quinta-feira, novembro 26, 2009

Primeira-ministra acusa Presidente de pretender impôr situação de emergência no país


O Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, impede conscientemente a luta eficaz do governo contra a epidemia de gripe, esperando ter possibilidade de impôr a situação de emergência no país, declarou Iúlia Timochenko.
A primeira-ministra ucraniana reagiu assim ao facto de a Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia não ter conseguido, hoje, superar o veto do Presidente de uma lei que prevê a concessão de mil milhões de grivnas (cerca de 120 milhões de euros) para a luta contra a epidemia de gripe.
A lei recebeu o apoio de 231 deputados, mas o veto só poderia ser superado com 300 votos.
“Quero sublinhar uma vez mais que estou convencida de que o Presidente, aproveitando-se de uma desgraça mundial, pretende simplesmente impôr o estado de emergência, e para isso é preciso que a epidemia avançe a toda a força”, acusou Timochenko.
O Presidente Iuschenko vetou a lei na redacção actual, pois considera que ela exigirá uma “emissão monetária não garantida” e provocará uma “aceleração dos ritmos de inflação” e a “desvalorização da grivna”.
A epidemia de gripe no país atingiu quase dois milhões de pessoas, tendo falecido 440, 17 das quais devido à gripe A H1N1.
Se o Presidente impôr o estado de emergência, as eleições presidenciais de 17 de Janeiro de 2010, em que participam Iuchenko, Timochenko e mais 16 candidatos, poderão ter de ser adiadas.

7 comentários:

Jest nas Wielu disse...

Artigo do FT: "Ocidente não deve ficar desiludido com Ucrânia":

Dois políticos ucranianos, Oleh Rybachuk, o chefe do pessoal do Presidente Victor Yushchenko em 2005 e Taras Chornovil, o chefe da campanha do seu rival Victor Yanukovych, escreveram para o jornal Financial Times o artigo conjunto com a sua visão da Ucrânia actual.

“Konrad Adenauer, o ex-chanceler alemão, disse: A “história é a soma total de coisas que poderiam ter sido evitadas.” É um epigrafo apropriado sobre a situação que Ucrânia viveu desde a Revolução Laranja há cinco anos atrás até o último fim-de-semana. Existem visões diferentes sobre aquilo que aconteceu, mas o consenso comum é que não existe nenhum vencedor ou vencido. Ucrânia está unida na desilusão comum.”

Ler o texto integral no Live Journal (http://kotyhoroshko.livejournal.com/373600.html) ou na página do FT (é preciso registar-se): The west should not lose patience with Ukraine

PortugueseMan disse...

...Se o Presidente impôr o estado de emergência, as eleições presidenciais de 17 de Janeiro de 2010, em que participam Iuchenko, Timochenko e mais 16 candidatos, poderão ter de ser adiadas.

Será possivel que ele tente fazer uma coisa dessas? adiar as eleições? Mas o que ganha ele com isso? mais algum tempo no poder?

Sempre estou para ver se as eleições são adiadas, iria ser bonito.

PortugueseMan disse...

Esse artigo que você colocou Jest, é interessante. Pelo o que diz, pela maneira como o diz e por quem o diz.

O que me suscita curiosidade, é a razão porque este artigo chama a sua atenção.

Você pode indicar o que pensa deste artigo?

João Lopes disse...

Are Ukraine Black Death Cases result of IMF Loans
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=viewArticle&code=ENG20091126&articleId=16288

Anónimo disse...

Existem visões diferentes sobre aquilo que aconteceu, mas o consenso comum é que não existe nenhum vencedor ou vencido. Ucrânia está unida na desilusão comum.”


Entretanto vão parasitando à custa de quem podem cravar. Umas vezes dos Russos, outras da Europa, a seguir dos Americanos, lá vem o FMI e dá mais uma ajuda. Nesse aspecto a união é geral. E as estruturas vão ruindo. Talvez até à derrocada final?
Carlos TR

PortugueseMan disse...

Já agora e para acompanhar o artigo indicado pelo Jest, também aconselho este:

Ukraine and the EU: A vicious circle?

Countries that managed to accede the EU did so "by observing a few simple guidelines," according to writes Tomas Valasek, director of foreign policy and defence at the Centre for European Reform: "cultivate friends among EU governments, be prepared to make painful sacrifices and, above all, show patience and good faith". But Ukraine "has broken every one of those principles over the past two years,"...


http://www.euractiv.com/en/east-mediterranean/ukraine-eu-vicious-circle/article-187741

É um artigo duro. Mas penso que reflete a imagem que a Ucrânia está a ter cá fora, ou melhor dizendo na UE.

A meu ver as coisas estão muito más na Ucrânia e o panorama para mim é só um, as coisas ainda vão piorar mais.

Neste momento já nem é a situação de uma possível adesão à UE. Neste momento a Ucrânia é um perigo para a UE. A UE vai ser obrigada a pagar para manter um país daquelas dimensões à tona e depois de todos esses custos e problemas que isso vai causar à UE, que vontade política haverá em abraçar este país?

E do lado da Rússia? que interesse existe em ajudar monetariamente um país que tantos problemas tem dado? Qual a justificação para que a Rússia desvie dinheiro para ajudar outros, quando ela própria precisa de dinheiro para ultrapassar os seus próprios problemas?

E como é que a Ucrânia poderá ultrapassar a crise grave que ainda agora está a começar sem a ajuda tanto da UE como da Rússia?

Eu olho e só me irrita, como é possível haver governantes capazes de não pensar no mal que fazem ao seu próprio país.

Sempre disse e mantenho que opção de querer aderir à NATO representava um perigo enorme para a Ucrânia, os anos passaram e agora estão nesta situação.

Para o ano vão ter novos governantes, mas a situação não vai melhorar. Eu não estou a ver como. A Ucrânia está falida. A Rússia para baixar o preço à energia, vai querer algo em troca, a UE só irá dar dinheiro para garantir os seviços mínimos de modo a não colocar em perigo o seu abastecimento e isto já são somas consideráveis e que mais tarde ou mais cedo alguém vai começar a reclamar.

O FMI... o FMI não deixar que eles façam o que quiserem com o dinheiro que eles emprestam.

Resultado disto? um rápido e contínuo agravar da situação da Ucrânia e dos ucranianos. Eles já têm e vão ter ainda mais dívidas para pagar por muitos anos. O custo de vida vai aumentar porque o preço da energia aumenta o que faz aumentar tudo e com a agravante da moeda perder força o que agrava ainda mais o preço da energia, entrando num ciclo vicioso.

A meu ver a Ucrânia vai ter problemas graves e dar a volta a todos estes problemas uma década não deve chegar. A Ucrânia vai passar por maus bocados e durante muito tempo.

Pippo disse...

Uma alternativa é a Ucrânia fazer o que fez a Rússia após a Guerra da Crimeia: vender território. Os russos venderam o Alaska. A Ucrânia poderá vender, quem sabe, a Crimeia...