos para o estrangeiro.

A Rússia mantém para si, sempre algo que seja superior, e mesmo que não seja adquirido internamente também não vai para o exterior.

O problema não é na venda para o exterior, o problema é quase de certeza a crítica que armamento novo vai quase todo para o exterior. Isso é verdade. Mas é verdade por várias razões. A Rússia não tinha dinheiro para comprar armamento novo, mas uma coisa é não ter dinheiro para adquirir armamento, outra é manter toda a infrastrutura que constroi esse mesmo armamento.

Em relação ao porta-helicopteros e olhe que além desse exemplo não encontra muitos mais, é uma vez mais importação de tecnologia e importação de know-how. A Rússia tem infrastruturas para os construir em casa (e o acordo que está a ser negociado especifica isso, que eu saiba), de modo a absorver novos métodos de fabrico e obter dos franceses tudo o que eles estejam dispostos a dar.

E repare em algo interessante nisto, este tipo de coisa só será possível com uma França ou Alemanha. Porque com os ingleses ou americanos está fora de questão e não existe mais ninguém com este tipo de capacidades que a Rússia pode recorrer.

Mas mesmo a França como a Alemanha são membros da NATO. Se o acordo fôr para a frente, as implicações serão bem maiores do que parece à 1ª vista.

...Quanto à modernização, o problema consiste em que ela continua a não passar de linhas gerais

Mas só se fôr aquela que Medvedev fala, porque actualmente eu posso apontar planos de modernização que estão a ser implementados. E já temos falado nisso por aqui.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, ontem a empresa Sukhoi anunciou que a Aeroflot não irá receber o primeiro Superjet-100 no prazo combinado, ou seja, até ao fim do ano. Isto é um facto.

PortugueseMan disse...

Caro PM, ontem a empresa Sukhoi anunciou que a Aeroflot não irá receber o primeiro Superjet-100 no prazo combinado, ou seja, até ao fim do ano. Isto é um facto.

Sim, eu estou a par disso, você sabe que eu acompanho bastante este assunto.

Mas não estou a perceber bem, a ligação disto com o que temos estado a falar aqui.

Ou não é para ter ligação, está apenas a noticiar?

Agradecia que me clarificasse.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, isso é mais um facto de que a Rússia necessita de uma modernização a sério, de que é preciso cumprir os prazos acordados, etc., etc.

PortugueseMan disse...

Caro PM, isso é mais um facto de que a Rússia necessita de uma modernização a sério, de que é preciso cumprir os prazos acordados, etc., etc.

Ah! Bom, você quer mesmo obrigar-me a escrever...

Permita-me que lhe diga que está a ser demasiado simplista e este caso não é um bom exemplo para aquilo que quer dizer.

Nós estamos a falar de um projecto novo com muitas coisas novas pelo o meio, novas metodologias, novas tecnologias, novas parcerias, etc.

Os prazos são estimados e é claro que se definem objectivos de entrega, mas não é um produto onde se sabe quanto demora, porque ainda não se está a fabricar em série.

Por exemplo um avião, ou melhor, um carro, sabe-se o tempo que demora, mas depois de estar a ser fabricado em série. Se fôr um carro novo, pode-se dar uma estimativa de quando estará pronto, mas se houver problemas em algum componente novo, isso pode atrasar o lançamento do carro.

Novos produtos têm novos problemas e isso poderá ou não afectar o prazo. Mas atenção que o próprio prazo pode ser RELATIVO. O departamento de engenharia pode dizer que demora x, mas o departamento de vendas pode dizer que demora x-1. É um risco que a empresa corre e muitas fazem isso.

O Sukhoi SuperJet tem atrasos, mas não me parece haver algo de errado com o avião. e isso sim seria grave. O processo de certificação tem estadado a decorrer bem, as coisas não tem corrido à velocidade desejada.

Meu caro, acontece.

Volto a insistir porque tenho a impressão que já uma vez fiz referência a isto.

Grave é o que está a acontecer ao novo Boeing 787. Estão a existir vários problemas de concepção e o prazo já rebentou para mais de dois anos.

Grave é o novo avião militar europeu o A400M que também está com problemas de concepção.

O novo avião Airbus A380 TAMBÉM teve atrasos e um problema na sua concepção, mas não considero grave. no entanto chegou muito atrasado ao 1º cliente.

Portanto se você acha que as coisas não estão bem com este avião, então teria que fazer uma crítica arrasadora aos outros construtores que últimamente andam com vários problemas em mãos e prazos meu caro, estão todos a rebentar. Será por falta de modernização? por falta de know-how? estão atrasados tecnológicamente?

Meu caro, a situação deste sukhoi está em linha com os novos produtos seja de que país fôr.

Não há motivos para já que eu conheça que se possa criticar o avião.

PortugueseMan disse...

E já agora, dê uma olhadela à declaração da Sukhoi sobre o atraso:

Sukhoi cites engine issues as Superjet schedule slips

Superjet100 maker Sukhoi is blaming engine supplier PowerJet for delays that will push first delivery of the regional aircraft to Russian flag carrier Aeroflot into 2010.

"We have to revise our programme schedule because of the revision in the delivery schedule of the engines," says Sukhoi. "We are not supplied with the engines for the last prototype and for the first serial aircraft."...



http://www.flightglobal.com/articles/2009/11/13/334763/sukhoi-cites-engine-issues-as-superjet-schedule-slips.html

Portanto, pela a indicação que dão o avião está pronto, mas não estão a receber motores. É um problema mas não no avião em si, mas no motor. E mesmo o motor não parece haver problemas graves, mas existe um atraso de fabrico.

Tenha em mente tanto a Boeing como a Airbus também têm tido problemas na recepção de novos modelos de motor, porque não é a Boeing nem a Aribus que os fabricam. São outras empresas que se especializaram no ramo, como a Rolls-Royce, a Pratt & Whitney, etc. Eles podem completar um avião e depois estarem à espera do motor.

E como falamos do motor, AQUI podemos falar de planos de modernização e importação de know-how.

O motor deste sukhoi é uma parceria (50/50) entre a Snecma (francesa) e a NPO-Saturn (Russa).

A NPO-Saturn está a aborver know-how vinda de França. Já reparou que a NPO-Saturn é uma empresa que fabrica motores de aviões? está a ser modernizada. E tem mais um aspecto interessante. Esta empresa que está a absorver know-how é a mesma que está a desenvolver o novo motor para o novo sukhoi SU-35 e o novo caça de 5ª geração russo.

Isto é um exemplo claro de modernização de um sector estratégico que está a decorrer na Rússia.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, trata-se da velha questão: o copo está meio-cheio ou meio-vazio?

PortugueseMan disse...

Caro PM, trata-se da velha questão: o copo está meio-cheio ou meio-vazio?

É verdade sim senhor. Chegamos sempre aqui, não é verdade caro JM?

Este blogue, não minha opinião, só tem a enriquecer com a mostra duas perspectivas. E olhe que eu até me esforço para mostrar o meu ponto de vista! sou teimoso eu sei...


Cumprimentos,
PortugueseMan

Jose Milhazes disse...

Caro PM, continue. Cá estaremos para ver, se o destino assim quiser.

MSantos disse...

A questão do porta-helicópeteros prende-se essencialmente com dois pontos:

- Os únicos estaleiros que fabricavam grandes navios de aviação para a armada soviética estavam na Ucrânia, concretamente em Nikolaev. Era aqui que iam construir o super-porta aviões nuclear ULYANOVSK.
Essa capacidade, após a queda da URSS foi alienada mesmo para a Ucrânia que ficou detentora dessa infraestrutura mas ao abandono. Os estaleiros na Rússia territorial nunca tiveram este tipo de know-how.

- A construção naval russa de superfície caiu num marasmo. Os estaleiros SVEMASH em Severodvinsk agonizam para entregar o antigo porta-aviões ADMIRAL GORSHKOV modernizado no "novo" VIKRAMADITYA para a marinha indiana.Sempre com os custos a escalar.
Desde a queda da URSS que os estaleiros russos não lançam nenhuma classe nova de grandes navios de superfície à excepção das excelentes fragatas TALWAR, mais uma vez para a Índia confirmando as queixas governamentais de que a Rosoboronexport previligia os estrangeiros. A versão russa da TALWAR que será uma fragata melhorada com SAMs de médio alcance e de lançamento vertical comnadados por um sistema de radares centralizados e altamente computorizados como o americano AEGIS, denominada classe ADMIRAL GORSHKOV vê a construção ser arrastada e o lançamento da 1ª unidade provaelmente será só em 2011.

As excelentes corvetas STEREGUSHIY são a excepção que confirma a regra.

A decisão de comprar o navio francês, contra todos os lobbys e protestos dos construtores navais russos é uma clara mensagem do governo para estes se modernizarem e se tornarem em empresas capazes e dinâmicas, caso contrário o estado não vai suportá-los e vão perder a corrida.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Sobre o atraso do SUPERJET e como o PM já referiu, o mesmo acontece com os aviões ocidentais, muito pior está a acontecer com o A400M que parece que tem as rodas coladas ao chão.

Nisto, a Rússia não é melhor nem pior, apenas igual.

Cumpts
Manuel Santos

Ricardo disse...

Sobre a compra de um porta-helicopteros, ela está condicionada a transferencia de tecnologia, e me parece que será um bom negócio caso seja fechado o acordo

Nuno disse...

Caro José Milhazes,

permita-me colocar algumas questões, se alguém tiver as respostas agradeço-lhe desde ja :

- a politica de diversificação da actividade económica teve impactos na industria, nomeadamente aeronáutica, ou tratou-se apenas de retórica?

- há sinais de que a Rússia retoma as actividades de investigação básica?

- o n° de formados em engenharias aumentou ou diminuiu nos últimos anos?

António Campos disse...

Caro Nuno,

A respeito do segundo ponto, segue um artigo interessante da Novaya Gazeta. O Google Translate faz uma tradução aceitável do mesmo para inglês.

www.novayagazeta.ru/data/2009/121/12.html

António Campos

Pippo disse...

A modernização mais importante é a reestruturação das FA, nomeadamente a criação de escolas de formação de sargentos, profissionais, para dar a estes as funções que actualmente são atribuídas a oficiais.
Outra modernização essencial é a da estrutuda de comando. Mas também isso parece estar em cima da mesa, tal como foi anunciado à tempos atrás aqui neste blog, na notícia sobre o emprego de armas nucleares tácticas para lidar com invasões em grande escala.

O emprego de unidades tamanho brigada, constituídas por tropas profissionais (tais como as que libertaram a Ossétia) e bem equipadas, requerem novos métodos de treino e de comando.

Isso não enche o olho, mas é essencial.

Relativamente à Marinha, o Manuel Santos disse mais ainda do que o que eu iria dizer, por isso nada tenho a acrescentar.

PortugueseMan disse...

A decisão de comprar o navio francês, contra todos os lobbys e protestos dos construtores navais russos é uma clara mensagem do governo para estes se modernizarem e se tornarem em empresas capazes e dinâmicas, caso contrário o estado não vai suportá-los e vão perder a corrida.

E know-how meu caro. Apenas está previsto que o primeiro seja construido na França. Os restantes serão construidos na Rússia.

anónimo russo disse...

António Campos disse...
Caro Nuno,

A respeito do segundo ponto, segue um artigo interessante da Novaya Gazeta. O Google Translate faz uma tradução aceitável do mesmo para inglês.

www.novayagazeta.ru/data/2009/121/12.html"


È quase inacreditavel, mas desta vez o sr. Campos indicou um artigo bastante equilibrado e interessante. Só que pode ser dificil le-lo sem saber russo. Não sei que qualidade de tradução apresenta Google.

Nuno disse...

Obrigado ao Antonio Campos. Artigo muito interessante.
O investimento em ciência caiu de 2% do PIB no inicio dos anos 90, para O,2-0,3% actualmente. Por outro lado, os cientistas que ficaram na Rússia estão a chegar ao final das carreiras e se não houver uma renovação, o atrase ir-se-à agravar.

MSantos disse...

PortugueseMan

Sem dúvida que o principal factor é a aquisição do know-how e revitalização na indústria de construção de grandes unidades de superfície. Aliás, referi isso pois ao contrário da URSS, a Rússia, quer por factores territoriais e outros, perdeu esse mesmo know-how.

Há uns largos meses atrás, o almirante que está à frente da armada russa proferiu queixas que a indústria naval do país tinha perdido capacidades e como tal ver-se-iam forçados a comprar navios a estaleiros estrageiros.

O governo veio em seu apoio, inclusivé referiu que a Rosoboronexport previligia clientes estrangeiros em detrimento das FAs russas (as 3 fragatas TALWAR para a Índia são um bom exemplo enquanto que a primeira fragata russa ADMIRAL GORSHKOV espera calmamente em doca seca).

Ao comprar o porta-helicópetros MISTRAL, o governo russo adquire o know-how perdido e cria um precente, pondo em sentido os estaleiros navais russos que agora em diante, terão concorrência.

Cumpts
Manuel Santos

anónimo russo disse...

" Nuno disse...
Obrigado ao Antonio Campos. Artigo muito interessante.
O investimento em ciência caiu de 2% do PIB no inicio dos anos 90, para O,2-0,3% actualmente. Por outro lado, os cientistas que ficaram na Rússia estão a chegar ao final das carreiras e se não houver uma renovação, o atrase ir-se-à agravar."


Parece, que não entendeu muito bem.
Investimento em ciéncia na URSS foi 2% do PIB e agora, na Rússia é 0,3%. È que a URSS foi um país completamente diferente da Rússia e que morreu para sempre.
O artigo é sobre o regresso dos cientistas que emigraram nos anos 90 e problemas com que deparam aqui. Mas, mesmo assim, voltam. E não só sobre isso. "Em 2002 o salário dos cientistas constituia, em média 60-100 dólares por mes, agora já constitui 1000 dólares, mas mesmo assim aínda é pouco..." - diz-se, entre outras coisas, no artigo. È que não se pode comparar a URSS com a Rússia atual. A URSS podia gastar quanto queria com a ciéncia, armamentos etc, mas à custo dum nível baixo da vida da sua população e só devido a um sistema económico não vivedouro que, mais cedo ou mais tarde, devia morrer e, finalmente, morreu.

Cristina disse...

Artigo a propósito da questão da investigação científica na Rússia:

Nezavisimaya Gazeta
RÚSSIA PASSA PARA A PERIFERIA DA CIÊNCIA MUNDIAL

A Rússia está gradualmente a passar para a periferia da ciência mundial, escreve a Nezavisimaya Gazeta no seu editorial de hoje.
O financiamento da Academia das Ciências da Rússia (ACR), um dos maiores centros mundiais de investigação, reduzir-se-á no próximo ano em 11,8%, para menos de 1,5 mil milhões de euros. Uma só universidade alemã, a de Karlsruhe, tem um orçamento de quase 700 milhões de euros.
Este montante reflecte a política do Estado russo relativamente à ciência: dinheiro em troca de eficácia. Diga-se o que se disser a este respeito, é uma exigência absolutamente justa. Os próprios académicos reconhecem em privado que “é possível encerrar uma terça parte dos mais de 400 institutos de investigação que integram a ACR e fazer algo com outro terço”.
O que resta hoje na ACR, em lugar de grandes projectos científicos, são sonhos de megaciência, assinala o jornal, constatando que, pouco a pouco, a Rússia está a passar para a periferia da investigação global.
Actualmente, só se edita no país uma revista especializada sobre ciência. Os académicos opõem-se a que a Rússia adira como membro associado ao 7º Programa Quadro de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico da UE. O seu argumento é muito emblemático: não somos competitivos.
A ciência académica já viveu o seu momento de glória e perdeu a oportunidade de “reencarnação”. Hoje, a ciência moderna não se faz nas academias mas sim nos laboratórios das empresas e são os engenheiros que a fazem e não os teóricos.
Nenhum país é capaz de financiar a actividade de 48.434 investigadores (número que a Rússia tinha em 2008) dedicados à procura do bosão de Higgs ou ao estudo da origem da vida no Universo. Estudar estes temas deve ser prerrogativa de um círculo muito reduzido e selecto. A função dos demais é a peritagem científica, entre outras coisas, para formular programas prioritários em matéria de investigações fundamentais. Mas parece que a Academia está relutante ou já não é capaz de o fazer.
Tradução: Cristina Mestre

Pippo disse...

Esse artigo é interessante, Cristina. Visitei a Academia de Ciências em Moscovo e constatei que era um campus imenso mas com muitos edifícios meio degradados.
Presumo que desde 1989 o desinvestimento por parte do Estado tenha sido enorme...

Ao contrário do que se passava no Ocidente, na URSS a investigação ciêntífica estava dependente do Estado. Em compensação, no Ocidente a investigação estava e está cada vez mais associada a parcerias Universidade-empresas. Parece-me que o rumo a seguir terá de ser este, aqui bem como na Rússia.

Neste blog insiste-se em comparar a Rússia com países que nunca passaram pelas mesmas convulsões políticas, económicas e sociais porque passou a ex-URSS...

MSantos disse...

Cara Cristina Mestre

Subscrevo as palavras do Pippo. Artigo deveras muito interessante e que demonstra que a Rússia ainda conserva muitas velhas estruturas "soviéticas".

A ciência e a investigação são uma delas malgrado terem sido um dos campos de vanguarda da URSS mas em termos de organização e produtividade, completamente obsoletas.

Como muito bem afirma e a nível mundial, a investigação e desenvolvimento de aplicações práticas é feita pelos engenheiros, médicos e outras profissões mais operacionais deixando os campos mais "etéreos" como é o caso da partícula de Deus (bosão de Higgs e a controversa matéria negra no espaço que decidirá se o nosso universo se expandirá infinitamente ou contrairá em universos cíclicos) para físicos teóricos, matemáticos etc.

Li algures que na Rússia também existe pelo menos um acelarador de partículas, obviamente não na escala do LHC do CERN.

Se alguém me pudesse elucidar da sua eventual operacionalidade e o que aí se investiga, ficava grato.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

E já agora no mesmo assunto, o lançamento da sonda PHOBOS-GRUNT foi adiado para 2011.

Ainda existem muitos testes e ensaios que tornariam apertado o seu lançamento em 2009 pelo que se optou (e muito bem) pela janela de lançamento de 2011.

Cumpts
Manuel Santos