sábado, dezembro 05, 2009

Coitado do meu Varzim!


A equipa de futebol do Varzim Sport Clube pouco ou nada tem a ver com o tema central deste blog, mas não posso deixar de reagir à notícia de que o meu clube do coração tem jogadores com salários em atraso, passando por dificuldades.

Não posso dizer que que sou louco pelo clube A ou B, mas gosto do Varzim porque é o clube da minha terra natal, Póvoa de Varzim, e da minha infância. O que fazia eu e outros rapazes para entrarem no estádio para ver os jogadores alvinegros, principalmente quando se tratava de jogos contra clubes grandes como o Benfica ou o Sporting! Íamos para perto das portas do estádio e, quando víamos que alguma pessoa vinha sozinha, perguntava-mos: "tio, posso ir consigo!", e esta manobra quase sempre resultava.

Claro que, às vezes, quando o meu pai não estava na faina do bacalhau ou a pescar em Moçambique, ele levava-me ao futebol. Foi assim que vi actuar ao vivo ídolos como Eusébio, Simões, Hilário, Coluna, etc., etc. Quando estes ases do futebol jogavam pela selecção portuguesa ou contra algum clube estrangeiro, eu apoiava-os de todo o coração, mas quando jogavam contra o meu Varzim, a música era outra.

E quando o Varzim subia à primeira divisão! Que grande festa! Ainda me recordo da canção que todos entoavam (Ai, oh meu Varzim, do meu coração, conseguiste entrar na primeira divisão!)

No meio piscatório, onde nasci e cresci, o futebol era uma das formas de "subir na vida", ainda eram raríssimos os filhos de pescadores que chegavam à Universidade. Além do amor à bola, o factor acima citado também contribuiu para que os escalões juvenis do Varzim, bem como os do Rio Ave, Leixões fossem autênticos viveiros de jogadores de renome nacional e internacional: Noé, Quim, Artur, André, Paulinho Santos, Helder Postiga, Fábio Coentrão e muitos outros.

Como eu gostava de jogar à baliza, o meu ídolo era o gigante moçambicano Benje, que defendia as redes do Varzim.

Embora não tenha seguido a carreira de futebolista, porque fui para o seminário e os meus dotes futebolísticos não iam muito além do facto de ser bem mais alto do que os rapazes da minha idade, ficou-me sempre a simpatia pelo Varzim Sport Clube.

Os tempos mudam e, por várias razões (não sei se por má gestão ou falta de patrocínios), o Varzim vê-se numa situação difícil. O que fazer?

Pode ser que muitos conterrâneos meus fiquem indignados, mas acho que a melhor saída é juntar as sinergias do Varzim e do Rio Ave num clube só. O bairrismo balofo já passou e essa saída poderá contribuir para fazer nascer um clube maior.

Claro que a solução apresentada poderá não ser a melhor se o novo clube for mal gerido, for utilizado para alguns enriquecerem. Os dirigentes desportivos até podem enriquecer, desde que isso seja por mérito próprio e não através da destruição de emblemas históricos.

6 comentários:

Gilberto Mucio disse...

Comovente relato, seu Milhazes. Sorte ao seu Varzim, e que não seja preciso fechar as portas nem se fundir a outro clube! ;-)

Ítalo Tavares disse...

Falando em futebol:


Dunga vê "Brasil A x B" e declara "guerra" a Portugal
Gazeta Press - 6 horas atrás


Mal terminou o sorteio dos grupos da Copa do Mundo da África do Sul, sexta-feira, na Cidade do Cabo, e o técnico Dunga tratou de acirrar os ânimos para um dos confrontos mais difíceis da seleção brasileira na primeira fase da competição.

Ao falar sobre o duelo contra Portugal, o último do Grupo G, dia 25 de junho, em Durban, o treinador da seleção brasileira fez uma infeliz escolha de palavras: "Vamos jogar contra o Brasil. Será o Brasil A contra o Brasil B", comentou, em alusão ao trio formado pelos naturalizados Liedson, Pepe e Deco que defende a equipe de Carlos Queiróz.

A gracinha de Dunga, mesmo que não intencional, caiu mal nos ouvidos dos portugueses. Ao saber do comentário de Dunga a respeito do segundo embate entre os países na história das Copas do Mundo - o primeiro aconteceu em 1966, na Inglaterra, e foi vencido pelos patrícios por 3 a 1 -, Queiróz rebateu:

"É bom lembrar que muitos brasileiros são filhos e netos de portugueses. Então poderia ser mesmo um jogo entre Brasil A, B, C e D", argumentou o treinador lusitano, no mesmo tom irônico de Dunga.

A troca de farpas via imprensa continuou quando Carlos Queiróz lembrou da vitória comandada por Eusébio sobre os brasileiros na Copa da Inglaterra. "Esse é um confronto de boa memória para Portugal", brincou, citando a eliminação precoce do Brasil já na primeira fase.

Desta vez, a resposta à provocação coube a Dunga. "O passado é o passado. Já está escrito. Agora cabe a nós escrevermos o futuro";

O encontro marcado para o estádio Moses Mabhida será um verdadeiro tira-teima para o comandante brasileiro, que já encarou o time lusitano em duas oportunidades como treinador da seleção nacional, ambas amistosas. Em 2007, perdeu por 2 a 0 e em 2008 respondeu com estilo: 6 a 2.

"Temos que respeitar Portugal, pois, assim como conhecemos o time deles, eles conhecem o nosso. Fizemos duas grandes partidas, são duas grandes seleções e não poderemos nos descuidar", concluiu o capitão do tetra.

Rui Magalhães disse...

O Varzim e as suas gentes encontrarão uma solução, pois há gente muito dinâmica na Póvoa, e um clube como este não pode acabar :D

Vox disse...

Não sabia que O senhor Milhazes era natural da Póvoa.
Lembro-me do Benje e de outros tempos em que o Varzim tinha bons jogadores e boas equipas de football.

Eu pensava (por causa do nome fazia uma associação) que o Sr. Milhazes era natural de Milhazes, freguesia do concelho de Barcelos.

Pode ver dados de Milhazes na Wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Milhazes

Jose Milhazes disse...

Caro Vox, o meu apelido tem origem na aldeia de Milhazes, concelho de Barcelos, mas os Milhazes são originários da Póvoa de Varzim e, depois, partiram para outras paragens, algumas muito longínquas.

Anónimo disse...

Mais um pouco do Varzim por longinquas paragens do Globo, este Sr. Milhazes!