quinta-feira, dezembro 31, 2009

Blog dos leitores

Publico a tradução feita por António Campos, leitor a quem muitro agradeço.


Sendo o final de ano, além de festivo, uma época tradicionalmente de retrospectiva e balanço, desejo a todos os leitores deste blog (e muito especialmente ao seu autor, que tem realizado um trabalho incansável na divulgação da pouco conhecida realidade do espaço pós-soviético - pelo menos nos países lusófonos), um excelente ano de 2010, com uma tradução de um artigo de Vladimir Ryzhkov, publicado no Moscow Times, que passa em revista o ano que hoje termina.


"Um ano com mais corrupção e desastres mortíferos

A Rússia acabará 2009 mais triste e ligeiramente mais sóbria, mas dificilmente mais sensata. A economia russa teve um pior desempenho do que todos os países do grupo dos 20 durante a crise e o número excessivo de catástrofes que sofreu sublinhou quão gritantemente ineficaz, incompetente e corrupto o nosso governo é. Apesar de tudo, este não se mexeu um centímetro do status quo que tem vindo a conduzir o país a um beco sem saída político e económico. A reacção da Duma à morte de Yegor Gaidar é altamente simbólica e uma forma adequada de o presidente Dmitry Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin concluírem o seu ano desastroso enquanto líderes da nação. Liderada por Oleg Morozov, presidente adjunto da Duma e membro do Rússia Unida, a câmara baixa do parlamento chumbou a moção que propunha observar um momento de silêncio por Gaidar, deputado durante 6 anos, primeiro-ministro em exercício e um dos mais influentes economistas e reformistas da história russa. Nem um só membro das cúpulas do Rússia Unida ou da administração presidencial esteve presente no funeral.
Durante os últimos oito anos, Gaidar avisou os principais políticos e economistas do país no Kremlin e na Casa Branca sobre o perigo de construir um estado policial autoritário, de aumentar o papel do governo na economia, de fechar os mercados à concorrência estrangeira e de aumentar o proteccionismo. O seu último livro, “Poder e Propriedade”, editado este ano, é o seu testamento político. Na obra, Gaidar adverte que dar ao governo tanto controlo sobre a economia terá como resultado que a Rússia nunca será capaz de convergir com o mundo desenvolvido. Além disso, escreveu Gaidar, o modelo de capitalismo de estado de Putin levará à destruição do próprio estado. Gaidar nunca se cansou de repetir aos apoiantes de Putin que a dita “via especial” conduziria o país apenas a um destino: o terceiro mundo.
Mais de 10.000 pessoas ficaram em pé durante horas sob 20 graus negativos para assistir ao funeral de Gaidar. Tal revela, mais uma vez, que o número de russos que partilham os pontos de vista liberais e democráticos do reformista é muito maior do que o Kremlin quer admitir. De acordo com várias sondagens do centro Levada efectuadas este ano e no ano passado, o número de russos que partilham com Gaidar as suas posições liberal-democráticas variam entre 15 a 20% da população, ou seja, 21 a 28 milhões de pessoas. Estes apoiantes das reformas liberais não estão representados na Duma desde 2003, quando a União do Poder Justo e o Yabloko, de acordo com os resultados oficiais, receberam votos abaixo do limite mínimo de 5%. Além disso, outros partidos liberais, tais como o meu próprio Partido Republicano da Rússia, não foram sequer autorizados a competir nas eleições para a Duma em 2007, após terem sido eliminados por alegadas “violações técnicas”. Os programas políticos e económicos liberais destes partidos foram sistematicamente difamados pelo Kremlin nos meios de comunicação nacionais controlados pelo estado. Com os reformistas ausentes das fileiras da elite política e económica, não há hipótese de sucesso para o programa de modernização de Medvedev.
2009 sublinhou diversas diferenças de estilo entre Medvedev e Putin. O primeiro gosta de criticar duramente o estado das coisas na Rússia, ao mesmo tempo que apela à rápida modernização e à suavização da política externa. Contudo, Putin insiste que os modelos políticos e económicos actuais funcionam bem, continuando a favorecer um forte controlo estatal da economia e uma política externa agressiva.
Medvedev não substanciou a sua retórica idealista sobre a necessidade de reformas liberais e modernização com acções concretas. Além disso, nada em 2009 levou a crer que o presidente se tenha finalmente tornado numa figura política independente. O governo e a administração presidencial continuam totalmente leais a Putin. Por outro lado, o Rússia Unida reforçou a sua posição como única força política do país. As eleições gerais de Outubro estabeleceram um novo recorde em matéria de falsificação. Ao mesmo tempo, o Rússia Unida tenta alargar a vertical do poder ainda mais, com a sua pressão para acabar com a eleição directa dos presidentes da câmara.
Durante 2009, Putin minou a maioria das posições de Medvedev, que já eram fracas à partida. Durante o programa de perguntas e respostas em Dezembro, em resposta á pergunta de quando estaria a pensar em retirar-se da política, Putin disparou: “não sustenham a respiração!”. Tal não deixa muito espaço de manobra a Medvedev, que, por seu lado, afirmou que não vai querer enfrentar Putin se este concorrer à presidência em 2012. Relativamente às críticas de Medvedev sobre as corporações estatais, Putin replicou que estas são “necessárias”.
Ao longo do ano, Medvedev foi incapaz de gerir as numerosas crises políticas e económicas. Em Março, o Tribunal de Khamovichesky em Moscovo iniciou um novo processo criminal contra Khodorkovsky e Lebedev, ainda mais absurdo que a primeira condenação. Houve um julgamento de alguns cúmplices pouco importantes no assassínio de Anna Politkovskaya, mas os autores morais ainda estão por acusar.
Em Abril o major da polícia Denis Yevsyukov desatou num frenesim assassino num supermercado, usando uma arma procurada no contexto de um crime anterior. Não há muito tempo, o major Andrey Dymovsky fez um apelo a Putin no Youtube, queixando-se de abusos na polícia. Assombrosamente, o ministro do interior Nurgaliyev, próximo de Putin, não foi despedido. Não houve também demissões importantes nos serviços secretos, apesar das explosões no Nevsky Express e de uma onda de atentados terroristas no norte do Cáucaso.
2009 foi também um ano triste para os jornalistas e os activistas dos direitos humanos. O advogado Stanislav Markelov e a jornalista Anastasia Baburova foram assassinados em Moscovo em plena luz do dia. Na Chechénia, assaltantes desconhecidos raptaram e mataram a activista dos direitos humanos Nataliya Estemirova.
O nível de corrupção aumentou marcadamente em 2009. E para mais, este ano demonstrou que a corrupção mata, através dos exemplos do incêndio em Perm, que matou 150 pessoas, e do desastre da barragem de Sayano-Shushenskaya, com 75 mortes. Medvedev continua a combater a corrupção com palavras ocas.Ao nos aproximarmos do final do ano, não há muito para celebrar nas frentes económica e política. Na Rússia, 2009 será lembrado pelo aumento da corrupção, pelas catástrofes sangrentas e pela deterioração global do país. Feliz Ano Novo, Rússia!"

15 comentários:

Anónimo disse...

"Na Rússia, 2009 será lembrado pelo aumento da corrupção, pelas catástrofes sangrentas e pela deterioração global do país."

A Rússia pelo que consta está mais forte do que a 20 anos atrás, defende seus interesses com firmeza e sobriedade, é um grande player internacional.

"2009 foi também um ano triste para os jornalistas e os activistas dos direitos humanos. O advogado Stanislav Markelov e a jornalista Anastasia Baburova foram assassinados em Moscovo em plena luz do dia. Na Chechénia, assaltantes desconhecidos raptaram e mataram a activista dos direitos humanos Nataliya Estemirova."

No Brazil tb morrem jornalistas, nos EUA, na França no Iraque, Afeganistão, mas é o ESTADO RUSSO que mandou mata-los?

"O nível de corrupção aumentou marcadamente em 2009. E para mais, este ano demonstrou que a corrupção mata, através dos exemplos do incêndio em Perm, que matou 150 pessoas, e do desastre da barragem de Sayano-Shushenskaya, com 75 mortes."

Ora, que culpa o ESTADO tem se o sujeito, ou DONO utilizou este espaço de forma inregular.Ele é o responsável, o ESTADO antes de liberar o estabelecimento deveria fazer a vistoria, se fez, repito o dono é inteiramente responsavel pela situação.

Este blog lamentávelmente é contra a Rússia.

Anónimo disse...

Maioria dos russos aprova gestão de Putin.

"Os russos consideravam ser necessário um líder forte. E quando surgiu Putin, ele foi logo apoiado por muitos russos, que depositaram nele esperanças na melhoria da situação. Por isso, ele recebeu um apoio muito forte da sociedade russa desde o início da sua Presidência".

Pedro Jorge disse...

O Brasil em menor proporção vive esse drama socioeconômico descrito no texto.

Roberto Campos disse que dos caracteres do liberalismo - direito do individuo a propriedade e a renda dos meios de produção, estado de direito, sistema financeiro forte, segurança pública , liberdades individuais, etc. - o Brasil só tinha o primeiro, ainda com ressalvas, pois a propriedade podia ser alvo de um MST (petista/esquerdalha) da vida ou outras formas de violência . Quem se interessar que procure a obra e autor.

Nesse tempo muitos serviços e bens eram geridos pelo estadão Leviatã: telefonia sem telefones , transportes sem rodovias adequadas, mineradoras ineficientes - a zênite de um tal Eike Batista vem desse tempo quando seu pai foi presidente da estatal Vale; o cara sabia o mapa de tudo no território nacional e aí foi fácil vender mundo afora e se capitalizar; EU SEI!; na Rússia os caras não tiveram tanta sorte e se danam na cadeia. Eike só escapa bem na fita por causa do direito individual à propriedade inerente a cultura brasileira; desse modo é normal que o estado sirva ao indivíduo e não ao conjunto como pode ser exigido - pelo menos do ponto de vista ideal - na Rússia por força do legado stalinista (lembrem que Stálin teria doado sua herança ao partido),- sistema financeiro estatal caótico com dezenas de bancos públicos clientelistas exatamente a favor de partidos políticos(BEG, BANERJ, BANESPA, BEMGE, BEC), legítimos filhotes da ditadura e outra formas anteriores de prática política.

O estatismo econômico foi ferido com força por Fernando Henrique Cardoso. É possível que o modelo estatodesenvolventista – confiram o liberalismo do governo JK - perpetrado pelo regime de 1964 tenha sido o correto para fazer evoluir economicamente uma nação semifeudal ; segundo consta isso aconteceu na Coréia do Sul com bons resultados. Desse modo ele se tornou alvo do ódio do sindicalismo ideológico que infesta às empresas públicas brasileira, que sempre foi a base do esquerdismo tipo petista, hoje vitorioso e no controle de muitos aparelhos do estado com claro reflexo no complexo midiático formador de opinião. Entendam que a previdência pública no Brasil é 30 vezes mais cara do que a previdência privada ao estado. Hein? Como falarmos em justiça social sem corrigir monstro do tipo ?

Até hoje, pretensos intelectuais – sou de uma família classe média do tipo- arengam contra um dos maiores brasileiro de todos os tempos aonde ele mais acertou. Pois cota racial, reservas territoriais imensas para pequenas etnias foi um desaforo - visto que somos 50% de sangue do tipo com direitos iguais (OK! Direitos iguais! É como se a pátria brasileira estivesse dormindo!– minha avó paterna era uma índia!) -, não fazer a ALCA – agora o idiota do Chávez , o que financiou a eleição do Lula em 2002, estua uma tal boliviarinidade exótica, e outras -, foram plenos desacertos. E mais outros, embora a esquerdalha condene tão somente seus acertos.

Eu sei direitinho o drama de Gaidar; sou testemunha capaz intelectualmente da história do meu tempo.

A ESQUERDA É UM DESGRAÇA. AQUI OU EM QUALQUER LUGAR.

lol disse...

O nível de corrupção aumentou marcadamente em 2009.

SO NISsso aqui ja perde parte da credibilidade veja bem como eles sabem? por causa da boate em perm? ela ja funncionava assim em 2005 eu acho. se vc tentar resumir esse texto imenso ele nao fala muita coisa nao.

Anónimo disse...

Интересно написано....но многое остается непонятнымb

Slot disse...

Em tempos de crise mundial é difícil fazer um balanço com resultados positivos. O facto é que o mundo não está em bons momentos. Houve tragédias, catastrofes e outras coisas horríveis que abateram não somente a Rússia mas a Europa, Asia, América Latina e por aí vai.

Mas estamos a falar da Rússia, pelo que estou a ver parece-me que o país começou a sair da crise. O Banco Central russo já projecta crescimento de acima de 3% neste ano. Em 2009 de acordo com projecções confiáveis a queda demográfica foi a menor desde 1992. Creio que a Rússia não esteja tão mal como já esteve a ir, em tempos dos anos 90.

A corrupção
Ela sempre foi forte mas não creio que tenha aumentado como o artigo traduzido afirma. Existe uma consciencia entre os russos de que ela é má e precisa ser combatida. O russo comum sabe que ela existe em todo lugar.Mas não adianta o povo ficar a esperar que o governo a extermine. Isso é um duro facto, infelizmente.

Quanto ao assassinio de jornalistas é um facto também mas nunca destacam a morte deles em países democráticos como o México ou Colombia. No México, numa guerra contra o tráfico morrem mais jornalistas que na Rússia.


Feliz 2010 à todos.

couto soares pacheco disse...

Infelizmente, meu caro Anónimo, que é coisa pouca limpa eticamente, qualquer observador independente percebe que a Rússia vai mal. E, pior, que mais cedo que tarde, vai ter de decidir-se por aceitar a tomada da Sibéria oriental pela China, ou tentar evitar isso aliando-se, de vez, à Europa de que já fez parte. Se quiser voltar , e bom seria que voltasse, vai ter que cumprir regras de organização cívica sem paralelo com as que agora vigoram de facto.
Aposto que vai alinhar conosco - e isso é capaz de querer dizer " et pour cause América .
Sem ofensa , queira fazer o favor de ler o que tenho escrito no meu blog ciclostomo couto soares pacheco sobre geopolítica , e perceberá melhor o que quero dizer-lhe. Cumprimentos meu caro anónimo, e parabéns ao meu vizinho Milhazes que é da Póvoa vivendo eu em Vila do Conde.

couto soares pacheco disse...

Parabéns ao autor e bom ano ao Milhazes

Hugo Albuquerque disse...

Em um primeiro lugar, fez bem a Duma ao não prestar homenagens a Yegor Gaidar. Teriam de comemorar o que em relação a um desastroso ministro de Estado, um papagaiador histérico da escola autríaca que pondo o seu liberalismo tacanho em movimento quase acabou com seu próprio país?

Também não entendo a colocação do caro Pedro Jorge embaixo, afinal, crítica à esquerda num post sobre a Rússia? E por um acaso um nacionalista puro como Putin se tornou esquerdista? Citar Roberto Campos, um ministro de Estado de uma Ditadura Fascista, e FHC, aquele que quase destruiu a economia nacional nos anos 90, chega a ser risível. Drama socioeconômico, onde? Se nós fomos um dos últimos países a entrar na crise mundial e um dos primeiros a sair dela, recuperando emprego, mantendo crescimento na renda salarial e ainda tirando pessoas da miséria?

A lição que fica de tudo isso, seja na Rússia ou no Brasil é que extremistas políticos - isto é, aqueles que distorcem os fatos para encaixa-los na estreiteza da sua visão de mundo - são um desastre em qualquer lugar do mundo. Gaidar nada mais era do que o outro lado da moeda de Stalin - e se os russos já refutam o primeiro, já é um começo. No Brasil, felizmente Lula não é nem uma coisa nem outra e contra números, só pode haver a ficção.

abraços e um grande ano pela frente

Anónimo disse...

Pelo andar da carruagem só vão ficar tal como no passado os escritores incómodos como Viktor Pelevin ou Vladimir Sorokin para apresentar outros pontos de vista.
Porque será que o panorama me pode fazer lembrar "Geração P" de V. Pelevin? As semelhanças estão lá e são muitas. É pena na verdade que isso aconteça.

António Campos disse...

Excertos de mais um artigo russófobo, escrito pela equipa editorial da Gazeta.ru. Sou forçado a admitir que Estaline tinha razão: a Rússia está pejada de traidores e inimigos do povo, cujo objectivo é destruírem o país…ou, neste caso, o que resta dele.

“O principal resultado do ano (e da década de Putin) é o de que ninguém está a lidar com os assuntos do país. Este, sob a custódia da ferrugenta vertical de poder, e com a população num estado de hibernação política, continua a envelhecer e a colapsar a olhos vistos.”

A elite do país não o está a governar, estando em vez disso “a tomar parte numa luta pela obtenção de propriedade e na conversão febril de controlo em petrodólares” para proveito próprio. Como resultado, “não foi por acidente que os russos terão descoberto que ninguém está a assegurar a correcta manutenção das turbinas hidroeléctricas, que ninguém está a assegurar que os códigos de segurança contra incêndios estão a ser cumpridos nas discotecas”, que ninguém está a zelar para que as estradas sejam reparadas nem para que os militares estejam protegidos.

“Para nós, lei e ordem são antónimos, uma vez que a ordem que os poderes vigentes apoiam a todos os níveis usando a força das estruturas a eles subordinadas não é de forma alguma baseada na lei.”

A população “assume, logicamente, que não tem poder e, consequentemente, não tem responsabilidade; no entanto, se tal atitude continuar no futuro, juntamente com a indiferença dos poderes vigentes relativamente aos destinos do país, as consequências para a Rússia serão trágicas.”

“Ninguém precisa de uma Rússia sob o poder ilimitado de “forças patrióticas” que não conseguiram, durante a última década, conduzir as “reformas que poderiam ter convertido o país num estado democrático desenvolvido com um nível de vida condigno para os seus cidadãos.”

Artigo original:
www.gazeta.ru/comments/2009/12/29_e_3305639.shtml

António Campos

Pedro Jorge disse...

Hugo, obrigado pela atenção.

O Brasil vive sim uma situação parecida com o descrito no texto. Somos um país de cultura estatizante, com insegurança jurídica, que precisa de reforma à diminuir a alta carga tributária, tem um parlamento corrupto e incompetente, etc..

Hugo você leu direito a coisa?

"Os programas políticos e económicos liberais destes partidos foram sistematicamente difamados pelo Kremlin nos meios de comunicação nacionais controlados..." Desse jeitinho acontece no Brasil de Lula em relação ao governo FHC, aonde ponteia a calúnia, hipocrisia e mentira; lembrem que a primeira privatização da telefonia pública da década de 90 foi feita pelo Palloci, do PT, em Ribeirão Preto-SP.

É verdade que estamos saindo da recessão. Mas em 15 anos nunca tivemos um crescimento negativo como desse ano, com o pior desempenho da indústria de todos os tempos, também a maior taxa de desemprego desde que existe a mensuração.

Você: "Citar Roberto Campos, um ministro de Estado de uma Ditadura Fascista." No tempo da Guerra Fria, quando porfiaram o liberalismo e o marxismo como forma de regime sóciopolíticoeconômico, o Brasil teve a felicidade de meter o pé na bunda da esquerdalha. Eu sei bem. Tive dois irmão presos por ligações vermelhonas. Ainda bem que tivemos o grande Roberto Campos que foi muito melhor do que o gordo Delfim, esse que é assessor de pé de ouvido do Lula.

Sei bem uma parte da sociologia. Está no meu sangue. Se tivesse uma saúde melhor iria com tudo para explicar ao máximo possível às massas o que é comunismo e o que é liberalismo. E aonde eu passasse o único status possível à Lula e demais esquerdalha, seria o de rato de esgoto.

Hugo, se FHC "destruiu o Brasil", porque o Lula e quadrilha não mudaram sua política econômica? E qual Brasil ele pegou em 1993? Um país destruído, vindo de 2 moratórias, uma do Sarney e uma técnica do Collor (curiosamente os dois estão juntinhos do Lula hoje); com inflação de 2000% ao ano que arrebentava o poder de compra da classe trabalhadora.



E a coisa está se agravando. Circula informação que temos uma Dívida Pública Bruta (Externa e Interna) na casa de R$ 2 trilhões! São U$ 1.4 trilhões! Em 2002 estava em torno de R$ 1 trilhão; a inflação no período é de 40%!

A ESQUERDA É UMA DESGRAÇA!

Hugo se habilite bem para qualquer damanda intelectual comigo. Sou forte, carinha.

Pedro Jorge disse...

O liberalismo é um estado de consciência. As democracias tipo ocidental apenas conjugaram valores morais e intelectuais imanentes do conjunto social inerente.

Hein?!

Sim ou não?

Cristina disse...

Não poderão dizer os leitores que o artigo é de algum imperialista americano inimigo da Rússia: de facto foi escrito por Vladimir Rijkov, ex-deputado liberal russo e dirigente de um partido da oposição.
Quem conhece um pouco da Rússia sabe que tudo o que Rijkov escreve é verdade, embora não coincida com a versão apresentada pelo poder nos principais órgãos de comunicação social russos.
No entanto, penso que o artigo se resume estritamente a uma análise política, perfeitamente legítima, da situação.
Houve aspectos que ficaram de fora e que não serão tão negativos.
Por exemplo, em certas áreas da investigação científica, nas artes, nalguns índices económicos (individamento público, exportações, balança comercial, reservas internacionais), na política externa, nas relações com os EUA e outros grandes países, a Rússia não está assim tão mal.
Naturalmente, o papel da sociedade civil, da oposição política, não é louvar o que está bem (isso fazem os Governos em todos os países) mas apontar o que está mal: só assim se consegue o progresso.
Por isso, ao contrário do que se julga na Rússia, os críticos e os líderes da oposição não prestam um mau serviço ao seu país.

António Campos disse...

Stop the Press! Afinal estão a haver reformas!

De acordo com uma peça saída a 15 de Dezembro no Yezhednevny Zhurnal, as forças policiais têm vindo a sofrer uma renovação desde há 5 anos.

O artigo, fundamentado em documentos do ministério do interior (MVD), refere que em 2003 este dispunha de 98 unidades OMON, as tropas de choque destinadas a reprimir distúrbios populares (leia-se, manifestações) ou importantes ameaças à segurança. Em 2007, este número passou para 121 unidades, totalizando cerca de 20.000 agentes. Adicionalmente, o ministério controla 87 unidades OMSN (tropas especiais anti-distúrbios) que têm vindo a ser recentemente treinadas, conjuntamente com as OMON, em técnicas de dispersão de manifestações em quatro regiões do país.

O MVD tem vindo a acumular uma verdadeira “força aérea” compreendendo 30 helicópteros, 6 aeronaves não tripuladas, 5 sistemas de vigilância de grande altitude e um dirigível.

Por outro lado, em 2006, o ministério anunciou planos para a aquisição de mais de 5.500 veículos blindados, tendo recebido nesse ano 122 autocarros-patrulha blindados. Em 2007, a Fábrica Ural, que produz estes veículos, anunciou um salto na produção de quase 60%.

O orçamento para as forças especiais duplicou em 2005.

O Yezhednevny Zhurnal refere ainda que nenhum do equipamento adquirido pelo MVD é concebido para o combate ao crime organizado.

http://www.ej.ru/?a=note&id=9710

António Campos