quinta-feira, novembro 12, 2009

Nova promessa de modernização


A modernização da Rússia no séc. XXI irá basear-se nos valores e nos institutos da democracia, declarou hoje Dmitri Medvedev, Presidente da Rússia, na mensagem anual à nação.
“No séc. XXI, o nosso país necessita novamente de uma modernização multilateral e esta será a primeira experiência de modernização, na nossa história, baseada nos valores e institutos da democracia”, começou o dirigente russo.
“Estou profundamente convencido da necessidade e da possibilidade de a Rússia adquirir o estatuto de potência mundial numa base completamente nova, acrescentou.
Segundo ele, “devemos, no lugar da economia primitiva, baseada nas matérias-primas, uma economia inteligente, que produza conhecimentos únicos, novos objectos e tecnologias úteis às pessoas”.
“A sociedade arcaica”, continuou Medvedev, “onde os chefes pensam e decidem por todos, deve ser substituída por uma sociedade de pessoas inteligentes, livres e responsáveis”.
O Presidente russo chamou a atenção para o facto de a maior parte da actual economia russa ser herança da era soviética, que está fortemente atrasada.
“Chegou a hora de as actuais gerações do povo russo dizerem a sua palavra, levantar a Rússia a um nível novo, mais alto de desenvolvimento da civilização”, acrescentou.
Dmitri Medvedev constatou também que a dependência da Rússia em relação às exportações de matérias-primas trava o desenvolvimento económico do país.
“A necessidade de mudanças tornou-se particularmente evidente nos últimos meses, quando a crise financeira global atingiu a todos. Mas, na Rússia, a queda económica foi mais profunda do que na maioria dos país. Mas não vale a pena procurar culpados apenas no exterior... Não nos livrámos da estrutura primitiva da economia, da dependência humilhante das matérias-primas, não reorientámos a produção para as necessidades reais das pessoas”, constatou.
Entre as medidas propostas para a modernização do país, Medvedev destacou o plano de criação de reactores e combustível nucleares de uma nova geração até 2014, o alargamento a todo o país, nos próximos cinco anos, da internet de banda larga, da televisão digital e da rede de telemóveis de quarta geração.
“É preciso concluir a elaboração de propostas de criação na Rússia de um potente centro de investigação e construção, que concentre as suas atenções em todas as direcções prioritárias”, declarou Medvedev, acrescentando que ele se deve transformar num “Silicon Valley” russo.
O Presidente russo considera que a existência de corporações estatais “não têm perspectiva” e defende a transformação das que trabalham “em sectores concorrentes” em sociedades por acções e sua privatização no futuro.
Actualmente existem cerca de dez corporações estatais, criadas quando Vladimir Putin era Presidente da Rússia para serem “motores” de desenvolvimento de sectores fundamentais da economia russa.
No campo político, o dirigente russo, depois de considerar que o sistema eleitoral nacional mostrou ser eficaz e democrático, propôs uma série de reformas para tornar mais transparente e justo esse sistema ao nível regional.
Ao abordar o problema da corrupção, Medvedev reconheceu que se trata de um dos obstáculos maiores ao desenvolvimento do país, mas sublinhou que as detenções não resolvem tudo.
Trata-se de uma resposta ao primeiro-ministro Putin que, em Junho passado, exigiu das autoridades policiais “resultados concretos” e perguntou “onde estão as detenções?”.
O dirigente russo reconheceu que a situação no Cáucaso é o problema interno mais sério da Rússia, atribuindo isso à corrupção, violência e desemprego na região, tendo apresentado uma série de medidas para resolver os problemas da região.

13 comentários:

MSantos disse...

Embora não relacionado com o presente post mas sim o último a ter ido para o arquivo( "governo russo surpreendido com decisao...")
copio aqui uma resposta que acho importante ficar clarificada:

"António Campos

Só sobre os Tu214SR, a senhora só revela que não percebe nada do assunto que escreveu quando refere que o avião é uma mera estação retransmissora.

Veja o artigo sff:

http://www.airfleet.ru/arhiv/
n3_2009/special_assignment_for_tu-214/


em particular, o parágrafo:

"The Tu-214 are considered for a wide variety of applications: relay aircraft, flying command posts, airborne communications centers, electronic reconnaissance, radio emission analysis, VIP transport, airborne early warning and command, maritime reconnaissance aircraft etc"

e já agora porque é que os avançadíssimos americanos (e aqui não estou a ser irónico) mesmo com o GPS (que os militares russos também têm) mantêm estas mesmas funções nas plataformas E-3B/E-4C, nos E-8C JSTARS e nos velhinhos RC-135?

Eu, embora não tendo a pretensão de ser especialista de armamentos (como cinicamente já fui classificado), posso responder-lhe que num ambiente de guerra total e saturação electrónica, estas plataformas continuarão a ser por muitos anos os suportes mais fiáveis e fidedignos no tocante a comunicações e dados sensíveis de modo a não serem inviolados pelo inimigo apenas só na função referida.

A dita Sra. devia ter-se informado melhor (à distância dum simples search no google) e não se ter autodesacreditado a si própria."

Cumpts
Manuel Santos

António Campos disse...

Alguém me sabe dizer onde é que está a dotação do orçamento de estado para financiar estes ambiciosos projectos?

António Campos

Jose Milhazes disse...

Caro António Campos, o dirigente comunista Guennadi Ziuganov fala em 0,1% no Orçamento de 2010, mas já ouvi falar em cerca de 1%. Não sei se com este dinheiro é possível fazer milagres.

Ítalo Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ítalo Tavares disse...

Milhazes, acho que a notícia já deve ser de conhecimento de tds, mas seria interessante postar algo sobre o caso do Major Alexey Dymovskiy.




Abraço.

Jest nas Wielu disse...

De um lado, parece que os dois basquetebolistas da nação fazem o seu habitual jogo do “bom e mão polícia”, do outro, hoje estava olhar para a cara do Putin e não me pareceu nada contente com as palavras do Medvedev, pode significar, que nas próximas eleições teremos o duelo interessante, Putin vs Medvedev.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Mas 1% é direccionado exactamente para o quê?

Existe algum documento disponível com os detalhes do Orçamento?

E gostaria de saber exactamente o que Medvedev traz de novo, porque o que vejo é a continuação dos projectos já iniciados. A não ser que me esteja a escapar algo.

Jest nas Wielu disse...

A Internet russa já criou a anedota, baseada no discurso de Medvedev.

Medvedev: - Temos duas questões para debater hoje: a corrupção e a redução de fusos horários (a Rússia actualmente têm 12 destes fusos). Já que o dinheiro destinado ao combate de corrupção foi gamado, podemos logo iniciar a debate da 2ª questão….

++
Falando sério. Conversei ontem com 2 moscovitas e eles disseram, baseando-se na sua própria experiência, que a luta contra a corrupção do Medvedev, o mais provavelmente significará a luta contra o polícia de trânsito que recebe a “gorjeta” para perdoar a multa, contra o professor que é subornado para melhorar a nota, contra o médico que recebe as gratificações dos doentes, etc. Questões menores de 100 – 500 USD. Os grandes corruptos podem dormir tranquilamente.

+++
Só para descontrair.

Numa maternidade de Abecásia & Ossétia, nas vésperas de visita do Medvedev, nasceram gémeos, que imediatamente foram chamados de Volodia e Dima, apesar de serem meninas…

Jose Milhazes disse...

No Orçamento de 2010, os meios previstos para a modernização são cerca de 1% do total. O dirigente comunista fala em 0,1% do mesmo total. Qualquer uma dessas importâncias é pequena tendo em conta a envergadura do país.
Caro PM, o que há de novo é o facto de o Presidente reconhecer abertamente o estado em que se encontra o país, ou seja, o diagnóstico é bom, resta saber com que meios vai tratar das doenças apontadas.
Desferiu algumas farpas na direcção de Putin, mas não foi ao ponto de dizer que Putin, enquanto presidente, pouco ou nada fez para modernizar o país.
Se a modernização falhar, a Rússia fica condenada ao atraso eterno...

PortugueseMan disse...

Caro PM, o que há de novo é o facto de o Presidente reconhecer abertamente o estado em que se encontra o país, ou seja, o diagnóstico é bom, resta saber com que meios vai tratar das doenças apontadas.
Desferiu algumas farpas na direcção de Putin, mas não foi ao ponto de dizer que Putin, enquanto presidente, pouco ou nada fez para modernizar o país.
Se a modernização falhar, a Rússia fica condenada ao atraso eterno...


Confesso continuar a não ver mudanças. Por isso tenho curiosidade em ver algo de concreto sobre que modernização é essa que se fala.

Modernização existe e está a ser implementada. Existe vontade política e dinheiro. O que traz exactamente Medvedev de novo? Um discurso novo?

Medevdev fala de prazo estimados para o que fala? o que vai acontecer aos que estão em curso?

Eu mantenho a minha opinião, mantém-se os planos iniciados e estão a dar seguimento a eles. Com mais ou menos ajustes consoante o que vai aparecendo.

Mas caro JM, se vir algo de concreto a ser referido alguns projectos ou algo assim, peço-lhe que coloque para se poder dar uma olhadela. Eu gostava de ver algo, pois para mim o que é dito é vago.

António Campos disse...

Konstantin Sonin, professor na Nova Escola de Economia de Moscovo, em artigo no Moscow Times, dá uma solução para o desafio da modernização:

“Honestamente, não acredito na conversa actual sobre a modernização. Ou mais exactamente, acredito somente na parte na qual os líderes dizem que a modernização é necessária. Mas assim que a discussão se vira para os passos práticos a empreender, deixo de acreditar. Tal não é porque as propostas de privatizar grandes empresas e eliminar as corporações detidas pelo estado não funcionariam. A razão é simplesmente que a verdadeira modernização nunca resulta sem uma correspondente mudança na liderança política.

Uma área desesperada por modernização é a economia, que é demasiado dependente do petróleo.

No capítulo 4 do Relatório de Transição de 2009, publicado pelo Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, que pormenoriza os esforços de diversificação dos governos dos países com economias em transição, é feita uma comparação entre as exportações russas durante dois períodos de 5 meses distintos: Dezembro de 2004 a Abril de 2005 e Dezembro de 2008 a Abril de 2009. Durante o primeiro período, o preço do petróleo era, em média 42 dólares o barril, e no segundo 43. No ano fiscal de 2004-05, o petróleo e o gás foram responsáveis por 43,5% de todas as exportações russas, enquanto que os produtos de elevado valor acrescentado representaram 5,9% das mesmas. Quatro anos mais tarde, no ano fiscal de 2008-09, as vendas de petróleo e gás totalizaram 44% de todas as exportações e os produtos de alto valor acrescentado (ou seja, exactamente o sector que deveria crescer para diversificar a economia), continuou praticamente na mesma, ou seja 6,2% […]

[…] O que é que isto nos diz? A diversificação (um dos principais requisitos da modernização) permanece inalterada, não havendo novas maneiras evidentes de resolver este problema. O governo permanece inalterado na sua essência também. Numa tal situação, os russos deveriam considerar a sabedoria do velho ditado: “é mais fácil parir crianças novas do que limpar as velhas””

António Campos

anónimo russo disse...

António Campos disse...


No capítulo 4 do Relatório de Transição de 2009, publicado pelo Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, que pormenoriza os esforços de diversificação dos governos dos países com economias em transição, é feita uma comparação entre as exportações russas durante dois períodos de 5 meses distintos: Dezembro de 2004 a Abril de 2005 e Dezembro de 2008 a Abril de 2009. Durante o primeiro período, o preço do petróleo era, em média 42 dólares o barril, e no segundo 43. No ano fiscal de 2004-05, o petróleo e o gás foram responsáveis por 43,5% de todas as exportações russas, enquanto que os produtos de elevado valor acrescentado representaram 5,9% das mesmas. Quatro anos mais tarde, no ano fiscal de 2008-09, as vendas de petróleo e gás totalizaram 44% de todas as exportações e os produtos de alto valor acrescentado (ou seja, exactamente o sector que deveria crescer para diversificar a economia), continuou praticamente na mesma, ou seja 6,2% […]

[…] O que é que isto nos diz? A diversificação (um dos principais requisitos da modernização) permanece inalterada, não havendo novas maneiras evidentes de resolver este problema. O governo permanece inalterado na sua essência também. Numa tal situação, os russos deveriam considerar a sabedoria do velho ditado: “é mais fácil parir crianças novas do que limpar as velhas””


Como disse Medvedev, antes da crise chegar, muitos, ou quase todos, no governo tinham ilusões que a modernização podia esperar mais um pouco. È que a modernização passou a ser o objetivo principal definido por Medvedev só depois do início da crise.

anónimo russo disse...

P.S. Eu, pessoalmente, por enquanto não vejo nenhuma razão de apressar-se em mudar o governo e, especialmente, o presidente. Se daqui a uns 5 anos não mudar nada, vamos ver. Por enquanto é cedo para fazer conclusões.